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sexta-feira, 3 de abril de 2020

"O Segundo Fôlego" de Philippe Pozzo Di Borgo

Tinha este livro há muito tempo na estante. Aliás, tenho dois exemplares com capas diferentes e por isso um deles vai ser sorteado no Passatempo Mensal que faço aqui no blogue. 

Apetecia-me ver um filme e nada melhor do que ler e ver quase em simultâneo a mesma história contada de diferentes perspectivas.

Gostei muito do filme. Aborda uma pequena parte do livro, por acaso aquela que não achei tão interessante ao lê-lo. O livro relata-nos a vida do autor, escrita na primeira pessoa, e começa por falar um pouco na sua juventude e no seu encontro com aquela que foi o amor da sua vida. No amor que os uniu desde os tempos da faculdade e na(s) doença(s) que influenciaram as suas vidas. Foi esta parte do livro que mais gostei e sobre a qual o filme não retrata a não ser com umas leves referências.

Sobre esta amizade improvável, entre doente e cuidador, creio que o filme se revela uma óptima opção e gostei muito de ver as imagens aliadas às palavras do livro.

Coisa boas no filme, coisas boas no livro...

Mas continuo a achar que o filme não perderia nada se abordasse o seu relacionamento com a mulher. Ou melhor dava outro filme!

Terminado em 26 de Março de 2020

Estrelas: 4*

Sinopse
Philippe Pozzo di Borgo é um aristocrata francês, diretor da conceituada casa de champanhes Pommery, que aos quarenta e dois anos vê o seu futuro comprometido quando um acidente de parapente o deixa tetraplégico. Deste acontecimento trágico decorre o encontro improvável entre Philippe e Abdel, um jovem rebelde dos subúrbios de Paris que é contratado como auxiliar para cuidar de Philippe.
O Segundo Fôlego, a autobiografia de Philippe, é o relato humanista e bem-humorado dos anos de convivência entre ambos. Inspirados por esta história verídica, Olivier Nakache e Éric Toledano realizaram um filme com o nome Amigos Improváveis, que conta com François Cluzet e Omar Sy nos principais papéis.

Cris

terça-feira, 17 de março de 2020

"As Aves Não Têm Céu" de Ricardo Fonseca Mota

Há livros que não nos pertencem, que não são para nós. E não há problema algum com isso. Li este livro conjuntamente com duas amigas livrólicas. Estabelecemos metas diárias e vamos comentando num grupo criado para esse efeito. Às vezes gosto de ler assim: incentiva a leitura e os comentários servem para melhor percebermos o que estamos a ler. Aqui foi necessário. Uma amiga gostou muito, a outra estava como eu, um pouco às aranhas.

A escrita é algo poética mas a história achei difícil de se perceber no seu todo. Mesmo no final, creio ter ficado com a ideia correta do enredo mas fiquei aberta a outras e diferentes opiniões. Talvez possam existir outros entendimentos e gostava de conversar sobre isso.

Um dos temas tratados é a dor da perda. Um pai sente-se responsável pela morta da sua filha num acidente de carro. Não dorme. Vagueia pela vida sem ter um sentido para ela. Depois existem outros personagens que estão com ele relacionados.

Mas no final do livro, um twist

Terminado em: 9/10 Março de 2020

Estrelas: 4*

Sinopse
Um homem vagueia pelas noites insones, revisitando o passado e a culpa que lhe vai consumindo os dias. A mulher trocou-o por outro e levou consigo a sua única filha, ainda pequena. Na semana de férias em que finalmente pode estar com ela, sofrem um acidente de viação que resulta na morte da filha.

A culpa e o passado cruzam-se neste romance feito de gente que vive no escuro, como o taxista que várias vezes apanha este pai e o transporta pela cidade silenciosa, e os dois companheiros com quem desde a morte da filha partilha o espaço.

Vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2015, Ricardo Fonseca Mota regressa à ficção com As aves não têm céu, um romance lírico que vem dar voz às sombras que se escondem nos recantos mais obscuros da alma humana.

Cris

terça-feira, 10 de março de 2020

"Águas de Tempestade" de Danielle Steel

Não é o primeiro livro que leio de Danielle Steel e embora não seja um tipo de leitura que faça frequentemente, aceitei o convite do Círculo de Leitores...  É  um livro com uma escrita fluida e que se lê bem. Creio que é destinado a um leitor que goste de romances cujo final se encaixa na perfeição. Eu prefiro aqueles que nos deixam a pensar e onde as portas ficam, se não abertas de par em par, pelo menos não totalmente fechadas.

Contudo, o tema que serviu como pano de fundo - um furacão em N.Y. - é bastante verosímil e foi tratado de uma forma que me agradou bastante. A partir daí a acção entra numa espiral de acontecimentos que prende a nossa atenção. Todas as personagens são atingidas, de uma forma ou de outra, pelo furação que se abate sobre N.Y. e do qual os habitantes não esperam  que se manifeste em grande força, como muitos outros que são anunciados mas que nos últimos minutos se desviam e não caem sobre a cidade.

O enredo vai centrar-se nalgumas histórias que giram à volta deste acontecimento e cujas vidas ficam irremediavelmente marcadas por ele. Mas nem tudo é mau e a vida recompõe-se depois da tempestade.

Estou curiosa com as opiniões que surgirão no clube de leitura que o Círculo de Leitores vai promover nesta sexta feira, dia 13, no Palácio Baldaya, em Benfica, às 19h. Podem-se inscrever através do email comunicacao@circuloleitores.pt.

Apareçam, mesmo que não o tenham lido! 

Terminado em 9 de Março de 2020

Estrelas: 4* +

Sinopse
À medida que o furacão Ofélia se abate sobre Nova Iorque, milhões de pessoas são apanhadas pelas terríveis inundações que a tempestade desencadeia. Ellen Wharton, uma designer de interiores de sucesso, apanha um avião de Londres para Nova Iorque, decidida a visitar a mãe; Charles Williams, britânico e banqueiro de investimento, está ansioso por ver as filhas, que vivem com a sua ex-mulher em Nova Iorque; Juliette Dubois, médica do serviço de urgência, luta para salvar vidas; e Peter Holbrook e Ben Weiss, estudantes universitários curiosos com o desastre natural que se aproxima, recusam-se a abandonar o edifício onde vivem. Seis pessoas, seis destinos que se vão cruzar num dia marcado por uma catástrofe de proporções épicas que revelará quem são os verdadeiros heróis.

Cris

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

"O Céu Numa Gaiola" de Christine Leunens

Esta obra tem, para mim, duas partes distintas. A primeira achei mais verosímil e traduz uma realidade vivida pelas crianças e jovens alemães durante a II Guerra. A lavagem cerebral que lhes era dada na escola e que acabava, muitas das vezes, por separar as famílias sobretudo se os pais não fossem coniventes com o regime hitleriano.  Separação física, porque os treinos e a guerra assim o "exigia" mas, principalmente, separação em termos de ideais e escolhas. Palavras  e conceitos  como "eugenia", "esterilização" e "morte" passaram a fazer parte do vocabulário de jovenzinhos.

Johannes, a personagem principal e, também o narrador, foi transformado num pequeno Hitler, fanático e  completamente alheado dos princípios básicos pelos quais um ser humano se deve reger. Gostei muito de ler esta primeira parte do livro, de conhecer, através das palavras do autor, este desenrolar da mente humana, de verificar como através dos ensinamentos errados o Homem fica destituído de valores como a equidade e igualdade, transformando-se num pequeno monstro.

A segunda já me foi mais difícil de entender e aceitar. Quando parecia que, afinal, a mente humana não pode sucumbir à maldade, eis que esta se revela em todo o seu esplendor! Johannes alucina completamente depois da guerra terminar. Esta parte deixou-me desconfortável, e foi-me difícil de acreditar que tivesse semelhanças com a realidade! Talvez porque a minha visão do que é um Homem ainda seja ingénua? Prefiro pensar que não!!!

Fiquei curiosa porque na capa deste livro vem mencionado que inspirou um filme, Jojo Rabbit. Não tinha ouvido falar nesta adaptação e fiquei expectante em relação às imagens que a tela me revelará. Quero ver o filme para poder comparar com o livro.

E como esta opinião é feita a quente, digo-vos para lerem por vós mesmos e depois comentarem aqui o que acharam...

Terminado em 12 de Fevereiro de 2020

Estrelas: 4*

Sinopse
Durante a Segunda Guerra Mundial, em Viena, Johannes Betzler, um membro fanático da Juventude Hitleriana, é ferido num ataque aéreo. Forçado a viver confinado à casa dos pais, descobre que estes escondem ilegalmente uma rapariga judia. A ideia de uma fugitiva silenciosa e vulnerável a viver por trás de uma parede falsa na sua própria casa horroriza-o. Após a repulsa inicial, cedo Johannes sente-se obcecado por Elsa.

Subitamente, os pais desaparecem sem deixar rasto, e Johannes é a única pessoa que sabe da existência de Elsa. Dividido entre a responsabilidade pela sobrevivência da rapariga e a sua lealdade à pátria, a perceção que Johannes tem da realidade começa a dissolver-se no mundo em explosão do Terceiro Reich e no labirinto moral de situações impossíveis.

Focando-se na cosmovisão de um jovem fanático num regime violento e manipulador, este é um romance comovente, perturbador, com alguns laivos de humor negro, que examina as verdades e as mentiras que nos mantêm vivos.

O filme Jojo Rabitt, inspirado no livro O Céu Numa Gaiola, venceu o prémio BAFTA para Melhor Argumento Adaptado.

Cris

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

"Ingmar Bergman, o Caminho Contra o Vento" de Cristina Carvalho

Um livro que deve ser lido, sobretudo, pelos admiradores de Ingmar Bergman ou por aqueles que querem conhecer alguns dos seus aspectos particulares. Não se destina a dar a conhecer a obra deste cineasta amante das palavras, mas retrata um pouco como seria a sua vida pessoal, o seu feitio, os seus gostos.

Senti-me dividida com esta leitura. Se, por um lado, gostei da escrita da autora, da forma como ela fez parte do relato e achei uma escrita fluída, convidativa a virar as páginas; por outro não fiquei fã do cineasta e do seu feitio. Os génios têm de ser assim?

Mas voltando ao livro, digo-vos que, se viram os filmes de Ingmar Bergman, e querem conhecer mais pormenores da sua vida pessoal, este é o livro. A pesquisa feita transparece nestas páginas e senti, através das palavras escritas, a admiração enorme que a autora tem pelo cineasta. Porquê? Tive ocasião de lhe perguntar (a autora foi presença no clube de leitura da Bertrand a que pertenço). Não me soube responder. Porque sim. Há coisas que se sentem (e o leitor sente essa paixão da autora pelo biografado) mas não se conseguem explicar.

Fiquei fã da escrita, não do homem/personagem. No entanto, fiquei com muita curiosidade em ver os seus filmes, sobretudo dos que se falaram no encontro da Bertrand. Se os vi não me recordo!  A próxima obra desta autora a ser lida por mim (tem tantas!) é um romance biográfico: "A Saga de Selma Lagerlöf". Assim, mato dois coelhos de uma vez só. Conheço a vida dessa mulher que foi a primeira mulher Nobel (1909) e delicio-me com a escrita da Cristina, que tive o gosto de conhecer.

Terminado em 10 de Janeiro de 2020

Estrelas: 4*

Sinopse
O que a Autora revela neste romance biográfico são aspectos menos conhecidos da vida de Bergman. Não tudo, mas o que considerou importante para se conhecer um pouco melhor essa personalidade invulgar por quem se apaixonou.

Cris

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

"Paz Traz Paz" de Afonso Cruz

É bonito este livro. Embora não seja habitual nas minhas escolhas este género de livros (Poemas? Pequenas relexões?) sendo do AC, como costumamos dizer num dos grupos de leitura a que pertenço, foi com agrado que peguei nele e comecei a ler.

O AC sabe brincar com as palavras, que brotam deste livro (como cogumelos?), e é delicioso saborear as pequenas frases cheias de profundidade, às vezes engraçadas mas sempre com um segundo sentido. Não é para ser lido rapidamente porque se perderiam os pormenores. Por essa razão, intercalei com outro.

A mensagem que está por detrás das palavras e que o título traduz um pouco, é enorme. Um pequeno gesto de amor pode desencadear um mundo de amor, em mudança, em movimento. Um pequeno gesto de indiferença, de desamor, pode chegar bem longe e contaminar a terra inteira.

Fisicamente o livro também é belo. Pequeno, capa dura, com desenhos ilustrados pelo autor.

Embora não sendo um tipo de leitura habitual em mim, e talvez por isso não saiba dar o valor merecido, este livro tocou-me verdadeiramente porque algumas passagens são belíssimas.

Terminado em 26 de Dezembro de 2019

Estrelas: 4*+

Sinopse
Da narradora d’O LIVRO DO ANO, aquela menina que carrega um jardim na cabeça e atira palavras aos pombos, chega-nos um novo diário com os seus pensamentos, inquietações, experiências e os sonhos de melhorar o mundo através de pequenos gestos ou actos heroicos, atacando o absurdo com o absurdo e a noite com canteiros de flores. Páginas feitas de inusitada poesia, para leitores de todos os feitios. Até os normais

terça-feira, 26 de novembro de 2019

"Um Fio de Sangue" de Ann Yeti

A autora deste livro tinha-mo enviado para eu ler e, embora pequeno, acabou por ficar na estante esquecido...
    É uma história pequenina que no início não estava a cativar-me.  Talvez porque os personagens pouco ou nada me dissessem. Mas, eterna romântica, deixei-me contagiar pelo amor que Joana, a protagonista, começou a sentir pelo Tomás.
    O final foi o que devia ser para que este romance não se tornasse lamechas. A vida, às vezes, prega-nos partidas. É preciso estar atento e não deixar passar as oportunidades porque o amanhã pode já não ser possível.

Terminado em 11 de Novembro de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Ela tem uma paixão secreta. Ele, um trauma profundo. Ambos ergueram barreiras dolorosas de transpor. A história de um amor maior do que a vida.


A obra Um fio de sangue faz-nos mergulhar no desconhecido que leva ao amor, à fantasia e à entrega. A narrativa pauta pela intensidade de emoções, sensações, apelando aos nossos sentidos. A autora guia-nos na viagem surpreendente da relação entre os personagens principais. Uma história de desejo, fantasia, entrega e amor com um final de cortar a respiração.

Cris

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Morreste-me" de José Luís Peixoto

É-me muito difícil falar deste livro. Ele traduz por palavras os sentimentos do autor aquando da morte do seu pai. Saber que é um livro baseado num facto verídico e que, muito provavelmente, foi a forma que o autor encontrou para fazer um pouco do seu luto, torna a minha reflexão um pouco mais difícil. 
    Os sentimentos face à morte de um ente querido são algo de muito particular e cada pessoa sente e manifesta-os  de forma diferente. Posto isto, o que senti ao ler este livro nada tem a ver com o que acabei de dizer, ou melhor, os meus sentimentos face a esta leitura nada têm a ver com o respeito que senti ao mergulhar nos sentimentos de perda do autor.
    A escrita é poética o bastante para eu não me rever o suficiente nela. Não é o meu género de eleição e não me senti confortável ao ler o texto. Está bem escrito, sem dúvida, mas não me senti tocada.
    Sei que muita gente tem este livro como referência e as minhas expectativas eram altas em demasia. Gostei sim mas para ser sincera esperava emocionar-me com esta leitura, o que não aconteceu.

Terminado em 2 de Novembro de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.

Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português.

Cris

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

"Meu Amor, Meu Segredo" de Julie Cohen

Esta foi uma leitura maravilhosa. Cheia de segredos revelados pouco a pouco e com uma estocada final que me deixou em choque! Muito bom! 

Nāo posso revelar muito mais sobre a história sob pena de vos contar em demasia. Trata-se de uma história de amor entre um casal já com uma idade avançada, que ultrapassou vários contratempos que os afastariam se nāo fosse o seu amor e a sua vontade de permanecer juntos. Falam logo de início de um segredo a que poucos têm acesso e que influenciou a sua vida em conjunto.

A história é contada do momento presente para várias etapas relevantes do passado e em cada uma delas vão sendo desvendados alguns segredos. De tal forma que, quando o segredo final nos é  revelado, já eu o não esperava e caiu-me de surpresa em cima.

Aflora também a questão da demência, problema frequente em idades avançadas. Não é um facto inédito mas custa sempre ler estas abordagens tão actuais e verificar que a realidade pode ser absurdamente terrível e cruel.

Um livro a que poucos ficarão indiferentes. Para ler!

Terminado em 01 de Novembro de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Robbie e Emily estão juntos desde sempre, mas o seu amor permanece vivo e forte. Ao longo da vida, têm partilhado a cama, a casa e uma ligação tão profunda que parece indestrutível. Mas há coisas que eles não partilham com ninguém, para bem de todos.

Numa manhã como qualquer outra, Robbie acorda, veste-se, escreve uma carta a Emily e sai de casa. Para sempre. Há um segredo que ambos guardam desde o dia em que se conheceram. Os sacrifícios e as escolhas que fizeram ao longo da vida podem agora ser expostos perante todos e esta é a única maneira de os preservar.

Cris

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

"Lisboa, Chão Sagrado" de Ana Bárbara Pedrosa

Tenho muitas coisas para vos confessar sobre esta leitura.

A primeira é que apanhou-me de surpresa. Tenho a mania de, pelas capas, tirar o conteúdo. Nada de mais errado, eu sei, mas não consigo deixar de o fazer. Quando dou por mim já “fiz o filme todo” depois de olhar para uma capa. Não me engano tantas vezes assim e é por isso que, inconscientemente, o continuo a fazer. Se isso aconteceu neste livro? Sim. Se me enganei? Completamente!

A capa é belíssima. Sóbria, bonita como gosto. Espantou-me a escrita. É muito crua e o uso de alguns termos pode ferir susceptibilidades. Percebe-se que não é gratuito mas creio que não será leitura para todos os gostos. Eu estranhei, depois entranhei mas, mesmo assim, não foi fácil. Mantive essa estranheza em mim durante a leitura toda. O currículo da autora é invejável e não pude deixar de sorrir quando, na apresentação do seu livro, depois de lhe ter dito que o tipo de escrita utilizado pelo narrador fere o ouvido do leitor, ela retorquiu: "Também a mim".

A escrita é fluída, a história prende, alguns sorrisos surgem mesmo sem querer, dado as confusões inerentes à diferença existente entre os termos em português de Portugal e o do Brasil.

O narrador é um desbragado! Opina, emite juízos de valor, interpela o leitor, sem pudor nenhum. É quase uma personagem tal a interferência na narrativa. Mas há mais! Eduarda, o centro da trama, Mariana, jovem presa ao amor que sente por Eduarda, Noé que ama Eduarda mas que sente uma atracção por Matias, Matias, por sua vez que ama Noé e Dulcineia que se ama a si própria.

Espero uma nova obra da autora. Fiquei curiosa. Manterá o registo? 

Terminado em 7 de Outubro de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
«Queria exagerar, ser o Werther, mas no exagero só veria adolescência. Evitou a explosão, o anacronismo, escondeu que queria fazer-lhe uma ode, compor-lhe uma ópera, invadir Lisboa com o seu exército montado em elefantes, dar-lhe mil camelos, erguer-lhe um palácio onde só pudessem entrar e-l-a e os seus livros.
Não restou nada de bom: insónias, fraqueza, ansiedade, aquela tristeza lenta, aquele abraço impossível, passeios furiosos pela madrugada de Lisboa, um escaravelho estúpido, um ego que já só serve para varrer o chão, a falta d-e-l-a, a falta d-e-l-a, a falta d-e-l-a, a certeza de que a teria seguido até um lar, até ao fim.»

Eduarda, Mariana, Noé, Matias e Dulcineia são os eixos desta história, numa teia que se estende de Lisboa ao Rio de Janeiro, do interior da Bahia à Palestina.
Nas ligações entre as personagens, a cama aparece como lugar de animalidade onde todos os conflitos, materiais ou emocionais, se resolvem: o amor, a falta dele, o tédio, a tristeza, o luto, a vingança, a excitação, o estímulo da decadência. De resto, são as expectativas frustradas, os desencontros, o improviso perante o novo.

Um romance de estreia arrojado, visceral e brutalmente honesto, que afirma Ana Bárbara Pedrosa como uma das novas vozes da ficção portuguesa.

Cris

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"Um Amor do Passado" de Kristin Hannah

Depois de ter lido "A Grande Solidão" e "O Rouxinol" as minhas expectativas, ao começar este livro, eram muito altas. Se tivesse reparado que foi escrito em 1996 e que os outros dois eram de data posterior, poderia estar preparada para uma leitura boa mas não tão espectacular como as outras foram para mim.

Alguns acontecimentos revelaram-se bastante previsíveis. Gostei do tema abordado mas o "happy end" esteve sempre comigo quando pensava num final e, por isso, não posso considerar este livro como um dos melhores da autora. Não quero com isto dizer que Kristin Hannah deixou de ser uma das minhas escritoras preferidas. A sua escrita evoluiu muitíssimo e, já aqui, mostrava o seu potencial. 

Aborda vários temas, a saber: os problemas da adolescência, o de se ser mãe solteira, os reencontros com os amores do passado, os problemas de saúde graves que precisam de alterações profundas no estilo de vida e uma questão que já nos anos 90 se colocava e que a ciência não pode responder... até que ponto é que as células possuem memória? Com o transplante de um orgão pode-se afirmar com certeza que nenhumas das características do dador não passam para o transplantado? 

Um livro que prende embora possua um final previsível. Gostei! Mas também quem não gosta, às vezes, de um final assim?

Terminado em 22 de Setembro de 2019

Estrelas: 4*+

Sinopse
Quando Mikaela Campbell, esposa e mãe amada, entra em coma, cabe ao seu marido, Liam, manter a família unida e cuidar dos filhos desolados e assustados. Os médicos dizem-lhe que não tenha esperança que ela recupere, mas ele acredita que o amor é capaz de fazer o que a medicina não consegue. Todos os dias, senta-se ao lado dela, conta-lhe histórias da vida preciosa que construíram juntos, na esperança de que ela acorde. Mas depois descobre provas do passado secreto da mulher: um primeiro casamento escondido com a estrela de cinema Julian True. Desesperado por trazer Mikaela de volta a qualquer custo, Liam sabe que tem de pedir ajuda a Julian. Mas irá essa decisão custar-lhe a mulher, a família e tudo o que estima?


Cris

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

"Nada Menos Que Um Milagre" de Markus Zusak

Foi uma peripécia a leitura deste livro! Com tantas interrupções que, ainda hoje, temo não ter captado tudo o que ele tem de bom para nos oferecer.

Primeiro, as suas quase 500 páginas levaram-me a, sempre que saía, deixá-lo em casa. O seu peso é considerável, portanto! Depois, o primeiro capítulo não fluíu como estava à espera e comecei a intercalar outros livros. (Mais tarde, foram as férias com bagagem reduzida que me impediram de o terminar rapidamente como então já desejava!)

Algumas opiniões positivas, de amigas que prezo, fizeram-me pegar nele. Passado o primeiro capítulo, a leitura flui de forma diferente. A história da família Dunbar prende. O passado e o presente, que nos são mostrados intercaladamente, fazem-nos entrar, aos poucos, nos segredos de uma família nada convencional. Pai e mãe, com os seus percusos de vida tão únicos e interessantes e os cinco filhos rapazes, com as suas especificidades que os tornam tão diferentes uns dos outros mas, ao mesmo tempo, unidos por uma forte amizade. A morte da mãe, a fuga do pai após esse acontecimento, cria nos cinco irmãos laços que se vão manter para sempre. 

O narrador é Matthew, o irmão mais velho, e a narrativa processa-se lentamente. Os pormenores são-nos revelados devagar, as idas ao passado mostram-nos como são importantes para desvendar os segredos familiares. Como referi, a narrativa faz-se devagar mas prende porque é recheada de detalhes interessantes desta saga familiar, que aconselho.

Terminado em 9 de Setembro de 2019

Estrelas: 4+

Sinopse
Clay olhou para trás uma última vez antes de mergulhar - de emergir e voltar a mergulhar - rumo a uma ponte, a um passado, a um pai. E nadou nas águas douradas pela luz.

Os cinco irmãos Dunbar vivem - lutando, amando e chorando a morte da mãe - no caos perfeito de uma casa sem adultos. O pai, que os abandonara, acaba de regressar. E tem um pedido surpreendente: algum deles aceita ajudá-lo a construir uma ponte? Clay, um rapaz atormentado por um segredo que esconde há muito, aceita. Mas porque está ele tão devastado? O que o leva a aceitar tão extraordinário desafio?

Esta é a história de um rapaz apanhado numa espiral de sentimentos, um rapaz disposto a destruir tudo o que tem para se tornar na pessoa que precisa de ser. Diante dele, ergue-se a ponte, a visão que irá salvar a sua família - e salvá-lo a ele próprio. Será um milagre e nada menos que isso.

Simultaneamente um enigma existencial e uma busca pela redenção, esta história de cinco irmãos em plena juventude, numa casa sem regras, transborda energia, alegria e emoções. Escrita no estilo inimitável de Markus Zusak, é um tour de force de um autor que conta histórias com o coração.

Cris

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

"Entre Nós" de Susan Wiggs

Foi uma leitura simpática esta. Fluída, como uma amiga afirmou. A escrita conquista-nos pela simplicidade e as páginas voam. 

Um pequeno aspecto desagradou-me porque achei desnecessário. A personagem principal utiliza algum calão que achei que ficava a mais. Quase que impróprio para a caracterização dessa mesma personagem. Não sendo púdica, soou-me mal. 

De resto, gostei da história. A autora focou bem os aspectos positivos e negativos da cultura amish comparativamente com a nossa. E, claro, aprende-se sempre, facto que adoro. 

É uma história de amor, boa para esta época de férias e de descanso. O final é previsível como se quer num enredo assim mas é uma leitura muito agradável que recomendo para quem gosta de um romance com alguns contratempos mas que acaba bem.

Terminado a 12 de Agosto de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
No coração pacífico das terras dos amish, uma situação de vida ou de morte destrói os alicerces desse mundo tranquilo. A autora número um em vendas do The New York Times, Susan Wiggs, oferece-nos uma história fascinante que desafiará as nossas crenças mais profundas.

Cris

quinta-feira, 4 de julho de 2019

"O Céu é Para Quem Não Desiste de Voar" de Miguel Ribeiro

Não é hábito meu ler livros de desenvolvimento pessoal. Não é que não goste mas simplesmente o tempo não chega para todas as leituras... Este livro morava já há algum tempo na minha mesa de cabeceira e, ia pegando nele no intervalo das outras leituras ou quando tinha um pouquinho de tempo para ler mais um parágrafo.

Creio que o melhor é lê-lo com tempo, com um lápis na mão para podermos sublinhar e refletir. Ler de seguida, como se de um romance se tratasse, poderá fazer-nos perder informação. E posto isso, e visto ser difícil resumir o que acabei de ler, posso dizer-vos que esta obra fala de tudo o que é de mais importante nesta vida: do amor e da perda, da dúvida e da certeza, da falta de tempo e do tempo desperdiçado, da descoberta de ti através dos que te rodeiam, da perseverança, do sonho, do medo do desconhecido, do perdão, da gratidão... E tantas, tantas coisas mais. Fala do Homem, dos seus sentimentos e dos seus valores.

E é através de um menino, das suas conversas com quem encontra nas suas pequenas viagens pela vida (a mãe, as lembranças do avô, o velho, o cão, a estrela do mar, o cavalo, a borboleta e mais alguns elementos da natureza) que o autor explora sentimentos e estados de alma que podem ser úteis ao leitor. São afirmações quase banais, que todos nós conhecemos se pensarmos nelas mais profundamente mas que, muitas vezes, estão esquecidas! 

E termino com uma frase do autor que pode traduzir muito bem a mensagem deste livro: "Mais importante que ter as asas é nunca se perder a vontade de voar". 

Terminado em 3 de Julho de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
«Vê além do que os teus olhos te mostram, escuta para lá do que consegues ouvir.»

Neste livro, Miguel Ribeiro conta-nos a história de um menino e do seu papagaio de papel, e através da simplicidade desta narrativa, baseada em elementos da natureza, faz-nos refletir acerca de valores e sentimentos, que tantas vezes esquecemos no nosso dia a dia.
Num texto inspirador e poderoso que vai tocar no coração dos seus leitores, o autor fala-nos do amor no seu estado mais puro, do altruísmo, da resiliência, da capacidade de sonhar, da perda, da vontade e da esperança. As palavras que realmente importam nas nossas vidas. As palavras que têm o poder de nos transformar, de nos dar asas e de nos fazer tocar o céu.

Cris

quarta-feira, 19 de junho de 2019

"Em Nome do Amor" de Lesley Pearse

Quando se lê uma autora que se gosta muito as comparações com outros livros dela já lidos são inevitáveis! Por já ter lido melhores, digo-vos que este não foi o que mais gostei dela. Creio que os temas de fundo abordados neste livro - violência doméstica, Síndrome de Estocolmo - poderiam ter sido tratados de uma forma mais exaustiva e profunda. Com isto não quero dizer que não gostei do livro, de todo! Queria apenas um pouco mais de páginas porque sei que a autora o conseguiria fazer com mestria!

A morte de duas senhoras, mãe e filha, provocadas por um fogo posto leva a uma busca por parte de Katy com o intuito de descobrir o culpado e ilibar, assim, o pai que se encontrava na cadeia acusado injustamente de ser o autor do crime. 

Gostei particularmente de, a dada altura do enredo, o leitor saber mais sobre alguns acontecimentos do que alguns personagens e de existirem várias situações a acontecerem em simultâneo. Este facto motiva o leitor e incentiva-o a continuar, desejoso de saber pormenores e chegar ao fim. 

A escrita de Lesley continua como sempre a conheci: intensa, emotiva, fluida. Os temas abordados são sempre actuais muito embora possam retratar épocas passadas, como esta obra que nos coloca nos anos sessenta. Outros dos aspectos que aprecio nesta autora é o facto de saber retratar muito bem os ambientes descritos colocando o leitor em épocas que não viveu mas sentindo-se verdadeiramente presente nelas. Tudo isto coloca algumas questões, sendo a mais relevante a que deixo a pairar aqui: serå que houve uma mudança suficientemente grande nas nossas mentalidades e hoje tratamos as vítimas de violência doméstica com a ajuda que elas merecem ou ainda existem preconceitos que nos fazem vê-las como as "culpadas" da situação que vivenciam? O que realmente mudou?

Terminado em 17 de Junho de 2019

Estrelas: 4*+

Sinopse
Katy Speed tem 23 anos e o sonho de viver em Londres, longe da pequena cidade de Bexhill-On-Sea e do temperamento difícil da mãe.

Enquanto não consegue escapar, acompanha avidamente a vida de Gloria Reynolds, a simpática e glamorosa vizinha da frente. Para Katy, entediada com a pacatez do seu dia a dia, as estranhas movimentações na casa de Gloria são um alimento para a imaginação...

Quem serão as mulheres que a visitam ao sábado num carro preto? E porque é que por vezes vêm acompanhadas de crianças? O certo é que essas atividades suspeitas provocam algum desconforto na comunidade. Uma noite, porém, um incêndio devastador vai por fim a tudo isso… e também à vida de Gloria e da filha. Depressa se torna evidente que se tratou de fogo posto, uma notícia chocante para todos mas principalmente para Katy, pois o principal suspeito é o seu pai. 

Ela sabe que ele é inocente. 
E vai fazer tudo para o provar... nem que para isso tenha de arriscar a própria vida.

Romance de amor e história de coragem, Em Nome do Amor é uma incursão perturbante ao lado negro das relações humanas. No magnífico retrato de uma época já distante, a autora bestseller trata com profundidade e coragem temas tremendamente relevantes ainda nos dias de hoje.

Cris

terça-feira, 28 de maio de 2019

"Contador de Histórias" de Jeffrey Archer

Não sou grande apreciadora de contos. Já o tenho dito aqui. Começam e acabam cedo demais. Quero sempre que tenham mais páginas e que o autor os desenvolva mais. Mas a oportunidade de conhecer este autor fez-me pegar neste livro. A minha opinião sobre os contos mantém-se. Preferia-os maiores. Talvez por isso o conto que gostei mais foi o maior, intitulado "O Vice Presidente Sénior". 

Também dentro dessa perspectiva não posso deixar de vos falar de um conto pequenino que adorei e que gostaria muito que fosse um romance, o "Perder e Sair a Ganhar". A história passa-se antes da I Guerra, e começa com uma amizade entre um professor alemão e um aluno britânico. Uma amizade que o destino põe à prova nas fileiras da guerra. Um conto com um potencial enorme para ser um grande romance. 

Outro que achei espectacular foi o "A Estrada de Damasco", também com o tema da guerra por base, desta feita da II Guerra. Se pensar bem, a nível de contos, este foi o que mais teve impacto em mim (daria um romance fantástico!).

Outros houve que gostei bastante e fiquei muito curiosa porque o autor refere e assinala no final os contos que foram baseados em histórias reais, que, aliás, foram a maioria. Algumas questões sobre esse facto surgiram-me de imediato. Será que terei oportunidade de as colocar? O autor estará na Feira do Livro de Lisboa dia 2 de Junho das 15 às 18h, no espaço Autores Que Nos Unem do Grupo Porto Editora. Se puderem não faltem!

E, se gostam de ler contos, peguem neste livro. A mim ficou-me a vontade de ler a série As Crónicas de Clifton (sete volumes) que habita cá nas estantes já há muito...

Terminado a 25 de Maio de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Jeffrey Archer, o autor da saga dos Clifton, regressa com um novo livro de contos há muito aguardado pelos leitores, repleto de textos emocionantes e, às vezes comoventes, escritos nos últimos dez anos.

Descubra o que aconteceu ao jovem detetive napolitano que, para resolver um assassínio, é arrastado para uma pequena cidade. Veja o que muda na vida de um jovem à medida que este descobre as origens da fortuna do seu pai. Siga as histórias de uma mulher que, na década de 1930, se atreve a desafiar homens poderosos, e a de uma outra, jovem, que apanha boleia e tem o encontro da sua vida.

Cris

segunda-feira, 27 de maio de 2019

"Um Instante de Amor" de Milena Agus

Peguei neste pequeno livro um pouco por acaso. É livro para ser lido num dia e era isso que precisava para entrar num projecto de leitura que corre por aí - "A ler vamos chamar a primavera". Quase com o prazo a terminar nada melhor que ler um livro de 90 páginas. Assim, não sabia para o que ia e nem sequer tinha lido a sinopse. Às vezes, estas leituras surpreendem-nos.

Confesso que a surpresa deste livro está nos dois últimos parágrafos. Até lá a história é engraçada mas não mexe com o leitor. O narrador é uma neta que relata a história da avó que já faleceu e de quem ela gostava muito. A avó é apresentada como alguém que toda a vida não foi compreendida e até foi vista e tratada como tendo alguma doença mental. Casou tardiamente, sem amor, e não conseguiu levar avante várias gravidezes, o que não a deixava bem vista perante os outros. Numa ida a umas termas conheceu o seu grande amor. Ou será que não?

O click é dado no final destas páginas, como referi. Há todo um sentido diferente que apanha o leitor desprevenido e dá, de igual modo, um sentido diferente a toda esta história e que deixa um gostinho bom no coração do leitor. No meu, pelo menos, deixou.  Foi a cereja que faltava no cimo do bolo.

Terminado a 20 de Maio de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Um Instante de Amor conta-nos a história de uma mulher extraordinária que viveu em Cagliari, na Sardenha, durante a Segunda Guerra Mundial. A rigidez e os preconceitos do meio onde nasceu não se compadecem com a sua natureza sonhadora e romântica. Embora seja extremamente bonita, os homens estranham-na, e o amor teima em fazer-se esperar. Atormentada pelo desejo que um casamento de conveniência não aplacou, reinventa a sua própria vida, num rasgo de erotismo e poesia, belo e assombroso como o próprio romance que deslumbrou a Itália e a França e veio confirmar Milena Agus como uma voz única, deliciosamente irreverente, da actual narrativa italiana.

Uma história arrebatadora que ganha nova vida no cinema com Marion Cotillard, Louis Garrel e Alex Brendemühl.

Cris

quinta-feira, 9 de maio de 2019

"A Avó Que Percorreu o Mundo de Bicicleta" de Gabri Ródenas

Acho que foi o título desta obra que, primeiramente, chamou a minha atenção. 

Penso que este livro não é para ser lido com o foco em pormenores técnicos que nos possam parecer irreais ( que "avó" de noventa anos poderia andar 30 km diários?) porque se trata de uma fábula deliciosa! É com o olhar de quem está a ler pura magia que conseguimos apreciar os detalhes que nos são contados pelo autor.

Em muitas coisas fez-me recordar O Principezinho. Uma delas foi o de termos de escutar o nosso coração, de ter esperança, de observar os pequenos detalhes que a vida nos oferece e dar-lhes a devida atenção. Afinal, nada é por acaso, pois não? E não foi por acaso que este livro me veio parar às mãos.

Doña Maru, vive no México numa pequena vila. As horas dos seus dias são passadas a fazer pequenos bolos, os alfajores, que vai oferecendo a quem encontra e, sobretudo, aos meninos de um orfanato a quem visita diáriamente. A sua vida não foi fácil porque ela própria foi criada num. Até que um dia uma notícia inesperada fá-la percorrer alguns km na sua bicicleta à procura de...

E mais não conto! Disponham-se a fazer alguns km com Doña Maru, com a sua idade e com a sabedoria que ela lhe trouxe. Digo-vos já que este é um livro classificado de auto-ajuda. Como tal têm de se preparar para entrar nesta fácula deliciosa e deixar o vosso coração ouvir.

Terminado em 2 de Maio de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Doña Maru tem noventa anos e uma vida pacata em Oaxaca, México. Percorre diariamente de bicicleta uma longa distância para levar doces, alegria e o seu sorriso às crianças do orfanato. Criada, ela própria, num orfanato, no Chile, de onde fugiu com treze anos, sabe bem o que é estar só no mundo. A vida não foi fácil para ela, mas a velha senhora sempre manteve o caráter rebelde e ouviu os murmúrios do seu coração.

Quando descobre que tem um neto, em Veracruz, decide partir a galope no cavalo de vento a sua velha bicicleta em busca do rapaz numa viagem reveladora do poder dos sonhos.

Com esta fábula cheia de magia, humor e espírito positivo, Gabri Ródenas convida-nos a abrir a caixa dos tesouros que a vida nos oferece - a esquecer o que nos entristece ou o que nos aborrece para abraçarmos uma existência mais emocionante, mesmo que de início isso nos possa parecer desconcertante e insólito. É um convite para vermos a realidade tal como a víamos nos longos verões da nossa juventude, em que tudo resplandecia e o mundo se revelava pleno de aventuras e oportunidades.

Cris

quarta-feira, 8 de maio de 2019

"Uma Gaiola de Ouro" de Camilla Läckberg

Nunca tinha lido Camilla Läckberg. Já ouvi dizer que este livro foge ao estilo dela. Quero verificar isso em breve pois pretendo ler mais livros desta autora, sobretudo de algumas séries policiais.

Que dizer deste livro? Fiquei um pouco sem palavras, tive de me sentar, depois da última folha para pôr em ordem os meus tumultuosos pensamentos! 

O enredo, em certas partes, é um pouco previsível. Sentimos que as coisas vão correr de determinada forma. Não que o facto de alguns acontecimentos serem expectáveis faça esmorecer o apetite do leitor em continuar a leitura, não, de todo! É uma leitura que se faz rápida e sente-se uma empatia imediata com a personagem principal. Esse, em parte, foi um problema para mim. Faye tem um aspecto muito sombrio na sua personalidade que a faz agir de determinadas formas para conseguir os seus fins e não acredito que todos os meios justifiquem os fins... Sentimos empatia pelo seu lado de vítima mas ao mesmo tempo questionamos os seus valores morais. Será que a vingança é o motivo certo que deve impulsionar alguém para avançar com a sua vida e tentar vencer?

Faye é uma personagem que está muito bem caracterizada pois a autora soube, com mestria, desenvolver-lhe um carácter ambíguo, propício a discussão por parte dos leitores dado que as suas acções são extremas e passa de vítima a castigadora num abrir e fechar de olhos! Creio que esse aspecto dá uma boa discussão entre leitores...

Fiquei curiosa com os outros livros da autora. Ainda bem que a Feira do Livro de Lisboa se aproxima...

Terminado em 30 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro.

Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

Cris

terça-feira, 7 de maio de 2019

"As Longas Noites de Caxias" de Ana Cristina Silva

Li este livro durante o feriado do 25 de Abril. Fez todo o sentido celebrar a liberdade lendo sobre ela. E este livro é isso mesmo: uma ode à liberdade! Àquilo por que passaram algumas pessoas para que nós, hoje, possamos falar e pensar livremente. Não faço ideia como seria viver nesse ambiente, sem poder expressar as minhas opiniões, viver situações em que o medo impere.

Gostei de sentir e aperceber-me de como seria viver assim, sem a liberdade que vivemos hoje. Ana Cristina soube reproduzir lindamente a época salazarista. As prisões, os movimentos estudantis, a PIDE. As ameaças, o medo, a tortura.

Em relação ao enredo esperava um pouco mais. A história de duas mulheres que se cruzam e que pertencem a polos opostos quanto às suas ideologias políticas. Considero a caracterização destas duas personagens um pouco simplista: uma é essencialmente boa, a outra essencialmente má. Recuso-me a acreditar que o ser humano se reduza a esses extremos. Mas, será que tenho razão? Depois de terminada a leitura fiquei a pensar sobre este assunto.

No entanto, gostei de ler. Gosto dos livros desta autora. Recomendo-os todos.

Terminado em 25 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Um romance poderoso e emocionante sobre duas mulheres que viveram intensamente a ditadura. Leninha, a mais temida e poderosa figura feminina da polícia política portuguesa: a PIDE; e Laura, uma das vítimas que mais sofreu às mãos da terrível agente. Baseado na vida de uma figura tão terrível como fascinante: a mulher que chegou mais alto na hierarquia da PIDE, ainda hoje uma grande desconhecida para a maioria dos portugueses.

Cris