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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A convidada escolhe: “A Rapariga no Comboio”

Um livro que nos prende e que a partir de certa altura nos "obriga" a não parar e querer chegar ao fim, para perceber a trama e responder à pergunta sobre o desaparecimento de uma rapariga.

Um thriller que lembra Hitchcock.

“A Rapariga no Comboio” é construído por episódios ao longo de vários dias e meses, vividos e narrados na primeira pessoa por três mulheres, que constroem o “filme” dando dele a sua perspectiva e leitura particular. O/a leitor/a acede assim à(s) realidade(s) a partir dessas diferentes perspectivas e relatos e é conduzido/a a desvendar o mistério do desaparecimento de uma jovem. Mas nem sempre o que parece óbvio é e é esse suspense que torna a leitura deste livro viciante e urgente.

Nas viagens pendulares de comboio entre os subúrbios de Londres e a grande capital, os passageiros passam pelos prédios embrenhados nos seus problemas, a ler um livro ou a ver as notícias no telemóvel, alheados das vidas lá fora. Mas para Rachel não é assim. Ela fantasia, inventa nomes para as suas personagens, fá-las viver histórias felizes, cria um mundo bonito e harmonioso que contrasta com a sua solidão, com a sensação de fracasso de que é feita a sua vida, após um divórcio e com a degradação resultante da compulsão pelo álcool. Se por um lado não consegue libertar-se do álcool, por outro tenta desesperada e repetidamente fugir-lhe. O vinho é o escape para enfrentar a realidade; o filtro que apaga, tolda e faz esquecer, quando há momentos na vida que é perciso recordar, reavivar e voltar a trazer ao consciente.

Este livro revela também um problema social muito importante que as sociedades ocultaram durante muito tempo – o da violência doméstica. Por detrás de uma aparente felicidade e harmonia, quantas vezes não se escondem atitudes de controlo, de ciúme, de posse, de desconfiança que, não sendo violência física, são violência psicológica que retira autonomia, gera pavor e baixa autoestima e destroi completamente as pessoas (neste caso mulheres)?

“A Rapariga no Comboio” da jornalista e escritora Paula Hawkins foi adaptado ao cinema, mas está tão bem escrito, é tão visual e é feito duma escrita tão dinâmica, que não penso vê-lo em filme, pois acho que seria redundante e certamente sairia desapontada. Gosto imenso de literartura e de cinema, mas neste caso fico-me pelo livro!

Um thriller empolgante e terrível.

Dezembro de 2016

Almerinda Bento


1 comentário:

  1. Olá.
    Também adorei o livro, mas pela primeira vez na vida, achei o filme ainda melhor. Poderá ser redundante, na medida em que, são os dois muito bons. Mas para mim valeu a pena ver o filme para poder dizer que ainda gostei mais do filme, apesar de ter adorado o livro. Não há muitas oportunidade disto acontecer!
    Bjs

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