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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Viajante à Luz da Lua" de Antal Szerb

Fui atraída pela capa deste livro e porque as recomendaçōes que tinha de amigos também eram muito boas. Aliás, o Jorge já aqui vos tinha falado dele.

É dificil falar-vos de um livro que, se por um lado me prendeu nāo me deixando abandoná-lo, por outro me irritou profundamente o comportamento de certos personagens. Sobretudo o protagonista principal, Mihály. O autor caracterizou-o excepcionalmente, disso nāo tenho dúvidas. Aliás, é devido à sua caracterizaçāo excepcional que se foi gerando em mim uma irritaçāo constante em relaçāo (poderei dizer intransigência?) a esse protagonista.

É um homem perdido entre o presente e um passado vivido na sua juventude, onde a morte de um amigo o marcou profundamente. É um homem que busca, nāo se sabe bem o quê e ele próprio também nāo sabe o que procura, nem o que quer. E isso fá-lo ter reaçōes imprevisiveis, repentinas e nada pensadas. Como, por exemplo, abandonar a sua mulher e partir para outro ponto de Itália onde se encontravam em plena lua de mel...

O livro foca-se, principalmente, neste personagem embora dê algum relevo à história da sua mulher e a da sua amiga de infância, Éva. Estas personagens sāo, no mínimo, estranhas e marcadamente com um caracter inseguro, com personalidades ainda por construir, que se vāo revelando durante toda a leitura. E se Mihály parte numa viagem de auto-descoberta, as personagens femininas também a realizam, nas páginas desta história, cada uma à sua maneira.

É uma obra que, depois de lida, nos faz pensar. Como referi, nāo foi uma obra em que ficasse apaixonada pelos personagens. Contudo, reconheço que estāo caracterizados com mestria e nos fazem reflectir sobre o que se quer da vida e o que os outros esperam de nós. Sobre quem somos: se aquilo que queremos ou aquilo que devemos ser.

Terminado em24 de fevereiro de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Mihály, um homem de negócios de Budapeste, vai passar a lua-de-mel em Itália com a mulher, Erzsi. Os problemas começam na primeira paragem, Veneza, mas é em Ravena que um antigo amigo de Mihály perturba o casal com histórias do passado. Ao perder o comboio para Roma, Mihály foge da mulher e vagueia pelo país, numa viagem de autodescoberta. Dividido entre o desejo e o dever, o que quer e o que os outros esperam de si, a boémia da adolescência e as responsabilidades de adulto, Mihály reencontra os seus fantasmas e questiona o sentido da vida.
      Amor e morte cruzam-se neste romance trágico cómico de 1937, uma obra-prima do húngaro Antal Szerb, traduzida em diversos países, e que chega finalmente a Portugal.

Cris

1 comentário:

  1. Sinto que este livro é daqueles que ou se adora, ou se odeia. Eu adorei. Mesmo a imprevisibilidade das personagens e a bizarria geral pareciam envolvidas numa espécie de sonho...

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