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sábado, 31 de maio de 2014

Na minha caixa de correio

  

  

 


Os três primeiros livros vão ser as minhas próximas leituras. Antes, porém, tenho o da Jude Deveraux para ler. Obrigada Marcador, Clube do Autor e Porto Editora!
Os restantes cinco vieram da minha primeira visita à Feira do Livro. Tudo compras baratinhas: Destinos Entrelaçados:  5€ Na Civilização; na Leya, os restantes: leve quatro, pague três. Assim, O Regresso de Hooligan veio como oferta (3€). Os outros custavam 4,90.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Convite Poética Edições


Novidade Porto Editora

Os primeiros livros de José Saramago na Porto Editora

A Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, foi o local da apresentação à imprensa das novas edições da obra de José Saramago, agora com a chancela da Porto Editora. São nove os títulos que regressaram às livrarias no dia 29 de maio, em edições revistas e com novas capas: A Caverna, A Noite, A Viagem do Elefante, As Intermitências da Morte, As Pequenas Memórias, Ensaio sobre a Lucidez, História do Cerco de Lisboa, Manual de Pintura e Caligrafia e O Homem Duplicado. As novas capas, até agora alvo de muita expectativa, foram elaboradas pelo atelier silvadesigners e contam com o contributo especial de grandes figuras da literatura e da cultura portuguesa: Álvaro Siza Vieira, Armando Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Júlio Pomar, Lídia Jorge, Mário de Carvalho e Valter Hugo Mãe caligrafaram o título para a capa de um dos nove livros. 
Na sessão de apresentação à imprensa, o Administrador do Grupo Porto Editora, Vasco Teixeira, anunciou que «para além da dedicação e do profissionalismo com que estamos já a cuidar das edições do Prémio Nobel da Literatura, a Porto Editora vai apoiar diretamente a Fundação José Saramago para que esta instituição possa continuar a cumprir, nas melhores condições, a sua missão de promover o estudo e a divulgação da obra de José Saramago». 
Nas palavras de Pilar del Río, «são livros de José Saramago, esses que, como todos, levam o autor dentro. Neste caso, aproximam-nos dos amigos do autor e de outros leitores que antes passaram por estas páginas. Apetece dizer, "cuidado, estes livros contêm muita vida, tratemo-los com a paixão e o esmero que merecem todos os seres". Todos os seres vivos.»

Novidade Suma de Letras

Amores Secretos
de Kate Morton
Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer.
Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido. O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres — Dorothy, Vivien e Jimmy — e cujos destinos ficaram para sempre ligados.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Escolha do Jorge: "Holocausto Brasileiro"

“Holocausto Brasileiro” da jornalista brasileira Daniela Arbex foi um dos livros que já aqui teve lugar de destaque através da Cristina Delgado, promotora do presente blog “O Tempo entre os meus Livros”, tratando-se efetivamente de um livro marcante para quem o lê, constituindo uma forma de trazer à tona muitos episódios que se passaram no hospício de Colônia, em Barbacena (Minas Gerais), no Brasil ao longo do século XX.


Criado em 1903 com a finalidade de acolher doentes do foro psiquiátrico, o hospício de Colônia acabou por receber à força pessoas que na verdade não apresentavam qualquer diagnóstico de perturbação. De acordo com os dados da instituição estatal, 70% das pessoas que foram internadas eram alcoólicos, homossexuais, prostitutas, jovens que foram engravidadas e abandonadas pelos patrões, mulheres abandonadas pelos maridos, indivíduos que de alguma forma se opunham ao governo, em suma, pessoas que de uma forma ou de outra eram consideradas pessoas indesejadas pela sociedade ou por uma minoria que tentava impor a todo o custo uma dada linha de pensamento sobretudo sobre aqueles mais fracos e desprotegidos.

O hospício que foi criado com uma capacidade de 200 pessoas, rapidamente chegou a ultrapassar os limites do insuportável atingindo mesmo os 5000 internados.

Tudo o que de alguma forma ouvimos falar sobre o que se passou nos campos de concentração nazis durante a 2ª Guerra Mundial, em Colônia, essas práticas associadas às más condições de higiene, alimentação e comodidade foram perpetrados com bastante rigor, intensidade e de modo propositado com uma única finalidade, o extermínio destas pessoas.

Foram mais de 60000 as pessoas que passaram no hospício de Colônia e que acabaram por morrer, muitas delas na sequência das más condições acima indicadas a que estavam sujeitas e outras foram mesmo assassinadas como se fosse a coisa mais natural do mundo e sem que se viesse a ter conhecimento do paradeiro dos corpos. Ao longo de várias décadas, muitos dos corpos foram facultados às faculdades de medicina com o objetivo de serem utilizados nas aulas de anatomia e com a conivência tanto das autoridades policiais, como das universidades sem que se questionasse quaisquer atos de natureza criminosa que estivessem por trás dos corpos em questão.

Neste sentido, a expressão “holocausto” tão comummente associada aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial é também, neste contexto, aplicada do mesmo modo atendendo ao modo como tudo se processava em Colôniatendo sempre em mente um mesmo objetivo: o extermínio destas pessoas que 
acabaram mesmo por morrer.

Daniela Arbex baseou-se no relato e experiências dos quase 200 sobreviventes do hospício sendo acompanhadas por inúmeras fotografias ao longo da obra, muitas delas chocantes mesmo para olhos menos preparados e estômagos mais sensíveis.

Escrito num estilo iminentemente jornalístico com tendência para causar algum furor junto dos leitores, a autora não deixa de salientar os aspetos mais importantes daquilo que verdadeiramente se passava dentro dos muros do hospício, do mesmo modo que o leitor atento também terá a capacidade de pôr de lado toda a informação que se apresente tendencialmente no registo do espetáculo exacerbando de algum modo as questões de caráter mais sentimental.

Sem prejuízo da metodologia utilizada, Daniela Arbex faz diversas vezes um apelo à História no intuito de que não podemos de maneira nenhuma esquecer ou simplesmente apagar este tipo de episódios que tiveram lugar no país porque são parte integrante da História do mesmo, demonstrando, deste modo, a forma como os sucessivos governos, a medicina e a sociedade em geral encaravam/encaram os doentes com perturbações mentais (e não só) não esquecendo que as leis promulgadas são o reflexo da mentalidade de uma dada sociedade num dado momento da sua História, não esquecendo que essas mesmas leis espelham em certa medida os preconceitos que a sociedade em geral manifesta sobre certos temas, controversos ou não.

Excertos:

“(…) A inteligência é uma arma muito poderosa. Com ela, você pode salvar o mundo ou destruir pessoas (…).” (p. 152)
“O que acontece no Colônia é a desumanidade, a crueldade planejada. No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. É permitido andar nu, comer bosta, mas é proibido o protesto qualquer que seja a sua forma.” (p. 200)
“Como a sociedade permite que as famílias e a medicina despejem pessoas neste depósito de lixo humano? (…) O cheiro deste lugar é indescritível. É o cheiro de suor, de fezes, de sofrimento, de gente amontoada, de falta de higiene.” (p. 216)
O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. Os campos de concentração vão além de Barbacena. Estão de volta nos hospitais públicos lotados que continuam a funcionar precariamente em muitas outras cidades brasileiras. Multiplicam-se nas prisões, nos centros de socioeducação para adolescentes em conflito com a lei, nas comunidades à mercê do tráfico. O descaso diante da realidade nos transforma em prisioneiros dela. Ao ignorá-la, nos tornamos cúmplices dos crimes que se repetem diariamente diante de nossos olhos. Enquanto o silêncio acobertar a indiferença, a sociedade continuará avançando em direção ao passado de barbárie. É tempo de escrever uma nova história e de mudar o final.” (p. 255)

Texto da autoria de Jorge Navarro



quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Os Aromas do Amor" de Dorothy Koomson

Já se imaginaram a serem atacadas por várias frentes e nem saberem onde fixar a vossa atenção? Pois foi assim que me senti... Completamente bombardeada pela imaginação desta autora! Passo a explicar:

Dorothy sabe como uma história tem de ter diferentes e diversas frentes para não se tornar monótona nem enfadonha. Para quem goste de romances, como eu, vai adorar este livro. O mistério começa logo no início, não se cingindo a um único aspecto. As surpresas são constantes e abordando questões tão comuns nos dias de hoje, a autora sabe como nos manter interessados durante as muitas/poucas páginas deste livro. Quase quinhentas páginas foram lidas num ápice! Num dia e meio devorei e soube-me mesmo a pouco, pouquíssimo mesmo.

Como se aceita a morte de alguém que amamos quando essa vida nos é tirada bruscamente por um assassino que não sabemos quem é, nem a razão pela qual agiu assim? E se ele nos ameaçar, de igual modo, fazendo perigar a nossa vida e a dos nossos filhos? Como continuar quando nos dizem que a nossa filha adolescente está gravida e ela simplesmente não fala connosco? Como se assumem as nossas dificuldades e as nossas lutas pessoais e físicas quando outros seres mais frágeis precisam de nós? E se os nossos traumas de infância nos impedem de viver a vida com sabedoria? Como podemos voltar a amar sem esquecer o nosso grande amor que não se encontra mais aqui?

É com verdadeira mestria que a autora nos atira para este mar revolto de sentimentos e nos subjuga completamente a uma história que queremos que não termine nunca. Recomendo!

Terminado em 25 de Maio de 2014

Estrelas: 5*+

Sinopse

Procuro a combinação perfeita de aromas; o sabor que eras tu. Se o encontrar, sei que voltarás para mim.

Passaram-se 18 meses desde a morte de Joel, o marido de Saffron, e o culpado nunca foi descoberto.

Agora, fazendo os possíveis para lidar com a perda, Saffron decide terminar Os Aromas do Amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte.

Quando, finalmente, tudo parece ter voltado à normalidade, a filha de 14 anos de Saffron faz uma revelação chocante que abala a relação entre ambas. E, ao mesmo tempo, cartas misteriosas lançam uma nova luz sobre a morte de Joel.

Será um grande amor capaz de sobreviver à maior das perdas?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"Memórias de um Amigo Imaginário" de Matthew Dicks

Original, cativante e comovente! Seriam estas as palavras que escolheria se tivesse de adjectivar este livro.

O narrador é um menino imaginário, Budo de seu nome. Não existe para os outros a não ser para o seu criador: uma criança autista. Tentando manter uma escrita divertida, inocente até, vamo-nos apercebendo das pequenas dificuldades por que passa o pequeno Max e também quem o rodeia, seus pais e professores. Subtilmente, com uma escrita fluída mas simultaneamente quase infantil, vamo-nos prendendo a este enredo aparentemente simples. Sentimo-nos "dentro" de Max, dos seus pensamentos, das suas dificuldades., através do seu amigo imaginário, Budo.

Budo é um amigo imaginário muito completo. Max imaginou-o assim, igual a um menino de verdade. Budo encontra outros amigos imaginários bastante diferente dele. Tal como foram imaginados pelos outros meninos. Budo vê o mundo que o rodeia com a inocência das crianças mas sabe que Max tem algumas particulariedades que o tornam aos olhos dos outros um menino "diferente". Na escola vive isolado, sem amigos. Em casa, apesar do amor que os pais lhe têm, é-lhe pedido mais e mais... Mais do que Max consegue dar. A vida e existência de Budo está dependente de Max. Até quando é que ele vai continuar a acreditar que Budo existe de verdade?

Perante uma situação de emergência, Budo hesita: deve ajudar Max, incitando-o para que tome as suas decisões ou deixá-lo manter-se "no mundo do faz de conta", não fazendo perigar a sua curta vida de amigo imaginário? A verdadeira amizade toma aqui proporções intensas: até que ponto pensamos mais no nosso amigo do que em nós próprios?

Uma história que atrai os nossos sentidos, levando-nos, de surpresa em surpresa, a reflectir sobre o que vale a pena nesta vida. Realmente.

Terminado em 22 de Maio de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

O meu nome é Budo. Existo há cinco anos. Cinco anos é muito tempo para alguém como eu. Foi Max quem me deu o nome. Max tem oito anos. Max é o único ser humano que consegue ver-me. Sei aquilo que Max sabe e algumas coisas que não sabe. Sei que Max corre perigo. E sei que sou o único que pode salvá-lo." Uma calorosa história de amor, lealdade e poder de imaginação; um romance perfeito para quem já teve um amigo - verdadeiro ou não.

domingo, 25 de maio de 2014

Ao Domingo com... Olinda Gil

Os domingos nunca foram dias fáceis para mim. Os domingos sempre me souberam a fim. Lembro-me de ser criança: aos domingos à tarde brincava com os meus legos por detrás do sofá da sala. Havia lá um espacinho especial onde só eu cabia e onde gostava de me isolar. Lembro que aos domingos à tarde a luz que passava pela janela e iluminava o meu cantinho era sempre diferente da luz dos outros dias. No dia a seguir haveria escola e as minhas brincadeiras eram sempre nostálgicas.
Talvez venha daí, desses domingos à tarde de criança, o meu ensejo por liberdade. Não vos sei explicar bem que liberdade é esta, porque não é uma liberdade de palavras, é uma liberdade de sentidos. É uma liberdade que nada tem a ver com política ou com libertinismo. É uma liberdade que tem a ver com encruzilhadas de destinos desconhecidos, com um depósito de combustível cheio, com o vento a bater-me na cara. Chamei-lhe “chamamento do mundo”, “chamamento pelo desconhecido”, e como desconhecido é nunca soube muito bem para onde é que este chamamento me puxava. Partir, sim… mas para onde? Nunca havia nenhum lugar perfeito para onde ir. Comecei então a escrever. Encontrava esses locais dentro de mim própria e transpunha-os para o papel. Tinha 14 anos. Apesar de já me interessar antes pela escrita, de já ter feito algumas tentativas de romance, foi aos 14 anos que a escrita se tornou expressão dessa liberdade obscura, e não um mero contar de histórias. Foi nessa idade que tive a certeza do que queria da minha vida: escrever. Não quero mais nada para mim e esta foi sempre a minha única certeza. Nunca deveríamos ter estas certezas nessas idades, e por causa desta certeza cometi muitos erros. Erros dos quais hoje vivo as consequências. Mas, sem esses erros também não teria encontrado o homem da minha vida. Talvez tenha sido bom errar.
E quando me imagino a abandonar a escrita só de uma coisa me lembro: de morrer.
Os domingos à tarde nunca foram dias bons para mim. Como num gráfico já tiveram altos e baixos. Já tive domingos horríveis, de abandono. Agora tenho domingos pacíficos, apesar de tudo. Agora, muitas das vezes, é no domingo à tarde que consigo escrever.

Era muito nova e comecei a enviar textos para o Diário de Notícias. Os textos iam sendo aos poucos publicados no suplemento DN Jovem. Escrevi para lá quase durante uma década. Continuava a ser muito jovem quando terminei, e quando o próprio suplemento morreu. Foi das melhores alturas da minha vida. São as idades do sonho. Conheci pessoas, adquiri contactos, perdi-os. Anos depois, ainda jovem o suficiente para as pessoas mais velhas dizerem que não percebo nada da vida, e velha o suficiente para as mais novas me chamarem cota, resolvi pegar naqueles textos outra vez. Reuni-los. Revê-los. Rejeitar alguns. E assim surgiu Contos Breves, uma edição praticamente para a família, uma edição que acho que serviu para fazer justiça à menina que fui. Um livro que me fez feliz.
Escrevi outras coisas. Há os “impublicáveis” na gaveta. Há poesia que um dia também há-de ver luz. Há dezenas de contos, há romances a meio.
Teria cerca de 18 anos quando escrevi um conto simples e ingénuo. Nunca soube explicar porquê, mas senti sempre que esse conto tinha qualquer coisa de especial. Haveria de conhecer 21 versões, à medida que eu me tornava mulher. Depois, já na Faculdade, tive um sonho terrível, que se repetiu, que se tornou uma obsessão. Eu era Psiché e amava Eros. (Agora estou a pensar que esta frase é uma frase do conto). Tive de escrever aquela história. E quando a escrevi soube que estava ali um livro, soube que aquele conto tinha tudo a ver com o anterior. O terceiro conto, apesar de ter sido criado pouco depois, só há uns 3 anos é que foi escrito. Desse conto só tenho 1 versão. Assim nasceu Sudoeste, que sempre soube que uma editora haveria de aceitar. Foi a Coolbooks, a chancela digital da Porto Editora.

Olinda Gil

sábado, 24 de maio de 2014

Na minha caixa de correio

  

  

  
  
 





Eta, semana boa esta!
Emprestado do Segredo dos Livros, veio a minha próxima leitura: Sou Autista.
Também emprestado, mas de uma amiga, A Vida Privada de Maxwell Sim..
Da Planeta, a Revelação. A continuação de uma distopia que gostei muito de ler..
O Beco dos Milagres, trouxe da Biblioteca das Galveias.fiquei curiosa com a sinopse.
Comprei O Livro do Destino e A Beleza e a Dor da Guerra. Atraíram-me as sinopses!
Da Esfera dos Livros veio o último livro de Vanessa Fidalgo, Seres Mágicos em Portugal.
Da Porto Editora, Os Aromas do Amor, de uma autora que gosto muito.
O quarto livro de culinaria da Joana Roque promete receitas muito boas e nada caras! Obrigada Esfera dos Livros!
Os tres livros seguintes ganhei no JN.
Canadá é emprestado do Segredo dos Livros.
O Mundo de J.J.Millás foi oferta da Planeta e veio com uma esteira/sacola óptima para a praia!

Novidade Vogais

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Convite Alfarroba


Convite Chiado Editora


Novidade Clube do Autor

Estranho Lugar para Amar

de Luísa Castel-Branco
Estranho lugar para amar tem a aldeia do Colmeal, abandonada desde 1957 na sequência de uma decisão judicial inédita em Portugal, como palco e fonte de inspiração. É aí que encontramos as personagens principais do novo romance da escritora Luísa Castel-Branco e todo um universo mágico e encantatório. Por isso, ficção e realidade caminham lado a lado neste livro em que nos desafiamos a adivinhar o que teve existência real e o que é fruto da imaginação da autora.
No concelho de Figueira de Castelo Rodrigo ficava a aldeia do Colmeal, um povoado com 14 famílias de origens antigas. O fado da aldeia ficou ditado no início da década de 40 com a chegada de uma nova proprietária. As disputas entre a enigmática fidalga e os camponeses desencadeiam o processo de expulsão violenta de todos os habitantes, processo que consta até hoje como uma das páginas mais negras do período da ditadura portuguesa.
Mas porque neste livro há muito mais do que episódios reais, esta história é também sobre o Sítio que ficava para lá do monte, para lá do bosque, para lá de todos os caminhos… sobre esse um lugar onde as pedras do feitiço escondem mistérios insondáveis e vidas que desejam a outra metade do céu.

Novidade Assírio & Alvim

As Leis da Fronteira
de Javier Cercas

No verão de 1978, com Espanha a sair ainda do franquismo e sem ter entrado definitivamente na democracia, quando as fronteiras sociais e morais parecem mais porosas do que nunca, um adolescente chamado Ignacio Cañas conhece por acaso Zarco e Tere, dois delinquentes da sua idade, e esse encontro mudará para sempre a sua vida. Trinta anos mais tarde, um escritor recebe o encargo de escrever um livro sobre Zarco, transformado nessa altura num mito da delinquência juvenil da Transição. O que acaba por encontrar não é a verdade concreta de Zarco, mas uma verdade imprevista e universal, que nos diz respeito a todos. Assim, através de um relato que não dá um instante de trégua, escondendo a sua extraordinária complexidade sob uma superfície transparente, o romance transforma-se numa pesquisa apaixonada sobre os limites da nossa liberdade, sobre as motivações impenetráveis dos nossos atos e sobre a natureza inapreensível da verdade.

Novidade Esfera dos Livros

Receitas para Todos os Dias

de Joana Roque
«A minha vida mudou desde o nascimento do Zé Maria. Eu sei que é um lugar-comum dizer isto depois do nascimento de um filho, mas depois de tão longa espera e de tantos episódios por que passei para conseguir engravidar, como a maioria de vós deve saber, tê-lo nos braços foi avassalador. O maior momento da minha vida. Um misto de alegria e lágrimas que ainda hoje sinto de cada vez que olho para ele. Dizem-me as mães mais experientes que esta sensação é para a vida…
Este livro que agora vos trago só poderia ser diferente dos outros, porque eu também sou uma mulher diferente. Sou mãe, logo os pratos, tachos e panelas, de repente, vêem-se misturados com biberons, fraldas, chupetas. E o tempo parece correr mais rápido que antigamente. Mas continuo a ser dona de casa e a adorar cozinhar. Percebo melhor, agora que tenho o Zé Maria, o que muitas leitoras me diziam que era uma maratona fazer um jantar diferente todos os dias quando o telefone toca, a criança chora, água do banho corre... Ou fazer um almoço para a família quando de manhã entre a casa e vestir as crianças quando se olha para o relógio já é meio-dia. Ou quando a ideia de fazer um jantar para amigos, com sobremesa incluída, é tão cansativa que nem se consegue chegar ao telefone para fazer o convite!» 

Joana Roque, a autora bestseller que pôs os portugueses a cozinhar, graças às suas receitas práticas, fáceis e económicas, traz-nos neste livro mais de 200 receitas para todos os dias. Com dicas de tempo e de poupança que lhe vão facilitar o seu dia a dia. Umas apetitosas panquecas, para o pequeno-almoço prolongado de fim de semana, comida reconfortante para o almoço de domingo com a família, o jantar rápido mas surpreendente de todos os dias, os lanches para dias de festa e os pratos que marcam os dias especiais. Um livro para celebrar a vida! 

Novidade Porto Editora

À Beira do Abismo
de Raymond Chandler
Desencantado com o mundo à sua volta, Marlowe caminha por entre a decadente e rica classe alta de Los Angeles, onde grassam a corrupção e o crime. Investigando um caso de chantagem sobre Carmen Sternwood, uma das filhas de um velho milionário, as suas ilusões de «cavaleiro andante» depressa se desvanecem face a um mundo sórdido onde o dinheiro, o sexo e o jogo juntam forças contra a lealdade e a honra.

Novidade Marcador

Mar Humano
de Raquel Ochoa

Mar Humano parte da ligação turbulenta entre duas pessoas e penetra em temas como a longevidade da vida humana, a responsabilidade que os sentimentos acarretam, a luta pela liberdade de expressão e o impacto da ciência na evolução da consciência. É um brinde à coragem de cada indivíduo em ser autor da sua própria vida.
Uma história de amor vivida nos bastidores da imprensa portuguesa e que atravessa o século XX. A improvável longevidade dos sentimentos e um fnal surpreendente, conjugados num romance histórico que vai encantar o leitor por razões que não está à espera. 

SE O AMOR EXISTE, PORQUE ESPERAR UMA VIDA INTEIRA PARA O ENCONTRAR?

Portugal, meados do Estado Novo. No caminho para a liberdade, o destino cruza escrita e ciência. 
Dois jornalistas escrevem e investigam e, sem suspeitar, vão encontrar um sentido para a vida.
Apesar das grandes transformações que Portugal vive durante o século XX, constata-se que a mentalidade de uma sociedade pouco habituada a questionar. Refecte-se no dia-a-dia, sobretudo na 
monotonia das relações. 
«Depois de dois encontros na praia em pleno Verão de 1935, encontros que os sossegaram mutuamente e, inédito, em que conversaram sobre eles mesmo, sondando sentimentos e revelando com relativa sinceridade o impacto que exerciam um no outro, [...]. O jogo continuava. Desta fábula inesgotável, ao contrário do que Ema pensava enquanto apertava o seu melhor vestido, ainda não era possível ver o fm. Grandes amores e grandes negócios comportam grandes riscos, diz-se. Por vezes o preço é a saúde mental.»

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Escolha do Jorge: "Felizes os Felizes"

Yasmina Reza ficou conhecida entre nós através da adaptação de Roman Polanski ao cinema da sua peça de teatro “O Deus da Carnificina” com interpretações notáveis de Jodie Foster, Kate Winslet e Christoph Waltz. Para quem viu o filme, certamente terá ficado estupefacto com a forma como os quatro atores contracenaram num único espaço que à medida que o tempo passava se tornava claustrofóbico atendendo à forma dura e cruel com que se passaram a tratar dado que o sacudir a água do capote perante um problema já de si sério, mas que ninguém conseguia, nem queria,assumir qualquer responsabilidade.

Feitas as apresentações e a respectiva ponte para “Felizes os Felizes”, este novo romance de Yasmina Reza e o primeiro a ser publicado em Portugal traz à tona o tema primordial da busca incessante da felicidade com vinte e um personagens que em cada caso em particular tem um capítulo que lhe é dedicado. Os laços existentes entre estes personagens tanto pode ser de natureza familiar, como de amizade ou então situações concretas, profissionais e médicas, por exemplo, que invariavelmente em momentos específicos da vida não há como fugir delas.

Apesar de “Felizes os Felizes” ser referido como um romance, o leitor não perceberá que se trata de um livro desse género em virtude de os primeiros capítulos parecerem histórias independentes podendo as mesmas serem lidas como contos ou histórias isoladas. Só à medida que avançamos na leitura da obra é que as peças do puzzle se vão encaixando e compreendemos então as relações familiares, de amizade e outras encarando “Felizes os Felizes” como um todo.

Yasmina Reza traz também para a vida destes personagens um pouco da sua realidade dado ser filha de um judeu iraniano e de mãe húngara. Alguns dos personagens não sendo propriamente judeus praticantes, não deixam de sentir o peso da cultura e religião judaica sobre as suas cabeças funcionando quase como uma forma de angústia na tentativa de almejar a felicidade que teima em não se concretizar, pois esse espírito de destino do povo judaico tem também em si a ideia de sacrifício e dor, mas sem que os envolvidos no processo não se sintam propriamente felizes. Será por falta de fé? Talvez. Ausência de compromisso? Talvez.

Entre momentos hilariantes, outros gritantes, ambos intercalados com situações em que não sabemos se devemos rir ou chorar à semelhança de “O Deus da Carnificina”, Yasmina Reza põe a nu as fragilidades e insegurança do ser humano e as formas cómicas, atribuladas e tontas de, cada um, à sua maneira, e como pode e sabe, em busca se não da felicidade ao menos de breves momentos em que sinta feliz.

“Felizes os Felizes” é um livro agridoce pejado de frases bem conseguidas que em muitas situações funcionam como aforismos integrados numa moral determinada por cada personagem, demonstrando desse modo a sua capacidade de atingir a felicidade à sua maneira.

Excertos:

"Os objetos acumulam-se e deixam de servir para o que que que seja. Como nós. (...) Tudo o que está sob os nossos olhos já é passado. Não estou triste. As coisas são feitas para desaparecer. Ir-me-ei sem história. Não encontrarão caixão nem ossos. Tudo continuará como sempre. Tudo partirá alegremente pela água." (pp. 55-56)
“Gostaria de sofrer de amor. Na outra noite, no teatro, ouvi esta frase: «A tristeza depois das relações sexuais íntimas, essa é-nos familiar, claro…» Foi no ‘Ah, Os Dias Felizes’ de Beckett. Ah, os dias felizes da tristeza que eu desconheço. Não sonho com uma união, um idílio, não sonho com uma felicidade sentimental mais ou menos durável, não, gostaria de conhecer uma certa forma de tristeza. Adivinho-a. Talvez já a tenha sentido. Uma sensação a meio caminho entre a privação e o coração apertado da infância. Por entre as centenas de corpos que desejo, gostaria de encontrar aquele que tivesse o dom de me ferir. Mesmo de longe, mesmo ausente, mesmo jazendo numa cama, mesmo de costas. Dar com um amante munido de uma lâmina imperceptível capaz de nos arrancar a pele. É essa a assinatura do amor, sei-o através dos livros que lia antigamente, antes de a medicina me ter tomado o tempo.” (p. 57)
"Um casal é a coisa mais impenetrável do mundo. Não conseguimos compreender um casal, nem mesmo quando fazemos parte dele." (p. 97)
“(…) Ser feliz é uma questão de temperamento. Não podes ser feliz no amor se não tiveres um temperamento à felicidade.” (p. 107)
“Sou uma mulher que não gosta de fotografias (nunca tiro), que não gosta de imagens, alegres ou tristes, susceptíveis de revelar uma emoção. As emoções são assustadoras. Gostaria que à medida que a vida avança tudo fosse sendo apagado.” (p. 111)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"Intempérie" de Jesús Carrasco

Não sei porque é que esta leitura me fez lembrar de "A Estrada" de Cormac McCarthy. Talvez pela involvência que rodeia os personagens principais. Não sabemos onde estamos. Algures numa zona rural sujeita a uma seca extrema, que fez abandonar os habitantes de pequenos vilarejos com que o Velho e a Criança se vão cruzando. O Velho e a Criança. Também não ficamos a saber os seus nomes. Nem deles, nem de ninguém!

O Menino foge. Fugiu de casa por razões que desconhecemos no início. E o ambiente que o cerca é hostil, agreste. A sujidade envolve-o. O medo que lhe foge pelas pernas abaixo. A fome e a sede que o devora lentamente. O Velho que lhe dá a mão, que lhe salva a vida. O Aguazil que os persegue. E o silêncio que os envolve é tão audível que nos magoa de tanto barulho que faz! Sim, porque o silêncio também pode fazer ruído...

E o relato desta história avança devagar. Os pormenores não são descurados e visualizamos tudo, como se dum filme se tratasse. O mau e o bom do ser humano. O pior e o melhor. 

Com uma escrita espectacular, que nos envolve e nos prende, este escritor maravilhou-me. Confesso que, nas primeiras páginas, ainda fiz "hum!", mas depressa devorei o livro numa tarde de domingo. O final não acaba. O livro continua muito depois de termos lido as últimas páginas.

Capa e título perfeitos. Tradução perfeita também.

Terminado em 18 de Maio de 2014

Estrelas: 5*+

Sinopse


Um rapaz fugido de casa escuta, acocorado no fundo do seu esconderijo, os gritos dos homens que o procuram. Quando o grupo passa, o que fica à sua frente é a planície infinita e árida que deverá atravessar se quiser afastar-se definitivamente daquilo que o fez fugir.

Uma noite, os seus passos cruzam-se com os de um velho pastor e, a partir desse momento, já nada será igual para nenhum dos dois. Intempérienarra a fuga de um rapaz através de um país castigado pela seca e governado pela violência. Um mundo fechado, sem nomes nem datas, no qual a moral se escapou pelo mesmo lugar por onde se sumiu a água. Nesse cenário, o menino, ainda não totalmente perdido, terá a oportunidade de se iniciar na dolorosa tarefa de julgar ou, pelo contrário, de exercer para sempre a violência que já provou.

Através de arquétipos como o rapaz, o pastor ou o aguazil, constrói um relato duro, salpicado de momentos de grande lirismo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A Convidada Escolhe: Patagónia, Patagónia Express e Últimas Notícias do Sul

Na Patagónia”, Bruce Chatwin, 1989

Patagónia Express”, Luis Sepúlveda, 1995


Últimas Notícias do Sul”, Luis Sepúlveda e Daniel Mordzinski, 2011

Depois de acabar “Na Patagónia” livro muito aclamado do jornalista inglês Bruce Chatwin, senti uma necessidade imperiosa de ir ao encontro dos dois livros do chileno Luis Sepúlveda sobre essas terras do
fim do mundo no extremo sul da América Latina.

A sensação de incompletude do livro de Chatwin ficou apaziguada com a leitura dos dois livros de Sepúlveda sobretudo porque através de retratos fantásticos de personagens que o escritor chileno nos dá a conhecer em “Últimas Notícias do Sul”, escrito 22 anos depois de “Na Patagónia”, Sepúlveda deixa-nos um gosto de nostalgia de um mundo que está a desaparecer e que nunca mais voltará a ser como era. É como que um adeus, um fechar de um ciclo, as últimas notícias de uma Patagónia transfigurada pelo neoliberalismo e que surgem através das palavras de Sepúlveda, quase a fechar o livro “Aquela viagem tinha a marca indelével das despedidas… tudo estava a mudar muito rapidamente e não para melhor.”

Mas voltando ao princípio e ao livro de Chatwin, vale a pena referir o telegrama que o jornalista do Sunday Times Magazine escreveu a demitir-se do jornal: “Fui para a Patagónia.” Aquela paixão por conhecer a Patagónia estava associada, como Chatwin refere logo no início do livro, à sua infância e a um estranho pedaço de pele de um animal pré-histórico que a avó tinha dentro de um aparador. “Na Patagónia” é o relato de uma viagem sem roteiro pré-estabelecido, a viagem de um Chatwinnómada, solitário que desce desde o Rio Negro na Argentina até Ushuaia no extremo sul do continente sul-americano, passando por cidades, povoados, estepes, rios e montanhas, ao encontro dos descendentes dos velhos imigrantes do País de Gales, dos exilados russos, de criminosos nazis, dos esconderijos de foragidos famosos como Butch Cassidy ou Sundance Kid. Sem roteiro pré-definido mas com uma bagagem que confirma aquele amplo espaço da Patagónia argentina como terra de oportunidades e do tango, marcada por histórias de bandidos, de foragidos, de exilados, de pessoas a fugir do seu passado mas também de gente com saudades de uma terra que nunca conheceram, da terra dos antepassadoscomo se da sua terra natal se tratasse. Até que um dia,nesta viagem solitária pela Patagónia, ao explorar uma gruta do milodonte ou preguiça-gigante encontrou “mechas do pêlo áspero e avermelhado que tão bem conhecia. Puxei-os com cuidado, meti-os num envelope e sentei-me, exultando de satisfação. Tinha alcançado o objectivo desta ridícula viagem.”


“Patagónia Express” – apontamentos de viagem – é o relato de diversas viagens “sem itinerário fixo” de Luis Sepúlveda. Partindo também das memórias da sua infância, e de duas promessas que fizera ao avô quando este lhe deu o livro “Assim foi temperado o Aço” de fazeruma longa viagem com “um bilhete para lado nenhum”, o autor dedica dois dos capítulos iniciais do livro a falar brevemente da sua experiência de dois anos e meio na terrível prisão de Temuco. Quebra assim a sua decisão de não tocar na sua experiência dessa obscenidade que foi a ditadura de Pinochet (uma viagem a lado nenhum) e consegue pôr o/a leitor/a rir com alguns episódios que são o testemunho da capacidade de resistir e de sobreviver na adversidade por parte dos seres humanos. A segunda parte do livro trata da viagem atribulada e sinuosa do Sepúlveda exilado, desde que sai do Chile por intervenção da Amnistia Internacional. Passando por diversos países da América Latina, sem dinheiro mas apenas com a intenção de partir para a Europa ou para África é “a viagem de ida”. “A viagem de regresso” fá-la-á Sepúlveda muitos anos mais tarde quando lhe era permitido regressar ao Chile. Foi a concretização da viagem que ele e Bruce Chatwin haviam planeado há anos num café em Barcelona, para ser feita e escrita a quatro mãos mas que agora o chileno iria fazer sozinho, apenas acompanhado dos Moleskines que Bruce lhe tinha entregado, percebendo que já não teria tempo para acompanhar o amigo chileno nessa viagem.

O último apontamento deste livro é a chegada a Martos, na Andaluzia. Trata-se de um belíssimo e emotivo encontrode Luis Sepúlveda com o tio-avô e é o cumprir da segunda promessa que fizera de um dia ir à terra natal de onde o avô emigrara para o Chile.

Por fim, “Ultimas Notícias do Sul” é um livro de pequenos episódios para saborear com as fotografias de Daniel Mordzinski e resulta de uma conversa dos dois amigos num café de Paris enquanto bebiam
um chá-mate. É uma viagem feliz à memória de uma região que eles ainda conheceram antes das mudanças violentas que a economia impõe sobre as vidas dos povos e dos países e que neste caso trouxe o fim das coisas que sempre tinham existido. Ironizando com a pseudo modernização da economia e dos países, nomeadamente através da privatização dos comboios, descobre-se que afinal os serviços não conseguem responder a uma pergunta tão simples quanto é “a que horas parte o próximo comboio para a Patagónia?” É de facto um livro delicioso e quero aqui lembrar Tano, o fabricante de violinos, ou DoñaDelia, a senhora dos milagres ou a cena com os turistas texanos cujos dólares pensam que são capazes de “chartearLa Trochita, nome carinhoso dado ao Patagónia Express, com total desrespeito pelas necessidades dos locais que têm nesse meio de transporte a única forma de tratarem dos seus problemas e de resolver as suas necessidades. Mas afinal, o dinheiro não compra tudo nem todos!

Outras leituras sobre a Patagónia certamente virão acrescentar o que me ficou da leitura destes três excelentes livros. Penso que o nosso Gonçalo Cadilhe será o próximo a ajudar-me a fazer este itinerário por essas terras do sul que, mesmo transfiguradas pelo poder do neoliberalismo, sempre deixarão intocado e inviolável o que de mais puro há nas gentes daquelas terras austrais do fim do mundo.

Almerinda Bento

Novidade Porto Editora

Os Aromas do Amor
de Dorothy Koomson

Procuro a combinação perfeita de aromas; o sabor que eras tu. Se o encontrar, sei que voltarás para mim.

Passaram-se 18 meses desde a morte de Joel, o marido de Saffron, e o culpado nunca foi descoberto.
Agora, fazendo os possíveis para lidar com a perda, Saffron decide terminar Os Aromas do Amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte.
Quando, finalmente, tudo parece ter voltado à normalidade, a filha de 14 anos de Saffron faz uma revelação chocante que abala a relação entre ambas. E, ao mesmo tempo, cartas misteriosas lançam uma nova luz sobre a morte de Joel.

Será um grande amor capaz de sobreviver à maior das perdas?

segunda-feira, 19 de maio de 2014

"A Mulher de Verde" de Arnaldur Indridason

Gosto quando me preparo para ler um polícial e ele corresponde às minhas expectativas! Preparo-me para o impacto e espero, muitas vezes impacientemente, que ele surja... Não gosto de falinhas mansas, de palavras delicadas quando o que estamos a tratar é da morte de alguém ou de saber os motivos pela qual ela morreu.

E se assim, de forma idêntica, esperam como eu, então aconselho-vos esta leitura. O autor é cru quando precisa, é descritivo quanto baste, e surpreende logo no primeiro parágrafo. Somos abanados com um acontecimento que facilmente visualizamos: uma bébé rói, contente, um osso... um osso humano. E daí desenrola-se uma trama que coloca o passado de alguns habitantes de Reiquejavique bem no centro dos acontecimentos. Com a descoberta de um corpo, enterrado junto a um casebre já quase desaparecido, é despoletada uma busca no sentido de se descobrir a quem é que pertence.

A introdução de um tema infelizmente, sempre e ainda, recorrente nas nossas sociedades, a violência doméstica, é tratado de uma forma tão autêntica no que concerne às reacções e sentimentos das vítimas que nos transporta para o meio daquela situação vivenciando-a com horror. Mas o autor não fica por aqui e são abordados outros assuntos fortes que, de igual modo, nos afectam, sobretudo pela forma como são descritos. A mestria com que temas como a toxicodepencia, o alcoolismo, o isolamento, os traumas de infância são expostos e a forma como estão intercalados com o assassinato mexe com os nossos sentimentos.

Um policial duro. Como duro é o clima da Islândia. E como isso tansparece nas pessoas.

Terminado em 17 de Maio de 2014

Esteelas: 5*


Sinopse
Há segredos que não podem ficar enterrados para sempre…

Numa encosta perto de Reiquejavique, algumas crianças brincam junto aos alicerces de uma nova casa em construção quando, de forma inesperada, encontram uma costela humana.

A mórbida descoberta leva de imediato o inspetor Erlendur e a sua equipa da polícia científica a instalarem-se no terreno, unindo esforços para desenterrar o resto do corpo secretamente sepultado e ao mesmo tempo investigar aquele estranho caso feito de contornos brutais, escondido debaixo de terra desde o período da II Guerra Mundial.

À medida que cada osso vai sendo desvendado, também a história de violência doméstica e corrupção no seio de uma família vem ao de cima, oferecendo àquele mistério sinais cada vez mais tenebrosos de que o terror pode ser coisa de gente comum.

O caso exige toda a coragem que o inspetor Erlendur possa encontrar em si, ele que, assistindo à morte lenta da própria filha toxicodependente, que depois de abortar entra num coma profundo, não pode evitar confrontar-se com as responsabilidades de ter levado, também ele, a sua família a uma degradação quase completa.


domingo, 18 de maio de 2014

Ao Domingo com... Manuela Inês Nabais

Se alguém me pergunta quando comecei a escrever não sei responder.

A escrita para mim começou nas histórias que inventava e que depois adaptava às brincadeiras que, sendo filha única, partilhava com amigos imaginários.

Sim, se me perguntassem diria que foi aí que a paixão e a escrita tal como a entendo começou.

Para os mais puristas, os que acham que escrever é alinhar caracteres e letras de modo a fazerem algum ( nem que mínimo!) sentido, então direi que o meu primeiro conto foi publicado, teria eu talvez doze anos, no jornal regional.

Nessa altura vivia em Oliveira de Azeméis, depois de ter andado qual saltimbanco, por todo o país à custa da profissão do meu pai que era  ( “é” – corrigir-me-ia ele . “ Um militar nunca deixa de ser militar!”) oficial da GNR.

Calhou-me em sorte  ter nascido em Lisboa , no bairro de Campo de Ourique, corria a Primavera de 1962.

Campo de Ourique era uma pequena aldeia no meio da cidade onde todos se conheciam e onde era possível ( e tão bom!!) brincar na rua até à hora do jantar.

A profissão do meu pai deu-me uma ténue luz política desde muito cedo. Recordo que tinha um diário onde escrevi aquando da publicação do livro do General Spínola “ Portugal e o Futuro” o seguinte comentário. “ A este homem ou o matam ou o fazem presidente .“ Devia ter talvez dez anos, o que faz de mim uma pequena precoce!!!

CONTRABANDO, MINÉRIO, 
TOIROS, AMORES PROIBIDOS... 
TUDO NUMA TERRA QUE TODOS ESQUECERAM.
Voltei a Lisboa no alto dos meus adultos 18 anos para estudar Comunicação Social . O meu pai tinha-me dado toda a liberdade para escolher o curso que quisesse “ desde que seja Medicina ou Direito “. Resultado: aterrei, ou melhor apeei-me na capital apenas com a renda paga, as propinas e o passe. O resto “ desenrasca-te!”.
Foi o que fiz . Que remédio! O dinheiro que a minha mãe, doméstica como se impunha, conseguia desviar para que eu não passasse fome( -“ minha rica filha!”- ) era sempre curto!!

Entrei como estagiária no Correio da Manhã, cantei em bares, passei (- fugazmente - ) pelo O Jornal, dediquei-me às agências de publicidade, que pagavam melhor, e lá conclui a licenciatura.

A escrita ficou na gaveta. Mas jamais seria para a gaveta porque essa não sabe ler nem me iria fazer críticas!
Apaixonei-me, casei e rumei à província. Aí comecei a escrever para jornais regionais e para o Primeiro de Janeiro. Assinava duas colunas. “Agridoce” –de carácter político e  “ Mil-folhas” de crítica literária.

Mas a escrita, aquela com que sonhava , as histórias que me assaltavam, estavam lá a aguardar.

Uma delas impunha-se-me como um karma, quase uma maldição: a história da minha avó, mulher raiana que desafiara tudo e todos e se tornara chefe dum grupo de contrabandistas. Mas mais que essa , chamemos-lhe biografia, havia toda a história daquela aldeia, esquecida de todos, sobrevivendo ao tempo, às guerras, à fome, ao desaparecimento.  
Desde sempre teve título: Chamar-se-ia TERRA DE NINGUÉM e levou anos a ver a luz do dia.

UM LIVRO DE MULHERES
PARA MULHERES. E PARA OS HOMENS
QUE AS SABEM AMAR

Antes quis fazer um pequeno exercício, algo simples , uma história de mulheres para mulheres e para os homens que as sabem amar. Uma história de amizade madura e forte que contraria a ideia que “- mulher não é amiga. É concorrente.

Nasceu assim o “ NÃO HÁ AMORES PERFEITOS “.
Mas era o TERRA que me preenchia os sonhos. Seria eu capaz de agarrar a alma raiana pelos cornos tal como o fazem aqueles homens ( e algumas mulheres. Sim!!!) nas garraiadas de Santo António?

Perdoem-me a imodéstia mas estou em crer que sim. 

O livro, dedicado aos meus pais e à memória de Teresa Afonso, minha avó, que nunca entrou numa sala de aula mas que aprendeu, do lado de fora da janela da escola , a ler e a escrever, que sempre disse que um dia escreveria um livro sobre a saga daqueles tempos de pobreza numa terra de ninguém, pretende ser uma homenagem ao povo raiano e uma viagem no tempo desde o final da monarquia até ao início da Segunda Grande Guerra.

O contrabando, o minério e um amor proibido espalham-se pelas páginas deste livro.

Não sei se defraudei aquela mulher que, com 14 anos apenas, criou sozinha  4 irmãos. 

Não sei se fiz jus à força daquela gente, ao seu passado e ao seu presente. Esse veredicto deixo-o aos leitores.

Eu estou em paz! Agora posso abraçar um novo projecto que já me ocupa as mãos e o espírito.
Quem sabe em breve não vos falarei dele…?

Manuela Inês Nabais