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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

"A Catedral do Mar" de Ildefonso Falcones

Sabem quando acabam uma refeiçāo boa e só vos apetece fechar os olhos e saborear outra vez o que acabaram de comer embora estejam cheios, empanturrados até? Foi com essa sensaçāo que os meus olhos se mantiveram fechados, tentando absorver de novo todas as 730 páginas que acabara de ler. Para as saborear e para vos falar delas.
      Uma recriaçāo fantástica, que conseguimos visualizar perfeitamente, de uma época que acompanha a construçāo da Igreja de Santa Maria del Mar, em Barcelona, uma igreja construida pelo povo e para o povo. Desde 1320 a 1384 seguimos com paixāo a vida de Bernat Estanyol e seu filho, Arnau. E digo com paixāo porque logo nas primeiras páginas torna-se muito fácil mergulhar no livro: o direito (facto verídico) de um Senhor dormir com a noiva do seu servo transforma o casamento de Bernat num verdadeiro inferno. E prende por completo a nossa atençāo. O seu casamento, como era de prever, sofreu danos irreparáveis e seu filho, Arnau, apegou-se à imagem da Virgem Maria desde cedo, e esse amor vai acompanhá-lo toda a sua vida.
      Depois é um suceder rápido de acontecimentos, todos cinematográficos, tal é a forma como sāo descritos, que nos colocam na Barcelona de entāo. Os conflitos entre servos e senhores, as sentenças reais que confinavam as mulheres a um casebre sem poder ver a luz do dia, acusadas de adultério (ou suspeita), o facto dos autores de estupro poderem casar com as suas vítimas, a vida dura dos bastaixos, carregadores de pedra para a construçāo das igrejas, as execuçōes, as revoltas do povo de Barcelona, a vida dos cambistas, das prostitutas da época, os ataques aos judeus acusados de celebraçōes heréticas, a Inquisiçāo e os seus ardis para obterem confissōes e ficarem com a riqueza de quem era acusado e o fanatismo religioso, o poder da host de Barcelona (a populaçāo juntava-se em massa para acudir alguém que era alvo de uma injustiça), a peste e as suas terríveis consequências e tantas, mas tantas coisas mais, fazem deste romance uma obra que precisa de ser lida.
      Suficientemente envolvente para ser lido de rajada, nāo fora o seu peso que impossibilita o seu transporte, é o livro ideal para uma leitura de um fim de semana alargado. Prende, arrepia e faz-nos pensar. Nota máxima. Espero ter oportunidade de, em breve, ler a continuaçāo desta obra escrita ao fim de 10 anos, Os Herdeiros da Terra.

Terminado a 9 de Setembro de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
Século XIV. A cidade de Barcelona encontra-se no auge da prosperidade; cresceu até ao humilde bairro dos pescadores, cujos habitantes decidem construir, com o dinheiro de uns e o esforço de outros, o maior templo mariano conhecido: Santa Maria do Mar. Uma construção paralela à desditosa história de Arnau, um servo da terra que foge dos abusos do seu senhor feudal e que se refugia em Barcelona. Daqui se torna cidadão e, assim, num homem livre. O jovem Arnau trabalha como estivador, palafreneiro, soldado e cambista. Uma vida extenuante, sempre à sombra da Catedral do Mar, que o tirará da condição miserável de fugitivo para lhe dar nobreza e riqueza. Mas com esta posição privilegiada chega também a inveja dos seus pares, que tramam uma sórdida conspiração que põe a sua vida nas mãos da Inquisição... Lealdade e vingança, traição e amor, guerra e peste, num mundo marcado pela intolerância religiosa, a ambição material e a segregação social. Um romance absorvente, mas também uma fascinante e ambiciosa recreação das luzes e sombras do mundo feudal.

Cris

2 comentários:

  1. Olá Cris. Ofereci os dois livros ao meu pai no seu aniversário. Tinha um feeling de que era soberbo, fico mesmo feliz por ler a tua opinião. Agora fico ainda mais desejosa de o pedir emprestado ao meu pai ;-) beijos Cláudia

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    Respostas
    1. Claudia, o único senāo que encontro neste livro é mesmo o seu peso... Gostei muito!

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