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segunda-feira, 24 de julho de 2017

"A Musa" de Jessie Burton

Não li o livro anterior desta autora (O Miniaturista) mas ouvi falar bem e, por isso, foi com muita curiosidade que peguei nesta obra. Gostei muito. De escrita fluída e fácil, este livro consegue fazer-nos sentir muito próximos dos personagens mesmo que os nossos "mundos" não sejam parecidos com os retratados. Acho que conseguir isso é obra de quem trata as palavras por "tu", com simplicidade mas com mestria. Gostava sinceramente de ter esse dom. 

Foi assim que visitei duas épocas distintas e dois espaços físicos também diferentes. As passagens entre eles dão-se suavemente mas deixando o leitor com vontade de regressar pois uma pitada de mistério faz surgir o efeito desejado: queremos conhecer rapidamente o que se passou, tanto no passado (1936 numa longinqua Espanha, nesse ano conturbado da História da Guerra Civil Espanhola) como no tempo em que é contada esta história (1967, em Londres). Como pano de ligação entre estes dois momentos temporais, um quadro alegadamente atribuido a um pintor. 

É um livro sobre duas mulheres que viveram em épocas temporais diferentes mas que foram ambas discriminadas pela sua condição. Olive sabe que ninguém a levaria a sério, não teria possibilidades de progressão nem tão pouco lhe seria atribuida a justa fama pela sua arte precisamente por ser mulher. Já em 1967, Odelle sofre alguma discriminação porque o tom da sua pele não é igual aos que a rodeiam.

Mistério, acção e romance q.b. Gostei especialmente do final. Sem o chamado "final feliz" e, talvez por isso mesmo, realista, consistente. Recomendo esta leitura. Livro para devorar.

Terminado a 18 de Julho de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Londres, anos sessenta do século vinte: uma imigrante proveniente das Caraíbas trabalha numa galeria de arte onde surge um quadro perdido durante a Guerra Civil espanhola e envolto em segredos inexplicáveis. Quem terá pintado este quadro admirável que surgiu de parte nenhuma? A verdade acerca desta pintura remonta a 1936 e a uma grande casa rural em Espanha, onde Olive Schloss, filha de um abastado negociante de arte, acalenta ambições que os pais desconhecem. Por este frágil paraíso, na Andaluzia, passam o artista revolucionário Isaac Robles e a sua meia-irmã, Teresa. Ambos se insinuam no seio da família Schloss, com consequências inimagináveis e desastrosas... 

Para saber mais sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença aqui.

Cris

domingo, 23 de julho de 2017

Ao Domingo com... Inês Pinheiro

Gosto de palavras, do encontro fortuito entre elas. Gosto de sonhar acordada, de inventar vidas diferentes. Gosto de viajar e de contar as histórias que encontro pelo caminho. Encontro sempre um certo fascínio no quotidiano dos outros, nas rotinas que são diferentes, nas coisas simples embelezadas pela singularidade de serem desiguais.

Quando, ainda na adolescência, acabei de ler Os Maias, disse para os meus botões: isto de escrever livros tem de ser uma coisa mágica, um dia tento escrever um. Como sou teimosa de nascença, tentei e escrevi.

A Última Viagem, o meu primogénito, é o culminar de uma caminhada longa, de um processo que me fez ver os valores essenciais virados do avesso. Fala de coisas reais, que aconteceram lá longe, comigo e com as crianças que são daqui, deste mundo, mas que não são dignas dos direitos de tantas outras.


O que vivi ficou a marinhar, cá dentro, durante muito tempo. Saiu em forma de romance, meio real, meio sonhado.

O retrato das pessoas do Bangladesh é feito por Maria Eduarda, que vai ver todos os seus valores postos em causa, quando lhe é feita a mais inesperada das propostas, depois de perder Pedro, o seu marido e parceiro num projeto de voluntariado único.

É um registo dramático, e não poderia ser de outra forma. Mas é também um registo de esperança, de amizade, e de muito amor.

Se tocar na alma de quem o lê, nem que seja por breves instantes, então já valeu a pena todo este caminho.

Inês Pinheiro

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Para os Mais Pequeninos: O Ladrão Misterioso


Com uma capa verdadeiramente enternecedora, creio que os mais pequenitos vão ficar embevecidos com este livrinho! A história é engraçada, com muita imaginação onde vão poder aprender alguns dados sobre a vida de coelhos traquinas e trapalhões!

Mas as imagens são realmente as minhas preferidas! Desenhos cheios de cor, bonecos repletos de expressão enchem estas páginas e vão fazer as delícias dos mais pequeninos... quer dizer, de todos, pois eu deliciei-me com os coelhitos e com as histórias que se podem inventar para além da história que nos é contada.

Vejam por vocês próprios:



 




Cris

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A Escolha do Jorge: "O Leviatã"


Escrito no exílio francês, “O Leviatã” é uma das novelas mais significativas de Joseph Roth (1894-1939) que reflecte o espírito da cultura judaica enraizado naquele que foi o Império Austro-Húngaro. Herdeiro dessa mesma cultura e natural da Galícia Oriental, o próprio Joseph Roth é um dos autores que mais contribuiu para a transmissão de todo um universo cultural de referência da Europa Central e de Leste e que foi aniquilado com a ascensão do nazismo e consequente 2ª Guerra Mundial que vitimou mais de seis milhões de judeus na Europa.
A ideia de destino está presente nas obras de Joseph Roth à semelhança de todos os autores de origem judaica como se de certa forma se tratasse de uma garantia de cumprimento desse mesmo destino pela via do sofrimento e da dor. A doce melancolia que atravessa “O Leviatã” funciona como o prenúncio de uma tragédia anunciada, ainda que a título particular, mas que, em sentido lato, tem eco na conjuntura que se vivia na Europa, em 1934, quando a novela foi escrita. A vida comezinha de um judeu comerciante de corais é abalada de modo vertiginoso à semelhança da Europa que vê a sua paz comprometida com a subida de Hitler ao
poder.

“(…) Nissen Piczenik, o comerciante de corais, era um judeu ruivo, cuja barba de bode acobreada lembrava uma espécie de sargaço avermelhado e dava ao homem um aspecto surpreendente de um deus do mar. Era como se ele próprio criasse ou plantasse e colhesse os corais que comercializava. E tão forte era a relação da sua mercadoria com o seu aspecto que, na pequena cidade de Progrody, ninguém o chamava pelo seu nome, que com o tempo até foi esquecido, sendo conhecido simplesmente pela sua profissão. Dizia-se, por exemplo: vem aí o comerciante de corais – como se em todo o mundo, para além dele, não houvesse mais nenhum.” (pp. 26-27)

Parece-me ser a doçura destas palavras que caracterizam de certa forma a literatura judaica, a capacidade de fascinar os leitores que se identificam e maravilham com a literatura e também com este universo muito próprio capaz de inebriar a alma como se tratasse de um alimento cultural. O misticismo ou o carácter mágico impregnado nas palavras de Joseph Roth não deixa o leitor indiferente. A literatura, a boa literatura não só conduz à formação do leitor atento, mas deve também permitir a sua distracção, o gozar bons momentos que o permite sonhar e viajar no rio do tempo e dos sonhos e, neste caso em concreto, graças a uma cultura e um modo de vida muito específicos que perdeu o seu lugar na Europa.
Quem fica indiferente a excertos tão belos e que também nos transportam para a aventura?

“Todos os habitantes de Progrody e das redondezas estavam convictos que os corais eram animais vivos, cujo crescimento e comportamento debaixo dos mares eram vigiados pelo peixe primitivo Leviatã. Não se podia duvidar do facto, já que fora o próprio Nissen Piczenik que o contara.” (p. 29)

Mas a vida pacata de Nissen Piczenik está prestes a levar uma reviravolta. A chegada do húngaro Jenö Lakatos à região vai trazer consequências irreversíveis na medida em que vai introduzir corais falsos neste comércio. Seduzido pela riqueza fácil e rápida, Nissen Piczenik vai passar a alimentar-se de uma mentira que destruirá em pouco tempo o seu negócio e, no fundo, a si próprio.
É também este jogo da palavra fácil, da sedução, dos mitos e histórias que se criam em torno de pequenas e grandes mentiras que também tem o seu paralelismo com o eco fácil do nazismo que conduziu à ascensão de Hitler ao poder que teve como consequência, entre tantas, o extermínio dos judeus (holocausto) e a sua cultura como referência na Europa.
Quanto a Nissen Piczenik “que descanse lá em paz, junto do Leviatã, até ao advento do Messias.” (p. 75)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Tudo pela Minha Mãe" de Celina Lopes

      É pelas palavras de um menino de oito anos que nos é dada a conhecer esta história. São palavras infantis, mescladas com algumas que dificilmente se poderia incluir no vocabulário de uma criança com essa idade, que contêm uma sabedoria de vida que o sofrimento traz consigo. 
      Uma fuga, um caminho percorrido onde encontra amigos que lhe dão alento para o problema que o consome (e que nós julgamos conhecer) e o encontro, também, com desconhecidos que passam a ser amigos. Uma fuga, dizia, e um caminhar pela vida saboreando alegrias mas, sobretudo, aprendendo que a vida pode ser difícil mesmo para as crianças. Saber ultrapassar, saber viver com a perda. 
      Gostei do volte-face que a história dá. Do que pensamos conhecer mas que, de repente, se transforma em algo completamente diferente. Houve algumas expressões que, julgo, dificilmente poderiam sair da boca de uma criança mas que, no cômputo geral do discurso se desvaneceram para dar lugar a outras, essas sim, mais próprias de uma mente infantil. 
      Recomendo. Um livro que parece simples e que nos conta como o sofrimento pode ser ultrapassado com amor.

Terminado dia 14 de Julho de 2017

Estrelas: 4*

Sinopse
Pedro, um menino de oito anos, salta pela janela do quarto e fica na rua. Foge de quê? Nesta viagem sem destino, caminha pela aldeia e descobre o mundo inteiro. Não sabe grande coisa de coisa nenhuma, mas acaba por encontrar o sentido da vida. Encontra-o na história a preto e branco da Bruxa, na falta de dentes do louco Daniel que declama poemas de Alberto Caeiro, na carapaça partida de um caracol, no abraço apertado da Mariana que sabe ler os corações, no seu amigo Ricardo que quer ser agricultor, nas mãos sujas do Sr. Luís que não quer ir para o Lar, na Dona Madalena que se veste toda de preto e no Sr. Carlos que tem a alma em cinzas. 

O Pedro (que quando for grande quer ser o Super-Homem) foge de casa apenas com o seu relógio e um saco de biscoitos porque já não suporta a dor e a doença. A sua cabeça rapada desperta atenção e pena. Espera que a morte o esqueça. Sonha com o regresso aos braços da mãe. Terá tempo?

Tudo Pela Minha Mãe é uma comovente história de um filho que não se quer perder da mãe. Uma viagem real que quase parece uma fábula. O triunfo do amor contra a morte.

Cris

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Convidada escolhe: Cartas Vermelhas

      É um romance impressionante, baseado na história verdadeira de Carolina Loff da Fonseca, uma militante comunista com um percurso de vida cheio de aventuras, desafios e escolhas, algumas bem difíceis. Mais uma vez, Ana Cristina Silva surpreende pela extraordinária capacidade de retratar as suas personagens, de pôr quem a lê na pele dessas personagens, pela profundidade, verdade e sinceridade com que transmite os seus sentimentos.
      Desta feita, Carol uma mulher jovem e bonita que desde sempre soube olhar para as discriminações sociais como algo contra as quais era preciso lutar, para lhes pôr fim. As circunstâncias da vida levaram-na a abraçar os ideais da igualdade e da justiça e a ingressar no partido comunista. Mas a generosidade incondicional da sua militância que se prolongou por bastante tempo e que a levou ao maior sacrifício da sua vida – abandonar a filha em Moscovo com apenas quatro anos – foi esbarrando, no terreno e no contacto com os círculos do poder das elites comunistas, com a dura realidade. A descrição da imagem da militante forte e segura que esconde o seu drama pessoal, num ambiente em que a afirmação de sentimentos de receio ou de dúvida é sinal de fraqueza e por isso precisa ser reprimida; o sentido de responsabilidade e a força de um ideal de justiça para a humanidade que apaga o remorso e as necessidades individuais, os ideais que se sobrepõem à realidade e que não deixam ver com objectividade, tudo isto surge neste romance de Ana Cristina Silva.
      O afastamento entre Carol e a pequena Helena que se previa ser por um curto período acabou afinal por se prolongar por duas décadas. Ao longo desse período e por circunstâncias diversas que as foram afastando cada vez mais, se muitas vezes Carol sentia remorso por ter deixado a filha longe, outras tantas vezes o empenhamento e as responsabilidades apagavam esse remorso pelo abandono da filha numa escola em Moscovo. O reencontro entre as duas, marcado pela frieza e desconfiança de Helena, não mais criança mas já mulher, levará Carol a decidir tentar redimir-se aos olhos da filha, através da escrita romanceada da sua vida e actividade como militante. E é este o tema deste romance psicológico, muito rico.           Considero que é o drama do abandono de uma criança por uma mãe por apego a um ideal, embora dilacerada por contradições íntimas muito fortes, o centro deste romance. Ao invés, discordo da nota da editora na capa do livro – “A história de uma militante comunista que se apaixona por um inspector da PIDE” – por considerá-la redutora e apenas realçar um aspecto da vida desta militante que a fez cair em desgraça dentro do partido.
      No relato de “Cartas Vermelhas”, acompanhamos a vida de Carol que tem de alterar a sua identidade e assumir personalidades diversas adaptadas aos papéis que lhe são conferidos nas diferentes missões que lhe são atribuídas, o que faz com grande mestria. O mundo está em mudança e as qualidades que demonstrara na prisão onde teve a filha, levaram o partido comunista a dar-lhe a missão de tradutora em Moscovo onde o clima de suspeições e denúncias passa a ser normal; o Brasil sucumbe a uma ditadura militar e a derrota do PC do Brasil liderado por Carlos Luís Prestes é um duro golpe para o movimento comunista internacional; em Espanha é-lhe dada a missão de jornalista no período da Guerra Civil onde a luta entre as facções se mistura com a desumanização e a crueza da guerra. Carol vai depois para Portugal dominado pelo medo da delação exercida pela PVDE. Em Portugal, após um período de regresso à actividade partidária e à prisão, a sua ligação a um inspector da polícia política salazarista levou à sua expulsão do partido comunista. Entretanto, a guerra que abala toda a Europa torna cada vez mais difícil um reencontro entre mãe e filha!
      Este livro provoca muitas interrogações para as quais certamente há diferentes respostas. O que faz que seja possível deixar uma criança abandonada numa instituição para responder a um ideal maior de justiça para a humanidade? Como é possível que uma mulher com uma vivência tão rica, diversificada e extrema e com ideais tão fortes sucumba à sedução de um inimigo desses ideais? Será que nos dias de hoje tal seria possível?
      Creio que não. Mas este livro dá muito que pensar.

Julho 2017
Almerinda Bento 

domingo, 16 de julho de 2017

Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Editorial Presença


O vencedor foi:
André Loureiro do Carregado

Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Marcador


A vencedora foi:
Teresa Carvalho de Estarreja



O vencedor foi:
Mário Caneiro de Mem Martins



A vencedora foi:
Luísa Brandão de Amares


Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Porto Editora


A vencedora foi:
Susana Henriques de Lisboa



A vencedora foi:
Bruna Cunha de Rio Maior


Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Saída de Emergência


O vencedor foi:
Manuel Pereira de Mira Sintra



A vencedora foi:
Fernanda Palmeira de Lisboa


Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Clube do Autor


A vencedora foi:
Albertina Campos do Porto



O vencedor foi:
António Silva da Guarda



A vencedora foi:
Joana Pereira de Coimbra



A vencedora foi:
Ana Martins de Almada




Resultado do Passatempo 7º Aniversário do blogue - Planeta


A vencedora foi:
Maria da Luz Costa de Ermida de Cavernães

sábado, 15 de julho de 2017

Na minha caixa de correio

 

  

  




 

Oferta da Bertrand, Um Mundo de Pernas Para o Ar.
Oferta da Suma de Letras, A Catedral do Mar.
Oferta da Sextante Editora, O Motorista de Autocarro Que Queria Ser Deus.
Oferta da Editorial Presença, O Vale dos Cinco Leões.
Comprados em segunda mão: Ainda Estou Viva, Como a Raiva ao Vento e Praça do Império.
Oferta da Editorial Presença, A Menina dos Livros, Senhor Dorminhoco e Senhora Mandona, para uma rubrica nova do blogue dedicada aos mais pequeninos. Saiu o primeiro post na sexta, vão espreitar.




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Para Os Mais Pequeninos: "A Menina dos Livros" de Oliver Jeffers e San Winston

Creio que não poderia ter escolhido melhor livro do que este para começar esta nova rubrica do blogue! Para quem gosta de ler (para os mais pequeninos), este livro, que fala de uma menina que habita o mundo encontado dos livros, é um espectáculo.

Com uma capa maravilhosamente linda, que nos faz sonhar, A Menina dos Livros possui, lá dentro, palavras e palavras que se juntam para nos mostrar de que forma é que com elas e com alguma imaginação se fazem e se constroem sonhos. 



Um mundo para descobrir dentro de cada livro que se lê! Um mundo para descobrir dentro destas páginas onde as letras se fundem em palavras e estas em desenhos que nos remetem para sonhos bonitos.

Vejam as imagens:






Para mais informações ver Editorial Presença aqui!

Cris

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"As Pessoas do Drama" de H. G. Cancela

H. G. Cancela igual a si próprio. Único.
      Nas primeiras 100 páginas quase nada acontece. Ou melhor, a acção decorre lentamente, tão lentamente que se se não se tratasse deste autor ter-me-ia passado pela cabeça intercalar com outro livro ou quiçá desistir. Esta impaciência fez-me refletir, um pouco, de como andamos neste mundo a correr porque nem por um segundo me passou pela cabeça que a escrita fosse difícil ou pouco rica. Antes pelo contrário. Cancela escreve muito bem, descrevendo o contexto pormenorizadamente e caracterizando as personagens de uma forma exímia. 
      Mas quem já leu "impunidade" sabe que o ambiente descrito é opressivo, quase sufocante. Como diz um amigo, asfixiante. Essa é a palavra certa para descrever a escrita única de Cancela. Aqui, neste livro, sucede o mesmo. Passadas as primeiras cem páginas sem que nos apercebamos (quase!) do MOTIVO pelo qual continuamos a lê-lo, quando damos por isso estamos agarrados às suas palavras, e, (agora sim!) à história do livro.
      O narrador, sendo ele próprio um personagem, é uma pessoa pacífica, pouco interventiva, limitando-se a descrever os acontecimentos sem, contudo, possuir uma forte participação na acção. Tanto, que às vezes apetece abaná-lo para que aja, que tome atitudes, que faça as coisas de uma determinada forma seja ela positiva como negativa.
      Este é um livro que não se devora, há que lê-lo lentamente, saboreá-lo devagar. A escrita de Cancela não cansa e degusta-se aos poucos. A história também, para que não se percam os pormenores. Não é uma leitura fácil, que nos acompanhe a uma ida à praia, é sim algo de pesado, excêntrico, onde os personagens são desnudados até ao limite do possível. Uma escrita única. Passível de nos acompanhar muito tempo depois de finda a leitura. Mas às vezes, incompreensível também. Pelo menos para mim. O final é tremendo. Obriga-nos a repensar, a colocar hipóteses e voltar a trás, mentalmente, para revisitar os lugares da história.
      Como pano de fundo o palco, o Teatro. Da vida. 
      Depois da última página, fechem o livro. Preparem-se para um murro no estômago e para rever a história mentalmente. Muito bom. Só para quem goste de emoções muito fortes!

Terminado em 9 de Julho de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
«À minha frente, um muro. Uma faca nas costas. Eu sentia-lhe a lâmina, seca como uma luz que apenas projectasse sombra. Entre o muro e a lâmina não havia nada. Vontade, medo, expectativa, nada. Eu teria perguntado, se soubesse a pergunta, teria respondido, se houvesse resposta. Não, em ambos os casos. Não a quem perguntar, não a quem responder, não a quem acusar, eu próprio mergulhado nessa mistura de solidão e de miséria sexual de onde emergem arte, crime e religião, todos obrigados a cavar o vazio que depois se esforçam por preencher ou por dissimular. Eu duvidava, no entanto, que dos dois lados da faca o vazio fosse compatível com aquilo que o pretendia preencher. Voltei-me devagar.»

Cris

terça-feira, 11 de julho de 2017

A Convidada Escolhe: "A Magia das Pequenas Coisas"

"A Magia das Pequenas Coisas" é um livro tão encantador por fora e por dentro.

Apaixonei-me pelas estórias de Sarah Addison Allen há muito e desde então acho que não perdi nenhuma.

Se bem me lembro ... cada uma das estórias é sobre uma das mulheres Waverley e o seu dom especial. Claro que a ligação entre elas prevalece e cada uma das narrativas é independente das anteriores e abreviada no contexto atual. Desta feita, a protagonista é Bay, a filha de 15 anos de Sydney. O seu dom especial é a capacidade de captar o lugar de pertença de cada um com que se cruza e Josh ser o seu par, o que unanimemente não é bem aceite. Depois, cada uma das mulheres tem os seus próprios conflitos e dificuldades para superar num romance repleto de desejos, sensações e percepções que fazem parte do universo feminino.

Um romance que é um bálsamo para contrabalançar emoções em dias difíceis.

Vera Sopa

segunda-feira, 10 de julho de 2017

"Isto acaba aqui" de Colleen Hoover

Mesmo sem querer tirar o prazer desta leitura e criar-vos expectativas demasiado altas, devo dizer-vos que livro foi uma das minhas melhores leituras deste ano. Já tinha lido alguns dos livros desta autora e, por essa razāo, esperava envolvimento da minha parte porque a sua escrita prende o leitor. Esperava também uma escrita fluída, agradável, que far-me-ia penetrar muito facilmente na história. Por isso nāo foi surpresa quando senti pela personagem principal uma grande empatia. Lily tem um carácter forte, é determinada e facilmente "entramos" nela e na personagem que representa. Tanto que senti verdadeiramente as suas dores e penas.

O tema de fundo nāo é inédito mas nunca é demais falar dele - os abusos e maus tratos domésticos - porque pode ajudar alguém que se encontre numa situaçāo semelhante ou que conhecça alguém que esteja a passar por isso. É um alerta, também. Uma chamada de atenção. No entanto, o que achei espectacular é o facto da autora ter conseguido colocar-se com mestria tanto na situaçāo de abusada e agredida como na situaçāo de observadora ou de alguém exterior mas próximo do agressor e da agredida. Porque é fácil quando se está de fora dizer frases como "nāo sei porque aguenta ela aquilo" ou "eu nunca permitiria que...", mas quando se está apaixonado por alguém que é tudo aquilo que sonhamos (excepto quando se transforma e agride) a coisa torna-se mais complicada. É preciso decidir, pensar um futuro melhor para alguém que amamos mais que a própria vida - os filhos - e tomar as rédeas. 

"Nada é tão preto no branco como pode parecer" mas o que é certo é que quebrar o ciclo de repetiçōes que a agressão envolve (uma pessoa agredida na infância torna-se muitas vezes um adulto agressor) nāo é fácil,  mas é possível. E é esta mensagem que fica e que é de reter.

Recomendo muitíssimo esta leitura!

Terminado em 3 de Julho de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa? Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar um nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? Terá força para interromper o ciclo?

Cris

sábado, 8 de julho de 2017

Na minha caixa de correio

  

  

  

  
O Contágio, Percursos de Trekking, Terra Queimada, OAssassínio do Bobo, Comer Bem é o Melhor
Remédio foram ganhos nos passatempos do JN.
 Comprados num alfarrabista O Deslumbre de Cecília Fluss, A Rapariga de Times Square, O Sangue dos Inocentes, Para Além da Crença e Assim Nasceu Portugal III.
Ofertado pela Manuscrito, A Comida dos Miúdos Ca de Casa.
Ofertado pela Porto Editora, A Amiga.