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domingo, 20 de julho de 2014

Ao Domingo com... António Martins

Nasci à beira do Dão, rio que beija o Mondego junto à Aguieira. Corria o ano de 1971 numa aldeia vinhateira e rodeada de muralhas de pinho, perfumado por rosas em maio e abundante de milho em Agosto.
Cresci ouvindo as histórias de vida dos meus avós. Os paternos contavam a sua odisseia desde os confins do distrito da Guarda, junto à raia, até ao sul do distrito de Viseu. Os maternos falavam entusiasticamente dos tempos em que moravam mesmo `abeira do rio. Também recordavam  os tempos “da velha senhora” e assustavam-me com as histórias de bruas, de lobisomens e de aparições nas encruzilhadas ao meio-dia e à meia-noite.
Depois havia a magia do trabalho do campo: a lavra, a sementeira, a rega do milho, a desfolhada, as ceifas, a vindima…  E as festas: S. Sebastião, S. Miguel, os Santos populares, a matança do porco. E havia os trabalhadores com as suas alcunhas: o “Gigante”, o “Viúvo”, o “Mudo”,  o “Ti Fonsito”, o “Sábado”, etc. Recordo o seu cheiro a suor, a tabaco e a bebida. Recordo que me chamavam “Tonito” e me contavam histórias da transumância na Serra do Montemuro, das ceifas no Alentejo, da Guerra em Angola e na Guiné e dos portugueses que tinham emigrado para a América e o Brasil.
Desde cedo estas histórias povoaram a minha imaginação, alimentada, também, pelos livros que lia enqunato guardava as ovelhas do meu avô. O meu santuário era a carinha da Biblioteca Intenerante da Fundação Gulbenkian. Requisitava em meu nome e no dos meus amigos que preferiam roubar fruta ou jogar às escondidas. 
A escola era o meu mundo. Tinha boas notas mas jogava muito mal futebol e não tinha jeito para falar com as raparigas. Escrevia histórias e lia-as às ovelhas,à galinhas, à minha cadela Lili. Todos achavam que eu era meio tolo…
Este tolo teve sempre sede de livros, de cultura e didática. 
Casei em Lamego. Fiz a viagem do Dão para o Douro, do Caramulo para as Meadas, do vinho morangueiro para o vinho cheirante de Lamego. Dos sonhos e das escritas imberbes da infância e adolescência, passei à escrita estruturada. Comecei na poesia com o livro “No meu rio - sonhos e poemas” (2001). Das minhas vivências por terras durienses e beirãs nasce a minha escrita ficcional presente em várias coletâneas de contos. Inspirei-me em Ardínia, lendária princesa moura que assombra as noites de Lamego, nos mitos da Antiga Grécia, no trabalhador da vinha do Douro, no emigrante em agonia de saudade…

Mais recentemente apaixonei-me pela Literatura do Fantástico e pelas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa. Em 2008 publiquei um ensaio sobre as potencialidades de leitura em alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico da produção contista de Mia Couto. Neste momento, este livro encontra-se esgotado na sua primeira edição. Espero a oportunidade de uma nova editora para o republicar.
Neste momento da minha vida intelectual tenho vários polos de ação/interesse/trabalho:

  • Literaturas Africanas em Língua Portuguesa;
  • Literatura brasileira
  • Literatura galega 
  • Literaturas do fantástico;
  • Ensino da temática do Holocausto;
  • Revisão de livros.
  • Encontros Literários.


No meu baú tenho mais de 500 poemas e algumas dezenas de contos para publicar e estou a escrever o meu primeiro… romance.

António Martins

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