Gosta deste blog? Então siga-me...

Indique o seu email para receber actualizações

Também estamos no Facebook e Twitter

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

"Imagina Que Não Estou Aqui" de Adam Haslett

Mal acabei este livro pensei nas estrelas que lhe daria para classificar esta leitura. Nāo menos de 5, de certeza. 

Com uma escrita irrepreensível, este livro revela uma tristeza profunda que passa para o leitor de imediato. Mas, sabiamente, o autor consegue revelá-la de uma forma subtil, consciente que, de outra forma, as lagrimas se soltariam. Assim, elas ficam guardadas porque nāo sāo necessárias. Mas essa tristeza que nos  assola é denominador comum em todas as páginas, fortemente acompanhada também e por outro lado de sentimentos de alívio, esperança e retratos de amor.

Como tema de fundo está o mundo das doenças mentais, de quem sofre de ansiedade e da dependência que os fármacos trazem à vida das pessoas que os tomam. Da instabilidade mas também do amor, da depressāo mas também da uniāo familiar e dos laços invisíveis que unem os cinco personagens retratados com tanta verosimilhança.

Sāo eles que nos contam a sua história. Confesso que o "palavreado" de Michael me cansou em certas alturas mas entendo que se tornava necessário para melhor definir e retratar o seu comportamento obssessivo. Margaret é o pilar da família, o suporte, a bengala dos seus três filhos, Alec, Celia e Michael, e de John, seu marido. E, no entanto, a sua fragilidade é visivel nas suas palavras, no seu discurso. Isso prende o leitor e a empatia criada é imediata.

Um livro muito forte sobre o impacto que as doenças mentais têm na vida familiar em geral e na vida de cada elemento de uma familia em particular. Muito bom! 


Terminado em 18 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Quando John, noivo de Margaret, é hospitalizado devido a uma depressão profunda, ela vê-se perante um dilema: avançar com os planos de casamento ou suspendê-los? Margaret decide casar. Esta história inesquecível desenrola-se a partir desse ato de amor. 


No centro da narrativa está o filho mais velho do casal, Michael, um jovem brilhante e apaixonado por música, mas atormentado por ansiedades e comportamentos disfuncionais. Ao longo de quatro décadas, os irmãos mais novos, Celia e Alec, lutam ao lado da mãe para cuidar da existência cada vez mais preocupante e precária de Michael. Alternando os pontos de vista de cada um dos protagonistas, Imagina Que Não Estou Aqui dá vida ao amor de uma mãe pelos filhos, à incontornável dedicação dos irmãos, às implicações do sofrimento de um pai no seio familiar. E não esquece uma derradeira questão: até onde podemos ir para salvar quem mais amamos? 

Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Cris

domingo, 19 de novembro de 2017

Ao Domingo com... Rita Nascimento

Hoje em dia, temos pastelarias tradicionais, gourmet, vintage ou design em cada esquina – mas o melhor da boa e velha pastelaria portuguesa vai passar a estar em sua casa!

Nestas páginas, encontrará receitas para fazer os clássicos mais deliciosos da pastelaria nacional e internacional.

Sim, é mesmo possível fazer, com as suas próprias mãos e na sua cozinha:
- pastéis de nata, de coco e de feijão
- palmiers, mil-folhas, jesuítas e travesseiros
- brioches, pães-de-leite, croissants e pães-de-deus
- bolas-de-berlim, arrufadas, guardanapos e churros
- profiteroles, éclairs e duchesses
- molotofs, farófias e palitos la reine
- queques, húngaros, pirâmides e bolos de arroz
Ponha a mesa e prepare a sala: a melhor pastelaria do bairro vai ser mesmo a SUA casa!

Rita Nascimento

Resultado do Passatempo: Onde Cantam Os Grilos

E quem foi a vencedora deste passatempo que vai receber umas horas muito boas de leitura, quem foi?

Desta feita a sorte calhou a:

- Vânia Janeirinho de Algés

Muitos parabéns, Vânia! Espero que aproveites bem e disfrutes a leitura deste livro tāāāo bom!

A Cultura Editora vai enviar-te o livro muito em breve!

Cris

sábado, 18 de novembro de 2017

Na minha caixa de correio

  

  

 
Ofertados pelas editoras:
Despertar, Bertrand Editora
Receitas com Paixāo, Arte Plural
As Incríveis Aventuras da Super Miúda e As Lágrimas de Aquiles, Clube do Autor

Os restantes foram ganhos nos passatampos de JN.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Para os Mais Pequeninos: As Incríveis Aventuras da Super-Miúda

Com um texto em verso, umas ilustraçōes coloridas e modernas, este livro tem tudo para fazer as delícias dos mais pequenos. 

Uma Rita teimosa e desarrumada, que faz zangar o pai, decide ser uma super miúda com poderes especiais. Tantos sāo os seus poderes e tantas as solicitaçōes que esta super miúda chega ao final do dia completamente esgotada... Como resolverá este probelma?

Divertido e alegre, um livro para os mais pequenitos sonharem muito! E cantarem também! Ele é acompanhado de um CD com três versōes cantadas da história, uma interpretada por Samuel Úria, outra cantada pela Rita (a verdadeira!) e uma versāo karaoque para os mais pequenos poderem experimentar os seus dotes artísticos.

Ora vejam algumas páginas.






Cris

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"O Ultimo Beijo da Mamba Verde" de Cesário Borga

Quando inicio um livro novo, uma nova viagem começa. Custa-me largar o antigo e custa-me mergulhar de novo num livro diferente. Creio ser essa a razāo por nāo me interessar por contos. O que gosto mesmo é estar no interior de uma história, sentir-me bem com os personagens, como se verdadeiramente os conhecesse.

Este livro do autor Cesário Borga, foi um voltar às origens. África pertence à minha infância e, pese embora todas as minhas recordaçōes sejam de um tempo de paz e, neste livro, a acçāo passar-se na época da Guerra Colonial, nāo posso deixar de recordar com saudade alguma terminologia nativa, os cheiros descritos, o calor humano e climático, a simpatia e empatia tāo pura que se gerava entre as gentes de África. Voltei à casa das minhas recordaçōes. 

E, no entanto, aqui fala-se de guerra, de quem lá nasceu e espera que a paz se torne realidade, de quem para lá foi combater os "turras", das atrocidades cometidas e de quem ficava impune. Fala-se também de amor e de racismo, desse contraste tāo profundo gerado por essas duas palavras de casamento tāo distante.

Gostei muito desta leitura. Embora o autor, subtilmente, tivesse tido o cuidado de explicar os termos usados pelas gentes moçambicanas, algumas palavras, creio eu, deveriam ter uma explicaçāo no pé de cada página. Poderá existir quem as nāo domine. Eu nāo tive problema. África está-me no sangue.

Terminado em 10 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Moçambique, região de Tete, 1972. A cantina de Arnaldo Salima é o local do mato onde todos se encontram: tropas portuguesas do aquartelamento, militares rodesianos em operações ocasionais, brancos de Tomboza, pretos da sanzala de Xangu, prostitutas, agentes da PIDE... Homem jovem, cordato e tranquilo, Salima está longe de imaginar que aquela noite — programada para uma farra de homenagem aos rodesianos — se irá transformar no primeiro de uma série de acontecimentos que levarão a tempos cruéis marcados pelo lado mais sinistro da guerra. "O Último Beijo da Mamba Verde" relata a história de gente simples, que apesar de viver no meio da guerra sonhava ser feliz e, sem saber como, acaba afundada em tragédias. Um romance sobre a Guerra Colonial que cruza, numa perspectiva original na Literatura Portuguesa, a guerra no mato e as histórias das pessoas, moçambicanos e portugueses, civis e militares, brancos e negros, que a viveram e aí viviam.

Cris

sábado, 11 de novembro de 2017

Na minha caixa de correio

  

  


Oferta da Quinta Essência, Memórias de uma Cortesā.
Da Suma de Letras chegou-me A Menina Silenciosa.
Ter Um Irmaō É... foi ofertado pelpela Coolbooks.
Comprados em segunda māo O Mar Por Cima e O Meu Filho Nick.
Dos passatempos do Clube dos Passatempos recebi Plantas Medicinais e Crumbles.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

"A Porta" de Magda Szabó

Que livro inquietante, este! As suas páginas sāo dominadas por duas personagens femininas, ambas fortes no seu carácter, ao mesmo tempo, delicadas e duríssimas, por vezes de uma brutalidade que impressiona o leitor e o deixa angustiado e nervoso.

Emerence é uma senhora bastante idosa mas com uma força que nada faz deter. É porteira de um prédio e, ao mesmo tempo, faz limpezas noutras casas. Rude, dura mas atenta aos outros. Na sua casa ninguém entra, os seus segredos também nāo sāo partilhados. A sua porta encontra-se fechada para todos. Ou quase. O seu passado é desvendado aos poucos, imperceptivelmente, como se também ele nāo quisesse ser conhecido, de tāo atróz que deve ser.

Magda é uma escritora ocupada. Precisa de ajuda nas lides domésticas. Emerence acede em ajudá-la e fica por mais de vinte anos. Uma amizade desconcertante que o leitor acompanha inquieto, onde a culpa e o remorso possuem um lugar de destaque. 

Romance com um quê de autobiográfico? Escrito na primeira pessoa, é Magda quem nos fala dessa amizade, dos erros cometidos, do passado onde ecos da História se fazem sentir. Oiçamo-la pois, que vale a pena!

Terminado em 2 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Romance escrito em tom confessional e vagamente autobiográfico, "A Porta" narra a estreita relação que se estabelece entre duas mulheres na Hungria dos anos do pós-guerra: Magda, uma jovem escritora, e a sua empregada, Emerence, uma camponesa analfabeta. Magda, até então impedida de publicar, é politicamente reabilitada pelo regime, e torna-se escritora a tempo inteiro, alcançando, aos poucos, o merecido sucesso e reconhecimento social. Ao mudar-se para um apartamento maior, emprega Emerence para a ajudar com as lides domésticas. Esta é uma figura enigmática, respeitada e quase temida pela vizinhança, sobre a qual exerce uma autoridade natural, embora ninguém conheça verdadeiramente o seu passado ou vida privada. A porta de sua casa está sempre fechada. A inesperada e dramática doença do marido de Magda reforçará a ligação e intimidade entre as duas mulheres, as quais, não obstante as enormes diferenças que as separam, estabelecem uma insólita relação de dependência e confiança mútua, que fará Emerence abrir a porta de sua casa a Magda, revelando-lhe os segredos de um passado traumático, ao mesmo tempo que precipita um final trágico na sua relação.

Cris

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Para os mais Pequeninos: "O Grande Livro dos Insetos"


Este é um livro que pode acompanhar os pequeninos no seu crescimento. Os vários insectos, o que fazem para sobreviver, as suas características mais significativas descritas num discurso muito perceptível para os mais pequeninos, ensinando-os a pouco e pouco a compreender o que de mais belo estes pequenos animais possuem, com ilustraçōes coloridas e bem cuidadas!

Um livro de formato maior que o normal, que vai fazer as delícias dos pequenos leitores e de quem os vai ajudar a ler...Uma leitura para encher o olho!







Cris

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

"Porto e Douro - Panorâmico" de Nuno Cardal


Lindo, este livro! O mais difícil foi depois de o "ler" escolher algumas fotos para poderem, também vocês, ver o que vi, ao passear-me no Porto através de fotografias espectaculares, tanto do seu exterior como do interior de tāo belos monumentos que a cidade possui.

Todas as fotos possuem uma legenda em seis línguas, atingindo assim um público mais lato e diversificado. Belíssimo trabalho deste historiador e fotógrafo que fiquei a conhecer. Ora vejam:






Estrelas: 5*

Sinopse
Mais de 180 fotografias para conhecer as magníficas cidades do Porto e Gaia, bem como toda a bacia do rio Douro, desde a fronteira até à foz. Legendado em 6 línguas, é um convite para viajar por estas maravilhosas paisagens do Norte de Portugal.

Historiador e fotógrafo, Nuno Cardal associa conhecimento e imagem para registar o que o sensibiliza, o que descobre como particular e como essencial: marcas da História e da Geografia, gravadas num território belo e variado – que o olhar continuamente educado do fotógrafo enquadra e glorifica.
In Prefácio de Álvaro Siza

Cris

domingo, 5 de novembro de 2017

Passatempo Cultura Editora

O blogue começa hoje o dia com um passatempo muito especial! Com o apoio da Cultura Editora temos para oferecer um exemplar de "Onde Cantam os Grilos" de Maria Isaac.

É muito fácil concorrer! Podem fazê-lo de duas formas:

1) Através do Facebook, as vezes que quiserem: devem colocar gosto na página da Cultura Editora e na página d'O Tempo Entre os Meus Livros, e comentar este post com a tag de dois amigos ou familiares que sejam deveras importantes nas vossas vidas e que adorem ler!

2) Enviando um só mail para: otempoentreosmeuslivros@gmail.com mencionando nome, morada e seguidor do blogue indicando no Assunto: Quero muito ganhar Onde Cantam Os Grilos!

O passatempo decorre até dia 15 deste mês! Boa sorte!

sábado, 4 de novembro de 2017

Na minha caixa de correio

 

 

Ofertas desta semana:
Pela Planeta chegou-me Tudo Isto Te Darei e O Último Beijo da Mamba Verde,
Da Arena recebi Sem Culpa, Com Sabor e Baby-Led Weaning.
O meu obrigada a ambas!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Escolha do Jorge: "Quando as Girafas baixam o Pescoço"

“A vida tem dentes e morde. É carnívora. 
A vida é uma dentada.” (p. 79)

Depois da experiência de dois livros infantis, “A Cantora Deitada” (2015) e “A Grande Viagem do Pequeno Mi” (2016), Sandro William Junqueira (n. 1974) regressa à edição de um romance, “Quando as Girafas baixam o Pescoço”, publicado recentemente.
      O novo romance vem consolidar o trabalho do autor como um dos nomes a reter no contexto da actual literatura portuguesa. A escrita apresenta-se mais polida, depurada e reflexiva quando comparada com os romances anteriores. O autor concentra a sua atenção e energia naquilo que é essencial. Tudo o que é acessório, adiposo, ficou de fora. Restaram os ossos. É neles que o leitor vai degustar o tutano, a matéria-prima, aquilo que verdadeiramente importa.
      O universo que o autor desta vez nos apresenta distancia-se da realidade distópica ou dos totalitarismos apresentados em “O Caderno do Algoz” (2009), “Um Piano para Cavalos Altos” (2012) e “No Céu não há Limões” (2014), centrando-se, agora, numa realidade concreta, um prédio numa dada rua que, sem a indicação de um local específico, porque isso não é importante, poderia ser o nosso prédio, a nossa rua.
      A mudança de um macrocosmos para um microcosmos, onde decorre a narrativa, torna este livro mais próximo da realidade do leitor, na medida em que as questões abordadas são, também em si mesmas, situações reais do quotidiano das pessoas, da sociedade em geral.
      Personagens como a Mulher Gorda, a Rapariga Magra, o Adolescente Musculado, o Velho, o Homem Exemplarmente Vestido, a Mulher Móvel, a Mulher Imóvel, o Homem Desempregado, entre outros, vão surgir ao longo da obra que se desenrola sob a forma de capítulos breves, quase como se tratassem de contos que se vão articulando entre si. Caberá ao leitor criar a imagem, a descrição física dos personagens porque tudo isso na obra é acessório. A narrativa centra a sua força nos problemas de cada morador do prédio que, no fundo, se assemelham aos nossos problemas também, daí a aproximação à realidade social através de temas como os do desemprego, distúrbios alimentares como a anorexia, a imigração, a velhice, psicoses e depressões, entre outros.
      A importância do corpo continua a ser um dos pontos-chave neste novo romance de Sandro William Junqueira. O corpo é apresentado como motor de prazer ou de dor, ou até mesmo em situação de mobilidade condicionada. O corpo também é apresentado na sua íntima relação com a parte emocional e psicológica, abrindo aqui uma brecha para as doenças do foro psiquiátrico que se desenvolvem ou que são potenciadas no decurso de situações concretas como o desemprego, a ansiedade, as expectativas goradas, a infelicidade generalizada que, em situações-limite, poderão conduzir ao suicídio. "Muitas vezes queremos agarrar a vida com a nossa própria mão. Mas a vida é um balão que encontra sempre uma maneira de se ver livre dos dedos." (p. 24)
      É na forma como cada personagem sobrevive à realidade que, não raras vezes, somos confrontados com a escrita afiada do autor que apresenta as ideias de uma forma tão depurada, através de frases também breves. Palavras soltas com ponto final são várias vezes o suficiente para esmagar o leitor à crueldade da realidade que se apresenta tantas vezes dura, difícil. 
      “Quando as Girafas baixam o Pescoço” é um romance que volta a marcar o leitor, em todos os sentidos. Este novo livro remete-nos para a grandeza apresentada em “Um Piano para Cavalos Altos” e consolidada em “No Céu não há Limões”, contudo, é, talvez, a sua dimensão mais realista que torna este livro tão especial e tão próximo da vida das pessoas, das suas vicissitudes, dos seus dilemas, das suas angústias.
      Trabalhar uma escrita quase em tom minimalista é quase como que utilizar uma faca bem afiada para que elimine toda e qualquer gordura linguística e até gramatical. Está tudo no devido lugar. Qualquer palavra a mais, será um excesso, um abuso até.
      Este registo linguístico que carece de adjectivos para além dos nomes dos personagens é de tal modo trabalhado e reflexivo que, neste novo romance, adquire mais um atributo face aos romances anteriores, que é o recurso aos aforismos ou máximas que surgem ao longo da obra. “A memória é a âncora que nos prende ao Inferno.” (p. 73)
      Um personagem que parece transversal nos vários romances do autor é o representante do elemento religioso, seja pela via de um sacerdote, um padre ou, neste romance, um profeta que era o visionário da rua. O profeta apregoa os últimos dias com a chegada inevitável do Armagedão. Este elemento constitui, em certa medida, a garantia de funcionamento de um macro ou microcosmos, muito para lá da questão religiosa em si mesma, e mais como uma tentativa de interpretação de sinais existentes na natureza que não estão acessíveis à maioria das pessoas (ou como reforço e consolidação de um dado regime político), havendo, pois, os escolhidos que promovem essa explicação da natureza e do mundo aos demais. “Porque quem não temer o Armagedão é cobarde. Porque quem não temer o exército de salmões e gafanhotos divinamente modificados é medricas. Porque quem não tiver medo de beber a peçonha e quem não gritar aaaiiiii é fraco. Porque todos, um dia, somos Golias e, no dia seguinte, ferida.
E quem escutou, salvou-se.
E quem não escutou, fodeu-se.
Disse.” (p. 152)
      “Quando as Girafas baixam o Pescoço” constitui uma metáfora da vida tecida pelas linhas da ironia.

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O livro de Emma Reyes, Memórias por Correspondência

Tive de ler este livro num só dia. Aviso: quem pegar nele vai sentir o mesmo. Por isso escolham um dia em que nāo tenham que trabalhar ou estudar. Vāo precisar de algumas horas, poucas, para nāo interomperem a leitura.

Quem foi Emma Reyes? Nunca tinha ouvido falar dela e, no entanto, depois de ter lido a sinopse fiquei apaixonada pela sua vida, imaginando como teria sido fabuloso se, para além destas cartas que podemos ler dirigidas a uma amigo, onde conta a sua infância e adolescência, pudéssemos ler, pelas suas próprias palavras, o que lhe aconteceu após ter saído da instituiçāo religiosa, de onde fugiu.

É através de 23 cartas, que Emma conta, aos 50 anos, o que se lembra da sua infância. Fome, maus tratos, abandono, sem seque saber quem eram seus pais, sem ter aprendido a ler nem a escrever, ela foi uma força que a natureza colocou na terra. Na sua descriçāo, conta o que viveu, como se estivesse a reviver esses momentos, como se a menina que foi um dia, ainda estivesse viva. 

Depois da leitura das suas cartas ficamos a saber um pouco, do que foi a sua vida. Da pintora que se tornou, do ciclo de amigos famosos que reuniu a sua volta, dos países onde viveu, da extraordinária vida que continuou a ter, de como superou as adversidades que a vida lhe foi colocando sempre. Como seria bom poder ler esse relato através da sua poderosa escrita! Emma faleceu em Bordéus em 2003, com 84 anos.

Pintou nāo a óleo mas a lágrimas, como alguém disse. A sua vida extraordinária superou a sua pintura, pese embora muitos tenham pena que assim tivesse sido. A maioria dos seus quados podem ser vistos em Málaga, na Fundaçāo Vivo Otero Herrera, um sítio que pretendo visitar.

Este livro deve ser lido! Recomendo vivamente!

Terminado em 28 de Outubro de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
Uma extraordinária história de vida num relato luminoso e sem qualquer tipo de sentimentalismo. Em 1969, a pintora Emma Reyes mandou a um amigo historiador, Germán Arciniegas, a primeira de 23 cartas em que revelava as duras circunstâncias da sua infância. O amigo ficou emocionado com as dolorosas memórias da artista e mostrou-as a Gabriel García Marquez, que incentivou Emma Reyes a continuar a escrevê-las. As cartas foram sendo escritas e enviadas a Arciniegas até 1997, que tivera também, entretanto, autorização da autora para as publicar após a morte desta. "O Livro de Emma Reyes", que apareceu pela primeira vez na Colômbia em 2012, tornou-se de imediato um clássico. O testemunho – que vai dos primeiros anos até à idade adulta – apaixonou os leitores pelas suas beleza e coragem, embora contasse a história de uma trágica infância e juventude.

Cris

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Para os Mais Pequeninos: "Simāo, o pequeno leāo. A Magia do Natal"

Um livro que, oportunamente, pode ajudar a alterar algumas consciēncias nesta época e ajudar os pais a criarem nos filhos o sentido de ajuda, nāo só no Natal mas durante todo o ano. As dicas finais podem ajudar os educadores.

Uma história simples, como devem ser as que sāo dirigidas a um público infantil, mas cheia de cor e com ilustraçōes divertidas e apelativas. 

Ora vejam:






Cris