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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

"A Oeste Nada de Novo" de Erich Maria Remarque

O autor coloca-se na pessoa do protagonista desta história, Paul Bäumer, um jovem soldado alemão de 19 anos, que juntamente com a sua turma, incentivados por um professor, alistou-se para combater na Primeira Guerra. Escrita crua, pormenorizada, descritiva, que impressiona. Encontram-se a 8 km da linha da frente, algures entre a Flandres e o Vosges, e o seu pelotão é chamado a combater com frequência. Um ir e vir à linha da frente que os esgota muitíssimo, tanto mais que a alimentação que lhes dão é insuficiente. Inexperientes, sujeitos a um superior que os amachuca constantemente tanto física como psicologicamente, Paul vê os amigos e colegas de carteira a tombar.

A tensão da espera nos abrigos que os esvazia. As ratazanas esfomeadas. O cheiro intenso, o som atordoador, a escuridão que vira dia com os clarões das bombas. As trincheiras destruídas. Tudo é descrito com cuidado e ao pormenor. O leitor ouve, sente e vê. Na frente de combate a vida a depender do acaso, a sorte em estar vivo. As balas que atingem não se sabe quem, os obuses que matam indiscriminadamente, os estilhaços que ferem com o intuito de ceifar vidas. À espera de uma morte que não se sabe se ou quando virá.

Por outro lado, são-nos descritas situações algo hilariantes como aquela em que Paul e um amigo decidem roubar um ganso para o assar. Depois de algumas peripécias em que estão envolvidos Paul, dois gansos e um cão da raça bullmastiff, os dois amigos encontram-se num barracão onde fazem uma fogueira. Lá fora, o som que uma guerra faz: explosões causadas pelas bombas, o barulho dos aviões, o matraquear das metralhadoras, gritos! Não fora o leitor "ouvir" perfeitamente o barulho e "ver" o cenário descrito, até pareceria uma cena cómica. O horror e o sorriso juntos em quem lê. 

Paul sente que a sua vida e a dos seus companheiros nunca será a mesma. Aliás, acha que foi completamente destruída com esta guerra que, para ele, não faz sentido nenhum. 

Uma obra a ler, sem sombra de dúvida. Um retrato psico-sociológico muito bem elaborado das consequências de uma guerra. Uma crítica social e política que valeu ao autor a sua ida para a Suíça, dado que este livro constituiu, segundo os nazis, um "acto de traição contra os soldados alemães que combateram na frente" (Epílogo). Uma obra ficcionada, mas muito visual, e que terá, muito provavelmente, muitas vivências de Erich Remarque.

Recomento para quem tem um estômago forte. Muito bom mesmo!

Terminado em 17 de Agosto de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Nas trincheiras, um a um, os rapazes começam a tombar em combate…

Em 1914, um professor chauvinista incentiva uma turma de estudantes alemães — jovens e idealistas — a alistar-se para a “guerra gloriosa”. Todos o fazem, movidos pelo ardor e pelo patriotismo próprios da juventude. Mas o seu desencanto começa logo durante a recruta brutal. Mais tarde, ao embarcarem no comboio que os levará à frente de combate, veem com os próprios olhos as feridas terríveis sofridas sob o impacto das bombas e a metralha implacável. É o seu primeiro vislumbre da realidade da guerra. Não será o último.


Cris

2 comentários:

  1. Li há tantos anos e ainda me lembro bem o quanto me impressionou!
    Inteiramente de acordo com a tua opinião.
    Beijinho
    Teresa

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    Respostas
    1. Olá amiga! Tb acho que vai ficar para sempre. Beijinho

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