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domingo, 30 de abril de 2017


Ao Domingo com... Diogo Marques


O meu nome é Diogo Marques, tenho dezanove e sou orgulhosamente lisboeta. Há pouquíssimo tempo, a vinte e quatro de março do presente ano, lancei o meu primeiro livro – “Madrugada” - , que se constitui como sendo uma compilação de textos poéticos e de prosa que fui escrevendo e, posteriormente, aperfeiçoando ao longo dos anos. É, por isso, a concretização de uma vontade de
sempre. Tenho o objetivo de realizar múltiplas apresentações por todo o país, para que possa fazer uma das coisas de que mais gosto: falar em público e, melhor ainda, de algo de que me orgulho muito. Paralelamente a esta paixão literária, sou primeiro-anista do curso de Administração e Gestão de Empresas na Universidade Católica Portuguesa, orientação profissional essa que pretendo que seja o meu futuro.

Link da página no Facebook: https://www.facebook.com/diogopintomarques/?ref=aymt_homepage_panel
Link para a compra online do livro: https://www.chiadoeditora.com/livraria/madrugada

sábado, 29 de abril de 2017


Na minha caixa de correio

 

  

Eis o que chegou cá a casa esta semana:
Comprado em segunda mão, Vidas Perdidas;
Oferta da Planeta, Isabel Zendal, A Paixão de Salvar o Mundo;
Oferta do Clube do Autor, Primeiro as Senhoras (a minha leitura de hoje) e 72 Horas, O Último Resgate de Auschwitz.
Os Filhos dos Nazis chegou elas mãos da Editora Guerra e Paz.
A Brecha foi oferta da Quetzal. Leiam o artigo do autor na rúbrica Ao Domingo com... Aqui!

sexta-feira, 28 de abril de 2017


Novidade Presença

A Pérola que Partiu a Concha
de Nadia Hashimi
Cabul, 2007. Com um pai toxicodependente e sem um único irmão, Rahima e as irmãs só podem frequentar a escola esporadicamente e mal lhes é permitido sair de casa. A Rahima, resta a esperança proporcionada pela bacha posh, uma prática antiga através da qual as raparigas podem ser tratadas como rapazes, e adotar o seu comportamento, até terem idade para casar. Como filho, ela pode ir à escola, ao mercado e sair à rua para acompanhar as irmãs mais velhas. Rahima não é a primeira da família a seguir esta prática pouco comum . Shekiba, sua trisavó, já o fizera um século antes para tentar salvar-se. Os destinos das duas cruzam-se numa história, ao mesmo tempo, bela e triste que nos fala da condição feminina num ambiente hostil. O que acontecerá a Rahima quando tiver idade para se casar? Como sobreviverá? E Shekiba, terá ela conseguido construir uma vida nova e mais digna?

Para ter mais informações sobre este livro, clique no site da Editorial Presença aqui!

Novidade Minotauro

O Homem que Duvidava
de Ethan Canin
      Milo Andret é dotado de uma mente extraordinária. Criança solitária entre as florestas do Michigan nos anos 1950, pouco valorizava o seu próprio talento. Contudo, após ingressar na Universidade de Berkeley, apercebe-se da extensão, e dos riscos, do seu dom tão singular. A Califórnia dos anos 1970, revela-se um jogo sedutor, desvelando a Milo o encanto da ambição, mas também da indulgência. A investigação que lá inicia elevá-lo-á à categoria de lenda; a mulher que lá conhece (assim como o seu arquirrival) atormentá-lo-á para o resto da vida. De facto, a verdade é que o brilhantismo de Milo se encontra finamente entrançado com um desejo obscuro que em breve ameaçará o seu trabalho, a sua família e até a sua própria vida.
      O Homem que Duvidava narra o percurso de uma família, revelando que a ambição caminha de mãos dadas com a destrutividade, a obsessão namora com o tormento e o amor encanta-se com a dor.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A escolha do Jorge: "Nossos Ossos"


“A vida é tão curta para ser pequena.” (p. 19)

      Publicado no início do ano, “Nossos Ossos” é a primeira obra de Marcelino Freire (n. 1967) editada em Portugal, através da Nova Delphi, que se tem afirmado como uma das editoras de vanguarda no contexto editorial português dos últimos anos.
      Vencedor do Prémio Machado de Assis, em 2014, na categoria de melhor romance, “Nossos Ossos” apresenta um retrato nu e cru do submundo das drogas e do sexo em São Paulo. Apresentando Heleno no epicentro da narrativa, um indivíduo que tenta ganhar a vida através da escrita de guiões para teatro e séries, tentando sobreviver à rua, mas ainda assim passando muitas dificuldades, tantas vezes se recorda da sua terra natal, em Sertânia, Pernambuco, no Nordeste Brasileiro, terra natal também de Marcelino Freire, o autor do romance. Na verdade, os vários locais descritos neste pequeno romance seguem em linha com as vivências do autor que vive actualmente em São Paulo onde decorre a narrativa.
      Heleno é viciado na escrita, mas também nas esquinas e nos locais de engate frequentados por rapazes que se prostituem como forma de sobrevivência. É num desses locais que Heleno conhece
Cícero, aquele que vai ser o seu “boy” durante algum tempo, um jovem que o vai fazer sentir vivo novamente e por quem acaba por se apaixonar. Longe de imaginar que na fúria da satisfação sexual e como forma de fazer ciúmes a Carlos, o seu anterior companheiro, Heleno acaba mesmo por se envolver emocionalmente por Cícero, mais não seja pela ilusão de quebrar a solidão que sente na grande cidade.
      Entre relatos dramáticos e crus deste submundo paulista onde abunda a doença e o crime, Heleno está contaminado, desconhecendo a origem do mal e, como se não bastasse, Cícero é encontrado morto, desfigurado. Na tentativa de se redimir e de sentir alguma paz consigo mesmo, Heleno, em nome do amor que sente pelo seu “boy”, decide organizar as exéquias fúnebres, devolvendo o corpo à família e à sua terra natal.
      No meio de tanta desgraça, crueldade, doença e miséria humana, Heleno tenta encontrar rasgos de humanidade que lhe devolvem paz de espírito (ou de consciência).
      A partir deste ponto, Heleno não tem nada a perder, a sua missão está cumprida, consigo próprio, com Cícero e a sua família, no fundo, com a vida. Não tem de fazer nada mais e São Paulo é apenas a cidade que nunca deveria ter conhecido, um erro de ‘casting’ onde conheceu o amor fugaz, a doença e a morte. Heleno tem apenas um sonho face ao pouco tempo de vida que lhe resta. Regressar a Sertânia, a sua terra natal e ser enterrado no quintal da sua família.
      Uma narrativa que alterna frequentemente entre o discurso directo e o indirecto, “Nossos Ossos” dá-nos a ideia de movimento, frases que sugerem pensamento e acção, utilizando uma linguagem dura e crua, sem tabus. Os temas abordados são trazidos com a força do pensamento e do desejo dos personagens, tal como os sentimentos. Nada é polido porque a realidade é cruel. Uma narrativa alucinante com uma escrita que cativa o leitor à medida que o arranca do seu sofá confortável e o transpõe para os meandros da miséria social, da podridão humana, porque essa é também a condição de tantos seres humanos.

Excertos:
“Marquei com o mensageiro no bar da outra rua para não chamar a atenção do pessoal do hotel, um menino moreno, com idade para ser meu neto, eu esqueço essas diferenças, na companhia dele nem lembro que estou velho e doente, precisava também dar a ele um pouco de dinheiro, na última vez em que estivemos juntos ele me contou da mãe sem saúde, todo menino, em qualquer esquina, recepção, no centro desta cidade, tem uma mãe que morre-não-morre, um pai que bebe-e-bate, o senhor é muito gente-fina, vai querer, de novo aquele esqueminha?
Amoleci, eu disse para ele, eu não estou bom do juízo, uma dor qualquer, um cansaço, bebi só um gole de conhaque, agradeci, sincero, as noites, poucas, que passamos juntos, não seria justo que eu continuasse nessa vida de putaria, sem propósito, todo garoto saudável é para mim uma tentação, como se eu houvesse congelado o meu sentimento, jovem, naquele tempo em que acreditei no amor de Carlos, em sua devoção para todo o sempre, tome, guarde, dei a ele um envelope, o frangote merecia, sim, estou indo de volta para o Nordeste, a minha terra, você sabe, aqui eu não piso mais, é de vez, nem a passeio, quis ele saber, e se um dia eu resolver fazer uma visita lá, em Pernambuco, tem tanta praia bonita, talvez eu não esteja mais vivo, ora, deixe isso, o senhor nem parece a idade que tem, soltou um sorriso, um sorriso do bem, pedi que ele fosse para casa, já era tarde, a minha viagem seria longa, qualquer dia, então, a gente se reencontra.” (p. 59)

“São Paulo, por exemplo, foi sempre um mal necessário, seus apelos e prédios, viadutos e bichos, drogas e sexos, de nada eu me arrependo, compreendo o meu destino, trágico, dele construí a minha arte, o meu maior sacrifício, toda a minha liberdade.” (p. 90)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 26 de abril de 2017


"Mãe não Desistas de Viver" de Tânia Laranjo

      Tenho uma amiga que me pergunta, frequentemente, como consigo ler estes livros... E como não ler?, respondo. São histórias reais terríveis, eu sei, que marca quem as lê e, de tão terríveis, nunca se conseguem vivenciar verdadeiramente. Só quem vive ou já viveu uma história semelhante é que sabe o pesadelo infinito que é perder um filho. E, no entanto, não posso deixar de as ler. Não consigo não ler e nem quero.
      Perder alguém que é suposto viver para lá de nós é algo que não consigo adjectivar nem classificar. Ana tinha sete anos quando morreu. Foi morta por quem a devia proteger. Por quem não a soube amar e por quem, num acto de vingança cruel, não mais a deixou crescer. Pelo pai.
      E o resto fica para quem conseguir pegar no livro. Devem fazê-lo. Porque é preciso saber, mesmo que os sinais não sejam tão visíves assim, para denunciar situações que nos parecem estranhas, para estarmos alertas. Mas, por vezes, esses sinais não são reconhecíveis porque nada parece indicar que a tragédia vai ter lugar. E saber recomeçar sem se culpabilizar é um acto heróico que, espero, a mãe de Ana consiga realizar.
      Uma dor que não tem fim que estas páginas dão a conhecer e uma mensagem que Ana, certamente, quereria transmitir: "Mãe, não desistas nunca de viver porque era isso que ele desejava." Para a autora uma palavra também: não desista de mostrar o que precisa de ser denunciado.

Terminado em 23 de Abril de 2017

Estrelas 5*

Sinopse
      Esta é a história verídica de Ana. Uma menina de sete anos morta por um pai para se vingar da mulher que o abandonou. É também a história de Carolina, a mãe, e da sua viagem ao inferno. E de João, esse pai que ninguém conhecia verdadeiramente, e que foi capaz de matar quem amava. Esta história é a junção de muitas histórias reais. Todos os anos há crianças que são assassinadas em contextos de divórcios litigiosos. Pais ou mães que matam os filhos por vingança, para provarem que ganharam. Para castigarem quem só queria ter outra vida.
      Depois de vários anos de jornalismo e a fazer reportagens de violência doméstica, Tânia Laranjo continua sem respostas perante a morte de crianças. E, com esta obra poderosa e muito pessoal, leva-nos a questionar como é possível o amor andar de mãos dadas com a mais pura das maldades.

Cris

terça-feira, 25 de abril de 2017


A Convidada escolhe: “Escombros ” - (Missivas 2011-2016)

      “Escombros” está dividido em  três partes, embora, por agora, me tenha dedicado apenas a ler a terceira parte “Missivas, 2011-2016” por se relacionar com “A Amiga Genial”, a última e única obra que li desta autora italiana e que amei. É constituído por respostas dadas a dezassete jornalistas de diferentes países, sendo que não são entrevistas olhos nos olhos, mas sim, respostas dadas por email a perguntas que foram enviadas è escritora que, voluntariamente escolheu o anonimato. Numa dessas entrevistas a Isabel Lucas, publicada no “Ípsilon/Público” em Julho de 2015, à pergunta “Quem é a Elena Ferrante escritora? Como a definiria?” a autora responde: “Elena Ferrante? Treze letras, nem mais nem menos. A sua definição está toda contida nelas.” A singularidade desta opção de não se querer expor e recusar o mediatismo que acompanha a publicação e apresentação de livros, antes apenas através da sua obra, porque para ela a função de escritor resume-se à escrita: “nela nasce, nela se inventa e nela se esgota” tem sido alvo de muita controvérsia, de especulação e até, em finais de 2016 de uma “revelação” de um jornalista italiano que, aparentemente, desvendou o mistério… Mas isso que interessa?
      Ao longo destes cinco anos de missivas entre jornalistas e escritora, há perguntas que são recorrentes para além da questão da escolha do anonimato, a questão do género (porque há quem diga que o nome Elena Ferrante esconde não uma mulher, mas um homem!), a influência do feminismo na sua obra, tal como a sua formação clássica, os/as autores/as que influenciaram a sua escrita, a presença e a força de Nápoles e dos seus habitantes na sua obra. As diferentes respostas, mesmo quando muitas perguntas se repetem, ajudam-nos a aprofundar o pensamento e a personalidade de Elena Ferrante, uma autora para quem a autenticidade da escrita é fundamental, o que a leva a deitar fora folhas inteiras ou a não publicar livros a que dedicou muito tempo e energia porque, como ela afirma, pertence “à categoria daqueles que deitam fora a cópia perfeita e conservam o rascunho, se este garantir maior autenticidade.”
      Não querendo doutrinar com a sua escrita, nem através dela ser porta-voz de uma ideologia ou concepção do mundo, a verdade é que Elena Ferrante em muitas das suas respostas reflecte o apreço pelo feminismo e realça as conquistas das mulheres. “A história das mulheres nos últimos cem anos assenta no arriscadíssimo “passar os limites” impostos pelas culturas patriarcais. Os resultados são extraordinários em todos os campos. Mas a força com que querem fazer-nos regressar para dentro das velhas fronteiras não é menos extraordinária. Manifesta-se como violência pura e simples, bruta. Sanguinária. Mas também como afável ironia, por parte dos homens cultos que minimizam as nossas conquistas ou as aviltam.” ou “Amei e amo o feminismo pelo pensamento complexo que foi capaz de produzir, tanto na América como em Itália e em tantas partes do mundo.” “Sem o feminismo eu seria ainda como a rapariguinha cheia de cultura e subcultura masculina, que fazia passar por um livre pensamento meu. O feminismo ajudou-me a crescer. Mas hoje vejo e sinto que as novas gerações se riem disso. Não sabem que as nossas conquistas são muito recentes e, portanto, frágeis. Mas as mulheres sobre quem escrevi todas o sabem, à própria custa”. Preocupa-a a precariedade e volatilidade do momento presente, que continuamente põe em risco ou destroi aquilo que consideramos adquirido e estável. “As raparigas como as minhas filhas parecem estar convencidas de que a condição de liberdade que herdaram é um dado natural e não o resultado provisório de uma longa batalha ainda em curso, ao longo do qual tudo se pode perder de repente”.
      Por fim e haveria muito mais para escrever sobre estas respostas via email, Elena Ferrante revela que “A Amiga Genial” que era para ser um único e volumoso livro acabou por resultar numa longa tetralogia que, para Elena Ferrante poderá ser resumida da seguinte forma: o terceiro volume foi o mais difícil, o segundo o mais fácil e o primeiro e o quarto aqueles a que se dedicou sem se poupar, “misturando todos os dias prazer e dor, opacidade e nitidez. Amo-os muito por isso”.

Abril 2017
Almerinda Bento



segunda-feira, 24 de abril de 2017


"Rumo a Casa" de Yaa Gyasi

      Este livro é um bom exemplo de como uma leitura de um livro com bastantes personagens pode ser feita sem que nos percamos nela. Bastou para isso um mapa genealógico logo no início do livro e ao qual fui recorrendo durante a leitura para confirmaçāo de algumas dúvidas. Esta foi uma das razōes pela qual atribuí cinco estrelas! Um facto simples mas que faz toda a diferença entre um livro que se torna de imediato "nosso" e outro em que custamos a "entrar"...
      E depois foi, sobretudo, pela forma narrativa encontrada pela autora para nos descrever várias geraçōes de uma família que, a partir de duas irmās nascidas em duas aldeias diferentes do Gana no Séc. XVIII, se foi multiplicando em histórias de dor e sofrimento provenientes da escravatura e de situaçōes de racismo existente nessa época. A descrição do comércio de escravos que começava pelas próprias tribos, ao apanharem elementos de tribos vizinhas para os venderem aos "brancos", leva o leitor a sentir todo o horror e desumanizaçāo existentes na época e a ficar imediatamente preso a esta narrativa. 
      Sāo várias as vidas descritas, cada uma lê-se como um pequeno conto, ligadas por um fio condutor que o mapa genealógico não deixa esquecer. Vidas de muito sofrimento, angústia e separações forçadas mas que traduzem a História do Gana e também de outros países ligados a ele pelo comércio, a América e a Inglaterra para onde muitas pessoas foram levadas e obrigadas a trabalhar gratuitamente e sem condições. Estas histórias traduzem igualmente uma História que a humanidade não deve esquecer pois isso verificava-se um pouco por todo o mundo.
      Uma história, ou melhor, várias histórias de vida, contadas de forma sublime que adorei ler! Um livro intenso e perturbador que recomendo sem reservas!

Terminado em 23 de Abril de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
      Effia e Esi, filhas do mesmo pai, nasceram em aldeias diferentes do Gana do século XVIII. Effia casa com um inglês e vive confortavelmente no Castelo da Costa do Cabo. Já Esi, sem que Effia saiba, vê-se aprisionada nas masmorras do mesmo castelo, vendida como escrava e enviada para a América.
      Rumo a Casa retrata magistralmente o suceder de gerações a partir de Esi e Effia, no Gana e nos Estados Unidos da América. As duas descendências, com os seus episódios íntimos, belos e dramáticos, mostram-nos a história da escravatura e da cultura afro-americana nos continentes africano e americano até à atualidade, lado a lado num fio que se poderá unir.

Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui!

domingo, 23 de abril de 2017

Ao Domingo com... João Pedro Porto

Pela Brecha

    Crescer ora sentado ao piano ora sentado a ler dará para duas posições de coluna, muitas opções de banda sonora e inúmeras vidas arrancadas ao papel. Mas, manifestamente, não será a condição de sentado que impedirá o trilhar de milhas e, muito menos, o tipo de escolha que se dá ao caminho. Mais tarde, quis a providência sentar-me , de novo, a usar sentidos para ouvir a banda sonora de outros e, também, as suas estórias e caminhos. O passado a galgar presente, sempre. A fazer futuro. Mas dessas escolhas faz-se, também, a memória e o molde. E habituamo-nos a coisas que, mais tarde, nos podem
faltar, mesmo que primemos pela verticalidade.
   
    Ouvir pela primeira vez aquela rapsódia de Brahms será algo da mesmíssima qualidade do que olhar pela primeira vez a face de Gagula, na tradução melhorada d´ As Minas de Salomão, pela mão do nosso Eça; ou de naufragar com Roberto na nau vazia d´A Ilha do dia antes, de Umberto Eco; chegar ao grande vazio no centro da Terra de Verne; ou de perdermo-nos nos mundos mágicos de Borges. E em todas estas venturas a mensagem, o caminho subterrâneo abaixo das letras: a metáfora. Habituei-me a isso. Tornei-me, confesso, um dependente. E a coisa era, e é, grave.
   
    Bebedor compulsivo de todas as fontes, sem que a sede se aplacasse nunca, fui-me aos livros, todos, aos vinis, todos, e por cada nova toma, aquela sensação falsa de sede morta pelo trago. A mesma que engana o sujeito que atravessa o deserto e bebe da miragem. Por vezes a miragem fazia-se verdadeiro lago, doce e deitado, e por lá me ficava, à margem de muita coisa boa que se escreve, em guerrilha ou nas linhas da frente: calcorreando o Danúbio de Claudio Magris; entrando no aterrador poço dos Homens imprudentemente poéticos, de Valter Hugo Mãe; vivendo a insónia do musicólogo ou viajando com Miguel  ngelo nos livros de Mathias Énard, e por tantas coisas de tantos outros - faz-se boa literatura. O campo musical sofrerá, por exemplo, muito mais. Outras artes, também.

“O Homem, despeitado por anos de desejos e de pulsões, considera violar a gretadura (…) Acabou por se convencer da única hipótese viável, conquanto absurda ao ponto do inacreditável: aquilo dava para outra banda.”

    Mas, mesmo assim, faltava-me um particular sentido de aventura, de descoberta. Daquela a que me habituara. Aquela de que me fizera dependente. Pensei como pensará qualquer adulto: que isso era mais uma das coisas perdidas para o lugar exclusivo da infância. Mas no piano rompia teclas pela noite a ver se nascia melodia original. E, por vezes, a sorte gracejava. Noutras, os vizinhos batiam pé - mentira, são bons e pacientes, os vizinhos.

    A minha Mãe diz que me contava estórias. Eu pedia-lhe. Lembro-me de as pedir. (Aliás, penso que será ainda o mesmo movimento que me leva à livraria, aos sábados de manhã). Diz a minha Mãe que, a dada altura, comecei eu a contar-lhe estórias. E ali estava: toda a vida montada no egoísmo de querer que todo o mundo coubesse numa estória qualquer, mas que fosse vivida em primeira mão por mim. Porque não o mesmo na escrita? Ser egoísta. Escrever um livro para mim, para a minha própria dependência. Plantar papoilas e render-me ao ópio caseiro de se escrever o que se quer ler. No fundo devemos começar sempre por um egoísmo e depois desfragmentá-lo na relação com os outros. Ter amor-próprio assegurado e, só depois, amor pelo outro. Isto nunca será assim tão estanque, mas a ideia é a de que só nos completamos na relação, primeiro na relação connosco, depois na com o outro. A viagem que se faça sozinho é esquecida mais depressa. A memória serve para fazer pontes entre nós. A escrita, a narrativa, também.

    Por anos ouvi, auscultando com cuidado, a verdade nas pessoas - tenho instrumento e espaço próprios para isso; deu-me isso, a psicologia. E dei-me conta da mesma sede nas pessoas. Um rápido desvio: Há dias, num dia de sol precoce, fui à praia maior de Água d´Alto, na ilha, e sentei-me a ver o horizonte virado ao sul. Assaltou-me um só pensamento: em dias de antanho, gente metia-se nisto - no Mar - para ir naquela direcção ou noutra, sem destino que se visse. Às vezes sonhando-o, outras nem isso. O que substitui essa pulsão, nestas nossas vidas ditas modernas? O que equivale a lançar-se desta maneira a uma linha horizontal enquanto nos tentamos manter verticais, antes do fim, esse sim horizontal? Acredito profundamente que somos criaturas que evoluímos graças a um instinto que está amorfo, sufocado, enfim, a morrer à sede em cada um de nós. E isto é perigoso. Muito. Sem isto, morremos sem saber, e por cá continuamos sem verdadeira continuidade.

“…entristecíamo-nos com a perda de uma coisa esquecida, como quando não nos lembramos do que procuramos e desistimos sem saber do quê, ou como criaturas com buracos indistintos de forma, sem saber como e com quê os encher. Criaturas do nada. Viventes de uma paz absorta. Zeladores da preservação de não sei o quê.”

    A resistência a isto, o horizonte moderno, faz-se muitas vezes no abrir de um livro, no virar de uma página, sem saber qual a que se segue, para onde nos leva a estória. Parecerá isto, um lugar-comum, mas os lugares, quando comuns, quando abundam, é porque têm em si uma verdade demasiado expressa. E, não raras vezes, quando tratamos algo de sublime como comum, esse deixa de rutilar; desviamos a lanterna da superfície reflectora, o sol da lua, e esta deixa de existir. O sublime escurece e o medíocre toma-lhe o lugar. Habituamo-nos a luzes menores, a iluminações menores, e dizemos que o que vemos é o que há a ver. Mas o instinto mantém-se. E esse instinto, a descoberta, por ser algo próprio do acto evolutivo, tem de ser de algo que nos faça crescer, e que nos agigante. Descobrir a mediocridade apenas encolhe ou encalha. E, por isso, temos de descobrir, explorar e conquistar o sublime, o belo, o moralmente superior, o ideal; repare-se que são coisas e até palavras que começam a desaparecer - criaturas extintas da gíria. Qual foi a última vez que se ouviu, num telejornal, a palavra ideal? Estamos a viver um contra-iluminismo, como nos diz o Martin Amis.

    Talvez, por tudo isto, começo a ver temas teimosos no que escrevo, coisas que me parecem ser lança de D. Quixote conta moinhos. Resistências saudáveis. Mas suponho que é esse o caminho: O escritor deve deixar-se dominar pelas suas obsessões. É a única maneira de se deixar dominar pela estória. Pelos personagens. Depois torna-se apenas num instrumento desta gente toda, desta vontade toda. Têm sido isto, os livros, estas minhas metanóias. Um terapeuta torna-se, por imposição da solidão e por via de feia metamorfose, numa ilha; a utopia meritocrática tenta impor-se à invasão das Bestas; um grupo de revolucionários escreve um manifesto numa Lisboa galgada pelo Tejo; um Homem aborrece-se e entra pela brecha que se rompe na parede do quarto. Todos inconformados, todos em desassossego. É isto: desassossego, e a esperança de sossegar, mesmo que para esse verbo se reserve apenas o fim.

“Pela primeira vez naquela centúria de tempos, nasce, em abrolho, um Explorador (…), o órgão vestigial da abelhudice, pela primeira vez em anos, secreta e excreta e até mesmo pulsa.”

    Nós todos somos o desassossegado personagem de A Brecha. Todos partilhamos a sua sede. E, invariavelmente, todos temos a nossa, sempre muito particular, brecha por onde nos lançar ao desconhecido e ao desafio. Se tivesse um desejo para este livro, seria que as suas páginas fossem pavio e chispa para uma chama de fogo grego. Aquela prometida como eterna. A labareda de querer galgar o Olimpo, de lá fazer sair velhos inquilinos, e de tomar o zénite - seja isso o que for - como nosso; apenas para, ainda de pira feita, procurar por algo mais acima.

João Pedro Porto
Ponta Delgada, 21 de Abril de 2017






sábado, 22 de abril de 2017


Na minha caixa de correio

  

  

  

Comprado em segunda māo (como novo), Depois do Fim.
Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial, A Primeira Regra, Quem Nāo Sonha Voar, Alice? e Meia Noite ou O Princípio do Mundo foram ganhos nos passatempos do JN.
Oferta da Porto Editora, Uma Esperança Mais Forte do Que o Mar.
Oferta da Esfera dos Livros, As Manhās da Leonor e Prazer sem Pecado. Em breve mostrar-vos-ei algumas receitas dos livros...
Cançāo Doce foi comprado depois de ter ouvido falar maravilhas de quem já o tinha lido em francês.

sexta-feira, 21 de abril de 2017


"Escrito na Água" de Paula Hawkins

      Antes de mais quero agradecer à Topseller o ter recebido um "exemplar de avanço" e ter podido pegar nesta leitura antes da sua publicaçāo a 2 de Maio. Gostei muito da "Rapariga no Comboio", livro e filme. Estava, pois, expectante em relaçāo à sua próxima obra.
      "Escrito na Água" levou-me mais tempo a ler. Confesso que, sendo a escrita fluída e descomplicada e, por isso, de fácil leitura, foram os personagens que custaram a ganhar forma no meu pensamento. Nāo porque estivessem mal construídos, mas porque eram muitos. Os capítulos pequenos onde era alternada a perspectiva de cada um deles, obrigaram-me a escrever numa folha quem era quem, quem fizera o quê e que ligaçōes familiares existiam entre eles. E isso bem até metade do livro. Estava suspensa no tempo e no espaço pois muito dos diversos personagens coexistem no livro em espaços temporais diferentes e foi complicado localizar-me sem recorrer à minha cábula.
      A história adensa-se e aos poucos o puzzle vai sendo completado. Bem, nāo o puzzle completo... Apenas os bordos. É que este puzzle tem milhares de peças e só mesmo nas últimas páginas é que os mistérios sāo esclarecidos. Ou ficará algum para as últimas linhas?
      As mortes de algumas raparigas caídas de um penhasco junto a um rio sāo o mote para um livro onde o mistério está presente em todas as páginas. Depois dos personagens estarem verdadeiramente ligados a nós torna-se fácil reconhecê-los e seguir os acontecimentos. Espero que, também este livro, passe para a tela... Se assim for, lá estarei! 

Terminado em 13 de Abril de 2017

Estrelas: 4*+

Sinopse
      Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial "A Rapariga no Comboio". Cuidado com as águas calmas. Não sabemos o que escondem no fundo. Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas. Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida? Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície. Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que "A Rapariga no Comboio"
Cris

quarta-feira, 19 de abril de 2017


Rapariga em Guerra de Sara Nović

      Um livro que me encheu verdadeiramente as medidas. Lido num dia de descanso em que nem quis sair para nāo perder pitada. 
      Creio que nāo é fácil escrever uma história onde a acçāo se passa num cenário de guerra. Pode-se cair em pieguices exageradas ou entāo, pelo contrário, descrever muito superficialmente os actos de horror que as guerras, todas, trazem consigo. O meio termo é importante para o leitor conseguir embrenhar-se na história, senti-la sua. Foi, de facto, o que me aconteceu. 
      As guerras sāo, felizmente para muitos, uma coisa lá bem longe. E esta, o desmantelamente da antiga Jugoslávia e a guerra civil entre a Croácia e a Sérvia, nos anos 90, acabou por ficar remetida algures em mim numa memória longínqua. Mesmo tendo visitado o país já há alguns anos e ter ainda encontrado casas com vestígios dessa guerra (por exemplo, algumas casa ainda com os buracos das balas) nāo se consegue visualizar o sofrimento passado por esse povo e bem depressa somos conquistados pela beleza de um país possuidor de uma costa belíssima e, consequentemente a beleza da paisagem faz esquecer o seu passado sofrido. No entanto, ao ler passagens do livro fui, de novo, passear pela Croácia e ficou o desejo de lá voltar. Agora com outros olhos, certamente.
      Como dizia, aqui a autora prende-nos logo nas primeiras páginas. Ana, uma menina croata de 10 anos, recorda a sua infância livre e feliz. As dificuldades eram muitas porque a sua família nāo tinha muitos recursos mas a bicicleta, o seu amigo Luka, o futebol e a relaçāo especial com o seu pai preenchiam os seus dias. Aos poucos, este cenário muda: a comida escasseia, os aviōes sobrevoam e os ataques aéreos, os abrigos e o cheiro a queimado passam a ser uma realidade. As brincadeiras mudam, passando a imitar o que os seus pequenos olhos veem. 
      Uma escrita arrebatadora, pormenores descritos com uma clareza surpreendente, por vezes com a inocência própria de uma criança que aprendeu a creser mais rapidamente do que era suposto. 
      Nāo posso deixar de vos contar como me senti descontente quando a narrativa dá um salto temporal. Sabem aquela sensaçāo de nāo querer abandonar as páginas que retratam uma época, de querer saber mais pormenores? Mas, verifiquei com agrado que a autora soube conquistar a minha atençāo rapidamente porque a história parece real e aborda outros aspectos que me pareceram muito interessantes: o que fazer com as memórias que foram dolorosamente postas de lado para se conseguir sobreviver?
      A guerra vista com os olhos de uma criança. Uma mulher que cresceu mas, escondido o passado, nāo sabe onde pertence, onde é a sua casa. Recomendo muitíssimo. Nota máxima.

Terminado em 15 de Abril de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
      Uma saga de guerra, um relato da passagem à idade adulta, uma história de amor e de memória, Rapariga em Guerra percorre todas estas facetas e revela-se um romance de estreia ao mesmo tempo perturbador e cheio de esperança, escrito com a força da verdade. Zagreb, 1991. Ana Juric é uma menina de dez anos com um espírito descontraído, que vive com a sua família na capital da Croácia. Mas, nesse ano, a Jugoslávia é abalada pela guerra civil, destruindo a infância idílica de Ana. A paz do dia a dia é manchada pelo racionamento, pelos constantes raids aéreos e os jogos de futebol são substituídos pelo fogo das armas. Os vizinhos começam a desconfiar uns dos outros e a sensação de segurança começa a desvanecer-se. Quando a guerra lhe bate à porta, Ana tem de encontrar um novo caminho num mundo perigoso.
      Nova Iorque, 2001. Ana é agora uma estudante universitária em Manhattan. Apesar de todas as tentativas para deixar o passado para trás, não consegue escapar às recordações de guerra e aos segredos que guarda até dos que lhe são mais próximos. Perseguida pelos acontecimentos que lhe roubaram a família para sempre, regressa à Croácia depois de uma década de ausência, na esperança de fazer as pazes com o lugar a que um dia chamou casa. Enquanto enfrenta o passado, procura reconciliar-se com a história difícil do seu país e com os acontecimentos que lhe interromperam a infância, há tantos anos. Avançando e recuando no tempo, este livro é um retrato franco e generoso de um país devastado pela guerra, mostrando-nos, com uma escrita brilhante, a impossibilidade de separar a história de um país e a história do indivíduo.
      Sara Nović revela destemidamente o impacto da guerra numa menina e o seu legado em todos nós. É a estreia de uma escritora que olhou para o passado recente e encontrou uma história que ressoa ainda hoje.

Cris

terça-feira, 18 de abril de 2017


A Convidada escolhe: "Um Instante de Amor"

Este romance, reeditado, está em exibição no cinema atualmente e como não vou ter oportunidade de
ver, decidi-me a ler o pequeno livro numa tarde de lazer.

Não foi uma agradável surpresa, e dada a sua modesta dimensão para uma história contada pela neta sobre a avó louca foi uma leitura moderadamente convincente sobre o período pós-guerra na Sardenha.

“Um instante de Amor” deve o titulo ao que foi escrito num caderninho preto com a borda vermelha sobre a relação da sua avó com um veterano da guerra que conheceu nas Termas, onde ambos procuravam libertar-se das pedras (nos rins) que lhes afetava a saúde. Uma mulher linda, considerada louca pela paixão exaltada com que se manifestava numa época que  tal não era aceite, ou compreendido. Do casamento com um viúvo imposto pela família, surge o rol do que sabia fazer para que o marido não gastasse dinheiro com as mulheres da casa de passe, e surgem descrições inesperadas de sexo sem sentimento e sem poesia.

A escrita é corrida e fluída, com escassa pontuação, o que me obrigava a reler para "não perder o fio à meada". Interessante que baste mas longe de ser um livro brilhante.

Um moderado prazer de ler!”

Vera Sopa

domingo, 16 de abril de 2017


Passatempo Minotauro: "A Serpente do Essex"

Temos para hoje um passatempo para os seguidores do blogue com a colaboraçāo da mais recente editora portuguesa, a Minotauro, grupo Almedina. O livro que temos para ofertar é A Serpente do Essex, de  Sarah Perry.

Só precisam de colocar um "gosto" no FB da editora (aqui) e enviar um mail com os vossos dados (nome, morada e nome do seguidor do blogue) para otempoentreosmeuslivros@gmail.com.

NOTA: Só podem participar uma vez mas quem partilhar o passatempo e enviar o link da partilha conta com duas participaçōes.

O passatempo decorre até ao dia 26 de Abril.

Boa sorte!

Cris

sábado, 15 de abril de 2017


Na minha caixa de correio

  

 

 

Ofertado pela Minotauro o Rapariga em Guerra será a minha próxima leitura. Vejam o comentário do Jorge sobre este livro, aqui. Fiquei bastante curiosa! Espero por vocês dia 20 na Livraria Almedina no Atrium Saldanha, na apresentaçāo do livro e tertúlia de leitura. Vejam aqui!
O Segredo do Rei foi oferta do Clube do Autor. Sobre uma história que desconhecia.
Da Marcador chegou-me um livro fabuloso: É Isto Que Eu Faço. Histórias e fotos surpreendentes de uma reporter de guerra.
Os Vadios foi ofertado pela Porto Editora. Leitura para este fim de semana.
Mar Liberal ganhei nos passatempos do Clube dos Passatempos.
Comprado na Livraria Almedina, Vegetais com Todos e para Todos. Uma mudança na minha alimentaçāo, é o motivo do meu interesse por estes livros.
O Grande Livro dos Treinos foi ofertado ela Arena. Chegou sem contar.