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segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Convidada Escolhe: A Sombra dos Dias


Já o tinha comprado e na segunda vez que o li, de novo instalou-se a profunda admiração.
Num súbito impulso fui ao Diário de Notícias, à caça dum autógrafo e dumas palavras. Vim de lá duplamente rica! Afinal o Gui não era uma mera personagem. Era um ser magnifico de carne e osso e ainda hoje recordo o brilho ladino desses olhos azuis, dum homem corajoso chamado Guilherme de Melo.
O livro, de carácter autobiográfico e escrito na 3ª terceira pessoa, fala de um rapaz que nasceu, cresceu, iniciou a sua carreira de jornalista, insaciavelmente curioso, ávido de sensações e emoções e amante de Moçambique até à medula.
Na descoberta do corpo, constatou que não era como os demais, sufocou os seus impulsos, casou com uma mulher e na sequência dum acidente pediu a anulação do casamento, deixando cair a máscara, ao sentir que não podia viver senão como homossexual, condição esta que assumiu corajosamente num mundo preconceituoso.

É uma memória de vida, com textos poderosos, poéticos por vezes, de alguém que sempre deu a cara sem hipocrisia, doesse a quem doesse.
Em Outubro de 1974, na sequência dos acontecimentos que levaram à independência, muda-se definitivamente para Lisboa, indo trabalhar para o Diário de Notícias, onde trabalhou até à reforma em 1996.
Viria a morrer em Lisboa em 2013, com 82 anos.

Ana Mafalda Salvado

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