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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"O Rapaz e o Pombo" de Cristina Norton

Nunca me canso de ler livros sobre a II Guerra. O meu interesse não se fica por esse momento da História em especial porque gosto de ler sobre períodos em que os homens não se comportaram com letra grande, pelo menos os dirigentes e quem os apoia. Na guerra, o mau e o bom lutam entre si para vir respirar ao de cima, como se estivessem em águas muito profundas e algo os empurrasse para baixo. Quando um livro ficciona uma história passada nessas épocas conturbadas e é baseado em factos verídicos, então, é certo que o tentarei ler.

Neste caso, nesta história contada por Cristina Norton, não existiu realmente o rapaz do pombo. Ou, melhor, existiu sim em milhares de crianças que não tiveram a oportunidade de seguir com os seus sonhos para a frente. Milhares que tiveram de crescer depressa demais, perdendo a sua inocência muito rapidamente. Mas, a história verídica de alguns sobreviventes do Holocausto foi, inteligentemente, introduzida nesta trama, acrescentando uma enorme mais-valia a este romance, que, de facto, adorei!

Embora haja algumas mudanças de narrador, "O Rapaz e o Pombo" é o narrador mais frequente. De quando em vez, uma alteração na grafia do texto, alerta-nos para um novo narrador e muitas vezes o leitor não se apercebe logo de quem se trata, aguçando com este facto a sua curiosidade. 

Inteligente, bem escrito, conseguindo colocar-se tanto na pele de uma criança inocente como na de um adulto sofredor, Cristina Norton deve orgulhar-se desta sua obra. Tanto mais que o sofrimento, a incerteza e o desespero que transparecem nos personagens estão magnificamente retratados! Por outro lado, e isso foi um facto que gostei bastante, pelo percurso de fuga dos personagens conseguimos ter uma visão geral de como se viveram esses tempos (antes e pós guerra) em vários países europeus e outros: a aridez, a desconfiança, o horror mas também a solidariedade escondida que levava à esperança. 

Às vezes, com a minha sofreguidão para devorar as palavras, deixo escapar pormenores. Não vos posso contar o que me aconteceu nesta leitura sem revelar a trama que ela encerra, mas digo-vos apenas que cheguei ao final sem dar conta do que tinha acontecido ao pequeno rapaz que chegou a preferir não crescer para não perceber o que se passava à sua volta... Tive de voltar a trás, reler uma parte e entender finalmente o que não quis perceber de imediato, talvez pela subtileza com que esse acontecimento foi narrado. Isso encantou-me, sem dúvida alguma.

Este livro, um convite à reflexão, é para ler!

Terminado em 27 de Novembro de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse
A história, passada entre os anos 1930 e 1958, gira à volta de três personagens. A principal é um rapaz judeu, que descobre o ódio, o desalento, a ternura e o amor à vida. As personagens à volta dele representam todas as pessoas que passaram por uma das maiores injustiças de todos os tempos. Cristina Norton sentiu também que tinha o dever de escrever e denunciar o que por vergonha as mulheres que haviam sido obrigadas a prostituir-se nos campos de concentração não ousavam contar.

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