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segunda-feira, 6 de junho de 2016

"Os Números Que Venceram os Nomes" de Samuel Pimenta

Para não variar, com a Feira do Livro deste ano chegaram a minha casa novos habitantes. Junto com a Feira vieram também os encontros com amigos livrólicos e com alguns escritores. Dia 2, a Marcador convidou os bloguers para um encontro com Samuel Pimenta. Aceitei, curiosa, mas como o livro ainda morava na prateleira dos "não lidos", peguei de imediato no Os Números Que Venceram os Nomes. A leitura fez-se rápida porque a ideia é, senão original, pelo menos muitíssimo interessante. Talvez até pudesse ser divertida se na realidade alguns aspectos não coincidissem com o que se passa hoje. Pequenos indícios monstram-nos o quanto precisamos de estar alertas e tomarmos consciência de como os múmeros começam a vencer os nomes... e não devem, claro!


Num mundo distópico, no futuro, o personagem principal vê-se fechado num hospício, acompanhado de cada vez maiores deses de medicamentos que o deixam mais adormecido e hipnotizado. Chama-se Um Nove Um Seis. Tudo, no mundo em que vive, deixou de ter nome. Tudo se reduz a números. Aliás ele nem se recorda da existência de um mundo diferente. Até a relação com Deus passa pelo "oferecer números a Deus", ou seja, é preciso pagar para que Deus se mostre satisfeito (o que é que isto me faz lembrar?!!!). Os livros eram objetos perigosos porque cheios de letras. Da poesia, então, nem se fala...

Plena de imaginação, esta leitura faz-nos refletir. Os pequenos alertas estão lá! Identificamos muitos fenómenos que estão a aumentar a um ritmo impressionante nos dias de hoje. Como exemplo disso aponto o automatismo com que tratamos os outros ou que nos tratam quer a nível pessoal como, e sobretudo, profissional.

O Samuel criou o Um Nove Um Seis. Eu senti-o perto de mim. A sua luta para não deixar-se apanhar por um sistema que o queria apático e sem vontade, foi a minha luta também. Conversas que tive com amigos e colegas de profissão vieram-me à memória: "para eles somos números", lembrei-me de quantos vezes disse esta frase. As câmaras, os radares, a televisão, o FB, tudo nos controla um pouco e nos dita o que fazer e, pior que isso, o que pensar...
Uma leitura que se faz breve mas que de ligeira nada possui. Recomendo!



Terminado em 4 de Junho

Estrelas: 5*

Sinopse

O que é um nome? — A pergunta ressoou por toda a divisão, embateu nas paredes e voltou ao emissor sem obter resposta. Um Nove Um Seis estava sentado na única cama do quarto número onze do hospício. Via as paredes do quarto a girar como se tivessem sido empurradas por uma criança que brinca com um globo terrestre pela primeira vez. Além disso, sentia-se como se estivesse de olhos abertos debaixo de água, estava tudo turvo. Era efeito dos fortes medicamentos. Sentado numa cadeira ao lado da cama, um médico observava-o de testa plissada, enquanto segurava uma folha no colo, onde fazia algumas anotações.

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