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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Convidada Escolhe: Comédias para se Ler na Escola


Não conheço leitor que não tenha os seus pequenos "ódios de estimação" e os seus "amores de perdição" reflectidos em pelo menos um, ou vários autores. Luís Fernando Veríssimo está, sem sombra de dúvida, entre os meus amores de perdição.
Desde que li um primeiro livro de Luís Fernando Veríssimo que mantenho sob radar as suas obras em cada livraria em que entro. Autor brasileiro não muito divulgado, diria até, algo proscrito, é difícil encontar os seus livros, embora mantenha ou tenha mantido colaborações com jornais portugueses como o Expresso e o Público.
"Comédias para se Ler na Escola", a minha mais recente aquisição, corresponde ao género literário mais utilizado pelo autor, um livro de crónicas gostosas.
Centrado em questões de linguagem e de crescimento, este livro, traz-nos verdadeiras micro delícias que, não raras vezes, é uma pena que sejam apenas crónicas pois mereceriam desenvolvimento e ficamos com pena que tenham terminado.
Com Luís Fernando Veríssmo temos que estar prontos para uma boa gargalhada, um sorriso rasgado perante a ironia e a crítica constante de que são alvo os mais diversos visados, incluindo ele próprio, verdadeiro sinal de inteligência. E pensar... pois é isso que o autor nos desafia a fazer sob a capa da ligeireza e sempre, mas sempre, com uma riqueza gramatical e de vocabulário que o eleva e distingue. Não há lugar a comparações com o pai, e isso é algo que Luís Fernando gere de forma excepcional.
Um livro que se lê de um fôlego e que nos deixa bem disposto. Mais do que um livro, um autor que recomendo e que nos traz assuntos sérios de uma forma bem disposta.

Excertos
"Sexa
- Pai...
- Humm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo me disse que tem sexo masculino e femino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra «sexo» é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino
- Não devia ser «a sexa»?
(...)
- A palavra é masculina.
- Não. «A palavra» é feminino. Se fosse masculina seria «o pal...»
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática." (p. 41)
"O Jargão
Sou fascinado pela linguagem náutica, embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos, onde a única linguagem técnica que você precisa saber é «a que horas servem o bufê?». Nunca pisei num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjôo em escada rolante. Mas, na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, principalmente, dos especialíssimos nomes da equipagem.
Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação:
- Recolher a traquineta!
- Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu.
(...)
- Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua.
- Cuidado com a sanfona de Abelardo!
(...)
Sempre imaginei que poderia escrever uma coluna de economia usando um jargão falso assim, com pseudônimo. Não sei quanto tempo duraria até au ser descoberto e desmascarado, mas acho que não seria pouco. Não estou dizendo que quem escreve sobre economia não sabe o que está escrevendo, ou se aproveita da ignorância generalizada oara enganar. Estou dizendo que a análise econômica é uma arte tão imprecisa que, mesmo desconfiando do embuste, a maioria hesitaria antes de denunciá-lo. (...)" (p.55)
"Fobias
(...)
Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (...), agorafobia (...), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) (...), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas maiores neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham «Frio» e «Quente» escritos por extenso, para saciar a minha sede de letras (...)" (p.88)

Fernanda Palmeira

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Palmeiras na Neve de Luz Gabás


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 32
Editor: Marcador
ISBN: 9789898470584


Tinha ouvido falar deste livro muito positivamente mas nada me tinha preparado para este encontro tão absorvente! Gostei mesmo muito. A autora pegou em factos históricos verídicos que eu desconhecia por completo e criou uma história apaixonante, onde não existe quebra de ritmo e os personagens possuem características semelhantes às pessoas que circulam ao nosso lado.

Guiné e Espanha, país colonizador. Dois espaços temporais separados por cinquenta anos: 1953 e 2003. Quem já viajou até África vai reconhecer as cores, os cheiros e mesmo alguns costumes. Impossível ficar indiferente a este romance pois retrata com veracidade as condições do processo de colonização espanhol em África, mais propriamente na Guiné, e também as relações entre colonizadores e colonizados, seus amores e desamores, suas paixões e vinganças.

Retrato emocionante e verdadeiro de um país africano colonizado e sua história conturbada, de paz e de guerra, de amores e de ódios e retrato de uma família que parte à descoberta e desejo de novas riquezas e se apaixona por um país onde o calor não é só um estado do tempo mas uma condição inerente ao povo nativo. 

Gostei muito e recomendo esta leitura!

Terminado em 23 de Fevereiro de 2013

Estrelas: 5*+

Sinopse


Estamos no ano de 1953 e Kilian abandona a neve da montanha para iniciar com o seu irmão Jacobo, uma viagem apenas de ida para uma terra desconhecida, longínqua e exótica. Nas entranhas deste exuberante e sedutor território, espera-os o seu Pai, um veterano que trabalha na fazenda de Sampaka, o lugar onde se cultiva e tosta um dos melhores cacaus do mundo.
Nessa terra eternamente verde, cálida e voluptuosa, os jovens irmãos descobrem os encantos de uma vida social na colónia em contraste à vida monótona e cinzenta que se vivia na Espanha dos anos cinquenta. Trabalham o cacau com afinco e esforço para conseguir as melhores colheitas, conhecem o significado da amizade, da paixão, do amor, do ódio. Mas um deles irá cruzar uma linha proibida e invisível ao apaixonar-se perdidamente por uma nativa. Esse amor pulsante e urgente, marcado pelas circunstâncias históricas, irá mudar para sempre o rumo das suas vidas e será a origem de um segredo que marcará as suas vidas até ao tempo presente.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

As coisas que te caem dos olhos de Gabriele Picco



Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 216
Editor: Edições Contraponto
ISBN: 9789896660918
Faixa etária: a partir dos 12 anos

É-me difícil falar deste livro e desta leitura, porque não consegui percebê-lo na íntegra. Creio que algo me escapou, talvez por não conseguir entrar nesta leitura como é hábito ou por falta de concentração. Por essa razão, não posso dizer que gostei ou que desgostei. É bastante original, quer na escrita em si, quer na história e muito diferente. Diferença essa que me impediu de o apreciar verdadeiramente. Sensação esquisita esta, ah?!


Devo acrescentar que a capa e os desenhos, feitos pelo autor, que se encontram no livro são lindíssimos e têm tudo a ver com a história!


Um livro que devia reler com mais calma, para conseguir fazer a leitura adequada...


Terminado em 31 de Maio de 2012

Estrelas: 3*

Sinopse



Alguma vez se perguntou o que há por detrás de uma lágrima?
Ennio é um jovem tímido que tem um interesse muito especial: é fascinado por lágrimas, misteriosas gotas de água salgada que contêm sonhos, lembranças, medos… Quando vê uma, fotografa-a e inventa uma história. Contudo, o próprio Ennio não chora… nunca. Aprendeu a enterrar a dor, a ocultar os seus sentimentos e, com eles, o seu segredo mais inconfessável.
Fugindo do passado, Ennio parte para Nova Iorque. Certo dia, encontra o diário de uma rapariga japonesa: Kazuko. Deslumbrado pela perspicácia e pelos fabulosos desenhos que encontra naquelas páginas, Ennio parte numa busca incessante para devolver o livro à dona. Durante este périplo, a sua história entrecruza-se com a de outras personagens tão excêntricas quanto cativantes: Gianny, que tem uma fisga no nome; Arwin, que filma tudo o que o rodeia com uma câmara escondida no cabelo; Josh, que perdeu a mulher no atentado às Torres Gémeas e agora coleciona pó; e, ainda, uma gaivota ferida, resgatada da neve de abril - que, dizem, dá sorte…


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Dolci di love de Sarah-Kate Lynch


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 280
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722347846

Este livro é um romance leve e fresco, que muitos vezes nos leva a sorrir tais são os acontecimentos caricatos que são neles descritos. Serviu para descontrair de leituras mais pesadas que habitualmente prefiro...

Lê-se rapidamente, tem como pano de fundo uma situação de infidelidade matrimonial que dá lugar a uma série de peripécias, algumas cómicas, outras mais sérias, onde se vêm envolvidas umas velhotas italianas, casamenteiras de "profissão" que dão a este romance uma pitada de humor que dispõe bem e que torna esta simpática leitura agradável.

O final é romântico, como convém neste género livro e não podemos deixar de invejar o final feliz que nem sempre traduz a realidade mas que desejamos frequentemente. Não podia terminar esta leitura num dia melhor... Um romance para os casais enamorados!

Terminado em 14 de Fevereiro de 2012

Estrelas: 3*+

Sinopse

Estrela do mundo dos negócios em Manhattan, Lily Turner descobre que Daniel, o seu marido "perfeito", tem outra família ali escondida, nas colinas da Toscania. Depois de lá chegar, o seu drama atrai a atenção da Liga Secreta das Viúvas Cerzideiras, uma espécie de exército invisível que se reúne para criar finais felizes Este complexo enredo cheio de humor desenrola-se na atmosfera estival e sumptuosa da paisagem toscana aromatizada pelos deliciosos cantucci, os Dolci di Love, confecionados segundo uma antiga receita que faz deles uma celebração à vida e à alegria de viver. Uma leitura ideal para o Dia dos Namorados.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Simão, o fantástico de Sofia Bragança Buchholz


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 180
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722346986

Abri este livro quando o recebi pelo correio - ganhei-o num passatempo - e não pude deixar de dar uma gargalhada logo na primeira página. É constituído por pequenos episódios do dia-a-dia do pequeno Simão e quem lida com crianças não pode deixar de se rever nalgumas situações aqui descritas em jeito de anedota.

Apontamentos que me fizeram recordar algumas situações mais caricatas que presenciei com os meus filhos e filhos de amigos. Pena é que nos esqueçamos, a maior parte das vezes, de anotar as suas peripécias para mais tarde passarmos uns bons momentos a reler tais notas. A Sofia registou e partilhou connosco alguns desses episódios e se quiserem passar uma hora bem passada, toca a ler este livro muito simpático e divertido! Para todas as idades.

Terminado em 31 de Dezembro de 2011

Estrelas: 3*

Sinopse


Este é um livro sobre crianças que todos irão gostar de ler. O seu protagonista, Simão, é o espelho da inocência infantil que testemunhamos nos miúdos que nos rodeiam. 

Os pais reconhecerão nele situações semelhantes às que, diariamente, vivenciam com os seus filhos. Também aqueles que não os têm se vão identificar com este personagem. Simão representa a criança que há em nós, aquela que normalmente controlamos porque, como adultos, temos de obedecer a regras. Simão não tem essas dificuldades. Ele consegue ver a vida de um ponto de vista original sem ligar a convenções. É contestatário, divertido, irónico, inocente. Tem forças e fraquezas, medos e coragem. Através de uma lógica surpreendente, consegue descobrir novas perspetivas em problemas antigos e é capaz de comunicar as suas verdades sem papas na língua, como só as crianças o sabem fazer.

Ao lermos este livro, ficamos de imediato apaixonados pelo pequeno Simão porque, no nosso íntimo, pensamos tantas vezes como ele e gostaríamos de ter a ousadia para agir da mesma forma.

Simão, o Fantástico, de Sofia Bragança Buchholz, é um convite para todos os adultos (re)verem o mundo de uma forma descontraída e repensarem o seu papel nele.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Os últimos dias de Pôncio Pilates de Paula de Sousa Lima


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 224
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724620459
Coleção: Romance Histórico

Confesso que a leitura deste livro suscitou em mim duas reacções opostas. Se por um lado tive dificuldade em entrar na escrita tão sui generis desta escritora, caracterizada por longas frases em discurso directo e indirecto, num mix que me fez dispersar e ter de retomar a leitura mais do que uma vez; por outro, essa mesma escrita criou em mim uma admiração enorme pois considerei-a ao mesmo tempo bela, poética até. 

As suas duzentas páginas levar-me-iam a dois, ou no máximo, três dias de leitura mas a concentração a que me obrigou fez esticar esse prazo por mais tempo que o desejado. Precisei, como já referi, de reler algumas frases para conseguir apanhar todo o sentido. 

Não é esta uma leitura fácil porque se torna necessário uma atenção constante, já que o narrador muda frequentemente, quase sem nos darmos conta, mas é uma escrita muito singular, nada usual e que ao fim de algumas páginas nos conquista pela sua originalidade. Original é também a história em si. Cláudia, esposa de Pôncio Pilatos, é a personagem central e é em torno dela que gira a acção. Imaginativo. Intenso. 

Recomendo, sendo que é necessário algum tempo para saborear este livro.

Terminado em 30 de Dezembro

Estrelas: 3*

Sinopse

Cláudia tem desde criança o dom da premonição - e foi num sonho que viu pela primeira vez Pôncio Pilatos e soube que seria seu marido; mais tarde, quando o reconheceu no palácio do imperador, teve a certeza de que o seu coração - tão escuro naquele momento - um dia iria clarear-se.
Foi também num sonho que Cláudia anteviu a chegada do Nazareno - de quem foi seguidora desde o primeiro instante - e se intrigou com as imagens recorrentes de sangue derramado, desconhecendo, porém, que se tratava do sangue de Cristo, do qual Pilatos, seu marido, não poderia lavar as mãos. Estamos agora no ano de 86, e Cláudia desce todos os dias até Roma para socorrer os mais necessitados, a quem já ofereceu todos os seus bens. Teme pela vida dos apóstolos Pedro e Paulo, pois o imperador mandou que se perseguissem e matassem todos os cristãos; teme ainda pela vida do marido quando o deixa sozinho, ancião já, em busca das palavras mais justas para compor o evangelho que o redimirá da sua culpa de omissão: o testemunho da obra e da palavra do Nazareno, que clareou o seu coração e lhe deu a conhecer a sua alma.
Situando a acção em Roma e na Palestina, Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos é um romance poético e inovador, que ficciona a vida de personagens reais que interagem com outras, surgidas da imaginação, num tempo mais mágico do que histórico.



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Angola, o horizonte perdido de António Coimbra


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 440
Editor: Papiro Editora
ISBN: 9789896365998

Foi com uma certa nostalgia que decidi escolher este livro para minha leitura. Uma parte pequenina do meu coração ficou em África e esperava, com esta leitura, recuperar o meu imaginário de infância. Esqueci-me, porém, que as recordações são algo de muito próprio e pessoais e se o que esperava era rever-me nestas palavras tal não aconteceu na sua totalidade, como era de prever...

Mas visitei muitos cheiros e cores de uma Angola de há muito tempo e, quando lia, muitas recordações afloraram ao meu pensamento e as cores de Angola fizeram-me sentir saudades de uma época em que as portas não eram fechadas à chave e não era necessário espreitar pelo buraquinho para ver quem lá vinha!

Interessante percurso o desta personagem/autor que, nascido numa pequena e pobre aldeia portuguesa sonhou em conseguir uma vida melhor. O sonho de partir sempre acompanhou o seu crescimento e a sua vontade de aprender com e nos livros tornou-o um auto-didacta. À semelhança de tantos "retornados", aprendeu a amar Angola e depois, com a guerra e a descolonização, teve de descobrir e reconstruir uma vida nova num Portugal de costumes diferentes do de hoje.

Terminado em 25 de Dezembro de 2011

Estrelas: 3*

Sinopse

Num registo profundamente pessoal e crítico, pontuado por episódios quentes e eróticos como a própria África, António Coimbra conta-nos a história de um português que, como tantos outros, construiu a sua vida em solo africano, que depressa aprendeu a amar e que, um dia, foi obrigado a deixar. Angola, O Horizonte Perdido é uma homenagem a todos aqueles que labutavam no então ultramar português e que, de um dia para outro, descobriram que tinham sido cobardemente traídos e abandonados à sua sorte. A voz de António Coimbra é a voz de todos aqueles que, revoltados com a versão "oficial" dos acontecimentos, se querem fazer ouvir.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Uma vida e três cães de Abigail Thomas


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 204
Editor: Sextante Editora,Lda
ISBN: 978-989-8093-43-1

Este livro foi-me gentilmente emprestado através do BC (espreitem que vale a pena). Leitura rápida mas que não é de todo leve, fala-nos de como se pode perder alguém, mesmo se essa pessoa está fisicamente presente.

História verídica, vivida e contada pela autora, descreve-nos cinco anos de uma nova aprendizagem, de uma nova forma de vida e de viver. Depois do acidente que incapacitou o seu marido, Abbie lutou para recuperar uma vida que de um momento para o outro se transformou totalmente. 

O amor incondicional de seus cães ajudou-a a suportar e a recomeçar de novo, ultrapassando as suas dúvidas e todo um processo de auto-culpabilização que sentiu por não conseguir ajudar mais de perto o seu marido.

Uma história real a ser lida sobretudo para quem teve ou tem animais de estimação tão afectuosos como os cães. Confesso que este não é o primeiro livro que leio sobre este amor que se tem pelos animais mas que, por não ter tido nenhum até hoje, não consigo partilhar na totalidade estes sentimentos com as personagens.

Terminado em 26 de Novembro de 2011

Estrelas: 3*
.
Sinopse


Quando o marido de Abigail Thomas, Rich, foi atropelado por um carro, o seu cérebro ficou abalado. Sujeito a raivas, terrores e alucinações, tem de ficar para o resto da vida numa instituição. Não tem memória do que acabou de fazer ou do que fez.
Esta tragédia está na base da vida nova que Abigail Thomas teve de construir. A maneira como construiu essa vida é uma história de grande coragem e de grandes alterações, com a mudança para uma pequena cidade do campo, a nova família composta por três cães, o tricô, as amizades, o enfrentar da culpa e a descoberta da gratidão. É também a história da sua relação com Rich, um homem que vive num eterno presente, e com a misteriosa poesia das suas estranhas percepções. Este livro inteligente, sincero e belo representa a verdade que Abigail descobriu ao longo dos cinco anos que seguiram o acidente: podemos não encontrar sentido no desastre, mas, com esforço, é possível criar-mos, a partir dele, algo que valha a pena.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Breve História de Amor de Tiago Rebelo


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 168
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892316574

Depois do encontro dia 4, sexta-feira passada, com o escritor Tiago rebelo fiquei em pulgas para ler este livro, tanto mais que o seu conteúdo estava recheado de pequenas histórias, de leitura breve.

E assim, no sábado, ao fim da manhã, o livro estava lido. São histórias de encontros e desencontros entre amores, que se intercalam bem nas leituras mais pesadas que tenho sempre em mãos.

Confesso que gostei mais da última, mais extensa e onde se consegue captar melhor a escrita fuída deste autor. As histórias são breves mesmo, pois nasceram com o intuito de preencher uma página de um conhecido jornal.

Vim do encontro com vontade de ler "Encontro em Jerusalém", uma das obras preferidas do escritor e que, pela sua sinopse, promete ser uma leitura deveras interessante. Não vale, neste livro "comer" com os olhos pois a capa não traduz o seu conteúdo!

Terminado em 5 de Novembro de 2011

Estrelas: 3*

Sinopse


Breve História de Amor é o desfile de retratos autênticos sobre relações quotidianas. Caminhos do acaso que levam homens e mulheres a cruzarem os seus destinos, por vezes, nas circunstâncias mais surpreendentes. 
Pessoas que se encontram, ou se reencontram, que se unem ou se separam, sentimentos intensos e irreprimíveis que determinam as suas vidas e alteram bruscamente e sem aviso os seus destinos.
Através de uma descrição intensa e cirúrgica, Tiago Rebelo conduz-nos aos pensamentos mais íntimos das personagens que tantas vezes se confundem com os nossos. 
Autor de romances bem conhecidos do público, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda ou Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo oferece aos leitores a versão original das melhores histórias publicadas ao longo de mais de um ano na revista Domingo, do Correio da Manhã, e ainda o conto inédito Amores Indeléveis.

sábado, 5 de novembro de 2011

Na senda da memória de Sónia Cravo


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 160
Editor: Esfera do Caos
ISBN: 9789896800437

Não achei uma leitura fácil, esta. A escrita da autora, peculiar, cheia de figuras de estilo, não é das mais fáceis e não se pode ler levianamente este livro. Muitas vezes fui obrigada a reler frases, não só para melhor as entender mas também para poder apreciar toda a sua beleza. 

E, quando menos esperava, estava embrenhada na sua leitura e na história cheia de imaginação que Sónia nos conta. Gostei mas precisei de algum tempo, no início, para poder estar à vontade com o discurso tão peculiar (repito) desta autora e tão cheio de beleza.

Incomum este livro!

Terminado em 1 Novembro de 2011

Estrelas: 3*+

Sinopse

Muito provavelmente, uma das revelações do ano no domínio da literatura em língua portuguesa. Literatura, entenda-se, naquele sentido clássico e robusto que nos remete para a arte de bem escrever…

Excerto

“Sónia Cravo surge agora com uma narrativa surpreendente a todos os títulos: original quer a nível do tema central e dos motivos que lhe dão consistência e complexidade, quer a nível da sua riqueza vocabular, tão inusual que deixa quem lê suspenso entre o arcaísmo e o neologismo, entre o achado escritural e o acaso tipográfico (tão joyceano), fazendo a frase explodir perante os nossos olhos suspensos. E isto acontece quase continuamente, num ritmo que não deixa sossegar o mais prevenido dos leitores. (…) Mateus, o narrador de toda esta estória de que é personagem nuclear, começa por nos surgir como alguém que não vê senão sexo em cada mulher que o rodeia, e disso faz obsessão central do seu dia-a-dia; mas que, por um acaso que a seu tempo o leitor descobrirá, vê-se obrigado, entre dois assassinatos que balizam os acontecimentos, a enveredar por caminhos e a viver situações de todo inusitadas, num terror constante em que «o silêncio multiplica ideias» que o vão dilacerando. (…) Eis um texto que, a todos os níveis, surpreenderá o leitor. E como uma boa estória (um bom romance aberto) é aquela que, no fim, nos confronta com múltiplos possíveis horizontes, assim acontece aqui: «E no silêncio ouço-me, há uma voz que sussurra: espera, espera só mais um pouco.» Espera: paciência e esperança. Que futuro estará reservado a Mateus?” | José Ferraz Diogo | Excerto das Palavras de abertura

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Huck de Janet Elder


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 216
Editor: Pergaminho
ISBN: 9789896870225

Livro simpático sobre a história de um cão que, desaparecido, fez mover uma família e quase uma cidade à sua procura. Entra-se bem na história e quem conhece as maravilhas de possuir um animal de estimação, identifica-se rapidamente com ele.

Não me prendeu de forma espectacular mas é agradável de se ler.


Terminado em 23 de Outubro de 2011

Estrelas: 3*

Sinopse

Huck conta a extraordinária história de uma família que aprendeu uma importante lição de coragem, persistência e generosidade… tudo graças a um pequeno poodle anão. Depois de ser diagnosticada com cancro da mama, Janet Elder teve de passar pelo desgaste físico e emocional de um longo período de tratamento. Ultrapassado este desafio, ela e o marido, Richard, decidem ceder aos intermináveis pedidos do filho, Michael, que sempre quis ter um cachorrinho. Nada melhor, pensam todos, para assinalar um novo começo de vida. Huck, um simpático poodle anão, passa a fazer parte da família. Mas um dia, quando a família está de férias na Florida, recebem uma notícia avassaladora: Huck, que tinha ficado em casa da irmã de Janet, em Nova Jérsia, tinha fugido. Janet, Richard e Michael apanham o próximo voo de volta a casa e começam imediatamente à procura do pequeno Huck. É uma corrida contra o tempo, pois o cachorrinho tem apenas 9 meses e está perdido numa zona que não conhece, exposto ao frio, à chuva e ao risco de atropelamento. Pouco a pouco, os habitantes da pequena cidade de Ramsey, Nova Jérsia - desde o chefe da polícia até às crianças da escola primária - ajudam-nos na sua busca, num comovente testemunho de solidariedade. Huck é uma história comovente e emocionante que nos faz lembrar que a esperança é sempre recompensada e que os finais felizes existem mesmo.