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domingo, 31 de dezembro de 2017

As minhas melhores leituras de 2017

A estes livros lidos em 2017 dei 6 *.
Alguns sāo duros, um murro no estômago, até. Outros, atribuí essas estrelas pela velocidade com que me fizeram entrar na história, sentindo-me "lá". Outros, ainda, foi pelos ensinamentos que me trouxeram. A todos, uma escrita magnífica!

  
  
  
  
  
  
  

sábado, 30 de dezembro de 2017

Na minha caixa de correio

   
  

Ofertas de Natal: Uma Escuridão Bonita, O Meças e Jalan Jalan.
Comprado na Net: Mea Culpa e Um Estranho na Cidade
Oferta da Suma de Letras: Reino de Feras

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A Escolha do Jorge: Poesia – as escolhas de 2017

As obras estão apresentadas por ordem alfabética

“Antologia da Poesia Húngara”
Selecção e tradução de Ernesto Rodrigues
(Âncora Editora)



“A Asa e a Luz” / “Pirilampos”
Rabindranath Tagore
(Assírio & Alvim)



“A Noite Imóvel”
Luís Quintais
(Assírio & Alvim)



“Elegias de Duíno” / “Os Sonetos a Orfeu”
Rainer Maria Rilke
(Quetzal)



“Existência”
Gastão Cruz
(Assírio & Alvim)



“Golpe de Teatro”
Helder Moura Pereira
(Assírio & Alvim)



“Iluminações” / “Uma Cerveja no Inferno”
Jean-Arthur Rimbaud
(Assírio & Alvim)



“Mike Tyson para Principiantes” – antologia poética
Rui Costa
(Assírio & Alvim)



“Nadar na Piscina dos Pequenos”
Golgona Anghel
(Assírio & Alvim)



“O Sol nas Noites e o Luar nos Dias” (vol. 1)
Natália Correia
(Círculo de Leitores)



“Poesia”
Daniel Faria
(Assírio & Alvim)



“Poesia Brasileira do Século XX – dos Modernistas à Actualidade”
(Antígona)



“Poesias Completas & Dispersos”
Alexandre O’Neill
(Assírio & Alvim)



“Sombras Brancas” – setenta e sete poemas sobre anjos caídos de outras línguas
Tradução e versões de Jorge Sousa Braga
(Língua Morta)



“Tardio”
Rosa Oliveira
(Tinta da China)


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

"Um Dia" de Morris Gleitzman

Um menino de imaginação fértil que escreve histórias para explicar e justificar o que não consegue compreender. Teria, talvez, entre 7 e 8 anos e vê e lê o mundo e a vida que o cerca de uma forma ingénua, própria do olhar de uma criança. Até poderia ser uma história de encantar, bonita. Mas não é! Porque vive numa época de terror. II Guerra Mundial, Polónia. 

Os seus últimos 3 anos foram vividos num orfanato. Seus pais, para o proteger, deixaram-no lá. Mas na sua ingenuidade, ele foge, achando que os consegue encontrar...

Este livro é destinado a um público juvenil. No entanto, adorei lê-lo. Podem ver isso nas estrelas que lhe conferi. Confesso que, a princípio, achei que a ingenuidade que é uma característica do personagem principal quase durante toda a narrativa, era um pouco exagerada. Engraçada sim, mas um pouco exagerada. No entanto, fui mudando de opinião no decorrer da leitura e achei uma "delícia" a forma como ele vai-se apercebendo do horror que grassa à sua volta e, assim, perdendo a sua meninice.

Bem descrito, com uma profundidade de sentimentos que é deixada transparecer nos personagens de origem judia, é um livro que vai trazer aos leitores (juvenis e não só) algumas horas de leitura frenética. O fim, que considerei perfeito, deixa o leitor sossegado e inquieto, ao mesmo tempo.

Adorei esta leitura! Aconselho vivamente a todos os leitores! 

Terminado em 26 de Dezembro de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
«Toda a gente merece ter alguma coisa boa na vida, pelo menos uma vez.»
      A vida de Felix Salinger não é nada fácil. Ele é judeu e vive num orfanato na Polónia dos anos 40, em plena Segunda Guerra Mundial. Felix gosta de ler, escrever e contar histórias. Até que um dia, decide fugir para procurar os pais.
      A determinação, inteligência e imaginação de Felix vão ajudá-lo a lidar com situações muito difíceis, no meio de nazis e cidadãos apavorados, e a encontrar pessoas maravilhosas, como a pequena Zelda e o velho Barney. Contada na primeira pessoa, por uma criança cheia de sonhos e muito inocente, esta emocionante história aborda a infância, a solidariedade, a amizade, a coragem e a esperança no meio do drama da guerra.
      Um livro que nos toca, que não se esquece. Pode ser lido por várias gerações, que o vão entender, certamente, de forma diferente.

Cris

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Para os mais pequeninos: Descobertas Incríveis

O Bernardo e o seu amigo Balu, o cão, partem à descoberta! O Bernardo está a construir uma
máquina do tempo e Balu, maroto como é, colocou-a a funcionar e psrtem sem querer para descobertas incríveis! Desde ao Antigo Egipto, passando pelos Polos Norte e Sul, pela China antiga, pelo Espaço... Será que vão conseguir chegar a casa?

Com desenhos coloridos e chamativos, com balões de leitura que atraem a atenção do leitor, este livro é verdadeiramente um livro de entretenimento e ensino ao mesmo tempo. Bom para os pais recordarem o que já aprenderam enquanto vão explicando através de situações e aventuras divertidas passadas por estes dois pequenos personagens.

Ora vejam:






Cris

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

"Os Meninos que Enganavam os Nazis" de Joseph Joffo

Pegar num livro e saber de antemão que o vou ler em três tempos constitui uma sensação deliciosa! Foi isso que senti quando vi este livro pela primeira vez: uma aposta segura! E, na verdade, assim foi.

Primeiro, a história verídica, contada pelo autor, lembrando os seus 10 anos. Uma autobiografia que nos transporta para uma época onde o horror vivia paredes meias com o amor e a coragem. Depois, a época onde tudo isso aconteceu: II Guerra Mundial, França. 

Misturar estes dois factores é, para mim, sentir-me presa de imediato. Tentar viver a história quando a leio só é possível se a escrita do autor se revela magnífica. Os factos, esses, já imaginava que assim o seriam. Mas a forma como são relatados podem significar a diferença entre um livro lido ou um livro vivido. E esta obra foi, efectivamente, uma obra vivida. Senti que acompanhava o autor nas suas fugas, senti um pouquinho do medo que ele sentiu e senti medo por ele também, muito embora o facto de estar a ler o livro significasse que ele tinha conseguido escapar ao terror nazi.

Pode parecer um pouco estranho, depois de se ler a sinopse, que dois irmãos de 10 e 12 anos se tivessem separado dos pais aquando da ocupação de Paris e tentado fugir para a zona francesa que ainda estava livre, mas naquela época, e em muitos outos casos, foi uma forma encontrada para que a sobrevivência tivesse lugar. Juntos, a família poderia não sobreviver. Separados poderiam ter sucesso. Tiveram sorte. Quase.

Finda a história, um posfácio escrito em 1992 (saiu a primeira edição em1973), relatando um pouco do que foi o seu percurso depois de ter escrito este livro, das dúvidas suscitadas pelos seus leitores, do que entende ser "judeu" e de como foi fácil para muitos ser anti-semita naquela época, arranjar bodes espiatórios para os problemas de então. Esclarecedor. Gostei muito de "ouvir" o autor, tanto quanto gostaria de conhecer a sua história do pós guerra, contada no seu livro "Baby-foot". Saber que não se ficou só por este livro despertou a minha curiosidade! Espero que a Editorial Presença não se fique por aqui...

Muito bom! Recomendo!

Terminado em 22 de Dezembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
1941, Paris é uma cidade ocupada pelos exércitos nazis. O poder de Hitler controla a França; as perseguições e o medo pairam por todo o país. Joffo, um respeitado barbeiro judeu, decide dispersar a sua família de forma a evitar o destino cruel que os espera a todos. Depois da fuga dos filhos mais velhos, perante o perigo sempre à espreita, Joseph, de apenas dez anos, e Maurice, de doze, deixam também a capital, entregues a si próprios, para tentarem escapar à brutalidade e à morte. Uma impressionante história autobiográfica, narrada pelo irmão mais novo, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da amizade, da generosidade, do espírito de entreajuda.


Para mais informações sobre este livro, aceda ao site da editorial Presença aqui.

Cris

domingo, 24 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Marlene Ferraz


QUANDO O SOFRIMENTO É MATÉRIA DE FABRICO

Provavelmente não haverá uma explicação lógica mas os domingos avivam muito as (minhas) memórias da infância. A mesa comprida, numa madeira antiga, com o chá de ervas. O vizinho do barraco de zinco num fato apertado com as crias em laçarotes e rendas. As mulheres de avental a governarem o abreviado (infinito) mundo que é uma casa. E o sino a avisar as horas. E as mortes. Seria uma criança muito metida em contemplações, incomodada com o sofrimento evitável nos homens e nos bichos: ficava exageradamente comovida quando o destino me apresentava um pássaro ferido por um chumbo, uma borboleta com as asas gastas pela curiosidade dos dedos ou um cão tão magro que poderia contar-se os ossos. E toda a violência entre homens e homens. As crianças sujas, com piolhos e roupas maiores que o corpo. A mulher de cabelo curto, faca afiada e coração partido. O velho enforcado num simples fio, depois de tantos lamentos e avisos. Os livros, companheiros de tempo interminável, resgatavam-me para outras realidades, também duras, improváveis, mas carregadas de ilusão e esperança. Como um escafandro. Ou um outro compartimento de oxigénio. Conviver com o sofrimento pede uma carga suficiente de ilusão, até o entendermos, também, como matéria de fabrico. Poemas. Contos. Danças. Leis. Retratos. Orações. E uma continuada lista de usabilidade. O sofrimento (e o medo do sofrimento) acaba por nos moldar a cabeça (e o coração) e é provável que nos alinhave mais do que as (esperadas) alegrias: e, mesmo depois de tantas tragédias contadas já nos teatros gregos, ainda me espanta esta tendência para camuflar a nossa vulnerabilidade, como se a tristeza ou a desilusão fosse coisa medíocre e apenas possível em criaturas fracas e dispensáveis. É como alinhar um riso sempre que nos apontam uma máquina de retratos: raramente aceitamos um disparo sem estarmos (artificialmente) bem compostos. Tomo, agora, um punhado de ervas secas e penso: talvez a escrita seja isto, um exercício de compor palavras numa ordem particular, com musicalidade e simbolismo, mas também a criação de homens, mulheres e bichos, com as suas imperfeições e fragilidades, sem a (falsa) intenção de parecermos perfeitos por fora apesar dos buracos de vulnerabilidade por dentro. O (meu) ofício da psicologia também aponta para esta transparência, numa aceitação incondicional do outro (e de mim), com o sofrimento a assumir-se mais como matéria de apreciação e reinvenção para ensaiar novas
formas de ver a realidade que incomoda (como se tivéssemos nas mãos um caleidoscópio: os tais caleidoscópios que usamos em criança e que tanto faltam quando somos maiores). Também neste novo livro, As Falsas Memórias de Manoel Luz, os apontamentos de infância, as fragilidades da condição humana, a complexidade das relações entre uns e outros, a bipolaridade (ligada) entre a emoção e a razão, o bem e o mal, o capitalismo e a sustentabilidade social, o amor e o medo, num processo continuado de queda e renovação. Assim as flores. E as borboletas. Até os livros. E os redutores mecânicos da infelicidade imposta, engenhos minuciosamente fabricados pelo rapaz com nome de elemento químico (Hélio) para reduzir o sofrimento e, num esforço de aplicabilidade e economia, transformar as partículas infelizes em matéria útil. Fervo água numa chaleira, espreito pelo vidro. Hoje é domingo. E já com um chá de ervas nas mãos, entre aromas e vapores, mais memórias se avivam. A camisa bem vincada do avô operário. O cão preso a um metro de corrente. O homem sem pernas da rua de cima. Poderia até fechar as pálpebras e viajar, como nos livros. O chá amargo arde ainda na boca. E vem a pergunta: o que somos senão depósitos de memórias? É urgente, então, sabermos eleger as principais para (re)fazer as nossas (voláteis) biografias.

Marlene Ferraz