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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Para os Mais Pequeninos: "A Quinta: Porque é que as Vacas dão Leite?"


Desta vez trago-vos um livro para os mais, mais pequeninos. Sobre animais da quinta e tudo o  
que lá se passa. Muitas perguntas e muitas respostas sobre os animais e os seus hábitos.

Desenhos coloridos e papel brilhante e grosso para mãozinhas mais desastradas, este livro vai fazer as delícias dos pequenotes. Está pronto para lhes satisfazer a curiosidade, ensinando-os e abrindo-lhes algumas portas sobre como é viver numa quinta.

Ficam as imagens:









Cris

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A Escolha do Jorge: "Chuva Miúda"

“Chuva Miúda”
Luis Landero (Porto Editora)

"«Ei, oiça! Se for aqui, vou bem para o futuro?»” (p. 238)
Considerado o melhor livro de 2019 pelo El País, Chuva Miúda de Luis Landero (n. 1948) chega agora às livrarias portuguesas, com uma excelente tradução de Miguel Filipe Mochila, constituindo uma grande surpresa no mercado editorial neste início de ano.
A narrativa de Chuva Miúda decorre em Madrid, abrangendo um arco cronológico que abarca desde o final do franquismo até aos nossos dias. O leitor vai percebendo as alterações na sociedade, fruto da consolidação da liberdade, trazendo à luz muitos recalcamentos e situações ainda por resolver no seio da família retratada na obra.
De modo sintético, a narrativa tem como pano de fundo a organização da festa do octogésimo aniversário da mãe de Sonia, Andrea e Gabriel, tendo sido este quem tomou a iniciativa do evento.
Nunca chegaremos a saber se se chegará a concretizar tal festa na medida em que os sucessivos contactos telefónicos entre os irmãos vão despertar antigos ódios e rancores, além de inúmeras histórias mal resolvidas do passado familiar.
Aurora, a esposa de Gabriel, é a personagem central de Chuva Miúda que foi sempre considerada por todos os elementos da família como a mais assertiva, bondosa, boa ouvinte e incapaz de fazer um juízo sobre os seus interlocutores. “E Aurora ouve, cala e compreende, e, com aquela sua maneira tão doce de ouvir, parece que alivia os pesares de todos e pacifica as discórdias.” (p. 80)
Chuva Miúda é também um romance sobre memória e verdade. Cada família tem os seus mistérios, os seus segredos, as suas loucuras e o relato das experiências pessoais por parte de cada um dos irmãos é sempre exponenciado face à tentativa de, cada um, à sua maneira, fazer levar a água ao seu moinho, em detrimento dos irmãos e até da mãe. Cada um dos interlocutores faz junto de Aurora a apologia da vitimização no contexto de uma família pejada de contradições e absurdos, marcada pelas dificuldades económicas do período franquista e com sérias consequências nas décadas seguintes, pelo menos ao nível psicológico face às experiências de vida dos vários personagens, a que foram sujeitos por parte da mãe.
É na conversa com os demais interlocutores que Aurora, esposa de Gabriel e cunhada de Sonia e Andrea, procura um equilíbrio entre o relato e a verdade da família. No meio de tanta loucura, mágoas e até alguma esquizofrenia, Aurora vai urdindo a verdadeira história de cada um e, no seu conjunto, a verdade desta família.
É nas conversas tidas com as cunhadas que Aurora é levada a confrontar-se com as desconfianças em relação a Gabriel, acabando por perceber de facto com quem está casada e que a ideia que as cunhadas fazem do irmão não corresponde de todo à verdade.
Ao fim de cerca de uma semana, período em que decorrem os sucessivos contactos telefónicos, Aurora sente-se esgotada com o peso das histórias de cada elemento da família, tentando, ela própria, reconstituir aquilo que será a história da família, partindo de memórias que, mesmo apresentando-se turvas, aparentemente são projectadas de modo muito intenso como se os acontecimentos tivessem tido agora lugar. “Não estaria também ela a reinventar o passado e a construir uma história à sua medida, baseada em suspeitas, minúcias e imaginações, como Sonia e Andrea? E pensou novamente se não estaria já a germinar a semente da loucura que se abrigava no seu interior.” (p. 202)
Luis Landero neste magistral romance sobre a família contemporânea e os costumes agarra o leitor nas primeiras páginas graças à sua escrita apelativa e enredo intenso. A narrativa vai evoluindo entre o humor negro e a tragédia, atirando-nos para o fundo do poço sem direito à corda de salvação. Há momentos tensos e de uma crueldade sem precedentes, a violência doméstica que tem empurrado tantas mulheres para o silêncio em detrimento dos filhos, optando, tantas vezes pela paz pobre, ainda que sofrendo no corpo e na alma.
Chuva Miúda desperta os rancores e ódios do passado que ao longo de uma semana de contactos telefónicos, perceberá o leitor que se transformarão finalmente em gritos, sendo então lícito questionar “«Ei, oiça! Se for por aqui, vou bem para o futuro?»” (p. 238)
Excerto:
“Hoje é quinta-feira. Há seis dias que Gabriel se lembrou de organizar uma festa para a mãe. Uma festa onde todos pudessem perdoar e expiar as culpas e os erros, e onde as ofensas e os equívocos do passado fossem enfim redimidos. (…) São histórias, impressões, conjeturas e sonhos, que, uma vez encarnados e materializados em palavras, passam a ser reais e, com o tempo, invulneráveis a qualquer discussão. Um dia, não se lembra a propósito de quê, [Aurora] disse a Andrea «Esta é que é a verdade», e Andrea replicou: «Pois então a verdade é mentira.» E talvez não lhe falte razão. E é curioso, pensa Aurora, porque às vezes a memória vai reconstituindo e ampliando com notícias fornecidas pela imaginação e pela nostalgia o que o esquecimento destrói, de modo que se dá então o paradoxo: quanto maior é o esquecimento, mais rica e detalhada é também a lembrança.” (pp. 233-234)
Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

"Os Três Casamentos de Camilla S." De Rosa Lobato de Faria

Quem nunca leu um livro da Rosinha não sabe mesmo o que está a perder. O seu humor fino mesclado com uma consciência da realidade retratada, a sua escrita cuidada mas fluída, os temas escolhidos cuidadosamente fazem desta autora uma das minhas preferidas. Gosto, de quando em vez, voltar a esta escrita que tanto admiro. Lembro-me bem da surpresa que foi quando peguei num livro seu pela primeira vez... tenho cá ainda uns poucos para ler. Tenho esperado e prolongado este prazer! Considero que reler um livro seu, futuramente, será uma mais valia, nunca uma perda de tempo!

Se por um lado Camilla, a narradora e personagem principal desta obra, é uma jovem bafejada pela sorte porque nasceu no seio de uma família rica num Portugal de 1900, por outro, fica sem os seus pais bem cedo, quase à nascença, vítimas de tuberculose. Para compensar e porque não se alimentava de forma alguma, os tios com quem passou a viver, arranjaram-lhe uma ama de leite, Paca.

Paca é uma personagem muito sui generis. Não se sabe muito onde nasceu nem quando e ficamos com a impressão que não é bem deste mundo... ou melhor, pertence a este mas com laivos de uma sabedoria que lhe advém de um mundo sobrenatural. Com rezas, mezinhas e conselhos certeiros, dá a Camilla uma das coisas que a vai acompanhar pela vida fora: a certeza de ser amada incondicionalmente por esta mãe substituta. O amor destas duas mulheres é recíproco, duradouro e muito forte.

Gostei muito deste romance que dispõe bem, com laivos de um humor requintado e aproveitando-o para descrever a situação sócio-política de um Portugal muito diferente do actual, onde as mulheres limitavam-se a assumir um papel secundário face aos homens. Política e demais assuntos não eram temas para conversas que se tivessem à frente das damas da época. O retrato de uma sociedade (o livro viaja pela vida de Camilla e com quem se cruza) desde 1902 (aqui Camilla tem quase doze anos) até 1985.

Camilla começa a escrever as suas memórias com 90 anos, acaba com 95. A ajudá-la na sua tarefa estão os diários que a acompanharam a sua vida toda. A sua ideia é deixar este legado tão vivido e marcado pela vida e pela morte a uma das suas netas, por coincidência escritora. Ela, depois, fará o que entender.

Original, escrito com uma mestria muito peculiar, este é mais um livro de Rosa Lobato Faria que vale a pena ler. Um de entre os muitos que escreveu e que adorei!

Terminado em 19 Fevereiro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse
Aos noventa anos de vida, Camilla decide percorrer os seus diários e contar as suas memórias. A sua história é a de uma mulher que, ainda que às vezes de longe, viu o tempo e os actos mudarem o mundo. É também a história dos seus três casamentos e do seu único amor. A vida de Camilla é feita de iguais medidas de alegria e desespero. A sua memória é a de uma jornada de crescimento, desde a inocente casada demasiado cedo à mulher que amou e sofreu e viveu uma vida completa. E a voz de Camilla é fascinante, tal como o é o percurso da sua vida.

É a autobiografia de uma velha senhora que aos noventa anos decide contar a sua vida, incluindo o que ela possa ter de inconfessável. Desde os ambientes à narrativa (que atravessa quase um século de história ) estamos perante um livro adequadamente romântico.

Cris

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

"A Última Carta" de Cecelia Ahern

Li o livro mais conhecido desta autora ("P.S. Eu Amo-te") há muitos anos e a ideia principal não se desvaneceu como é habitual em mim ao fim de tanto tempo. Na altura foi um sucesso e creio que se o relesse hoje voltaria a gostar dele. São daquelas leituras que não sabemos muito bem porque gostamos tanto mas não conseguimos parar...

Confesso que esta sequela deixou-me curiosa e  tinha quase a certeza que o tipo de escrita da autora se iria manter e que a leitura seria compulsiva. Foi-o de facto. Não esperava emocionar-me tanto porque, pensava eu, o assunto iria centrar-se no mesmo tema e eu estaria preparada...

E o tema é nada mais nada menos que a morte. Que dizer desta obra?  É de facto impressionante como um romance supostamente "leve" pode ser tão "pesado" nos assuntos que trata e aprofunda. Não vos quero falar muito do primeiro livro porque, se calhar, vocês ainda não o leram mas a ideia principal e a que fica para sempre na memória é a de uma jovem que após a morte do marido vai recebendo algumas cartas do marido que lhe são entregues mensalmente.

Aqui, nesta sequela, passaram-se sete anos. Holly refez a sua vida. Mas um acaso traz de volta tudo pelo que ela passou. O tema da morte, mais uma vez, retratado aqui com coragem e determinação.  Se fosse a vocês pegava no livro sem ler a sinopse. Penso que revela um pouquito demais do que seria necessário. Às vezes ir às escuras torna-se mais emocionante e, acreditem, emoção não vos vai faltar ao lerem esta obra. Eu gostei muito!

Terminado em 17 de Fevereiro de 2020

Estrelas: 5*

Sinopse
A aguardada sequela do sucesso internacional (do fenómeno mundial) P S EU AMO-TE. Os membros do Clube P. S. Eu amo-te, inspirados nas últimas cartas do seu marido, Gerry, querem que Holly os ajude a escrever as suas próprias mensagens de despedida para os que lhes são queridos. Holly vê-se atraída, de novo, para um mundo que se esforçou tanto por deixar para trás. Relutante, começa a relacionar-se com o clube, mesmo quando a amizade deles ameaça destruir a paz que ela acredita ter alcançado.

Cris

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Para os Mais Pequeninos: "Mortina e o Primo Odioso"

Já vos falei aqui nesta menina vampiro e no seu desejo de ser parecida com os meninos que vê. Será impossível ela conseguir ter uma vida normal?

Nesta aventura (ou devo dizer neste mistério?), Mortina é visitada por um primo que não conhece e que, a convite da tia Falecida, aparece no Casarão Decadente. Dário não é simpático. É um vampirinho resmungão e descontente com o qual Mortina não simpatiza nada.

Mas quando os amigos de Mortina começam a aparecer de repente, convidados pela tia, as surpresas  os mistérios começam a surgir. Um livro divertido com imagens sugestivas, que contam histórias.

Momentos divertidos com uma história e imagens muito engraçadas! Serão horas bem passadas com os mais pequenitos, garanto-vos!







Cris

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

"A História de Uma Serva" (Novela Gráfica) adaptação Renée Nault do romance de Margaret Atwood

Esta foi, provavelmente, uma das melhores graphic novel que li até hoje. As imagens são impressionantes de tão sugestivas que são. O contraste de cores utilizadas é perfeito. Esta história é uma distopia e os mundos apresentados e os diferentes  grupos sociais existentes são diferenciados através das cores mais ou menos fortes, mais ou menos claras. O preto e o vermelho são predominantes, cores da capa e, também, cores que definem o grupo das servas (vermelho) e quando são situações que querem representar dor ou morte (preto). Ficamos presos às imagens e às expressões faciais dos personagens! Gostei muito desse aspecto.

Em relação à história, atrevo-me a dizer que temo ter deixado escapar alguns pormenores que com outra leitura ficarão mais perceptíveis. Como se lê num dia, esta graphic novel, passará pelas minhas mãos uma outra vez. Vive-se, aqui, num mundo controlado por  homens. Há várias "castas" constituídas por mulheres e cada uma delas serve um objectivo: a satisfação de várias das necessidades dos homens.

As servas servem para procriar. Não mais do que isso. Mas será que aceitam todas esse destino imposto?

Tenho, também, de vos falar da qualidade deste livro. Desde a  textura aveludada da capa à qualidade do papel tudo é duma beleza perfeita. É simplesmente lindo!

Aconselho-vos vivamente. Um livro maravilhoso para se ler, apreciar e reler!

Terminado em 13 de Fevereiro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse
Tudo o que as servas usam é vermelho: a cor do sangue, que nos define.

Defred é uma Serva na República de Gileade, onde o trabalho, a leitura e a formação de amizades estão vedados às mulheres. Está ao serviço do Comandante e da sua mulher e, na nova ordem social, tem um único propósito: uma vez por mês, tem de se deitar de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque, numa era de nascimentos em declínio, Defred e as outras Servas são valorizadas apenas se forem férteis. Mas Defred lembra-se dos anos antes de Gileade, em que era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome seu. Agora, as suas memórias e a sua vontade são atos de rebelião.


Provocador, chocante, profético, A História de Uma Serva transformou-se há muito num fenómeno global. Com esta belíssima adaptação do clássico contemporâneo de Margaret Atwood, executada de forma extraordinária pela artista Renée Nault, o mundo aterrador de Gileade ganha vida como nunca antes.

Cris

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Experiências na Cozinha: O Vegetariano


Esta semana trazemos, mais uma vez, uma receita nada complicada e muito saborosa, um empadão de lentilhas, espinafres e batata doce do livro O Vegetariano, que é muito mais que um livro de receitas.  A bem dizer ele não se pode considerar um livro de receitas visto ter apenas duas dúzias delas... mas é uma bíblia no que concerne a informação sobre a alimentação de base vegetal.

Sandra Gomes Silva é nutricionista e tem um blogue com o mesmo nome do livro. Passem por lá ou espreitem o livro.

Fica aqui a receita que fizemos e as fotos. Receita a repetir, sem dúvida!




Palmira e Cris

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

"O Céu Numa Gaiola" de Christine Leunens

Esta obra tem, para mim, duas partes distintas. A primeira achei mais verosímil e traduz uma realidade vivida pelas crianças e jovens alemães durante a II Guerra. A lavagem cerebral que lhes era dada na escola e que acabava, muitas das vezes, por separar as famílias sobretudo se os pais não fossem coniventes com o regime hitleriano.  Separação física, porque os treinos e a guerra assim o "exigia" mas, principalmente, separação em termos de ideais e escolhas. Palavras  e conceitos  como "eugenia", "esterilização" e "morte" passaram a fazer parte do vocabulário de jovenzinhos.

Johannes, a personagem principal e, também o narrador, foi transformado num pequeno Hitler, fanático e  completamente alheado dos princípios básicos pelos quais um ser humano se deve reger. Gostei muito de ler esta primeira parte do livro, de conhecer, através das palavras do autor, este desenrolar da mente humana, de verificar como através dos ensinamentos errados o Homem fica destituído de valores como a equidade e igualdade, transformando-se num pequeno monstro.

A segunda já me foi mais difícil de entender e aceitar. Quando parecia que, afinal, a mente humana não pode sucumbir à maldade, eis que esta se revela em todo o seu esplendor! Johannes alucina completamente depois da guerra terminar. Esta parte deixou-me desconfortável, e foi-me difícil de acreditar que tivesse semelhanças com a realidade! Talvez porque a minha visão do que é um Homem ainda seja ingénua? Prefiro pensar que não!!!

Fiquei curiosa porque na capa deste livro vem mencionado que inspirou um filme, Jojo Rabbit. Não tinha ouvido falar nesta adaptação e fiquei expectante em relação às imagens que a tela me revelará. Quero ver o filme para poder comparar com o livro.

E como esta opinião é feita a quente, digo-vos para lerem por vós mesmos e depois comentarem aqui o que acharam...

Terminado em 12 de Fevereiro de 2020

Estrelas: 4*

Sinopse
Durante a Segunda Guerra Mundial, em Viena, Johannes Betzler, um membro fanático da Juventude Hitleriana, é ferido num ataque aéreo. Forçado a viver confinado à casa dos pais, descobre que estes escondem ilegalmente uma rapariga judia. A ideia de uma fugitiva silenciosa e vulnerável a viver por trás de uma parede falsa na sua própria casa horroriza-o. Após a repulsa inicial, cedo Johannes sente-se obcecado por Elsa.

Subitamente, os pais desaparecem sem deixar rasto, e Johannes é a única pessoa que sabe da existência de Elsa. Dividido entre a responsabilidade pela sobrevivência da rapariga e a sua lealdade à pátria, a perceção que Johannes tem da realidade começa a dissolver-se no mundo em explosão do Terceiro Reich e no labirinto moral de situações impossíveis.

Focando-se na cosmovisão de um jovem fanático num regime violento e manipulador, este é um romance comovente, perturbador, com alguns laivos de humor negro, que examina as verdades e as mentiras que nos mantêm vivos.

O filme Jojo Rabitt, inspirado no livro O Céu Numa Gaiola, venceu o prémio BAFTA para Melhor Argumento Adaptado.

Cris

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

"A Rapariga Esquecida" de Bart van Es

Já tinha este livro há algum tempo na estante para ler.  Será que intuía que não iria ser uma fácil leitura?
Isto por duas razões: a primeira prende-se com o facto de ter muita informação para assimilar, a segunda, pelo tema tratado. Passo a explicar melhor..

O autor sempre soube que os seus avós tinham acolhido uma criança durante e depois da guerra mas o contacto tinha-se perdido há muito. Apercebendo-se que a história ficaria esquecida/perdida porque os envolvidos já tinham morrido ou tinham uma idade avançada, quis conhecer Lien e, se possível, contar a sua história. Mesmo correndo o risco de mexer em feridas que poderiam indispôr os seus familiares ou a própria Lien, resolveu contactá-la.

Este livro é, pois, a narração da história de Lien, uma menina de oito anos, filha única de um casal judeu, que foi entregue a famílias holandesas (sim, porque foram várias) para que a criassem (e salvassem). Paralelamente o autor conta o seu percurso na investigação que fez para complementar aspectos que Lien não sabia, nem tinha, enquanto criança, tomado conhecimento. Visitou os locais em que ela viveu, conversou com pessoas que lidaram com ela directa ou indirectamente. Essa pesquisa é muito curiosa e interessante. Um dos aspectos realçados é a forte posição colaboracionista da própria população que fez com que Lien e crianças como ela, tivessem de mudar com frequência de esconderijo e família.

Lien era uma criança. Nunca soube muito sobre a guerra em que se viu envolvida sem querer. Sabia, isso sim, da solidão, da perda do amor dos pais, da mudança, da perda dos sítios seguros que conhecia, de quem a amava e de quem lhe queria mal. Os Van Es acolheram-na durante algum tempo. Lien gostou deles, eles deram-lhe amor. O que fez com que, já muito depois da guerra terminar, a ruptura se desse? Por onde andou quando teve de se separar deles, porque a sua vida perigava?

Por outro lado, este tema não é fácil de se ler. E quando falo em tema não me refiro à II Guerra em si mas a alguns aspectos pelos quais passaram algumas pessoas, sobretudo judeus. Um desses aspectos foi o desespero que devem ter sentido os pais quando tentavam entregar os seus filhos a outros para que os salvassem. A separação, a incerteza, a tentativa de colocar a criança a salvo, o desconhecido, a procura de uma pessoa de confiança, o "se"... A maior parte não se reencontrou depois da guerra. Amores perdidos para sempre! Como mãe não consigo, sequer, colocar essa hipótese.

Como já referi, este livro não constituiu, para mim, uma leitura muito fluída e levou algum tempo a terminar. No entanto, é riquíssimo e recomendo-o muito, sobretudo para quem aprecia esta temática. A história de vida de Lien é muito inspiradora e muitas outras histórias cruzam-se com a dela. Mesmo sendo conectada como tendo uma forte componente colaboracionista, onde as denúncias e as recompensas financeiras associadas tiveram um papel fulcral na morte de milhares de judeus, a Holanda  teve, por outro lado, muitas pessoas que arriscaram as suas vidas ao esconderem nas suas famílias e nas suas casas, muitos judeus.

Um livro de não ficção a ler por quem ama esta temática.

Terminado em 8 de Fevereiro de 2020

Estrelas: 5*

Sinopse
Lien tinha 8 anos quando os pais abdicaram dela na esperança de a salvarem. Criada por uma família de acolhimento durante a ocupação da Holanda na Segunda Guerra Mundial, sobreviveu, mas os seus pais biológicos morreram em Auschwitz. Muitos anos depois, um mal-entendido levou a família adotiva a afastar-se, até Bart van Es — neto dos pais adotivos de Lien — a resgatar do esquecimento.

Agora nos seus 80 anos, Lien acedeu a conversar com o autor e a contar a sua história. Há coragem, generosidade e sacrifícios, mas há também um lado negro. De todos os países ocupados, a Holanda foi o mais cooperante com o regime nazi. Ao mesmo tempo que famílias salvavam crianças judias acolhendo-as no seu seio, as autoridades holandesas perseguiam com zelo excessivo todos os judeus. Dos 400 antigos judeus portugueses, por exemplo, tão profundamente enraizados no país, só oito regressaram dos campos de concentração.


A Rapariga Esquecida é a história da luta pela sobrevivência de uma jovem durante a guerra, do profundo amor das famílias adotivas pelas crianças que salvaram e de como o caráter das pessoas é definido pelos desafios que elas enfrentaram.

Cris

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ao domingo com... Sandra Patrício

Talvez a recordação que tenho mais antiga, seja a de pegar nos livros de histórias infantis e olhando
para os desenhos, inventar uma história que contava aos meus bonecos, como se a estivesse a ler na perfeição. A verdade é que, quando entrei para a primária as letras eram para mim um grande mistério. O meu mundo pertencia ao sonho, à imaginação, à criatividade, aos desenhos e lápis de cor. Naturalmente, segui o meu percurso escolar pelas artes. Mas sempre com um caderninho onde escrevia pensamentos, coisas que via ou ouvia, histórias que inventava, frases de escritores e pensadores com as quais me identificava. E sempre com livros, muitos livros. Que lia em simultâneo. Sentia que não tinha tempo para ler tudo (e ainda sinto). Com a entrada no mundo profissional, a escrita ficou suspensa e a leitura tornou-se mais selectiva. E fui arquitetando. E lendo o que podia, em especial sobre a matéria.

Os anos passaram e um dia, depois de um passeio pela praia onde um grupo de jovens declamava Camões, senti vontade de reler os clássicos portugueses. E li. Alguns. E este bichinho que nasceu comigo de querer saber as histórias da história, de querer fazer ligações disto com aquilo, unindo fábulas e mitos a versões reais e oficiais, voltou a fazer-me sonhar. E comecei a escrever. Aquele que veio a ser o meu primeiro livro: Pedra Alta.

E que posso eu dizer sobre o meu livro? Que antes de escrever, desenhei. E que foram os desenhos que me permitiram escrever sobre alguns dos temas que abordo no livro. Como se os dois mundos fossem um. O desenho faz parte da minha vida. E as letras acompanham-me desde sempre. Quase que seria possível um livro apenas desenhado, sem uma única letra… mas não era a mesma coisa.

Talvez seja mais sensato referir o que já foi dito por quem já leu:   
“Uma obra fascinante de uma imaginação contagiante que não vai conseguir parar de ler.”;
“É um livro de uma intensidade e complexidade que nos cativa desde as primeiras páginas.”;
“É uma viagem ao maravilhoso.”;
“Um livro sensacional, com três vozes, três pontos de vista, com reviravoltas inteligentes e um confronto final pleno de tensão.”;
“Uma obra de um incondicional amor pela condição humana.”;
“É uma viagem sobretudo do acreditar.”;
“É um livro muito bem escrito, fantasticamente bem escrito.”;
“É um livro que se lê avidamente. Depois de começar, dificilmente o paramos.”

Para mim, o Pedra Alta é o início de uma grande aventura. Duplamente. Primeiro porque é a entrada num mundo novo e desconhecido, mas visível para todos. Onde amigos, conhecidos e desconhecidos terão opinião, levando o que era meu para outro lugar que será nosso e vosso. Segundo, porque esta face visível de mim me dá mais responsabilidade para o que vem a seguir. E que já está a caminho. Com muitos desenhos, claro está.

Que o Pedra Alta vos faça sentir a dinâmica, o sonho, a viagem, as teorias que são perfeitamente possíveis e que, como uma amiga me disse, sintam a vontade de sair de casa com uma mochila às costas e visitar todos os locais que o livro descreve. Afinal, há que perceber se o que está a ser dito é verdade! E claro, sempre com a frase sábia camoniana na cabeça, para que se “leia mais do que vê escrito”. Mas também com uma das frases do Professor Jaime Torcato (um dos personagens do Pedra Alta) lembrando que “não devemos acreditar em tudo o que lemos!”

Boas leituras!
Sandra M. B. Patrício

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Na Minha Caixa de Correio

  

  

  

Comprados num alfarrabista:
- O Último da Fila
- O Vegetariano
- Angel


Os restantes foram oferecidos pelas respectivas editoras.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Um video no Plano Nacional de Leitura

A convite do Plano Nacional de Leitura (PNL), gravei este pequeno vídeo que já foi publicado no canal do youtube do PNL. Partilho-o aqui convosco.


Cris

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Experiências na Cozinha: "É Vegan, É Fácil"

Este livro não poderia ter outro título! Com apenas 5 ingredientes principais podemos fazer refeições fáceis e apaladadas.

Como vêm pela receita esta sopa é de fácil realização e além do mais, faz muito bem. Podem variar os ingredientes e até o próprio miso. Nós preferimos miso de cevada. O miso é um fermentado e, como todos os fermentados faz muito bem às bactérias boas que o nosso intestino possui, que nos protegem das doenças. Para além de ser muito gostosa, esta sopa (o miso tem um gosto próprio e deve-se aprender a gostar dele) é, pois, muito nutritiva. Cuidado com o sal porque o miso já é salgado. Por nós, achamos que uma sopa que tem miso não precisa de sal.

O único conselho que damos e que altera um pouco a forma como esta sopa é feita é que coloquem o miso já no fim da sopa, depois de desligarem o fogo. Foi o que fizemos. Para que conserve todas as suas propriedades, o miso não deve ser fervido. Depois de cozidos os ingredientes, colocamos o miso num passador de rede que submergimos na sopa e onde mexemos com uma colher para que ele se desfaça e se misture na sopa.

A receita fala em caldo vegan. Fica aqui uma dica para os fazerem em casa. Coloquem num saco os desperdícios dos vossos legumes, previamente lavados (cascas, troncos, pedaços de legumes que habitualmente deitam fora porque não é suposto comerem). Ponham no congelador e sempre que tiverem mais, juntem no saco. Depois é só cozerem e deixarem evaporar um pouco a agua da cozedura, coarem, aproveitando a agua. Podem-na congelar em covetes para retirarem somente aqueles que necessitam. 

Vejam como ficou a sopa:





Palmira e Cris

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A Escolha do Jorge: “A Cripta dos Capuchinhos”




“A Cripta dos Capuchinhos” – Joseph Roth 

(Cavalo de Ferro)

“Começámos, inclusivamente, a adorar o nosso desespero como se ama um inimigo fiel. Enterrávamo-nos nele.” (p. 123)
Um excelente início de ano editorial que assinala a publicação de “A Cripta dos Capuchinhos” (1838), a última obra de Joseph Roth (1894-1939) publicada em vida. Este romance constitui a sequela de “A Marcha de Radetzky” (1932), uma das mais representativas e icónicas no conjunto das obras do escritor.
O título da obra alude à Igreja de Nossa Senhora dos Anjos igualmente conhecida por Cripta Imperial de Viena, onde se encontram os restos mortais dos Habsburgos austríacos, incluindo o último monarca, Francisco José (1830-1916), figura emblemática do Império Austro-Húngaro que vem a falecer no decurso da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Este romance pejado de melancolia remete para o fim de um mundo e de uma ordem que dominava o espírito de uma boa parte do continente europeu no início do século XX. Tendo Viena, a capital imperial, como pano de fundo, Joseph Roth recupera a família Trotta, os personagens principais de “A Marcha de Radetzky”, centrando a narrativa no fim da Belle Époque em que muitos jovens pertencentes a famílias nobres de então deambulavam pela cidade, livres de preocupações, fazendo o roteiro dos principais cafés por onde passam os ilustres da sociedade até ser comunicada a obrigatoriedade para se alistarem no exército seguindo para uma frente de batalha em terras longínquas do império que entretanto se desmantelava.
Narrado na pessoa de Franz Ferdinand Trotta, somos levados a compreender as principais transformações que ocorreram com a derrocada de toda uma ordem política, social e económica, ao ponto de a realidade anteriormente conhecida deixara de existir com o seu regresso a Viena após a guerra.
Estando do lado dos vencidos, a Áustria recuperava aos poucos da humilhação tentando adaptar-se às novas circunstâncias ao ponto de muitas das famílias nobres passavam agora a viver com sérias dificuldades económicas na medida em que tinham contribuído com muitos dos seus bens no intuito de alimentar a guerra. Os títulos nobiliárquicos passaram a ser proibidos, passando estas famílias a viver de crédito e de aparências face a uma ideia de mundo organizado que, na verdade, já não existia.
De há muito tempo a esta parte, desde que voltara da guerra, via-me a mim mesmo como uma pessoa sem direito à vida. Habituara-me a contemplar todos os acontecimentos que os jornais consideravam «históricos» com o olhar distante de quem não pertence a este mundo. A morte tinha-me concedido há muito uma licença por prazo indeterminado, licença essa que ela podia interromper a qualquer momento. Que me importavam as coisas deste mundo? (…) Eu era um «extraterreno» no meio dos vivos.” (pp. 154-155)
A desagregação do Império Austro-Húngaro deu origem a um conjunto de novas nacionalidades em convergência com o novo mapa político europeu no pós-guerra como forma de resposta às divergências e clivagens de ordem histórica e ao nível da própria identidade, aspectos que eram uniformizados durante o Império procurando a harmonia entre as partes envolvidas.
“Só muito mais tarde, muito tempo depois da Grande Guerra (…) compreendi que até mesmo as paisagens, os campos, as nações, os povos, as cabanas e os cafés estão sujeitos a uma lei natural mais forte que permite converter o distante em próximo e unir o que tende a desagregar-se. Refiro-me ao espírito da antiga monarquia, incompreendido e desperdiçado, que era capaz de me fazer sentir em casa tanto em Zlotogrod como em Šipolje ou em Viena.” (pp. 39-40)
À semelhança de outras obras de Joseph Roth, percebemos como as suas palavras assumem um carácter (quase) profético na medida em que há várias passagens que aludem a uma antevisão daquilo que viria a acontecer na Europa, nos anos a seguir à 1ª Guerra Mundial (1914-1918), percebendo o terreno fácil para as ideias da extrema-direita, em especial, o nazismo, que culminaria na 2ª Guerra Mundial (1939-1945) que levaria ao desaparecimento da influência judaica no contexto da cultura europeia.
Podemos ir ainda mais longe ao analisarmos as tendências políticas vigentes na Europa e no Mundo actualmente interrogando-nos face ao futuro e aquilo que poderemos esperar. Vivemos tempos conturbados, de uma complexidade tal ao ponto de percebermos que qualquer acontecimento (im)previsível poderá reflectir-se em alterações políticas, económicas e sociais com forte impacto nas populações. O risco do populismo é imenso. A ignorância é mais que muita. Os abutres também. E o medo instala-se. O futuro assume características semelhantes a uma longa noite onde se torna cada vez mais difícil despertar para a claridade. Resta a esperança…
Creio que a terrível submissão das gerações actuais a um jugo ainda mais nefasto é compreensível e também perdoável, se pensarmos que é próprio da natureza humana preferir a grande calamidade a uma preocupação pessoal. A grande calamidade devora rapidamente a pequena infelicidade, o azar, por assim dizer. Por isso, naquela época, amávamos esta desgraça colectiva.” (p. 123)
Texto da autoria de Jorge Navarro

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Resultado do Passatempo Suma de Letras: "P.S. Eu amo- te"

Anunciamos agora o resultado do passatempo que editora Suma de Letras patrocinou oferecendo um exemplar do livro de Cecelia Ahern "P.S. Eu Amo-te".

Com 203 participações válidas, foi seleccionado pelo Random.org o nº 87 pertencente a:

Helena Lucas de Lisboa.

Parabéns! Espero que gostes desta leitura e que de seguida leias a sequela deste romance intitulada, "A Última Carta".

"Uma Educação" de Tara Westover

Se este livro não fosse o relato verdadeiro da vida de Tara Westover, diria que a sua criatividade não teve limites e que esta história possuía relatos de uma imaginação fértil demais e episódios quase surreais!
Só que (pasme-se!) a sua história não é ficção. E aqui fico literalmente sem palavras para exprimir os sentimentos que esta obra me transmitiu. É simplesmente brutal o ambiente em que Tara foi criada.

Nada nos prepara para estas páginas! Tara é um dos sete filhos de um casal, que no mínimo designaria, de muito peculiar. São Mormons. Mas na realidade são muito mais que isso. Não se enquadram nem na sua comunidade, tal o extremismo a que recorrem nos seus actos educativos. O seu fundamentalismo é pura brutalidade, humilhação, ignorância. A educação que pretendem transmitir e que erradamente denominam de "ensino doméstico", nada mais é do que... nada!  O ensino oficial é visto como uma estratégia de poder para afastar as pessoas de Deus! Que deus será este que impede o conhecimento, que é contra tudo quanto é remédio/operação, onde os tratamentos que são feitos em casa é que são do Seu agrado? Mais! Que deus aceita e recomenda o abuso físico e psicológico a que maior parte dos filhos foram sujeitos ou sujeitaram outros, perante a passividade/indiferença dos progenitores?

Este testemunho, escrito na primeira pessoa, marca quem lê. Marcou ainda mais quem o viveu. É de tal modo impressionante que só consigo dar os meus parabéns à autora por toda a sua caminhada e desejar-lhe força para que continue com esta sua resiliência e força de vontade para superar os obstáculos que lhe surgirem. Sem escola até aos 16 anos (durante muitos anos sem ter sequer certidão de nascimento!) e sem qualquer contacto com o mundo exterior (viviam numa montanha em Idaho, Estados Unidos), a sua persistência em aprender é algo fenomenal. Chegar à idade adulta sem ter noção do que foi o Holocausto é quase inacreditável...

Senti muito todas as palavras deste livro e, ainda hoje passados tantos dias da sua leitura, sinto dificuldade em exprimir o que senti ao lê-lo e quão difícil deve ser, ainda hoje, para Tara manter-se sã de espírito. Infelizmente, há conhecimento de histórias de vida semelhantes. Lembro-me de ler (e ver - há filme) o livro "O Castelo de Vidro" de Jeannette Walls, que recomendo também (link da minha opinião aqui).

Não posso deixar de parabenizar a autora pela sua escrita. Forte, bela e dura. Adorei e recomendo muitíssimo esta leitura!

Terminado em 2 Fevereiro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse
Tara Westover cresceu a preparar-se para o Fim dos Tempos, para ver o Sol escurecer e a Lua pingar, como que de sangue. Passava o verão a conservar pêssegos e o inverno a cuidar da rotatividade das provisões de emergência da família, na esperança de que, quando o mundo dos homens falhasse, a sua família continuasse a viver.
Não tinha certidão de nascimento e nunca pusera um pé na escola. Não tinha boletim médico, porque o pai não acreditava em médicos nem em hospitais. Não havia quaisquer registos da sua existência.
O pai foi ficando cada vez mais radical com o passar do tempo, e o seu irmão, mais violento. Aos dezasseis anos, Tara decidiu educar-se a si própria. A sua sede de conhecimento haveria de a levar das montanhas do Idaho até outros continentes, a cruzar os mares e os céus, acabando em Cambridge e Harvard. Só então se perguntou se tinha ido demasiado longe. Se ainda podia voltar a casa.

Uma Educação é a história apaixonante de uma mulher que se reinventa. Mas é também uma história pungente de laços de família e de dor quando esses laços são cortados. Com o engenho dos grandes escritores, Tara Westover dá forma, a partir da sua experiência singular, a uma narrativa que vai ao cerne do que é a educação e do que ela nos pode oferecer: a perspetiva de ver a vida com outros olhos e a vontade de mudarmos.

Cris

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Ao Domingo com... Ricardo Fonseca Mota


Cresci numa casa cheia onde aprendi a partilhar e a apreciar o silêncio.

Na juventude apaixonei-me por poetas de toda a espécie: Al Berto, Jim Morrison, Ary dos Santos, Magritte e Magic Johnson.
A música guiou-me até às palavras. Quando descobri o poder delas aprendi a brincar. Esse jogo levou-me às artes plásticas e ao teatro. No teatro encontrei o mundo inteiro.

Comecei por adorar escrever. Evolui para o gosto de contar. Hoje interessa-me, sobretudo, dialogar.

Sinto que, como qualquer artista, sou em primeiro lugar um bom observador.

Trabalho apaixonadamente para construir uma casa cheia.
Escrevo para que nunca se acabe o silêncio.
Canto para ir a jogo.

Ricardo Fonseca Mota

sábado, 8 de fevereiro de 2020