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segunda-feira, 27 de março de 2017

"A Avó e a Neve Russa" de Joāo Reis

O que acontece quando um amor tremendo a uma avó doente faz um menino de dez anos procurar fora de portas um cacto para fazer um chá de forma a que ela melhore? E o que acontece quando a sua inocência e o seu amor são tão grandes que tudo fazem para não perceber que a avó não mais poderá respirar livremente e que o seu destino está traçado?

Esta é a história de um menino que a vida maltratou a ponto de só ter por perto uma avó muito doente, atacada por "ventos atómicos" (leia-se, vítima do acidente de Chernobyl) e um irmão mais velho que fuma "fumos medicinais". 

Escrito de uma forma sublime, irrepreensível até, com uma simplicidade tal que roça a complexidade, não pude deixar de admirar, enquanto lia e me mantinha atenta à história, da dificuldade que deve ser escrever com tanta subtileza. Escrito na voz de uma criança ingénua mas, ao mesmo tempo, com uma grande experiência que advém do sofrimento, este livro apaixona de imediato o leitor. A voz de um menino que age como um homem mas que sente como uma criança! Perfeito!

E o que acontece quando tudo isto está num livro? O leitor sorri amiude, entristece-se com as verdades e mentiras que mantêm a sociedade (de ontem e de hoje), respira a inocência e a fina ironia destas páginas escritas por um menino que à sua maneira nos conta como vive o mundo e o que vê ao seu redor.

Perfeito, como já referi. Um livro a ser lido por todos.

Terminado em 25 de Março de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
«As folhas caídas das árvores giram à minha volta com o vento, mas aperto mais o casaco, porque nem o vento nem as folhas- -bailarinas me alegram com a melancolia, só me deixam ensopado em tristeza, como a chuva nos faz por vezes. Os homens não choram. Avanço. Os catos que vejo alinhados na rua voltam a ser árvores e a Babushka, deitada na cama de hospital, é uma criança que aumentou e encolheu.» Babushka está doente. Esta russa idosa, emigrante no Canadá, sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl. Esconde no peito a doença que a obriga a respirar a contratempo e lhe impõe uma tosse longa e larga e comprida e sem fim — um mal que a faz viver mergulhada nas memórias do seu passado luminoso, a neve pura da Rússia, recordação sob recordação. Na fronteira com a realidade caminha o seu neto mais novo, de dez anos, um menino que não desiste de puxar o fio à meada e de tentar devolver a avó ao presente. Para ajudar Babushka, precisa de encontrar uma solução para os seus pulmões destruídos, sacos rasgados e quase vazios — mesmo que isso o obrigue a crescer de repente e partir em busca de uma planta milagrosa, o segredo que poderá salvar a família e completar a matriosca que só ele vê. Narrado na primeira pessoa e escrito a partir da perspetiva de uma criança, "A Avó e a Neve Russa" é um livro feito da inocência e da coragem com que se veste o deslumbramento das infâncias. Romance simples e emotivo sobre a força da memória e da abnegação, relata a peregrinação de um neto através da esperança, do Canadá ao México, para encontrar a possibilidade de um final feliz.
Cris

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