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sexta-feira, 31 de maio de 2019

"A Paciente Silenciosa" de Alex Michaelides

Lê-se num ápice este livro. As folhas voam. Sentada junto a uma piscina ficou na minha pele gravada a exposição demorada ao sol, tal foi o mergulho que dei neste livro. Em boa verdade estava vento e não dei por me estar a queimar. A leitura, essa sim, queima-nos por dentro. Devora-nos! Li numa tarde e na manhã seguinte. Fim de semana de lazer que aproveitei como desejava. 

Uma mulher mata o marido que amava loucamente e, mesmo sendo acusada de tal, deixa de falar e não se defende. Um psicoterapeuta interessa-se pelo caso e por Alicia. Entre a vida turbulenta dele com um casamento à beira da ruína e a sua infância traumática, e o diário de Alicia, de que Theo desconhece a existência, as páginas voam. A escrita é muito fluida e não há momentos mortos. 

O murro chega-nos a dois terços do final. Não se espera, atinge-nos com força. Só por isso já vale a leitura. Adoro quando isso acontece. "Ah?!!!" - pensamos. "O que é que acabou de acontecer?" Uma reviravolta surpreendente. Depois não me venham dizer que já o esperavam! Serei assim tão básica? Contem-me tudo, quando lerem este livro. Sim, porque vale a pena. Mesmo!

Terminado em 26 de Maio de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Alice Berenson é uma pintora britânica, jovem e famosa, que vive numa casa sublime nos arredores de Londres com o marido, Gabriel, um conhecido fotógrafo de moda. A vida de ambos parece perfeita. Mas uma noite, quando ele chega a casa depois de uma sessão fotográfica, Alicia mata -o com cinco tiros. E nunca mais diz uma palavra.

A recusa de Alicia em falar e dar qualquer tipo de explicação sobre a tragédia, transforma-se num mistério que prende a imaginação da opinião pública, e confere a Alicia uma notoriedade sem precedentes. O preço dos seus trabalhos artísticos dispara e ela, a paciente silenciosa, é alvo de um mediatismo implacável. Para evitar isso, é conduzida para uma unidade forense de alta segurança no norte de Londres.

Theo Faber, um psicoterapeuta criminal, espera há muito pela oportunidade de trabalhar com Alicia. A sua determinação em convencê-la a falar e a desvendar as razões misteriosas que motivaram o assassínio do marido leva-o por um caminho tortuoso, numa busca pela verdade que ameaça consumi-lo...


Cris

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Para os Mais Pequeninos: "Anne Frank", da colecção Pequenos Livros Sobre Grandes Pessoas

Este é um livro que não se destina só a leitores pequenos que já sabem ler (7/8 anos), mas também aos mais pequeninos pois pode ser lido por um adulto e contado de uma forma mais simples. Conforme forem crescendo poder-se-á, então, contar a história tal como ela nos é narrada por este livro. 

Creio que é uma leitura muito completa sobre a vida de Anne Frank e que pode despertar os leitores e apaixoná-los, quando forem mais velhos, para a leitura do seu próprio diário. Com bastantes imagens muito elucidativas, é um livro que resume aquilo que foi a vida desta menina que desejava ser escritora e que viveu em condicões muitos especiais os últimos dois anos da sua curta vida. 

Simples mas suficientemente directo para passar a mensagem pretendida, este é um livro que pode e deve ser lido por um público mais pequeno, com as devidas adaptações caso ainda sejam pequeninos (4/5 anos). Gostei muito e recomendo. 






Cris

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Para os Mais Pequeninos: "O Novelo de Emoções"

- O que são as emoções? O que nos fazem sentir? Como agir perante elas? 

Estas são algumas questões que este livro coloca aos mais pequenos e tenta dar respostas de modo a que eles possam entender. Hoje sabe-se que existe uma alta probabilidade de que uma criança com um crescimento emocional seguro e saudável se revelará, no futuro, num adulto confiante e tranquilo.  Perceber porque agem de determinada forma e porquê, torna-se importante para a criança e para que esse crescimento se faça da melhor forma. 

A Marta e o seu amigo Sukha, uma garça-real que o livro ensina a fazer em origami, são os principais protagonistas desta história maravilhosa. A Marta sente alguma coisa que não sabe explicar e é o seu amigo que vai explicar-lhe de modo a que ela possa entender que emoção está a sentir e que mensagem essa emoção quer transmitir. Associa cada cor à emoção e explica-lhe que sentimento ela traduz.

Como mãe de dois rapazes daltónicos já crescidos não posso deixar de parabenizar a autora pela inclusão no texto de um código denominado ColorADD, um sistema de identificação de cores, que a meu ver deveria ser mais divulgado nas escolas. No tempo escolar dos meus filhos isso ainda não era uma realidade e tive algumas dificuldades a esse nível. Como fazer entender a um professor que um teste não deveria ter questões onde as cores são determinantes para uma boa resposta? Tentar guardar os lápis num sítio certo, andar com um papel assinado por mim onde constava que eles eram daltónicos e que poderiam mostrar em caso de aflição, foram algumas das soluções encontradas para que eles não ficassem comprometidos perante uma sala inteira de crianças que podem ser algo cruéis quando se apercebem de diferenças entre os seus pares. 

Um livro colorido com uma mensagem profunda e importante: as emoções são nossas amigas mas é preciso saber entendê-las! 






Cris

terça-feira, 28 de maio de 2019

"Contador de Histórias" de Jeffrey Archer

Não sou grande apreciadora de contos. Já o tenho dito aqui. Começam e acabam cedo demais. Quero sempre que tenham mais páginas e que o autor os desenvolva mais. Mas a oportunidade de conhecer este autor fez-me pegar neste livro. A minha opinião sobre os contos mantém-se. Preferia-os maiores. Talvez por isso o conto que gostei mais foi o maior, intitulado "O Vice Presidente Sénior". 

Também dentro dessa perspectiva não posso deixar de vos falar de um conto pequenino que adorei e que gostaria muito que fosse um romance, o "Perder e Sair a Ganhar". A história passa-se antes da I Guerra, e começa com uma amizade entre um professor alemão e um aluno britânico. Uma amizade que o destino põe à prova nas fileiras da guerra. Um conto com um potencial enorme para ser um grande romance. 

Outro que achei espectacular foi o "A Estrada de Damasco", também com o tema da guerra por base, desta feita da II Guerra. Se pensar bem, a nível de contos, este foi o que mais teve impacto em mim (daria um romance fantástico!).

Outros houve que gostei bastante e fiquei muito curiosa porque o autor refere e assinala no final os contos que foram baseados em histórias reais, que, aliás, foram a maioria. Algumas questões sobre esse facto surgiram-me de imediato. Será que terei oportunidade de as colocar? O autor estará na Feira do Livro de Lisboa dia 2 de Junho das 15 às 18h, no espaço Autores Que Nos Unem do Grupo Porto Editora. Se puderem não faltem!

E, se gostam de ler contos, peguem neste livro. A mim ficou-me a vontade de ler a série As Crónicas de Clifton (sete volumes) que habita cá nas estantes já há muito...

Terminado a 25 de Maio de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Jeffrey Archer, o autor da saga dos Clifton, regressa com um novo livro de contos há muito aguardado pelos leitores, repleto de textos emocionantes e, às vezes comoventes, escritos nos últimos dez anos.

Descubra o que aconteceu ao jovem detetive napolitano que, para resolver um assassínio, é arrastado para uma pequena cidade. Veja o que muda na vida de um jovem à medida que este descobre as origens da fortuna do seu pai. Siga as histórias de uma mulher que, na década de 1930, se atreve a desafiar homens poderosos, e a de uma outra, jovem, que apanha boleia e tem o encontro da sua vida.

Cris

segunda-feira, 27 de maio de 2019

"Um Instante de Amor" de Milena Agus

Peguei neste pequeno livro um pouco por acaso. É livro para ser lido num dia e era isso que precisava para entrar num projecto de leitura que corre por aí - "A ler vamos chamar a primavera". Quase com o prazo a terminar nada melhor que ler um livro de 90 páginas. Assim, não sabia para o que ia e nem sequer tinha lido a sinopse. Às vezes, estas leituras surpreendem-nos.

Confesso que a surpresa deste livro está nos dois últimos parágrafos. Até lá a história é engraçada mas não mexe com o leitor. O narrador é uma neta que relata a história da avó que já faleceu e de quem ela gostava muito. A avó é apresentada como alguém que toda a vida não foi compreendida e até foi vista e tratada como tendo alguma doença mental. Casou tardiamente, sem amor, e não conseguiu levar avante várias gravidezes, o que não a deixava bem vista perante os outros. Numa ida a umas termas conheceu o seu grande amor. Ou será que não?

O click é dado no final destas páginas, como referi. Há todo um sentido diferente que apanha o leitor desprevenido e dá, de igual modo, um sentido diferente a toda esta história e que deixa um gostinho bom no coração do leitor. No meu, pelo menos, deixou.  Foi a cereja que faltava no cimo do bolo.

Terminado a 20 de Maio de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Um Instante de Amor conta-nos a história de uma mulher extraordinária que viveu em Cagliari, na Sardenha, durante a Segunda Guerra Mundial. A rigidez e os preconceitos do meio onde nasceu não se compadecem com a sua natureza sonhadora e romântica. Embora seja extremamente bonita, os homens estranham-na, e o amor teima em fazer-se esperar. Atormentada pelo desejo que um casamento de conveniência não aplacou, reinventa a sua própria vida, num rasgo de erotismo e poesia, belo e assombroso como o próprio romance que deslumbrou a Itália e a França e veio confirmar Milena Agus como uma voz única, deliciosamente irreverente, da actual narrativa italiana.

Uma história arrebatadora que ganha nova vida no cinema com Marion Cotillard, Louis Garrel e Alex Brendemühl.

Cris

sábado, 25 de maio de 2019

Na minha caixa de correio

  

 

Princesa de Gelo - oferecido por uma amiga
Ofertas das Editoras: Em Nome do Amor (Leya), Hotel Silêncio (Quetzal), Ontem à Noite (Planeta)
Cozinha Radiante - comprado num alfarrabista

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Para os Mais Pequeninos: "Lê lá, Lara!"


O subtítulo deste livro tão engraçado é "Destrava-línguas com a Natureza". Li as páginas todas em voz alta, como se o estivesse a fazer para uma criança e não é que soa de uma forma divertida? A sonoridade é completamente diferente e as rimas fazem todos o sentido se forem lidas Dessa forma

A Lara já sabe ler e juntamente com uma panóplia de animais com nomes de "gente", dão sentido às belas imagens que a ilustradora Rita Duque imaginou e colocou no papel. Ficamos encantados com a sua beleza e há que parabenizá-la pela sua obra de arte!

Lendo e aprendento a brincar, este livro que é um prazer que podemos e devemos partilhar com os mais pequeninos, mesmo para aqueles em que as letras ainda são "um caso sério". Um livro  muito divertido que recomendo vivamente para os mais pequeninos!






Cris

terça-feira, 21 de maio de 2019

"Santa Bakhita" de Véronique Olmi

Há livros que nos deixam sem palavras! Uns porque são muito bons e mexem connosco, outros porque são tão maus que nada temos a dizer sobre eles. Estes últimos abandono-os. Confesso que já há muito tempo que isso não me acontece. Acho que acabamos por saber seleccionar naturalmente e escolher aqueles que mais têm a ver com os nossos gostos. Mas confesso-vos, também, que já não lia um livro como este, que vos trago hoje, já há muito, muito tempo. Foi uma leitura fantástica, fabulosa!

Não conseguirei, por mais que queira, traduzir por palavras como este livro mexeu comigo. Por variadíssimas razões. A primeira pela história de vida que conta. Baseada em factos verídicos, a autora conta-nos como uma menina negra, sudanesa, se viu enredada nas malhas do tráfico de escravos. Tudo começou por volta de 1870 e qualquer coisa, já que a própria, muitos anos mais tarde não sabia precisar a sua idade. Nem tampouco o seu nome de origem. Nem o local (tribo) de onde foi raptada. Supõe-se que teria uns 3 ou 4 anos. 

É indescritível tudo o que Bakhita passou. Nada me fazia expectar tamanha barbárie, tamanho sofrimento. É preciso ter um estômago que aguente tanta coisa que foge, hoje, ao nosso olhar... Por outro lado, esta história fez-me ter um conhecimento mais real de um mundo que não deveria ter existido (e será que não existe ainda encapotado sob outras formas e outro nome?). Por mais que vos fale no que Bakhita viveu, nada vos prepara para tamanho horror! E achando não me competir desvendar nada deste livro, que passou despercebido, fico-me por aqui: tudo o que pensava que a escravatura teria de pior, este livro superou em muito.

Por razões felizes, Bakhita veio para Itália. Conseguiu fugir ao seu destino mais certo, a morte. Mas, também aqui, preparem-se para a dureza dos relatos descritos pela autora. Bakhita era única na sua cor num mundo em que só existiam brancos. Foi sempre "um objecto raro", um espécime que todos queriam tocar, ver e que poderia estar ligada a um ser demoníaco. Palavras de espanto, nojo e horror, caras onde o medo se refletia, pedras atiradas, Bakhita experienciou de tudo um pouco. Mesmo assim, ela considerava que isso nada era comparando com o que tinha vivido. Para o leitor, contudo, o choque continua. Há muitas formas de escravidão...

A língua sempre foi, para ela, um impedimento. Desde cedo teve de lidar com diferentes dialectos que a impediram de se expressar e comunicar com os outros sudaneses que foram aparecendo na sua vida. O seu coração era de uma imensidão incalculável. Pelo caminho foi oferecendo o seu amor a várias crianças que cruzaram a sua vida com a dela. 

Bakhita foi canonizada pelo Papa João Paulo II. A sua história foi objecto de um livro de memórias (que teve como título "Uma história maravilhosa") cujo relato lhe foram pedindo ao longo dos anos em que viveu como freira numa ordem italiana. Este livro teve consequências que ela própria não esperava e não desejou.

As minhas 6 estrelas vão, de igual modo, para a escrita da autora. Crua e delicada ao mesmo tempo. Uma proeza quando se tratam assuntos tão "negros" como negra era a pele de um ser extraordinário que soube aproveitar o que a vida lhe deu de bom e superar-se a cada dia. 

Um livro marcante com uma escrita inspiradora sobre uma vida completamente desconhecida, atrevo-me a dizer, da maior parte das pessoas. Ainda nem vamos a meio do ano mas este vai ser, muito provavelmente, o meu livro de 2019. Dizer que recomendo esta leitura é pouco! 

Terminado em 19 de Maio de 2019

Estrelas: 6* (o mais gordas possível!)

Sinopse
Quando Bakhita foi raptada da sua aldeia natal, no Sudão, tinha apenas sete anos e estava longe de imaginar a extraordinária odisseia em que ia transformar-se a sua vida.

Feita escrava pelos raptores, vendida, trocada e oferecida várias vezes, conheceu a maldade humana em toda a sua dimensão e sentiu-a na pele ao ser vítima da crueldade dos seus senhores.

Anos mais tarde, um cônsul italiano comprou-a, e foi na Europa, depois de uma batalha judicial, que Bakhita voltou a conhecer a liberdade. Abraçou, então, a vida religiosa junto das Irmãs Canossianas, em Veneza, e atravessou o tumulto das duas guerras mundiais, consagrando a vida às crianças pobres e auxiliando os soldados feridos.

É essa história que Véronique Olmi conta de forma tocante neste seu romance, que em 2017 venceu o Prémio Fnac e foi finalista dos Prémios Femina e Goncourt – a história de uma criança feliz que veio a passar pelos maiores sofrimentos, mas que acabou canonizada por João Paulo II.

Cris

sábado, 18 de maio de 2019

Na minha caixa de correio

 
Ofertado pelas editoras parceiras:
- A Rapariga sem pele, Planeta
- A Fábrica das Bonecas, Topseller

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Escolha do Jorge: “Os Deuses Têm Sede”


“Sinto-me hoje com apetite para trincar fígado de aristocrata, acompanhado de vinho branco…” 
(p. 165)
“Reina a paz em todo o território da República. Terror salutar, terror santo! Generosa guilhotina!” 
(p. 211)

Assombrado pelas ideias de Bem e Mal e do sentido de Justiça, Anatole France (1844-1924) é tido como um dos grandes vultos da literatura contemporânea, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel de Literatura, em 1921, pelo conjunto da sua obra.

Romances como “Os Deuses Têm Sede” (1912) e “A Revolta dos Anjos” (1914) são reveladoras do conhecimento de Anatole France no que respeita aos grandes nomes da literatura greco-latina, renascentista e iluminista atendendo às inúmeras referências no decurso das narrativas.

“Os Deuses Têm Sede” é uma obra de grande fôlego e que remonta aos primeiros anos após a Revolução Francesa (1789), sobretudo entre 1793 e 1794, numa época em que a França, e Paris em particular, vivia uma espécie de guerra civil, conhecido por Terror, que opunha os defensores dos ideais da Revolução – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – aos defensores do Antigo Regime, com um Rei Absoluto e o Clero e a Nobreza como ordens sociais privilegiadas.

Este período conturbado – o Terror – teve a guilhotina como símbolo associado como forma de impor os ideias da Revolução como defesa da República, sendo, em certa medida, comparado aos autos-de-fé e as fogueiras implementados pela Inquisição.

Marat e Robbespierre são dois nomes que ficaram associados a este período negro da História da França, o primeiro, nascido na Suiça e com uma educação protestante, é o autor da expressão “inimigos do povo”, cujas listas surgiam no seu jornal, convocando-os para a execução.
Robbespierre, apelidado por “Incorruptível” assumiu o curso da Revolução com a instauração do Terror, considerado o auge da ditadura.

Marat foi assassinado em 1793 e Robbespierre teve o seu fim na guilhotina, em 1794.

Em anos de loucura e medo, percebemos que a passagem do regime absolutista para a República criou fissuras nas leis e na Justiça que tentava dar os primeiros passos de modo a seguir o seu curso assente no espírito da Revolução e na Razão.

A mínima referência ao período anterior constituía o motivo para terminar na guilhotina numa praça pública aos olhos de todos.

Este desejo de sangue e de aplicar a justiça de forma cega e arbitrária acompanham todo o romance que tem Evaristo Gamelin como personagem principal. Um jovem pintor e profundamente defensor dos ideais da Revolução Francesa foi convidado para ser jurado no Tribunal Revolucionário. Consciente dos seus ideais assentes na Razão, Gamelin não vê obstáculos para o cumprimento da Lei como forma de acabar com os “inimigos do povo” na guilhotina.

Face ao histerismo de Gamelin, a sua mãe, viúva, chamava-o à razão, solicitando ao filho calma e discernimento perante tempos de fome e miséria sentidas por todo o país. “Deixa lá, Evaristo. O teu Marat é um homem como os outros; não vale mais do que eles. És novo, tens ilusões.” (p. 19) “Mas não me venhas dizer que a Revolução há-de estabelecer a igualdade, pois os homens nunca serão iguais; não é possível, nem que virem o país de fundo para o ar: existirão sempre grandes e pequenos, gordos e magros.” (p. 22)

Mas Gamelin insiste ao contrapor a mãe e todos aqueles que se opõem à República ou que não acreditam nos ideais da Revolução que devem assumir-se como uma nova religião, concreta e real, em oposição às ideias cristãs. “Que importam as nossas privações, os nossos sofrimentos de um instante! A Revolução fará pelos séculos dos séculos, a felicidade do género humano.” (p. 20)

Os meses passam e as prisões enchem-se à conta de indivíduos de denunciam terceiros por questões cívicas, mas também por situações mesquinhas e até no seio das famílias com vista a receberem as heranças dos progenitores.

O leitor é levado a reflectir sobre o sentido da Justiça e a aplicação da mesma. Recordando Platão, ao questionar os seus interlocutores sobre o que era a Justiça, respondiam-lhe sempre sobre coisas justas, o que era e não justo, porém a essência da Justiça perdia-se na linguagem. Na prática, todos temos um sentido daquilo que é a Justiça, mas saberemos com rigor aquilo que é verdadeiramente a Justiça, a Ideia Inteligível de Justiça segundo o platonismo?

Daí que este romance tendo sido publicado há mais de um século permaneça actual atendendo à complexidade do tema da Justiça como pano de fundo. De acordo com os ideais da Revolução Francesa, poderíamos aludir que uma sociedade assente na Liberdade, Igualdade e Fraternidade é uma sociedade tendencialmente justa. Será mesmo assim? Como era a sociedade francesa um século depois da Revolução Francesa quando Anatole France escreveu este romance? Por que nos continuamos a interrogar um século depois sobre o sentido da Justiça?

Ainda que defensor e consciente destes valores que sustentam e República, Gamelin percebe que a aplicação da justiça começa a seguir caminhos tortuosos, podendo os mesmos desvirtuar a essência da própria Justiça e da República, no fundo.

Como forma de esvaziar as prisões, o Tribunal Revolucionário passou a fazer julgamentos em massa na sequência da aplicação da Lei de Pradial, livrando-se a República dos pretensos conspiradores.
“Acabam-se as instruções, os interrogatórios, as testemunhas, os defensores: o amor da pátria vale tudo isso. O acusado, que traz dentro de si o crime ou a inocência, passa mudo perante o jurado patriota. E é durante esse tempo que se tem de discernir uma causa, às vezes difícil e não raramente sobrecarregada e obscurecida. Como julgar agora? Como distinguir num instante o homem sério do criminoso, o patriota do inimigo da pátria?” (p. 198)

O importante era julgar fomentando, dessa forma, o medo junto da população perante a guilhotina que fazia rolar as cabeças dos “inimigos do povo”. O espectáculo perante a morte e o sangue derramado deixou Paris em estado de sítio na tentativa de se aplicar a pretensa Justiça. “Reina a paz em todo o território da República. Terror salutar, terror santo! Generosa guilhotina!” (p. 211)

Perante esta loucura que tomou conta de Paris durante o Terror, podemos aludir a uma passagem que caracteriza o Tribunal Revolucionário deste período: “O Tribunal Revolucionário assemelha-se a uma peça de William Shakespeare, que mistura com as cenas mais sanguinolentas as chocarrices mais triviais.” (p. 204)

Mas a História segue o seu curso e no meio de ideais e de sangue quente, mesmo quem é aparentemente bom, quem é genuíno face às ideias que defende pode ser apanhado na curva e ser surpreendido com a Justiça que aplicava a milhares de indivíduos considerados conspiradores que receberam o prémio da guilhotina. “É a tua vez, vampiro! Assassino a dezoito francos por dia! Agora já não ri: vejam como está pálido. Cobarde!” (p. 229)

Complexo e actual, “Os Deuses têm Sede” mostra-nos como o homem, sedento pela ideia de, é capaz de se transformar em algo semelhante ao Deus do Velho Testamento, cego, vingativo e cruel, capaz de perpetrar as maiores atrocidades contra os seus semelhantes, perdendo a lucidez, a Razão que o distingue dos animais e que, em tempo de guerra, tenta sobreviver como eles, olho por olho, dente por dente.

Dois anos após a publicação de “Os Deuses Têm Sede” iniciava a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) que fez mais de vinte milhões de vítimas mortais.

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 15 de maio de 2019

"A Piscina" de Libby Page

O primeiro adjectivo que surgiu no meu pensamento mal terminei este livro foi "bonito". Este é um livro que nos fala da ternura da amizade, de como esse sentimento pode aproximar as pessoas mais diferentes e unir quem aparentemente nada tem a ver uma com a outra. De como sabermos que há alguém que se preocupa connosco pode mehorar as nossas inseguranças, os nossos medos e ajudar-nos a superá-los.

É uma história terna onde intuímos automaticamente o final do enredo mas isso não é o que realmente importa nesta leitura. Saboreamos devagar as palavras deste livro e apreciamos os pormenores: a luta por um objectivo une as pessoas que se conhecem de toda uma vida passada num bairro londrino. 

Foi uma delícia ler este livro. Recomendo!

Terminado em 14 de Maio de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse 
A amizade pode mudar a vida.

Kate tem 26 anos e trabalha num pequeno jornal local no qual publica notícias insignificantes. Um dia é escolhida para escrever sobre o encerramento do Brockwll Lido, uma piscina local, ao ar livre e integrada num centro de lazer e desporto.

No lido, Kate conhece Rosemary, uma viúva de 86 anos que sempre frequentou o lugar desde a sua inauguração, altura em que ainda era criança. Foi aqui que Rosemary se apaixonou pelo marido e foi aqui que sempre nadaram juntos.

Quando surge um projeto para transformar o lido num complexo de apartamentos, as memórias de Rosemary e o seu mundo ficam subitamente ameaçados. Enquanto Kate mergulha na história do lido, vai-se envolvendo simultaneamente na história de uma piscina e na vida de Rosemary, uma mulher singular.

O que começa por ser uma simples reportagem, apenas com interesse local, acaba por desaguar numa surpreendente relação de amizade entre duas mulheres empenhadas no combate contra o encerramento do lido.

A Piscina é um romance encantador que capta a essência e o espírito de uma comunidade através de gerações — um conto irresistível de amor, perda e amizade.

Cris

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Escolha do Jorge: “Cuidar dos Vivos”


“Entre o instante em que o coração pára no corpo do dador e o momento em que ele volta a bater no do receptor, o órgão conserva-se durante quatro horas.” 
(p. 123)

O meu primeiro contacto com “Cuidar dos Vivos” de Maylis de Kerangal (n. 1967) foi com a sua adaptação ao cinema através da realizadora Katell Quillévéré. Trata-se de uma história comovente e intensa, passada em vinte e quatro horas, sobre a morte inesperada de Simon Limbres, um jovem de 19 anos, e o transplante de alguns dos seus órgãos, em tempo útil, para outros pacientes.

A ideia apresentada deste modo parece fria e até cruel, no entanto, para quem viu o filme e depois durante a leitura, percebemos, com esse mesmo impacto, que perante situações de acidente que culminam com vítimas mortais, é necessário articular e dosear a informação sobre um dado falecimento aos familiares directos, neste caso, os pais do jovem, a par da abordagem sobre a possibilidade de doação de órgãos, numa altura em que a família ainda não digeriu sequer a ideia imediata que é a morte inesperada.

O filme foi marcante e tendo-o visto mais do que uma vez foi a razão por não ter lido de imediato o livro na medida em que se trata de um filme que ainda o tenho presente, pelas imagens esteticamente belas, os diálogos, as circunstâncias, os personagens.

Terminada a leitura do livro, constato que a adaptação ao cinema é notável, não necessitando de criar mentalmente os personagens porque recorro aos do filme, assim como aos demais cenários, e lendo os diálogos que, no fundo, me são familiares, seguem a par e passo a adaptação feita para filme.

Mesmo conhecendo a história e sabendo de antemão ao que ia encontrar, sou confrontado com uma forma de escrita muito diferente daquilo a que estou habituado, daí que seja importante e meritório reconhecer o trabalho dificílimo da tradutora de “Cuidar dos Vivos” de Maylis de Kerangal, por razões várias.

Somos confrontados com frases excessivamente longas e até de frases-parágrafo do tamanho de uma página ou mais, o que pode gerar alguma perda de concentração na fluidez do texto, não esquecendo que a autora mistura de modo exímio a narração com as falas dos personagens, o que pode trazer alguma confusão ao leitor, reconheço. Talvez pelo facto de estar familiarizado com a história e de a ter bem presente, reconhecendo as falas dos personagens, não senti dificuldade na leitura. A par destas particularidades da forma, há ainda a referir o trabalho hercúleo da tradutora no que concerne aos termos técnicos, quer aqueles relacionados com o surf e ainda todos os procedimentos técnicos relacionados com o transplante de órgãos, de modo a promover uma tradução objectiva, coerente e, correcta do ponto de vista científico, não esquecendo a necessidade da cadência e fluidez das frases, num discurso que poderá, numa primeira abordagem, conduzir a algum desalento na tentativa de chegar aos leitores.

O resultado, contudo, é excelente e, mesmo perante as particularidades acima descritas, o leitor é levado a compreender passo a passo, cada fase do processo relacionado com o transplante de órgãos.
“Cuidar dos Vivos” é uma obra que funde literatura com ciência e técnica e parece-me importante aludir a este aspecto, sobretudo porque poderíamos articular três pontos fundamentais nesta obra, a saber: o discurso científico em que são explicados os pontos fundamentais naquilo que é essencial, desde a morte cerebral (do jovem) até ao transplante de órgãos, toda a questão técnica, sempre clara, muito objectiva, e num tom deveras pragmático, mesmo quando se fala da morte e sobretudo porque através desta morte em particular pode vir a ser o veículo de vida para outros pacientes, e tudo isto gerindo toda a questão emocional perante a perda de um filho cujo cenário, ainda que doloroso seja promovido com humanidade e dignidade, salvaguardando também a sacralização do corpo depois de ter sido esventrado, para depois ser devolvido à família para serem realizadas as cerimónias fúnebres.

Chego a este momento e a cabeça explode de imagens e de ideias que se baralham entre a perda de um filho e que continuará vivo noutros corpos, em urgência da vida, por um rim, um pulmão, o fígado ou o coração (órgãos de Simon transplantados). Creio que será essa a ideia de conforto, ainda que jamais substitua a perda, a de uma certa redenção face à ideia de a morte do filho possibilitar a vida de terceiros.

São vários os momentos marcantes neste livro, muitas vezes até frases que surgem sob a forma de pensamento e que nos levam a reflectir sobre a vida e a morte e que a civilização ocidental pode ter atingido um grau de desenvolvimento tal, mas é necessário não esquecermos que, no essencial, somos seres humanos e podem passar milénios que as dúvidas e os medos do Homem continuam a ser os mesmos de há milénios e a questão do corpo perante a vida e a morte são sagrados (não necessariamente numa perspectiva religiosa).

O desenvolvimento científico e técnico que tem facilitado a muitas pessoas receberem um órgão transplantado obriga a um discurso humanista, mas também à reflexão sobre questões de ordem ético-moral e também religiosa, e esse ponto surge também salvaguardado numa breve passagem do livro, contudo, uma das mais importantes e também mais belas. “Esta fase da colheita, o restauro do corpo do dador, não pode ser banalizada, é uma reparação; é preciso agora reparar, consertar os estragos. Devolver o que foi dado tal como foi dado. Senão, é barbárie.” (p. 183)

A meu ver, esta frase, este pensamento, encerra a ideia de civilização e dos seus limites nunca desviando a atenção daquilo que é mais importante: o homem.

Excertos:
"(...) É o medo da morte e o medo da dor, o medo da operação, dos tratamentos pós-operatórios, o medo da rejeição e de que tudo recomece, o medo da intrusão de um corpo estranho no seu, é de se tornar uma quimera, e de deixar de ser ela mesma." (p. 145)

"O coração de Simon migrava para um outro lugar do país, os rins, o fígado e os pulmões chegavam a outras províncias, fugiam para outros corpos. O que subsistiria, nesta explosão, da unidade do seu filho? Como ligar a sua memória singular a este corpo difractado? O que seria feito da sua presença, do seu reflexo na Terra, do seu fantasma?" (p. 176)

Texto da autoria de Jorge Navarro

domingo, 12 de maio de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

 


À excepção do livro de Paco Roca "Arrugas" (edição espanhola, comprado numa livraria em Alicante, oferta do meu marido) e do Assassino da Lua das Flores que foi comprado em segunda mão, todos os restantes foram ofertas das editoras respectivas. O meu obrigada!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

"O Livro do Amor" de Fionnuala Kearney

Juro que as capas floridas cada vez me baralham mais!!! Esta é uma delas! Quando peguei neste livro já ia avisada que era muito mais do que um romance leve. Aliás, foi por confiar na opinião dessa amiga que me garantiu que este livro não era o que parecia à primeira vista, que senti vontade de o ler.

No meu entender, o título traduz significativamente um facto que ocorre durante toda a leitura e que é bastante importante: um pequeno livro  foi oferecido ao jovem casal, protagonista do enredo, Erin e Dominic Carter, e que serve para colocarem no papel algumas das questões que os preocupam mas que não conseguem verbalizar pessoalmente um com o outro. É o livro do amor.

Mas a capa não tem nada a ver com o conteúdo. Remete para um romance cor-de-rosa e esta obra não é, de todo, um romance leve. A autora leva-nos, através do caminhar entre passado e presente, a mergulhar na vida dos dois protagonistas, com os altos e baixos que um casamento de muitos anos pode trazer.

A autora recorre a uma escrita perspicaz, observadora. Certeira. É engraçado ver como os episódios do passado, todos datados para que o leitor não se perca, se vão aproximando, ano a ano, da época presente. E gostei especialmente do twist que se verifica já bem depois do meio do livro, que me fez voltar atrás e reler algumas partes do "presente" para ver se tudo batia certo! 

Recomendo para quem gosta de romances onde é retratada a perda, a falta que alguém pode sentir por outrém que se amou a vida inteira! 

Terminado em 5 de Maio de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Ele chama-se Dominic Carter. Acredita no amor, vive a vida ao máximo e gosta de correr riscos. Assim que a conhece, sabe que encontrou o seu grande amor.

Ela chama-se Erin Fitzgerald. Acredita no amor, é cautelosa, eternamente preocupada com tudo e todos. Quando encontra Dom, sabe de imediato que é o homem com quem deseja partilhar a sua vida.

O Livro do Amor é um presente de casamento.
É o livro onde põem por escrito aquilo que não conseguem dizer um ao outro de viva voz. É onde vive o amor de ambos.
Mas há uma página em falta. Uma página que Dom escreveu e arrancou…
Essa página contém uma confissão avassaladora.
Um segredo que vai mudar as suas vidas.

Para sempre.

Até que a morte os separe.

Cris

quinta-feira, 9 de maio de 2019

"A Avó Que Percorreu o Mundo de Bicicleta" de Gabri Ródenas

Acho que foi o título desta obra que, primeiramente, chamou a minha atenção. 

Penso que este livro não é para ser lido com o foco em pormenores técnicos que nos possam parecer irreais ( que "avó" de noventa anos poderia andar 30 km diários?) porque se trata de uma fábula deliciosa! É com o olhar de quem está a ler pura magia que conseguimos apreciar os detalhes que nos são contados pelo autor.

Em muitas coisas fez-me recordar O Principezinho. Uma delas foi o de termos de escutar o nosso coração, de ter esperança, de observar os pequenos detalhes que a vida nos oferece e dar-lhes a devida atenção. Afinal, nada é por acaso, pois não? E não foi por acaso que este livro me veio parar às mãos.

Doña Maru, vive no México numa pequena vila. As horas dos seus dias são passadas a fazer pequenos bolos, os alfajores, que vai oferecendo a quem encontra e, sobretudo, aos meninos de um orfanato a quem visita diáriamente. A sua vida não foi fácil porque ela própria foi criada num. Até que um dia uma notícia inesperada fá-la percorrer alguns km na sua bicicleta à procura de...

E mais não conto! Disponham-se a fazer alguns km com Doña Maru, com a sua idade e com a sabedoria que ela lhe trouxe. Digo-vos já que este é um livro classificado de auto-ajuda. Como tal têm de se preparar para entrar nesta fácula deliciosa e deixar o vosso coração ouvir.

Terminado em 2 de Maio de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Doña Maru tem noventa anos e uma vida pacata em Oaxaca, México. Percorre diariamente de bicicleta uma longa distância para levar doces, alegria e o seu sorriso às crianças do orfanato. Criada, ela própria, num orfanato, no Chile, de onde fugiu com treze anos, sabe bem o que é estar só no mundo. A vida não foi fácil para ela, mas a velha senhora sempre manteve o caráter rebelde e ouviu os murmúrios do seu coração.

Quando descobre que tem um neto, em Veracruz, decide partir a galope no cavalo de vento a sua velha bicicleta em busca do rapaz numa viagem reveladora do poder dos sonhos.

Com esta fábula cheia de magia, humor e espírito positivo, Gabri Ródenas convida-nos a abrir a caixa dos tesouros que a vida nos oferece - a esquecer o que nos entristece ou o que nos aborrece para abraçarmos uma existência mais emocionante, mesmo que de início isso nos possa parecer desconcertante e insólito. É um convite para vermos a realidade tal como a víamos nos longos verões da nossa juventude, em que tudo resplandecia e o mundo se revelava pleno de aventuras e oportunidades.

Cris

quarta-feira, 8 de maio de 2019

"Uma Gaiola de Ouro" de Camilla Läckberg

Nunca tinha lido Camilla Läckberg. Já ouvi dizer que este livro foge ao estilo dela. Quero verificar isso em breve pois pretendo ler mais livros desta autora, sobretudo de algumas séries policiais.

Que dizer deste livro? Fiquei um pouco sem palavras, tive de me sentar, depois da última folha para pôr em ordem os meus tumultuosos pensamentos! 

O enredo, em certas partes, é um pouco previsível. Sentimos que as coisas vão correr de determinada forma. Não que o facto de alguns acontecimentos serem expectáveis faça esmorecer o apetite do leitor em continuar a leitura, não, de todo! É uma leitura que se faz rápida e sente-se uma empatia imediata com a personagem principal. Esse, em parte, foi um problema para mim. Faye tem um aspecto muito sombrio na sua personalidade que a faz agir de determinadas formas para conseguir os seus fins e não acredito que todos os meios justifiquem os fins... Sentimos empatia pelo seu lado de vítima mas ao mesmo tempo questionamos os seus valores morais. Será que a vingança é o motivo certo que deve impulsionar alguém para avançar com a sua vida e tentar vencer?

Faye é uma personagem que está muito bem caracterizada pois a autora soube, com mestria, desenvolver-lhe um carácter ambíguo, propício a discussão por parte dos leitores dado que as suas acções são extremas e passa de vítima a castigadora num abrir e fechar de olhos! Creio que esse aspecto dá uma boa discussão entre leitores...

Fiquei curiosa com os outros livros da autora. Ainda bem que a Feira do Livro de Lisboa se aproxima...

Terminado em 30 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro.

Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

Cris

terça-feira, 7 de maio de 2019

"As Longas Noites de Caxias" de Ana Cristina Silva

Li este livro durante o feriado do 25 de Abril. Fez todo o sentido celebrar a liberdade lendo sobre ela. E este livro é isso mesmo: uma ode à liberdade! Àquilo por que passaram algumas pessoas para que nós, hoje, possamos falar e pensar livremente. Não faço ideia como seria viver nesse ambiente, sem poder expressar as minhas opiniões, viver situações em que o medo impere.

Gostei de sentir e aperceber-me de como seria viver assim, sem a liberdade que vivemos hoje. Ana Cristina soube reproduzir lindamente a época salazarista. As prisões, os movimentos estudantis, a PIDE. As ameaças, o medo, a tortura.

Em relação ao enredo esperava um pouco mais. A história de duas mulheres que se cruzam e que pertencem a polos opostos quanto às suas ideologias políticas. Considero a caracterização destas duas personagens um pouco simplista: uma é essencialmente boa, a outra essencialmente má. Recuso-me a acreditar que o ser humano se reduza a esses extremos. Mas, será que tenho razão? Depois de terminada a leitura fiquei a pensar sobre este assunto.

No entanto, gostei de ler. Gosto dos livros desta autora. Recomendo-os todos.

Terminado em 25 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Um romance poderoso e emocionante sobre duas mulheres que viveram intensamente a ditadura. Leninha, a mais temida e poderosa figura feminina da polícia política portuguesa: a PIDE; e Laura, uma das vítimas que mais sofreu às mãos da terrível agente. Baseado na vida de uma figura tão terrível como fascinante: a mulher que chegou mais alto na hierarquia da PIDE, ainda hoje uma grande desconhecida para a maioria dos portugueses.

Cris

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Resultado do passatempo Gradiva "Um Elevador Chamado Desejo"

Embora mais tarde do que o prometido, venho anunciar o nome do vencedor deste passatempo, tão simpaticamente patrocinado pela editora Gradiva.

Com 137 participações válidas foi seleccionado através do Random.Org o nº 124 que pertence a:

- Ana Vieira de Santiago do Cacém

Parabéns! Espero que gostes desta leitura. Eu vou ler de seguida... O livro segue terça, dia 7 de Maio!!!!

Cris