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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Calhamaços para ler em 2016

Com tanta gente a fazer listas do que querem ler em 2016, deu-me uma súbita vontade de ir às minhas estantes dos "livros a ler" e escolher alguns que vão ficando para trás por serem um pouco obesos!

Se conseguir ler 1 livro destes por mês ficarei contente! Aqui os apresento. São livros que quero muito ler. Paralelamente fui seleccionando alguns mais elegantes e coloquei-os, de igual modo, de parte. Quem sabe?



De baixo para cima:

1) Ver: Amor de David Grossman
2) O Imperador das Mentiras de Steve Sem-Sandberg
3) Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie
4) Suite Francesa de Irène Nemirovsky
5) As Serviçais de Kathryn Stockett
6) O tempo Entre Costuras de Maria Duenas
7) Agridoce de Colleen McCullough
8) Dispara, Eu Já Estou Morto de Julia Navarro
9) O Livro do Destino de Parinoush Saniee
10) A República dos Sonhos de Nélida Piñon
11) Maximum City de Suketu Mehta
12) Arquipélago de Joel Neto

A  técnica consiste em colocar um por mês na minha mesinha de cabeceira para, nun ataque de vergonha (lol), pegar nele e devorá-lo...

Bom Ano a todos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Escolha do Jorge: As Melhores Leituras de Autores Estrangeiros de 2015

1. “CONTOS HÚNGAROS” - VOL. I e II (Editorial Gleba):

 



http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2015/07/a-escolha-do-jorge-contos-hungaros.html

2. “O VISITANTE REAL” – HENRIK PONTOPPIDAN (Estúdios Cor):





3. “O CAVALEIRO SUECO” – LEO PERUTZ (Cavalo de Ferro):



http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2015/12/a-escolha-do-jorge-o-cavaleiro-sueco.html

Os demais títulos apresentam-se por ordem alfabética

Boas leituras!




  



"Talismã" de Mário Zambujal

Como são divertidos os livros de Mário Zambujal! E como é alegre a sua escrita!

Sou fã deste autor português. O seu discurso difere em muito daquele que habitualmente leio nos livros que escolho, mas é talvez por isso mesmo que me divirto tanto a ler o que escreve. As suas histórias estão cheias de personagens rocambolescos, com carisma. Com uma escrita cheia de humor, que predispõe muito bem e que faz rir, Mário Zambujal inventou, desta vez, uma história com peripécias sem fim vividas por Pablo Silva, um galego-português, que nos poucos dias em que a história se passa, consegue colocar-nos num verdadeiro sufoco tal é a intensidade da narrativa e tais são os acontecimentos por ele vividos!

Entre bordéis, empresas falidas e por falir, mauzões e gorilas guarda-costas, menina que, tal Cinderela, perde o sapato nos Santos Populares, tiros e roubos, talismãs que dão sorte (ou azar?), somos confrontados com uma sucessão de acontecimentos que não nos dão descanso mas que ao mesmo tempo são extremamente divertidos.

Um livro que se lê num ápice, num bocado de uma tarde e que aconselho vivamente caso não conheçam a escrita deste autor! Estou pronta para o próximo, Mário! Espero que esteja já a caminho...

Terminado em 28 de Dezembro de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

A vida de Pablo Luís Martinez da Silva teve início turbulento. Por pouco não chegava atrasado ao parto na Galiza, vontade de sua mãe, dona Maria Xosé. Foi o prenúncio de uma cadeia de acontecimentos que ele definia como "a desordem natural das coisas". Entre desencontros e encontros sentimentais, enreda-se em trabalhos de alto risco. Corre em busca de uma jovem loura que perdeu um sapato e foge de facínoras de calibre internacional.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

"O Homem de São Petersburgo" de Ken Follett

Depois de ler Os pilares da Terra e O Mundo Sem Fim fiquei fã incondicional de Ken Follett! A sua escrita empolgante que mescla factos e personagens verídicos com personagens fictícios mostrou-me como um bom escritor pode ensinar, inventando toda uma trama baseada muitas vezes em factos reais. Ken Follett é perito em multiplos estílos: saltar do thriller para o romance histórico, do policial para o romance romântico. Adoro isso! Acho-o muito completo como escritor, não se conseguindo pegar num livro seu e largá-lo por falta de interesse.

Comecei a ler este livro "às cegas". Não li a sinopse, não li comentários.

Mergulhei rapidamente em Inglaterra numa época antes da Primeira Guerra. O movimento das Sufragistas e as suas lutas, as actividades dos anarquistas, a educação dada às meninas pertencentes a uma nobreza rica e que vivia da aparência e que as mantinha na completa ignorância No que diz respeito quer ao sexo, como até como viviam os extratos sociais mais baixos, a toda uma política interna e internacional que se vivia na época, tudo está aqui bem caracterizado e com personagens muito credíveis.

Gostei muito do Epílogo. Insere o leitor, caso dúvidas houvesse, no contexto histórico e remata belissimamente com a vida das personagens e com o que lhes aconteceu. Tão bem que me levou a perguntar se elas não teriam realmente existido!

Recomendo muitíssimo esta leitura. Um livro que pode ser lido pelos amantes de thrillers, de romances históricos e de romances românticos também!

Terminado em 27 de Dezembro de 2015

Estrelas: 5*+

Sinopse

Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra prepara a defesa contra o Império Alemão. Ambos os oponentes precisam de se aliar à Rússia. O príncipe Orlof, sobrinho do czar Nicolau II, viaja para Londres, onde se encontra com Lorde Walden, casado com a sua tia Lydia. O anarquista russo Kschessinky segue-lhe no encalço. Nesta intrincada trama de interesses pessoais e políticos, ninguém prevê que Lydia reconheça Kschessinky, colocando em perigo a vida da sua filha Charlotte. Estas personagens jogam com o destino da Europa na antecâmara de um dos mais devastadores conflitos de sempre. Mais um romance empolgante de Ken Follett.

Para mais informações sobre este livro, ver Editorial Presença aqui.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

"Sobrevivi ao Holocausto" de Nanette Blitz Konig

Nunca tenho a sensação de ter lido demasiados livros sobre o Holocausto e quando, ainda por cima, eles constituem um retrato verídico isso torna-se mesmo impossível!

Ainda fico perplexa ao verificar como quem sobreviveu ao Holocausto conseguiu recuperar as suas vidas e ler como essas pessoas conseguiram arranjar coragem para superar os seus traumas, leva-me a ler avidamente todos estes relatos vividos e sofridos pelos sobreviventes dessa carnificina!

Pouco tenho a acrescentar ao que tenho vindo a comentar sobre estes livros com esta temática. Sinto que tenho sempre de intercalar com algo mais fictício, até mesmo com romances mais leves, mas volto sempre a esta época pois nunca deixo de me surpreender e de me questionar como agiriamos nós se tivéssemos vivido aí... É que foram tantos a condenar, a julgar e a delatar! Nomes como Adolf Hitler, Irma Grese, Fritz Klein, Josef Kramer e Josef Mengele traduzem o que de pior o ser humano pode ser e fazer. Mas estas pessoas não agiram sozinhas. Como agiriamos nós se lá estivéssemos? Como agimos nós hoje para tantos problemas semelhantes?

Nanette Blitz Konig, vive hoje no Brasil. É Holandesa, tendo nascido em Amesterdão. Colega de Anne Frank, partilhou com ela alguns momentos terríveis em Bergen-Belsen. Tinha 16 anos quando foi libertada e pesava 31 kilos. A sua história é para ser partilhada, para que nunca o mundo esqueça o que se passou.

Fiquei surpresa quando Nanette refere o quando a posição do pai conseguiu "comprar" um lugar numa lista de judeus que eram menos maltratados do que os restantes. Basicamente essa posição de privilégio era praticamente nada mas isso fez toda a docefença para que ela pudesse aguentar um pouco mais... A ideia geral era que os judeus não eram nada e como " nada" se deveriam sentir.

Mas, mesmo depois da guerra ter terminado, a vida difícil não tinha acabado ainda. A Europa do pós-guerra não foi de todo cordial para com os sobreviventes e isso está retratado em todas as dificuldades que Nanette passou para conseguir uma vida estável e melhor. Sem estudos, sem dinheiro e sem saúde. Como tantos outros, Nanette teve de recomeçar quase do nada.

Leiam que vale a pena!

Terminado em 21 de Dezembro de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Como sobreviver a um campo de concentração? Estaria essa sobrevivência condicionada ao acaso do destino? Em um emocionante relato, Nanette Blitz Konig conta a história de um período em que ela e milhões de judeus foram entregues à própria sorte com a mínima chance de sobrevivência. Colega de classe de Anne Frank no colégio, Nanette teve a juventude roubada e perdeu a crença na inocência humana quando esteve diante da morte diversas vezes – situações em que fora colocada em virtude da brutalidade incompreensível dos nazistas.
Hoje, aos 86 anos, Nanette vive no Brasil e expõe suas lembranças mais traumáticas aos leitores. As cenas vivenciadas por ela fizeram os mais experientes oficiais de guerra, acostumados a todos os horrores possíveis, chorarem ao tomar conhecimento. Em uma luta diária pela sobrevivência, Nanette deveria suportar o insuportável para manter-se viva. Através de um depoimento ao mesmo tempo sensível e brutal, ela questiona a capacidade de compaixão do ser humano, alertando o mundo sobre a necessidade urgente da tolerância entre os homens.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Um Livro Numa Frase


                                                        (Imagem retirada da Net)

"O tempo não volta. O "se" é uma possibilidade que jamais se realizará."
In Luize Valente, Uma Praça Em Antuérpia, pág. 146

sábado, 26 de dezembro de 2015

Na minha caixa de correio



Dois livros que li já há algum tempo, que fui buscar às BLX, mas que gostava muito de ter na minha estante. Comprei com 40% de desconto. Ainda faltam Os Pilares da Terra, vol 1 e 2. Adorei estes livros. Fizeram-me fã de Ken Follett!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Boas Festas!



O Blogue O Tempo Entre os Meus Livros deseja a todos umas Festas Felizes e muita saúde!



(Estas bolas foram algumas das manualidades que me fizeram perder tempo e ler menos este mês, mas gosto muito de aprender coisinhas novas!)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

"O Último Adeus" de Kate Morton

Ao terminar este livro pensei, logo de seguida, como tinha sido possível demorar tanto tempo a lê-lo... Primeiro, pelo seu número de páginas (615), porque intercalei a sua leitura com outros livros mais pequenos. Depois porque neste mês, à semelhança dos anos anteriores, costumo fazer muitos dos meus presentes de Natal o que me rouba muito tempo à leitura. Mas, fiquei sempre com a impressão que ficava a perder quando tinha que largar a leitura...

Kate Morton sabe envolver muito bem o leitor com a sua escrita cuidada, rica em pormenores. O enredo demonstra uma tão grande e fértil imaginação que quem lê julga participar activamente nele. Um desaparecimento de um bébé é o mote para muitas páginas de mistério e segredos por desvendar.

Estamos em 2003 e a detective Sadie Sparrow, afastada temporariamente e involuntariamente da sua equipe de trabalho, vai para junto de seu avô na Cornualha passar alguns dias. Um mistério por resolver há 70 anos intriga-a de tal forma que a faz esquecer os seus próprios problemas e dos quais temos, no início, pequenos vislumbres que nos colocam de sobreaviso e em alerta. Deste modo, a história decorre com passagens e acontecimentos de um passado já longínquo (1933) e acontecimentos presentes, onde a detective vai tecendo as suas considerações de tal forma lógicas que julgamos raciocinar ao mesmo tempo que ela.

Não existe um só mistério, mas vários. O leitor partilha das descobertas de Sadie e envolve-se nelas. No final as peças do puzle encaixam-se e tudo faz sentido. Pelo caminho, fica uma história contada com mestria, cheia de intricados pormenores onde temas como a dor da perda de um filho, as infedelidades conjugais, a vingança, a compaixão, o amor, os traumas de guerra e a incapacidade daí resultante, são abordados sabiamente.

Gostei muito desta leitura que achei envolvente e recomendo vivamente! Fica um pormenor que não gostei na capa: o bébé desaparecido teria na altura cerca de 10 meses. A criança da capa uns bons anos mais... Um pormenor que não faz sentido para quem lê o livro. Fora isso, perfeito!

Terminado em 20 de Dezembro de 2015

Estrelas: 6*

Sinopse

O melhor romance da autora reconhecida mundialmente pelo público e a crítica.
Numa majestosa casa de campo inglesa um miúdo desaparece sem deixar rasto. Setenta anos depois Sadie Sparrow, de visita a casa de seu avô, encontra uma mansão abandonada. Espreita através de uma janela e sente que alguma coisa terrível aconteceu nessa casa.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Resultado do Passatempo de Natal com a Editorial Presença

 

Agradecendo a gentil colaboração da Editorial Presença, anunciamos o vencedor que certamente irá ler com prazer o pack oferecido.

Das 397 participações foi sorteado o n* 138 que pertence a:

-  Magda Coelho de Odivelas.

Muitos parabéns! Espero que passes uns bons momentos na companhia destes livros!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

Resultado do Passatempo de Natal com o Clube do Autor

    

Agradecendo a gentil colaboração do Clube do Autor, anunciamos os vencedores que irão certamente desfrutar da leitura dos livros oferecidos.

Das 359 participações foram sorteados os seguintes números:

- n* 58 correspondente a Carlos Silva do Porto com "O dia da expiação",
- n* 111 correspondente a Luísa Araújo do Funchal com "Talismã",
- n*132 correspondente a Ana Marques de Coimbra com "Não se encontra o que se procura",
- n* 281 correspondente a Luísa Lopes de Santarém com "Robin Williams",
- n*303 correspondente a Ana Alves de Setúbal com "O amor é outra coisa".

Muitos parabéns! Espero que passem uns bons momentos na companhia destes livros!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

Resultado do Passatempo de Natal com a Penguin Random House

      

Agradecendo a espectacular colaboração da Penguin Random House, anunciamos os vencedores que certamente irão ler com prazer os livros oferecidos.

Das 402 participações foram sorteados os seguintes números:

- n* 83 correspondente a Abilio Domingos  de Carnaxide que irá receber "Submissão",
- n* 149 correspondente a Hermenegildo Guerreiro de Faro que irá receber "O homem que mordeu o cão",
- n* 253 correspondente a Helena Lucas de Lisboa que irá receber o pack "Clube dos Ténis Vermelhos" (Vol. 1 e 2),
- n* 276 correspondente a Luís Gonçalves de Casais Novos que irá receber "O último adeus",
- n* 301 correspondente a Maria Matos de Lisboa que irá receber "O paraíso segundo Lars D"
- n* 358 correspondente a Patrícia Silva de Aguiar da Beira que irá receber "Porque escolhi viver"

Muitos parabéns! Espero que todos passem óptimos momentos na companhia destes livros!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

Resultado do Passatempo de Natal com a Marcador

 

Agradecendo a gentil colaboração da Marcador, anunciamos os vencedores que  irão receber nas suas casas os livros oferecidos.

Das 340 participações foram sorteados os seguintes números:

- n* 17 correspondente a Liliana Leal de Leça do Balio que irá receber "Quando o sol brilha",

- n* 213 correspondente a Isabel Meixedo de Lisboa que irá receber "A morte de um apicultor".

Muitos parabéns! Espero que passem uns bons momentos na companhia destes livros!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

Resultado do Passatempo de Natal com a Planeta Manuscrito



Agradecendo a gentil colaboração da Planeta, anunciamos o vencedor que irá receber em sua casa o livro "Saudade".

Das 310 participações foi sorteado o número 292 que corresponde a:

- Alice Domingues de Lisboa.

Muitos parabéns! Espero que passem uns bons momentos na companhia deste livro!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

Resultado do Passatempo de Natal com a Topseller


Agradecendo a gentil colaboração da TopSeller, anunciamos o vencedor que certamente irá ler com prazer o livro oferecido.

Das 315 participações foi sorteado o nº 43 que pertence a:

- Rosana Magalhães de Macieira da Maia

Muitos parabéns! Espero que passes uns bons momentos na companhia destes livros!
Muito obrigada a todos os participantes e boa sorte para os próximos passatempos aqui n'O Tempo Entre os Meus Livros!

sábado, 19 de dezembro de 2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Escolha do Jorge: Intimidade

"Esta é a noite mais triste, porque me vou embora e não volto mais. Amanhã de manhã, quando a mulher com quem vivo há seis anos for de bicicleta para o trabalho, e os nossos filhos estiverem a jogar à bola no parque, porei algumas coisas num saco de viagem, sairei discretamente de casa na esperança de que ninguém me veja, e apanharei o metro para o apartamento de Victor. Aí, e por tempo indeterminado, dormirei no chão do quarto minúsculo que ele gentilmente me ofereceu, ao lado da cozinha. Todas as manhãs guardarei o pequeno colchão de solteiro no armário. Arrumarei o edredão bafiento numa caixa. Colocarei as almofadas novamente no sofá-
Não regressarei a esta vida. Não posso." (p. 7)

É este o mote inicial de "Intimidade" de Hanif Kureishi (n. 1954) cuja narrativa em forma de diário vai conduzir o leitor ao longo de pouco mais de cem páginas. Entre pensamentos, devaneios de alma e desabafos, o personagem principal vestido sob a capa de narrador vai-nos apresentando as razões da sua decisão abrupta, radical se assim o entendermos, de abandonar a sua família, a saber, a esposa e os seus dois filhos.
Se por um lado o texto inicial poderá constituir uma estratégia para captar a atenção do leitor, por outro, rapidamente é confrontado com o oposto, na medida em que a narrativa, salvo alguns momentos interessantes e bem conseguidos, com passagens apelativas, acabou por fomentar alguma irritação em relação ao personagem principal.
Egoísmo, mediocridade e cobardia foram as palavras que mais frequentemente me vieram ao pensamento durante a leitura de "Intimidade". Um discurso centrado essencialmente na pessoa no personagem principal como sendo a vítima de toda uma situação que no fundo é ele próprio que não só não tem capacidade de gerir, mas também não é uma pessoa com quem se possa contar para o que quer que seja, quanto mais para estabelecer um relacionamento emocional e afetivo com outra pessoa. Os outros são a fonte inesgotável dos seus problemas e nunca ele próprio!
De um egoísmo esmagador, o personagem enaltece as suas relações extraconjugais recorrendo com frequência à descrição de atos de natureza sexual que não pelo tema em si mesmo, mas pela forma crua e despropositada e por vezes sem sentido acabam por se tornar passagens ou momentos de pouco ou nenhum interesse, sobretudo quando se compara este género de descrições com outras obras conseguidas de forma notável.
Se o objetivo for chocar ou agredir o leitor sem dó nem piedade não sei até que ponto o conseguirá concretizar na medida em que o desinteresse acaba por se instalar à medida que a narrativa avança. Provavelmente esta é daquelas obras cujo sentido não consegui alcançar.
O personagem principal abandona efetivamente o lar como está determinado em concretizar tendo em consideração o excerto inicial da obra. O que acontecerá a Susan quando regressar a casa? O que dirá Susan aos filhos perante esta situação totalmente inesperada? O que vai acontecer a esta família daqui para a frente? Como crescerão as crianças face ao abandono do pai cujo relacionamento de dependência é imenso? Estas questões ficarão por responder dado que a obra termina precisamente com a fuga do personagem principal. Se as questões que ficam no ar é o objetivo da obra, então aí sim, o autor terá alcançado o objetivo quando escreveu "Intimidade". Só tenho dúvidas até que ponto "Intimidade" constitua uma forma de trampolim para outras obras de Hanif Kureishi…

Texto elaborado por Jorge Navarro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

"Uma Praça em Antuérpia" de Luize Valente

Que bom é terminar um livro e afirmar, sem dúvida alguma, que gostei tanto, tanto!

Muitas vezes, durante esta leitura, pensei que este livro poderia ter a mais umas boas duzentas páginas se fosse escrito por outra escritora. Isto é uma crítica? Não pensem nisso, porque é só uma constatação. Aqui a "palha" não tem lugar! Mais uma vez peço-vos para não interpretarem mal. Dou o exemplo da Lesley Pearse. Adoro os seus livros. Grandes, grossos, com histórias bem localizadas, com a descrição de pequenos pormenores e de locais que passamos a visualizar e a vivenciar.

Mas aqui, nestas trezentas páginas está uma história relatada de uma forma diferente. A acção passa-se de tal forma veloz que não há espaço para grandes descrições, grandes contemplações. E não é que gostei verdadeiramente disso? Tudo voa neste livro. Os capítulos pequenos, as frases curtas impelem que a leitura se faça também de uma forma galopante.

Em espaços temporais diferentes, maioritariamente em 1933 (e anos seguintes) e 2000, vamos viajando e acompanhando os personagens por várias cidades (Rio de Janeiro, Lisboa, Guarda, Paris, Bordéus, Antuérpia, Berlim, por ex.) num correpio que nos faz sentir verdadeiramente a angústia de quem nessa altura fugia por ser judeu. Simplesmente e somente por isso.

A história está bem imaginada e leva o leitor a pensar que já sabe o seu final. Quase todo. No fundo, a história decorre para que saibamos o "como" e o "porquê". No início, uma "bomba" cai: a morte de três personagens (Olivia, Theodor e o pequeno Bernardo) e a troca de identidades de uma irmã gémea por outra. Voltei atrás e reli alguns parágrafos. E pronto! A minha atenção estava irremediavelmente tomada pela história, pela escrita fluida e directa e muito credível!

Os personagens, muito bem caracterizados, deslocam-se entre sentimentos opostos que vão do amor ao ódio, da alegria à profunda tristeza, do medo e da angústia ao conforto que a solidariedade e a tolerância trazem. E o leitor sente, vive e sofre com eles. Como uma história bem contada deve fazer! E esperem pelo final... Perfeito!

Vale a pena conhecer e ler Luize Valente e o seu "Uma Praça em Antuérpia". Recomendo.

Terminado em 13 de Dezembro de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.
Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França.
A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal, um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois. Uma história universal, de grandes amores, fatais desamores e intensa fraternidade em tempos de guerra. Arrebatador. - Carolina Floare em Sidney Rezende

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Resultado do Passatempo "A Hora Solene"

Chegou a hora de vos anunciar o vencedor deste passatempo que vai receber o último livro da trilogia
Frelancer, A Hora Solene, cedido gentilmente pelo autor Nuno Nepomuceno.
Dos 214 participantes foi escolhido aleatoriamente o n* 83 pertencente a:

- Maria Margarida de Sousa de Albergaria-a-Velha

Espero que gostes desta leitura! Parabéns! O autor vai enviar-te dentro de dias o seu livro!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ao Domingo com... João Pedro Marques

A Cristina Delgado convidou-me muito simpaticamente para passar algum tempo entre os meus livros e, por isso, aqui estou eu a partilhar duas ou três ideias convosco. Para quem não me conhece, talvez seja útil começar por dizer que sou historiador e tenho 66 anos. Durante muito tempo dediquei-me a investigar, a dar aulas e a escrever artigos e livros de História. Nos últimos anos, porém, chegou-me uma vontade premente de escrever ficção. Foi dessa vontade que nasceram Os Dias da Febre (2010), Uma Fazenda em África (2012), O Estranho Caso de Sebastião Moncada (2014) e, mais recentemente, Do Outro Lado do Mar (2015). Quatro romances históricos que me deram enorme prazer e que me obrigaram a um esforço de superação porque escrever um romance é mais difícil do que escrever um livro de História.  
Não acreditam? Então pensem no seguinte: a História, para ser boa, não tem de ser atraente, basta-lhe ser verdadeira, ser bem elaborada e documentada, ter rigor. Com o romance as coisas não são bem assim. É necessário criar personagens credíveis e preferencialmente ricas de um ponto de vista psicológico e humano, é preciso transmitir
sentimentos, é forçoso prender a atenção do leitor e a escrita deve ser elegante e imaginativa. Um romance não é um estudo, tem de dar prazer a ler. E as diferenças entre Literatura e História não se ficam por aqui. Na História os acontecimentos que o historiador analisa e narra já ocorreram, trata-se apenas de os identificar, de os interpretar e de dar conta deles ao leitor. No romance é preciso inventar e fabricar a intriga, ou, pelo menos, uma grande parte dela. Mais difícil, não vos parece? Se posso fazer um paralelo, o historiador é assim como o Vasco da Gama, isto é, uma pessoa cuja missão é encontrar um caminho marítimo para uma terra — a Índia — que já se sabe que lá está, só precisa de ser mostrada e tornada acessível. O romancista está mais próximo de Cristóvão Colombo, alguém que vai descobrir um Novo Mundo que, para os habitantes do Velho Mundo, ainda não existe, no sentido de que ainda ninguém o conhece nem sabe que lá está.  
Apesar de ser muitas vezes olhado como um género menor dentro da Literatura, o bom romance histórico é, em minha opinião, um exercício literário de alto grau de dificuldade porque, para ser bem conseguido, terá de realizar um estreito cruzamento entre a ficção e a verdade histórica. Tudo tem de bater certo e ser coerente. Dito de outra forma, a pessoa que escreve um romance histórico tem de estar quase sempre a meio caminho entre o Vasco da Gama e o Cristóvão Colombo e essa é uma rota difícil de descobrir e manter.  
Terei conseguido arranjar boas rotas nos quatro romances históricos que já escrevi? Eu julgo que sim, mas a opinião que verdadeiramente conta não é a minha, é a dos leitores. 

João Pedro Marques 

Entrevista dada à RTP em http://www.rtp.pt/play/p842/e211609/mar-de-letras