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quinta-feira, 31 de março de 2016

A Escolha do Jorge: Uma Solidão Demasiado Ruidosa

Bohumil Hrabal (1914-1997) é considerado um dos grandes nomes da literatura checa do século XX na sequência de ter estado votado ao esquecimento pelo facto de as suas obras terem sido proibidas durante o regime comunista.
Bohumil Hrabal juntamente com outros dois amigos ligados às artes e às letras foram os fundadores do explosionismo, um movimento que surgiu na Checoslováquia na segunda metade da década de 40, tendo como linhas de força a sombra da 2ª Guerra Mundial, mas também o inconformismo face à nova realidade sob a égide do comunismo no país.
Licenciado em direito, Bohumil Hrabal acabará por exercer inúmeros ofícios que em certa medida influenciarão algumas das temáticas desenvolvidas nas suas obras. De escriturário, a fiel de armazém, operário metalúrgico, empregado dos caminhos-de-ferro e embalador de papel velho são algumas das profissões que Bohumil Hrabal exercerá durante a sua vida.
Em síntese, estas profissões podem resumir-se a duas palavras: máquinas e papel/livros. Estas duas palavras correspondem ao cerne da sua obra "Uma Solidão Demasiado Ruidosa" (1976) apresentando Hanta, um senhor já com idade avançada cujo ofício há trinta e cinco anos é prensar livros velhos, esquecidos e perdidos numa prensa hidráulica que se acumulam em grandes quantidades, numa cave tal qual o mito de Sísifo retratado por Albert Camus e recuperado pelo próprio Hrabal na obra.
Um trabalho gigantesco e interminável que segue em linha com a própria atitude de Hanta que é transformar cada bloco de livros prensados numa obra de arte escolhendo citações ou páginas de livros de que muito aprecia para compor o arranjo final do bloco prensado. Trata-se assim da sua imagem de marca ainda que dificulte o seu trabalho ouvindo com frequência as queixas do patrão.
Hanta é, pois, a personificação e valorização do trabalho do artesão em oposição ao operário, uma espécie de homem-máquina que caminha gradualmente para a robotização. Recorde-se o filme "Tempos Modernos"… Com o passar dos anos, o papel do artesão na sociedade foi diminuindo em detrimento da produção em massa, contribuindo, dessa forma, para que o homem se identifique menos (ou não se identifique de todo) com o produto final.
Hanta tornou-se um indivíduo culto ao longo da vida não que o pretendesse, como várias vezes refere ao longo da narrativa, mas graças aos livros que lhe vão passando pelas mãos e que por curiosidade nuns casos, e por interesse noutros, acabou por levar livros regularmente para casa "construindo" assim a sua biblioteca pessoal, salvando muitas obras e autores da prensa hidráulica, alguns para todo o sempre.
A biblioteca pessoal de Hanta é significativa no número de volumes acumulados ao longo dos trinta e cinco anos como prensador de livros ao ponto de quase ser engolido por tantos volumes que ocupam quase toda a casa.
Ainda em relação ao trabalho de Hanta, o anti-herói de "Uma Solidão Demasiado Ruidosa" já está a pensar na altura em que se vai aposentar e sendo tão forte a ligação que tem aos livros e à prensa hidráulica que é apresentada como uma espécie de apêndice corporal com a qual estabeleceu uma relação emocional e afetiva, Hanta está a planear comprar a prensa e levá-la para o quintal do tio que, por sua vez, enquanto empregado dos caminhos-de-ferro também adquiriu juntamente com os seus antigos colegas de profissão uma agulha e uma locomotiva velha que instalaram no quintal para que as crianças possam brincar, mas sobretudo para eles, aposentados, brincarem nos tempos livres simulando a ocupação de outros tempos, de toda uma vida.
São inúmeras as referências aos filósofos gregos e à cultura grega em geral como base do pensamento de Hanta, não esquecendo os filósofos alemães como Kant, Hegel e Schelling ou Goethe no caso da literatura que têm um impacto relevante na cultura e pensamento checos.
São várias as passagens que poderiam ser selecionadas para trazer a debate dada a riqueza e concentração de ideias apresentadas capítulo a capítulo, no entanto há um momento que me parece interessante abordar que é quando Hanta decide proteger em sua casa uma cigana adolescente que procura alimento e algum conforto. O episódio é passado durante a ocupação nazi e a cigana é apanhada e enviada para um campo de concentração. Não deixa de ser curioso tanto quanto interessante que Bohumil Hrabal coloca neste episódio a proteção da cigana por Hanta ainda que se trate de um dos grupos mais discriminados em toda a Europa durante vários séculos, e simultaneamente um dos grupos perseguidos pelos nazis.
Face à ausência da cigana, Hanta só consegue concretizar a sua "vingança pessoal" através do recurso à prensa hidráulica quando lhe aparece na cave todo um leque de literatura e brochuras nazis, não esquecendo inúmeras fotografias de Hitler entre muitos outros elementos do seu séquito. Foi este o recurso de Hanta como forma de eliminação do nazismo da sua vida, uma espécie de desnazificação como forma de reabilitação da vida da pequena cigana.
Mas Hanta não tem uma vida fácil. O trabalho é duro e o patrão não perdoa pequenos deslizes. Hanta é vítima da nova realidade em que a quantidade, os números, os objetivos constituem a regra de ouro e o segredo do futuro. Hanta é então despedido. É substituído por jovens que prensam e despacham o trabalho em tempo recorde, mas fazem-no sem arte, não se identificam com o trabalho, além de que um livro de Kant ou de Goethe deixam de estar a salvo graças à ignorância que agora se instala gradualmente nas massas.
Nada resta a Hanta para além dos seus livros. Sem emprego e sem a perspetiva de conseguir adquirir uma prensa hidráulica para a sua reforma, Hanta decide fundir-se com a sua companheira de toda uma vida de trabalho. Prensa-se a si próprio. Destrói-se transformando-se a si próprio numa obra de arte. Escolhe uma frase do seu livro preferido, de Novalis, para encerrar o círculo: "Cada objeto amado é o centro do Jardim do Paraíso…"
Segundo Hanta, a realidade desenvolve-se em torno da ideia de "círculos melancólicos" em que o "progressus ad originem" se transforma no "regressus ad factum". Concluindo, "O teu cérebro não é senão um pacote de pensamentos esmagados pela prensa hidráulica." (p. 103)

Excertos:
"Tudo o que vejo neste mundo está animado dum movimento simultâneo de vaivém: tudo simultaneamente avança e simultaneamente recua, como o fole do ferreiro, como, ao sinal verde ou vermelho, tudo na minha prensa muda para o seu contrário, e só assim o mundo consegue avançar sem tropeçar. Há já trinta e cinco anos que empacoto papel velho, e para fazer bem o meu trabalho seria precisa formação universitária ou, pelo menos, o liceu clássico, mas o ideal ainda seria o seminário. Assim, na minha profissão, a espiral e o círculo correspondem-se, o «progressus ad futurum» confunde-se com o «regressus ad originem», e eu vivo tudo isto intensamente, e sendo, independentemente da minha vontade, culto, vivo numa felicidade infeliz e começo a acreditar que o «progressus ad originem» corresponde ao «regressus ad futrum». Assim, divirto-me do mesmo modo que o cidadão comum lê o «Jornal do Incrível» ao jantar. Ontem enterrámos o meu tio, o bardo que me indicou o meu caminho, construindo, no seu jardim dos subúrbios, o seu posto de agulheiro, pondo os carris entre as árvores, reparando com os seus amigos a locomotiva da marca Ohrenstein e Koppel, andando com as suas três vagonetes aos sábados e domingos, passeando as crianças de tarde e a si próprio à noite, bebendo cerveja pelas canecas de litro. Ontem enterrámos o meu tio, que teve uma apoplexia lá no seu posto de agulheiro; era no verão e os seus amigos tinham partido para o campo e para a praia, e como ninguém veio no calor de Julho o tio ficou quinze dias deitado no chão da barraca, até que o maquinista o encontrou coberto de moscas e vermes: o seu corpo tinha-se derretido, no linóleo, como um ‘camembert’ demasiado mole. (…) Pus-lhe na cabeça o seu boné de ferroviário que estava pendurado na barraca, trouxe um livro de Immanuel Kant e abri entre os seus dedos aquele belo texto, que me comovia sempre… «Duas coisas enchem o meu pensamento duma admiração sempre nova e crescente… o céu estrelado em cima de mim e a lei moral dentro de mim…». Mas depois mudei de ideias, procurei frases mais belas ainda do jovem Kant… «Quando o luar tremente duma noite de Verão está cheio das estrelas faiscantes e a lua está no seu apogeu, atinjo lentamente um estado de alta sensibilidade, feito de amizade e de desprezo do mundo e da eternidade…». Abri o armário e lá estava a colecção que o tio me mostrava frequentemente, mas eu não me interessava por ela, era a colecção de chapinhas multicolores que enchiam caixas inteiras; quando o tio trabalhava na estação, divertia-me pondo nos carris bocados de cobre, latão, estanho, ferro e outros metais coloridos, e após a passagem do comboio apanhava aquelas peças que se tinham metamorfoseado em estranhas formas marteladas que, à noite, o tio compunha em ciclos: cada piqueta tinha o seu nome conforme a associação de ideias que provocava, aquelas caixas e gavetas pareciam gavetas com colecções de borboletas orientais, caixas de bombons vazias, cheias de embalagens coloridas e amarrotadas de nogat com chocolate. Despejei uma caixa após outra no caixão junto do rio, cobri-o com aquelas plaquetas preciosas e só depois os gatos pingados fecharam a tampa do caixão: o tio lá ficou coberto de condecorações, medalhas e ordens como um alto dignatário, o tio parecia tão solene no caixão porque eu o tinha embonecado como se fizesse e prensasse um pacote muito belo." (pp. 60-62)

Texto elaborado por Jorge Navarro


quarta-feira, 30 de março de 2016

"A Elizabeth Desapareceu" de Emma Healey

Há livros que nos deixam abalados, sabendo que o sorriso que deixámos escapar quando o estivemos a ler poder-se-ia ter transformado em gargalhadas múltiplas se o assunto tratado não fosse demasiado sério, demasiado real e de uma inquietude que permanece em nós durante toda a leitura.

A Elizabeth Desapareceu é o primeiro romance desta autora. Não parece. Pela voz de Maud, uma senhora idosa, sentimos o seu desespero ao esquecer-se sistematicamente das coisas, do que quer fazer. A confusão reina no seu reino interior e isso transparece para aqueles que lhe são ou estão próximos. Quem a levará a sério se nem ela se entende?

De uma crueza extrema, Emma Healey traduz uma realidade que nos inquieta muitíssimo porque entramos para o "interior" dos pensamentos de Maud. É assustador apercebermo-nos do desenrolar de uma doença e da sua rápida progressão. Maud socorre-se de pequenas notas, lembretes que desesperadamente escreve para ajudar a sua memória. É neles que escreve muitas vezes que a sua velha amiga Elizabeth desapareceu. Elizabeth é sua amiga ga, sua companheira de solidão.

A sua memória foge muitas vezes para o seu passado enquanto criança e para o mistério que envolveu o desaparecimento da sua irmã mais velha. E as páginas vão passando por nós, leitores, entre o passado, que Maud vive como presente, e o presente, que cada vez mais Maud confunde com o passado. O mistério é uma constante. A angústia perante a doença também acompanha constantemente o leitor. E o sorriso nos nossos lábios, pese embora saibamos que o assunto é sério demais para rir.

Adorei! Nota máxima!

Terminado em 26 de Março de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Um mistério, um crime não resolvido e uma personagem inesquecível: Maud.
Maud está convencida de que a amiga desapareceu, mas ninguém acredita nela. Tem cerca de 80 anos e o seu contacto com a realidade não é o mesmo de outros tempos. Existem pedaços de papel por toda a casa: listas de compras e de receitas, números de telefone, notas sobre coisas que aconteceram. É a memória em papel que impede Maud de esquecer as coisas. De repente, nas mãos de Maud encontra-se uma nota com uma mensagem simples: «Elizabeth desapareceu.». É a sua letra, mas não se recorda de a ter escrito. O que aconteceu?
Maud está certa de que a amiga corre perigo.

terça-feira, 29 de março de 2016

A Convidada Escolhe: Moderato Cantabile

Moderato cantabile é o primeiro de três andamentos que compõem a sonatina em F major, op. 168 do compositor austríaco Anton Diabelli. Para se conseguir tocá-la é preciso treinar, repetir escalas até à exaustão, entendê-la e amá-la. De que vale à professora de piano enfurecer-se com o seu aluno se ele está nas aulas por obrigação, tocando automaticamente nas teclas, mas atento aos sons do mar e dos rebocadores lá fora no cais? Para que lhe servem aquelas aulas, se para a professora o piano tem como fim "exercitar os dedos e disciplinar o carácter" e ele o que quer é imaginar-se num daqueles barcos ou a voar com a brisa?
"Moderato Cantabile" é um exercício de escrita muito cinematográfico, em torno de uma mulher (Anne), o filho, um homem (Chauvin) e um conjunto de personagens que repetem rotinas, surgindo como pano de fundo numa terra numa zona portuária. Seja no andar da professora de piano, de janelas abertas para os sons exteriores, mas tão alto que não se consegue avistar o mar; no café onde Anne e Chauvin se encontram para beber e falar do homicídio que ali ocorreu; no mesmo café onde os operários da fundição a caminho de casa param para beber um copo ao fim dum dia de trabalho; no passeio pelo cais; na rua exterior ao café onde o "tesouro" brinca com outros rapazes, ou a caminho da casa ao fim do boulevard de la Mer.
À medida que se lê, todos os sentidos são convocados a acompanhar a leitura. Os sons das escalas, do piano, do grito da mulher assassinada, dos rebocadores e da vida no cais, das pessoas na rua, do rádio do café, da sirene que anuncia o fim da jornada de trabalho. O vento constante ou a brisa persistente que arrefece as tardes mais quentes. As faias e as alfenas que habitam o jardim da casa ao fim do boulevard de la Mer ou a presença e cheiro intenso das magnólias. O sabor e a cor do vinho, do salmão ou do pato com laranja cuidadosamente dispostos em travessas oferecidos aos convivas.
Anne é uma mulher que sai do que se convenciona para uma mulher portar-se em sociedade. Entra no café, senta-se ao balcão e bebe copo atrás de copo, estabelece conversa com um desconhecido, apresenta-se embriagada e desgrenhada numa recepção, desculpabiliza o desinteresse do filho pela rigidez da disciplina das aulas de piano. A dona do café olha-a de forma repreensiva por ser mulher e estar alcoolizada e os operários vêem-na como uma mulher adúltera. "As mulheres que são esposas servem para dar felicidade aos homens" o que não é o caso de Anne. Ela gostaria de entender o assassinato daquela mulher que foi morta naquele café e no final ela própria se considera morta. As conversas com Chauvin são inconclusivas e ele próprio lhe diz: "Não vale a pena tentar compreender. Há coisas que não se chega a compreender." O álcool é apenas um pretexto para tentar ir ao fundo daquele crime.
A leitura deste livro intenso de Marguerite Duras com uma estrutura narrativa não tradicional espicaçou-me a vontade de ler outros dois livros da autora que há muito aguardam na estante a hora de serem abertos e desvendados.

Almerinda Bento

segunda-feira, 28 de março de 2016

"Carta à Mulher do Meu Futuro" de Péter Gárdos

Li a sinopse deste livro e fiquei logo entusiasmada. No entanto, ainda antes de ter começado a ler, fui assistir ao encerramento da 4ª edição da Judaica - Mostra de Cinema e Cultura, no dia 20 deste mês, onde iria ser o lançamento do livro, com a presença do autor e, também, exibido o filme Febre ao Amanhecer, filme baseado nessa história.
Ambos falam-nos de uma história de amor, real, vivenciada pelos pais do realizador e escritor húngaro Péter Gárdos. Após a morte do pai, há poucos anos atrás, Péter recebeu toda a correspondência trocada pelos pais, sobreviventes do Holocausto, quando estavam a recuperar na Suécia. Seis meses e muitas peripécias depois, acabam por casar. A sua luta pela sobrevivência não tinha terminado aquando do terminus da guerra.
A Miklós, sobrevivente de Bergen-Belsen, foi-lhe dado seis meses de vida pois os seus pulmões não aguentariam mais do que isso, segundo os médicos. Mas, depois de ter passado por aquele campo de concentração e ter conseguido sobreviver, morrer não estava nos seus planos. Sabendo da existência de mulheres da sua terra que estariam a recuperar também na Suécia, em "campos de recuperação", resolve escrever-lhes. Enviou 117 cartas. Das que responderam, Lili foi a escolhida. E começa assim uma história de amor que durou muitos anos.
Tanto o livro como o filme transmitem-nos muito bem algumas das dificuldades que os sobreviventes passaram no pós guerra. Debilitados, doentes fisica e psicologicamente, querendo esquecer e voltar para "casa", sem saber se as suas famílias e amigos estariam a salvo ou mortos, aperceberam-se que a guerra para eles não tinha terminado em 1945.
Embora com algumas diferenças, gostei igualmente de ambos, do livro e do filme. Muito bons. Recomendo!
Terminado em 22 de Março de 2016
Estrelas: 5*+
Sinopse
Em Julho de 1945, depois de sobreviver ao campo de concentração de Bergen-Belsen, Miklós, um jovem húngaro de vinte e cinco anos, é enviado para um campo de refugiados na Suécia. Pele e osso, desdentado, doente, o médico dá-lhe poucos meses de vida. Mas morrer depois de sobreviver a uma guerra não está nos planos de Miklós.
Ele não se sente sozinho. Sabe que há 117 mulheres da sua terra a viver em campos de refugiados na Suécia. Ignorando a sentença de morte da febre que o atormenta todas as manhãs, envia uma carta a cada uma delas. Alguma haverá de sucumbir à sua veia poética e sedutora caligrafia.
A centena de quilómetros, Lili responde. Assim começa uma história de amor redentora e inesquecível entre dois sobreviventes que eram também sonhadores.
Baseada na história real dos pais do autor e narrada a partir das cartas trocadas entre os dois, o romance de Péter Gárdos relembra-nos que o amor é uma força de vida, capaz de vencer a própria morte.
 


sábado, 26 de março de 2016

Na minha caixa de correio

  

 

Comprado na Feira da Ladra, Somos o Esquecimento que Seremos.
Comprado na secção de encerramento da Judaica, Mostra de Cinema Judeu, Os Meninos Judeus Desterrados.
Oferta da Topseller, A Vongança Serve-se Quente e Regressar.
Ofertado pelo Clube do Autor o livro Numa Floresta Muito Escura.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Novidade Esfera dos Livros

Doce Veneno 
de Cláudia Cunha
O consumo de açúcar pode tornar-se um vício semelhante ao alcoolismo ou à toxicodependência. Não provoca apenas aumento de peso; é também responsável pela diabetes, pelo crescimento de células cancerígenas, por doenças cardíacas, insónias, problemas de pele, etc. Muito se tem discutido sobre os malefícios do açúcar e, quando falamos de açúcar, não nos referimos apenas àquele que colocamos no café ou nos bolos, mas também ao que se encontra em alimentos processados, como uma lasanha comprada no supermercado, ou num simples e aparentemente inofensivo iogurte que damos aos nossos filhos. 
Ao longo deste plano de desintoxicação, anutricionista Cláudia Cunha acompanha o leitor diariamente, apresentando-lhe receitas sem açúcar e compostas por hidratos de carbono de qualidade, proteína e gordura. Neste livro irá encontrar os melhores conselhos para evitar cair em tentação, e tudo o que precisa de saber para se livrar do açúcar de uma vez por todas e ter uma alimentação equilibrada e saudável.

Convite Livros de Ontem


Novidade Elsinore

Uma Rapariga É Uma Coisa Inacabada
de Eimear McBride
Galardoado com diversos prémios e considerado logo como um clássico, Uma Rapariga É Uma Coisa Inacabada, um romance breve mas intenso, dá-nos o retrato nu do relacionamento de uma jovem com o seu irmão, e da longa sombra projetada, nas suas vidas, pelo tumor cerebral de que ele padece e pela família profundamente disfuncional em que vivem. Narrado na primeira pessoa por esta rapariga sem nome, numa espécie de fluxo de consciência repleto de elipses e incoerências, que reflete o estado de quebra emocional da narradora, este é o romance de estreia de Eimear McBride, escritora irlandesa, considerada por muitos críticos a grande revelação de língua inglesa da última década. Ler este livro é mergulhar na mente da narradora, sentir a vida em bruto, tal como ela a atravessa. Nem sempre é uma experiência confortável - mas é decerto uma descoberta.
«Eu acho o teu rosto o melhor que há. Quando éramos nós éramos nós éramos novos. Quando eras pequenino e eu uma menina. Era uma vez. Vou lembrar-te lembra-te bem. Agora. Não nessa altura. E eu ajoelho-me sobre a tua cama tranquila. Beijo a tua cara. Saio do quarto. Eu vou. Dormir. Tal como tu.»

Novidade Saída de Emergência

A Capital do Mundo
de Renato Fontinha
Em 1520, Lisboa é a capital do mundo. Especiarias e preciosidades vendem-se por todas as ruas onde a riqueza só rivaliza com a imundície. Sob o sol abrasador e os cheiros penetrantes, cruzam-se pessoas de todas as raças e religiões do mundo conhecido. No Tejo, os navios são tantos como as estrelas no firmamento, prometendo aventura, riqueza e glória.
Não é de espantar que as aldeias portuguesas se esvaziem de almas que rumam a Lisboa em busca do seu quinhão. É o que acontece com cinco rapazes, cheios de sonhos, que chegam à capital. Mas Lisboa tira mais do que dá e, entre problemas com as autoridades, ofícios mal pagos e a disputa pelo amor de mesma jovem, o grupo tudo perde, até a amizade que os unia.
Para piorar a situação, um assassino aterroriza as noites de Lisboa, uma alma atormentada que só encontra paz na morte de raparigas inocentes, e que se esfuma por entre os dedos dos alcaides do rei. É na noite de Natal que tudo termina, quando os amigos se viram uns contra os outros na luta pelo amor da mesma jovem, sem saberem que têm um inimigo muito mais sinistro – o assassino – que quer reclamar o tão desejado prémio.

Novidade Oficina do Livro

A noite não é eterna
de Ana Cristina Silva
A Roménia, sob o jugo do ditador Nicolae Ceausescu, atravessa um dos piores períodos da sua história, com a população a enfrentar a fome e dominada pelo terror. Seguindo as orientações do Presidente para a criação de um exército do povo no qual os soldados seriam treinados desde crianças, Paul, um ambicioso funcionário do partido, decide levar de casa o filho de três anos e entregá-lo aos cuidados do Estado. Quando a mãe se apercebe do desaparecimento do pequeno Drago, o desespero já não a abandonará, bem como o firme desejo de acabar com a vida do marido.
Correndo riscos tremendos, Nadia não desistirá, porém, de procurar o menino, ainda que para isso tenha de forjar uma nova identidade, de fazer falsas denúncias, de correr os orfanatos cujas imagens terríveis chocaram o mundo e até de integrar uma rede que transporta clandestinamente crianças romenas seropositivas para o Ocidente. Mas será que o seu sofrimento pode ser apaziguado enquanto Paul for vivo? Enquanto o ditador for vivo?

quinta-feira, 24 de março de 2016

A Escolha do Jorge: Sibéria

"Sibéria" de Olivier Rolin (n. 1947) é a mais recente proposta da coleção "Literatura de Viagens" integrada no catálogo apresentado pela Tinta da China. Para os seguidores das obras do consagrado escritor francês, o leitor há muito que se apercebeu de que a geografia ocupa um lugar de destaque na sua escrita, nas suas narrativas. No caso concreto de "Sibéria", é um livro que se apresenta como um misto de ensaio, memórias, mas também um livro que só tem a sua razão de ser graças à ponte que estabelece com a literatura russa ao revisitar «in loco» algumas das localidades e regiões da Sibéria.
Como definir a Sibéria? Parte integrante da ex-URSS ou atualmente da Federação Russa, a Sibéria tem o estigma de dor e sofrimento associado a milhões de mortos nos campos de trabalhos forçados (gulags) naquela imensa terra gelada à qual as deportações em massa chegavam na sequência do terror estalinista.
Mas a Sibéria além de tantas vezes ser apelidada de continente de gelo, Olivier Rolin avança com a palavra «solidão» como aquela que melhor assenta na imensidão de gelo aludindo ao sentido antigo e latino de «local deserto» («vastae solitudines») (p. 43)
Quantas vezes a análise e compreensão históricas sobrepõem certos acontecimentos em detrimento de outros como que hierarquizando-os em grau de importância ou quase esquecendo-os?
Neste sentido, Auschwitz, a máquina de guerra nazi, sobrepôs-se sempre aos gulags siberianos da era estalinista. Assassinatos em massa são sempre assassinatos em massa independentemente da geografia onde ocorrem. Se é importante que Auschwitz seja ensinado nas escolas para efeitos de memória futura, por que razão os gulags estalinistas não ocupam o mesmo grau de importância para efeitos de memória das gerações futuras? Muito provavelmente a própria geografia é a razão do esquecimento. E o frio intenso numa vasta região que tudo engole com o seu permanente vazio também.
Alexandr Soljenitsyne (Prémio Nobel de Literatura em 1970) foi quem alertou o mundo nos anos 70 do século passado para a existência e condições dos gulags. Outro nome menos conhecido, Varlam Chalamov, também já tinha alertado para o terror estalinista através da sua obra "Contos de Kolimá".
Olivier Rolin revisita igualmente outras obras de escritores russos, tais como, "Almas Mortas" de Nikolai Gógol, "Recordações da Casa dos Mortos" de Fiódor Dostoiévsky com, "A Ilha de Sacalina" de Anton Tchékhov, o único escritor russo que percorreu a Sibéria, e "Vida e Destino" de Vassily Grossman, entre outros.
Mas é impossível falar da Sibéria sem falar do transiberiano que percorre quase 10 000 km entre
Moscovo e Vladivostoque! A cidade situada num dos pontos extremos da Sibéria equipara-se à ideia
de se estar "no fim do mundo" (p. 54) Escreve Olivier Rolin sobre este aspecto: "Vladivostoque, desde que aprendi a ler um mapa, é um desses «nomes vertiginosos». Como Valparaíso ou Vancouver, ou Bornéu, talvez mais do que estes, porque o que o tornava extremamente longínquo não era apenas a distância, mas o interdito político. À direita do planisfério, nos confins da imensa Sibéria do ventre da qual a Ásia pende como as tetas da loba, era uma cidade fechada. No tempo em que a URSS cobria, segundo a fórmula consagrada, «um sexto das terras emersas», era inconcebível ir alguma vez a Vladivostoque. Estar ali era ao mesmo tempo estar «no fim do mundo», como se costuma dizer, e num tempo diferente daquele em que crescemos. Não necessariamente melhor, nem sempre melhor: diferente." (p. 54)
O último capítulo da obra "Magadan" é provavelmente aquele em que o leitor "desembarca" no inferno. Olivier Rolin viajou até este outro extremo da Sibéria graças à leitura de "Contos de Kolimá" de Varlam Chalamov (Relógio d’Água, 2006). Magadan é uma das regiões da Sibéria onde se situavam vários campos de trabalhos forçados sendo o de Kolimá o mais conhecido pelo facto de ser em si mesmo uma mina de ouro. De acordo com a historiadora Anne Applebaum na sua obra "Gulag", "foram deportados, de 1932 a 1957, entre um e três milhões de homens (números impossíveis de confirmar)." (p. 96)
"O desejo de esquecer, de apagar, é imenso, múltiplo, minucioso. Já não sabemos, cansámo-nos desta história terrível, sobreviver já é suficientemente difícil. É verdade que há um monumento aos deportados, de resto horrível, a «Máscara da Dor» mas foi erigido no cimo de uma colina onde não passa ninguém. «Os documentos do nosso passado foram reduzidos a nada, os postos de observação destruídos, os barracões arrasados da superfície da terra, o arame farpado enferrujado foi enrolado e transportado para longe, escreve Chalamov em "Os Contos de Kolimá". «Alguma vez existimos?» (…) «Que enigma, o coração humano. Amaldiçoo do fundo da alma o homem que imaginou edificar uma cidade nesta terra eternamente gelada, aquecendo-a com o sangue, o suor e as lágrimas de tantos inocentes. Mas ao mesmo tempo, é inegável, sinto uma espécie de estúpido orgulho… Como cresceu e se embelezou nos últimos sete anos, a nossa Magadan!»" (pp. 98-99)


Texto elaborado por Jorge Navarro

quarta-feira, 23 de março de 2016

"O Livro de Aron" de Jim Shepard

Sem saber bem por onde começar, visto que ainda tenho as ideias a fervilhar dentro de mim, falo-vos primeiro da capa: num tom suave, nada agressivo, com imagens de algumas crianças indistintas a caminhar, sugere uma leitura calma, pacífica, tranquila.

Através da sinopse, dei-me conta que talvez não fosse bem assim. O tema, um dos meus preferidos, é pesado: o Holocausto, vivido e contado através dos olhos de uma criança. Não sendo o primeiro livro que leio onde uma criança nos conta o que viveu nessa época de terror, poderia pensar que não iria acrecentar nada de novo... Mas isso não aconteceu e fui-me apaixonando aos poucos por esse miúdo, contador de histórias, da sua e das que se cruzaram com ele.

Aron era uma criança judia desastrada, de baixa estatura para a sua idade, triste e alheado de tudo o que não lhe dizia respeito e com muitas dificuldades de aprendizagem. Em casa, a sua alcunha era Sh'maya, que em hebraico quer dizer "Deus ouve", e tinha sido dada pelo seu tio que, à laia de repreensão pelos desastres que fazia, dizia-lhe: "Olha que Deus ouviu!". Pertencia a uma família pobre. O que nos conta sobre tudo o que foi sendo retirado ao povo judeu e à sua família, era como se não o afetasse muito. Indiferença? Ou forma arranjada para se proteger?

O livro é pequeno, a escrita fluída e, no entanto, não se lê tão rapidamente como parece ou pelo menos temos de nos manter concentrados. Tal como na mente de uma criança que saltita de um lado para outro, também aqui, no final de uma frase, começa outra com um assunto diferente o que nos obriga a uma atenção redobrada.

No decorrer do livro, com a perseguição ao povo judeu, quando se encontram em Varsóvia, já no gueto, Aron cresce interiormente, aprende a defender-se, a socorrer a família. Muitas das vezes é ele, com o contrabando e os seus roubos, que a alimenta. Aron nunca foi um miúdo popular e mesmo no seu grupo de amigos dentro do gueto isso é notório. Não quer ser um herói. A única coisa que quer é que o deixem em paz. E quer comer e parar de ter piolhos. Porque a fome é muita e as comichões também. Isso não acontece, claro, e seguimos o desenrolar da sua história apreensivos. Como consegue ele sobreviver? O que precisa de fazer para tal?
Gostei muitíssimo desta história que interlaça este personagem fictício com acontecimentos e pessoas verídicas como foi o caso de Janusz Korczak, também conhecido por Senhor Doutor, médido e pedagogo que tinha a seu cargo um orfanato no gueto.
Recomendo muitíssimo esta leitura!

Terminado em 20 de Março de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Pela mão do pequeno Aron, somos levados a conhecer a Polónia de 1939, onde ele e a família vivem. Pouco tempo depois, enquanto judeus, são conduzidos ao gueto de Varsóvia, onde a crueldade, a fome e a doença destroem as vidas de quem aí foi aprisionado. Porém, Aron e um grupo de amigos conseguem ajudar as famílias, esgueirando-se do gueto para fazer contrabando. Num relato comovente e intenso, Jim Shepard mostra-nos, através da voz de uma criança, como é possível manter a dignidade humana nas condições mais adversas.

Para mais informações ver o site da Editorial Presença aqui.

terça-feira, 22 de março de 2016

A Convidada Escolhe: "Perguntem a Sarah Gross" de João Pinto Coelho

Mais um excelente livro de um escritor português, sendo este o seu primeiro romance.
Sendo uma história ficcionada, ela contem elementos que resultam de um trabalho cuidado de investigação histórica com especial enfoque no período do ascenso de Hitler na Alemanha e todo o período posterior que culminou na segunda guerra mundial e na perseguição impiedosa aos judeus na Polónia.
A narradora – Kimberly Parker – está a dar por encerrada a tarefa que se propôs de contar a sua história, agora que já tem mais de setenta anos e sente que está a viver a parte final da sua vida. Vai contá-la a partir do momento em que se candidatara nos finais dos anos 60 a professora de literatura numa exigente universidade americana destinada à elite e à classe dominante dos Estados Unidos. A sua juventude e determinação em romper com uma postura imobilista e conservadora da sociedade são factores que concorreram para que Sarah Gross, a directora da universidade, a escolhesse para o cargo, sabendo de antemão as enormes dificuldades que se iriam colocar para alterar uma instituição poderosa e eivada de preconceitos e tradições.
Mas a história de vida de Kimberly vai estar intimamente ligada à vida de Sarah, pelo que a estrutura narrativa do romance vai decorrer alternadamente na América de finais dos anos 60 e na Polónia do período anterior e posterior à invasão da Alemanha nazi e à perseguição dos judeus polacos. Ao mesmo tempo em que se estabelece uma relação de empatia e cumplicidade desde o início entre as duas, há um crescendo de dramatismo, algo que se pressente e que as põe num mesmo plano de vulnerabilidade, enquanto personagens em fuga de um pesadelo que as levou a tentar encontrar o refúgio naquele colégio.
O medo está latente, insinua-se na reclusão voluntária das duas mulheres, tal como o medo se começava a instalar no quotidiano dos judeus que viam uma aversão que se ia espalhando e generalizando à sua volta no início dos anos trinta e que Sarah transparecia nas cartas que escrevia aos pais enquanto estudante na Universidade de Göttingen na Alemanha. A ameaça racista contra um aluno negro na universidade; a ameaça racista generalizada contra todo um povo; a ameaça psicológica de um predador obsessivo; a ameaça dos fantasmas do passado que não se conseguem esquecer nem apagar.
O medo é de tal forma paralisante e dominador que leva a que as vítimas se transformem em seres invisíveis, que fiquem sem voz, incapazes de reagir e de se rebelar. Isto é tanto mais verdade e incompreensível, mas aconteceu e levou ao extermínio de milhões de judeus, ciganos, homossexuais e acontece e leva ao silêncio e à vergonha de milhares de mulheres vítimas de violações e de violências de todo o tipo.
Enfrentar os pesadelos, sobreviver custe o que custar, fugir. Agarrar-se ao que for possível, nem que seja uma colher retorcida e ferrugenta, último sinal de que se consegue ser dono de algo mesmo quando nos querem privar de qualquer réstea de dignidade. E depois há perguntas para as quais não há respostas. Perguntas que já não podem ser respondidas e desafios para que a imaginação do/a leitor dê as respostas que quiser.
É um livro muito bem escrito, emocionante e envolvente. Sem querer desvalorizar a mestria da escrita de João Pinto Coelho, este romance lembrou-me a escrita de Richard Zimmler.

Almerinda Bento

segunda-feira, 21 de março de 2016

"Milagre" de Deborah Smith

Adoro de vez em quando pegar num romance cor-de-rosa e deixar-me levar por castelos e princípes encantados! Isto é uma forma de dizer poruqe esta obra não tem propriamente castelos e princípes, pelo menos no sentido literal da coisa...

É um livro cor-de-rosa? É pois! Com alguns condimentos dessas histórias de encantar mas a escrita desta autora é tão apelativa que convence logo o leitor levando-o a entrar na história logo nas primeiras páginas. Amy é pobre mas lutadora. Sebastian pertence a uma família detendora de muito poder e dinheiro. Uma paixão leva-os a vivenciar dias de loucura mesmo sabendo que não vão ficar juntos. Os seus caminhos seguem separadamente durante anos e anos e o leitor pergunta-se constantemente se já não basta.

Com personagens bem construídos, Deborah desenrola uma história que nos prende a atenção, que por vezes nos irrita de tanto desencontro mas que não conseguimos largar. Sabemos que o fim será o desejado mas os desencontros sucedem-se a um ritmo acelerado e os nossos olhos não despegam destas páginas!

Um livro que vai encantar as meninas românticas. Gostei e li-o num ápice!

Terminado em 18 de Março de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse
Sebastien de Savin é um brilhante cirurgião cuja habilidade e arrogância representam uma mistura explosiva. No passado, um segredo obscuro foi o responsável pelo endurecer do seu coração, até que um milagre acontece. O milagre dá pelo nome de Amy Miracle, uma rapariga tímida com um emprego de verão nas vinhas da família de Savin e a última pessoa pela qual alguém como Sebastien esperaria apaixonar-se.
Um acaso junta-os: graças a Sebastien, Amy escapa de uma vida de pobreza e abusos psicológicos, adquire autoconfiança e progride numa carreira de sucesso. Graças a Amy, Sebastien reaprende a rir e desperta para o amor. No entanto, a vida real separa-os. Embora tendo passado pouco tempo juntos, a memória desses preciosos momentos assombra-os durante anos. Até ao dia em que os seus caminhos se cruzam novamente…

Repleto de personagens bem-humoradas e apaixonantes, Milagre é sobretudo uma história de amor e de conflito inesquecível, que mostra como o amor pode parecer improvável, mas nunca é impossível.

domingo, 20 de março de 2016

"Mulheres" de Carol Rossetti

8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Há quem apoie a ideia de que não é preciso um dia da mulher, um dia dos namorados, um dia de qualquer outra coisa... Que todos os dias devem ser dias de. Não sou dessa opinião. Claro que não é suposto só nos lembrarmos nesse dia específico de alguém ou de alguma coisa mas por que raio é que não pode existir um dia especial? Para que seja relembrado tudo o que nunca deve ficar esquecido?

Não sou feminista. Nunca pensei muito nisso, aliás! Mas este livro, que se folheia bem depressa fez-me perceber que ainda existem alguns preconceitos cá dentro. E fez-me perceber que se calhar há coisas que preciso repensar porque há alguns muito enraízados que quase não damos por eles. Obrigado por isso, Carol!

Este livro surgiu de um projeto desta autora/ilustradora quando começou a desenhar mulheres e a escrever pequenas frases inspiradoras da força que as Mulheres têm ou devem ter. Convido-vos a visitar a sua página do FB.

Deixo-vos algumas fotos que tirei No passado dia oito, na apresentação deste livro, na Biblioteca de Belém (vale a pena visitar) que teve a presença de Catarina Furtado, a representar a Associação Coracões com Coroa.





Terminado em 8 de Março de 2016

Estrelas: 4*

Sinopse
Existem mulheres negras, brancas, morenas, latinas, asiáticas, indianas, indígenas. Existem engenheiras, donas de casa, prostitutas, ministras, artistas, executivas, atrizes. Há mulheres cegas, surdas, mudas. Mulheres bipolares, deprimidas, ansiosas. Existem heterossexuais, lésbicas, bissexuais, arromânticas, pansexuais, assexuais. Mulheres cristãs, ateias, budistas, muçulmanas. Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos.

Existem mulheres que têm vergonha de partilhar as suas escolhas por medo de serem julgadas. E existem mulheres que discordam de tudo o que eu disse até aqui. Cada Mulher tem a sua própria história, e acredito que todas merecem ser ouvidas e representadas. A minha abordagem será abrangente, convidando todos os que partilhem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano. Pode entrar, sente-se onde quiser, tome um café. Estão todos convidados. - Carol Rossetti

sábado, 19 de março de 2016

Resultado do Passatempo Estranhos ao Luar-Quinta Essência

Eis que finalmente dou notícias sobre o vencedor deste passatempo. Por lapso, coloquei o post em "rascunho" pensando que o tinha correctamente programado. Enviei mail para a vencedora e posteriormente o livro, mas o post não chegou a sair!

Assim, cá vai, com o meu pedido de desculpas pelo atraso.
Foi seleccionado o n* 78 dos 327 concorrentes e a sorte calhou a:

- Joana Almeida do Funchal

Espero que estejas já a deliciar-te com esta leitura!

Na minha caixa de correio (especial)

  

  

  



Domingo passado foi especial! Para além de ficar a conhecer o Miradouro do Monte Agudo na Penha de França/Lisboa e as suas vistas sobre Lisboa, fui lá por um motivo especial: os livros.
O Bibliotecário de Babel / A Biblioteca de Bolso organizaram um evento! Tinham para oferecer  (sim, oferecer!) mil e tal livros a quem quisesse por lá passar. Mais ou menos cinco por pessoa. Eu fui com o meu mais que tudo e este foram os livros que escolhi para nós/ mim. Ele trouxe um que vi que seria a cara dele: A Guerra que Acabou com a Paz.
Parabéns por esta iniciativa e obrigada!

Na minha caixa de correio

    

  

O Lobo Solitário e A Cozinha Açafrão foram comprados na Fnac online. 20% de desconto e portes gratis foi o que bastou para trazer Jodi Picoult para casa e o livro que a Almerinda aconselhou aqui no A Convidada Escolhe. Baratinho este livro e, segundo ela, muito bom!
Regresso a Mandaley, chegou de surpresa, ofertado pela Porto Editora!
Oferta de uma amiga que tinha este livro a mais na estante: O Pecado de Darwin.
O Meu Avô Luís chegou pelas simpáticas mãos de Guerra e Paz. Muito curiosa com este livro.
Da Presença, O Livro de Aron. Acabo hoje de ler. O Holocausto vivido por uma criança.
Surpresa da Nuvem de Letras, grupo Penguin R House, As Mais Belas Fábulas Africanas.
Coracões Irritáveis, do Clube do Autor, é a minha leitura de amanhã.


sexta-feira, 18 de março de 2016

Novidade Clube do Autor

Índias
de João Morgado
O novo romance de João Morgado, autor já com vasta obra publicada e premiada, centra-se na vida escondida de Vasco da Gama e numa época tão gloriosa quanto distante. Trata-se de um livro que desde as primeiras páginas ambienta o leitor no período áureo da nossa História e através do qual (re)descobrimos o lado obscuro do grande navegador português. Eis uma história de ódios, de vinganças, de ambições e conquistas.

Novidade Porto Editora

Os Deuses da Culpa
de Michael Connelly
Depois de ter perdido a corrida para o lugar de procurador distrital, Mickey Haller, advogado de defesa em Los Angeles, antevê o fim da sua carreira. A relação com a sua ex-mulher é cada vez mais distante e a filha de ambos recusa-se a falar com um pai que defende sempre o mau da fita. Mas quando recebe uma mensagem no telemóvel, «Liga-me depressa – 187», aludindo ao artigo do código penal da Califórnia que contém a definição de homicídio, Mickey não pensa duas vezes e aceita um caso que, espera, o trará de novo para os grandes palcos das salas de audiência. Rapidamente descobrirá que a vítima era uma antiga cliente sua, uma prostituta que em tempos defendera e julgara ter resgatado das ruas, naquele que será apenas o primeiro indício de um jogo de sombras entre a DEA e o mais temível dos cartéis mexicanos: o de Sinaloa.

Novidade Esfera dos Livros

Doce Veneno
Cláudia Cunha
O consumo de açúcar pode tornar-se um vício semelhante ao alcoolismo ou à toxicodependência. Não provoca apenas aumento de peso; é também responsável pela diabetes, pelo crescimento de células cancerígenas, por doenças cardíacas, insónias, problemas de pele, etc. Muito se tem discutido sobre os malefícios do açúcar e, quando falamos de açúcar, não nos referimos apenas àquele que colocamos no café ou nos bolos, mas também ao que se encontra em alimentos processados, como uma lasanha comprada no supermercado, ou num simples e aparentemente inofensivo iogurte que damos aos nossos filhos. Ao longo deste plano de desintoxicação, a nutricionista Cláudia Cunha acompanha o leitor diariamente, apresentando-lhe receitas sem açúcar e compostas por hidratos de carbono de qualidade, proteína e gordura. Neste livro irá encontrar os melhores conselhos para evitar cair em tentação, e tudo o que precisa de saber para se livrar do açúcar de uma vez por todas e ter uma alimentação equilibrada e saudável.

Novidades TopSeller



Novidades Clube do Autor

quinta-feira, 17 de março de 2016

"O Brilho Azul das Estrelas" de Laura Pritchett

Um livro especial este sobretudo porque nos conta uma história especial. Ben dá-se conta que a sua memória foge cada vez mais dele a cada dia que passa. Os papeis, onde anota coisas para não esquecer, aumentam de dia para dia. Até que escreve o seu nome, com quem casou, o nome das suas filhas e dos seus netos. Alzheimer, dizem. O diagnóstico chega para o leitor através de uma nota sua. Essa onde ele escreve o nome de quem ama. Um pequeno choque acompanha-a: à frente do nome de uma filha, os dizeres, "filha morta".

A história de Ben é mais do que uma história triste. Mais do que uma história de luta contra o impossível é uma história de amor pela família, pela terra e pelos animais. Ben quer deixar a sua vida enquanto ainda é ele, mas a doença caminha e devora-o a passos largos. Antes de partir Ben tem uma missão que quer concluir e que deixará a sua família mais descansada. Se está certo o que vai fazer?

Muito bem escrito, este livro permite ao leitor penetrar no âmago de Ben e conhecer a sua luta diária e constante. Com capítulos onde a história nos conta, intercaladamente, a vida de Ben e a de Renny, sua esposa, vamos conhecendo todo o passado que os uniu mas também o que os fez separar. As maiores alegrias e a tristeza mais profunda que poderiam sentir: a morte de uma das filhas.

Sem avançar na história, para que a surpresa não diminua quando forem ler o livro, posso-vos garantir que adorei o final. O fim parece óbvio logo que as intenções de Ben nos são dadas a conhecer. No entanto, a reviravolta que a autora confere nas últimas páginas acalma o leitor, sossega-o de todas as angústias que ele viveu ao acompanhar o interior da mente de Ben.
Comovente, lindíssimo. Recomendo.

Terminado em 13 de Março de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

A demanda de um homem para corrigir o passado.
Ben e a sua mulher vivem num rancho próximo das Montanhas Rochosas, no Colorado. Ben é ainda um homem ativo e pleno de vida, quando lhe é diagnosticada a doença de Alzheimer. Ao perceber o avanço desta, começa a sentir que é um fardo para a mulher e que não lhe resta muito tempo de consciência.
A juntar a isto, o passado trágico da família regressa com toda a violência após a libertação de Ray, o marido da sua falecida filha Rachel, que estava preso a cumprir pena pelo seu homicídio. Motivado pelo desejo de vingança, Ben decide corrigir o que está mal e levar avante um último gesto de amor e justiça pela sua família.
Com uma sinceridade arrebatadora, O Brilho Azul das Estrelas oferece-nos uma história notável de dedicação e coragem, provando-nos que o amor sobrevive ao adeus.