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sábado, 31 de agosto de 2013

A convidada escolhe... Três Verões

O que nos faz gostar de um livro? O que nos faz lê-lo até ao fim? 
Várias são as respostas possíveis, para mim neste caso, a escrita fluente, a proximidade e a pertinência de certas situações, a mestria da autora em manter o/a leitor/a ligado/a, mas também as referências às cidades ou locais onde a acção se passa, a presença da natureza, a riqueza e complexidade das diversas personagens deste livro com cerca de cinco centenas de páginas.

Os temas da morte, da “última morada”, da homossexualidade, da eutanásia, dos primeiros anos do surgimento da sida, da fertilidade ou da sua ausência, da inseminação artificial, o dar a vida e também o dar a morte, a solidariedade, a gravidez desejada e o aborto surgem ao longo do romance e colocam às personagens e ao/à leitor/a perplexidades, dúvidas e a necessidade de fazer escolhas. Foi tudo isto que me fez ficar ligada a este livro que uma amiga me havia emprestado há já algum tempo.  
A acção desenvolve-se ao longo de três períodos diferentes, nos meses de Junho de 1989, 1995 e 1999. Na primeira parte, Paul McLeod na condição de recém-viúvo, parte numa excursão até à Grécia e às suas famosas ilhas. Mas é sobretudo através dele e das suas memórias, enquanto narrador, que entramos na sua vida na Escócia, casado com uma mulher independente, criadora e treinadora de cães pastores (collies) e pai de três rapazes. Mas a Grécia e sobretudo a ilha de Naxos fascinaram-no de tal modo que passou a ser local de posteriores viagens de férias, tendo acabado por aí falecer num desses verões.
O reencontro dos três filhos – Fenno e os gémeos David e Dennis - na Escócia, na segunda parte do livro, por ocasião da morte e funeral do pai, desvenda as personalidades das personagens e das famílias que entretanto se constituíram e é o ponto de partida para o enredo do livro. Fenno, o mais velho, há anos a residir em Nova York, homossexual, é o narrador e também a personagem central e mais marcante em todo o livro, a quem são colocados os desafios mais difíceis, desde ajudar o seu amigo Mal a morrer, até ser dador de esperma que permita a gravidez da mulher do seu irmão David. 
Embora a estrutura do romance seja feita de cenas e capítulos que decorrem em momentos diferentes, em que somos levados a andar para a frente e para trás no tempo, a leitura é um puzzle que encaixa na perfeição. Para além dos temas tão actuais a que me referi anteriormente, a autora consegue transmitir-nos o seu amor pela natureza e ao nomear as flores das paisagens da Escócia – peónias, dedaleiras, íris, lilases, rosas, alfazema, gardénias, jacintos – é toda uma sinfonia de cheiros, de perfumes, de cores, um convite à leitura deste livro com todos os sentidos. Quase no final, o remate perfeito com a referência a “A Pastoral” de Beethoven. 
Termino com a indicação de que este livro foi o vencedor do National Book Award.

Almerinda Bento

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um Livro Numa Frase



"... ninguém é culpado ou vítima. Ninguém nunca, em tempo algum, é só uma das coisas, e quem vê só as faltas que outros lhe infligiram, é porque não tem humildade para reconhecer todas as outras vezes em que as suas próprias faltas prejudicaram os outros."

In pág 276, "D. Teresa de Távora, a amante do rei" de Sara Rodi

Frase escolhida por Cris

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"D. Teresa de Távora, a Amante do Rei" de Sara Rodi

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896264826


É na voz de D.Teresa que Sara Rodi nos remete para o séc. XVIII, mais propriamente para os anos de 1738 e seguintes, passando pelos sangrentos 1755 (Terramoto de Lisboa) e 1759 (todo o processo dos Távora que culminou com a execução daquela família).

Quem nos fala não é uma mulher perfeita e tem consciência disso. Questiona as suas atitudes, interroga-se sobre aquilo que quer, comete erros e reflete sobre eles. D.Teresa, em jeito de confidência, conta-nos os seus segredos e as suas preocupações, sentindo-se um mero peão em jogos de poder que a ultrapassam completamente. Ama livremente numa época em que isso não é bem visto: as mulheres vêem-na como uma rameira e sentem medo dela; os homens, cobiçam-na.

Mas Teresa questiona também o papel da mulher na sociedade, prometida que estava, desde que nasceu, a seu sobrinho Luís Bernardo. Questiona a fé e o papel da Igreja, as profecias que justificavam os grandes desastres da natureza, como foi o terramoto, através dos pecados cometidos pelos homens.

Este tom intimista, que a autora soube tão bem reproduzir, revela uma imaginação surpreendente tanto mais que só se conhecem os traços gerais da vida de D. Teresa. O que achei espectacular ao fazer esta leitura foi o conseguir aperceber-me quais os factos verídicos que estão por detrás desta história e quais os que saíram da imaginação de Sara Rodi, sem que isso viesse a desfavorecer esta estória. Bem pelo contrário!

Retratar D.Teresa foi, sem dúvida um desafio superado com mestria. As suas ideias revolucionárias e complexas para a época mas também algo ingénuas foram soberbamente postas no papel e levam-nos a criar uma certa empatia com o seu sentir, o seu viver e o seu sofrer!

A capa traduz na perfeição o interior deste livro. Bela, sensual e algo indomável, Teresa de Távora foi alguém que pensava para mais além do que era permitido às mulheres... A autora soube introduzir neste carácter rebelde algumas questões filosóficas como o livre-arbítrio e a predestinação, enriquecendo o romance e tornando-o mais interessante para o leitor.

Recomendo esta leitura, sobretudo para aqueles que gostam de um bom romance histórico!

Terminado em 26 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*+

Sinopse

Quando Lisboa tremeu por debaixo dos seus pés, D. Teresa de Távora recordou cada uma das palavras premonitórias que o padre Malagrida lhe escrevera. Cada grito desesperado que ouvia nas ruas destruídas da cidade eram a prova de que era ela a causadora de toda aquela desgraça. Os seus atos pecaminosos. A sua beleza, a sua sensualidade, o adultério vergonhoso que envolvia a sua relação amorosa com o rei de Portugal… Depois do sucesso de D. Estefânia, Um trágico amor, Sara Rodi regressa à escrita para nos contar a extraordinária história de D. Teresa de Távora a amante do rei D. José I. Narrado na primeira pessoa e baseado numa minuciosa pesquisa, somos levados a conhecer a vida desta mulher que viveu no século XVIII. Um século marcado pelo trágico terramoto de Lisboa, a ascensão ao poder de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, e o sangrento processo dos Távora. Nesse fatídico dia de 13 de janeiro de 1759, D. Teresa viu morrer no cadafalso o seu marido Luís Bernardo, o irmão, o sogro, a sogra D. Leonor, cunhados e sobrinhos. Perdeu o nome Távora, arrancado da toponímia e dos brasões, manchado pela vergonha para todo o sempre, e perdeu a liberdade por que tanto havia lutado. D. Teresa de Távora não foi casta. Não praticou grandes obras. Não foi uma esposa fiel. Foi apenas mulher. E esta é a sua história.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"O Livro do Anjo" de Alfredo Colitto

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 296
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789897240744

Temos, algumas vezes, livros na prateleira à espera de serem lidos que são verdadeiras pérolas! Quando comecei a leitura deste livro de Colitto não me apercebi, logo nas primeiras páginas, o quando ele poderia ser interessante...

Só achei, em seu desprimor, que ele poderia ser maior pois o enredo permitiria isso mesmo: umas quantas páginas mais para que pudéssemos degustar ainda melhor o ambiente vivido, tão bem descrito pelo autor. Veneza, 1313. É a partir do aparecimento dos cadáveres de três crianças à porta da Basílica de S. Marcos que tudo tem o seu começo.

O enredo, repleto de mistério e acção, leva-nos ao interior de uma Veneza que se rege por princípios bem diferentes dos actualmente em vigor. Perseguições e acusações a judeus feitas pelos mais poderosos da cidade, prisões e torturas com o objectivo de camuflar interesses pessoais, mortes, suicídios, enigmas, intrigas políticas, amores alguns correspondidos, outros nem tanto... Todo um ambiente medieval que gostei muito de pertencer durante este período de leitura. Deixar-me-ia prender por mais umas páginas, certamente!

Os personagens são cativantes. Possuindo personalidades diferentes, eles mergulham num mistério que nos empolga e prende. A solução do enigma passa pela descodificação de uma frase deixada por um judeu condenado à morte e acusado do assassinato das três crianças. Mondino de Liuzzi, médico anatomista, Adia, alquimista árabe e Gerardo, ex-membro da Ordem dos Templários vêm-se a braços com algo que lhes faz perigar a vida!

Um thriller histórico que me deu muito prazer de ler com uma contextualizacão dos ambientes e descrições rigorosas, nada cansativas, de uma Veneza medieval que me levou a viajar por outros tempos! Recomendo!

Terminado em 23 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Veneza, 1313. Três crianças são encontradas mortas à porta da Basílica de São Marcos. Os judeus são imediatamente suspeitos: diz-se que bebem o sangue das crianças cristãs para se pacificarem pelo facto de terem morto o Messias.
Na cela onde foi encarcerado e onde acaba por morrer acusado do homicídio das crianças, o judeu Eleazar deixa escrita uma misteriosa frase em latim que pode ajudar a explicar a macabra descoberta. Porque a terá escrito com o seu próprio sangue? Qual o seu significado?
Mondino de Liuzzi, médico anatomista, desafiando o poder de Veneza e arriscando a própria vida, terá de descobrir o enigma de uma antiga linhagem de guardiães que remonta aos tempos do dilúvio para poder ilibar o judeu e decifrar o enigma por detrás destas mortes.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 424
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789897260711

Há romances que nos surpreendem porque inesperados. Outros há que a surpresa não é tão forte porque esperamos da autora algo no género. Com esta leitura aconteceu isso. Quem conhece a escrita de Anna McPartlin, sabe que ela é tal forma absorvente que ficamos rendidos com as suas estórias, envolvidos de tal forma nos temas tratados e nos personagens que vemos avançar as páginas sem darmos conta disso.

Já li dela "Estarás sempre comigo" e "Sempre que dizemos adeus" e a sensação final, quando terminei estes livros, é a mesma: a certeza que quando publicarem mais livros desta escritora eu vou querer ler.

Mesmo não estando ligados a um contexto histórico específico e nem se possam considerar romances de época - os meus preferidos - os romances desta autora têm pela sua escrita forte e sugestiva, um poder quase hipnótico sobre nós. É um romance leve, é certo, mas que nos envolve, nos faz rir e (quase!) chorar. Estão presentes temas que nos prendem como a violência doméstica e psicológica, as amizades profundas de infância que são reactivadas ao fim de muitos anos, os segredos que ficam por contar e que alteram o futuro daqueles que estão envolvidos, a vida que muitas vezes desperdiçamos sem querer...

Histórias cativantes estas!

Terminado em 21 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Eva e Lily eram as melhores amigas desde a infância. Porém, uma discussão enorme e dezassete anos mais tarde, Eva acorda de um acidente horrível e encontra a sua velha amiga a cuidar dela.
De início, o reencontro é feito a medo, mas durante os muitos meses de Eva no hospital, as amigas enfrentam tanto as mentiras do passado como as suas falhas presentes. E cada uma vê claramente como a outra precisa de mudar a sua vida: Lily deve sair de um casamento impossível e Eva tem de enfrentar a dor que causou a outros.
 A crise que reuniu Eva e Lily parece uma bênção que lhes deu uma segunda oportunidade para se apoiarem quando mais precisam de um ombro amigo. Mal sabem elas que a sua amizade está sob uma ameaça que irá mudar o futuro para sempre...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Em Defesa de Jacob" de William Landay

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 392
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896264895

Esta leitura veio em boa hora! Já há algum tempo que não lia algo parecido, com uma boa dose de mistério e suspense. Gostei da forma como o autor intercalou o presente com uns laivos de um futuro que não tomamos consciência logo de início. Quando nos apercebemos disso, o presente passa a passado e o futuro passa a presente... Parece complicado, ah?

Não o é, de facto! Tudo começa com a morte de um adolescente. Assassinado. Um colega, Jacob, é acusado de o ter deliberadamente morto. O livro é o relato feito por seu pai, procurador adjunto, contando o que aconteceu, a sua busca da verdade, acreditando sempre na inocência de seu filho, embora algumas provas evidenciem o contrário. Esse relato, escrito na primeira pessoa, mostra-nos a angústia e o desespero por que passou, como conseguiu aguentar as idas ao tribunal, a condenação dos amigos, conhecidos e desconhecidos. E como o amor de pai consegue apagar pequenos indícios, pequenas dúvidas e defender a sua cria independentemente da razão. Vemos este pai nas suas diferentes facetas: como profissional competente, como marido apaixonado, como filho de alguém que odeia, como pai de alguém que protege a todo o custo. Não podemos ficar indiferentes à sua dor, às suas dúvidas e às suas decisões. Ele é alguém que procura desesperadamente a verdade mas que desespera quando a vislumbra e que, como pai, não a aceita.

Para além disso, apercebemo-nos que ele próprio está a ser interrogado como testemunha de um processo que não sabemos bem qual é... É o "futuro" que vos falei anteriormente e que lentamente é introduzido na narrativa.

Embora nos prenda durante quase todas as páginas, pois vamo-nos apercebendo de pequenos indícios aqui e ali que nos causam ligeiras dúvidas e interrogações, este livro possui um desfecho inesperado, surpreendente! Quando pensamos que estamos quase nas últimas páginas e que o final já nos foi apresentado, eis que somos surpreendidos, terminando em beleza esta leitura! Um thriller psicológico intenso que nos deixa indecisos, sem saber quem queremos apoiar, se a justiça ou o amor cego de um pai por um filho acusado da assassínio.

Recomendo para todos aqueles que gostem de um bom thriller!

Terminado em 18 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Andy Barber é procurador-geral adjunto num pequeno condado no subúrbio de Massachusetts há mais de vinte anos. Bem-sucedido, é respeitado na sua comunidade como um advogado sério, obstinado e um homem de família feliz, junto da sua mulher Laurie e do filho Jacob. Mas tudo muda quando um crime chocante abala a pequena cidade de Nova Inglaterra. Um jovem de 14 anos é encontrado morto no bosque junto da casa de Barber que naturalmente assume a investigação do caso. Contudo o advogado não estava preparado para o que viria a acontecer: o seu filho Jacob é acusado de ser o assassino. É preciso proteger Jacob que garante ao pai a sua inocência. Andy acredita nele. Tem de acreditar. Mas à medida que o julgamento ganha intensidade, com a descoberta de novos factos e revelações chocantes, que demostram como um pai sabe tão pouco acerca do seu filho, com a ameaça de um casamento prestes a ruir, Andy Barber vai enfrentar o seu próprio julgamento. Inicia então uma luta entre a lealdade e a justiça, entre a verdade e a alegação, entre um passado que tenta enterrar a todo o custo e um futuro que não consegue conceber. Este livro, aclamado pela crítica como o livro do ano, está recheado de mistério e suspense, fala-nos de culpa, traição, de amor incondicional e da forma como a nossa vida pode, num segundo, sair do nosso controlo, para nunca mais voltar a ser igual ao que era…

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Segredos Submersos" de Hannah Richell

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 416
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722633819

Um livro que tive muito gosto em ler. Pegando num acidente que acabou na morte do membro mais novo de uma família, a autora explora com mestria sentimentos resultantes da perda, como a culpa e o remorso. Saber como continuar a viver a vida aproveitando aquilo que ela ainda tem para oferecer a quem perdeu alguém muito querido.

Para além disso, o livro mantém todo o nosso interesse quando dá saltos temporais de aproximadamente dez anos sem que nos percamos na história. O "antes" e o "depois" bem delineados e com segredos por desvendar, aumentam o suspense de uma forma significativa. A escrita da autora ajuda nesse aspecto já que é bastante atrativa e simples. Envolvemo-nos na história, sentimos a dor dos personagens, torcemos pelo seu futuro. Como se quer de um livro.

Terminado em 14 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Os Tides são uma família com segredos sombrios. Marcados pelos acontecimentos de um dia trágico, há dez anos, cada um deles, à sua maneira, tenta seguir com a sua vida.
Dora, a filha mais nova, vive num armazém degradado no East End com o seu namorado artista, Dan. Está a conseguir levar uma vida calma - mas quando descobre que está grávida, a notícia deixa-a abalada e leva-a a recordar uma culpa de longa data. Ao voltar a Clifftops, a casa da família situada no alto da costa de Dorset, Dora tem de enfrentar o seu passado. Clifftops não mudou nos últimos anos e, ao percorrer as suas divisões e jardins, Dora ainda consegue sentir o eco daquele terrível dia de verão em que a vida dos Tides mudou para sempre. Quando Dora começa a procurar pistas dos acontecimentos daquele dia fatídico, dá-se conta de que o caminho para a redenção pode estar na sua irmã problemática, Cassie. Se Dora conseguir arrancar a Cassie os segredos que ela jurou levar consigo para o túmulo, talvez consiga a redenção. Mas será que segredos antigos podem realmente ser perdoados? E mesmo que se consiga perdoar e esquecer, como é que nos permitimos amar de novo?

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Novidades Clube do Autor

Noites Brancas
de Fiódor Dostoiévski
(prefácio de Margarida Rebelo Pinto)
Numa noite luminosa, numa ponte sobre o rio Neva, um jovem sonhador depara-se com uma mulher em lágrimas. Petersburgo está mergulhada em mais uma das suas noites brancas, um fenómeno que faz as noites parecerem tão claras quanto os dias e que confere à cidade a atmosfera onírica ideal para o encontro entre essas duas almas perdidas.
Ao longo de quatro noites, o tímido jovem e a ingénua rapariga estabelecem laços intensos, mas o desenrolar romântico deste fugaz encontro pode estar ameaçado… Mas será isso realmente o mais importante? 
Meu Deus! Um momento de felicidade! Sim! Não será isso o bastante para preencher uma vida?


Quinta-feira no Parque
de Hilary Boyd
Numa quinta-feira, Jeanie conhece Ray no parque e, aos poucos, vão cimentando uma amizade tranquila. Conversam, riem-se, partilham esperanças e segredos, e até desgostos de amor. Oferecem um ao outro uma nova oportunidade na vida e no amor, mas será que vão ter coragem de a agarrar?



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"Ainda Alice" de Lisa Genova

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 320
Editor: Caderno
ISBN: 9789892304014
Coleção: Cadernos de Sempre

Brutal este livro! Uma leitura que, em certas páginas, nos tira o fôlego de tão intensa e verdadeira que parece ser.

À personagem principal foi diagnosticada Alzheimer. Tem apenas 50 anos. A sua actividade profissional é muito intensa. Professora em Havard, a sua vida gira à volta de aulas, palestras e conferências por todo o mundo. Casada com três filhos maiores. E um dia... BUM! Tudo acaba, tudo se desmorona! Toda uma vida que, aos poucos, ela vai esquecendo.

Primeiro são pequenos lapsos de memória. Pequenas situações a que ela dá a volta, ou pensa dar. A sua percepção do que está a acontecer impressiona-nos, faz-nos dor, faz-nos doer. Sobretudo quando já não se trata de uma palavra esquecida, de um objecto perdido... A dor que ela sente quando se perde na sua própria casa, quando se esquece do nome de um filho, quando já não sabe quem é o marido, é tão real e está tão bem descrita que a sentimos como nossa e nos comovemos. Porque ela sente que está a caminhar para um sítio desconhecido e sente medo do dia em que já nem a sua cara ao espelho irá reconhecer...

A escrita de Lisa Genova é poderosa, forte e consegue descrever com muito realismo situações verdadeiramente constrangedoras e aflitivas. Faz-nos pensar, repensar nesta doença onde a demência toma conta da vontade, das memórias de toda uma vida.

Recomendo vivamente esta leitura! Nota máxima!

Terminado em 10 de Agosto de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse

O mundo de Alice é perfeito. Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir.
Seguem-se as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer.
Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"O Impostor" de Damon Galgut


Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Alfaguara Portugal
ISBN: 9789896721756

Este livro, embora possua aspectos que despertaram o meu interesse, outros houve que não me cativaram totalmente. Fiquei indecisa ao formular esta opinião.

Pareceu-me que o autor conseguiu entrar bem dentro do personagem principal, um homem da classe média que, ao perder o seu emprego, decide encontrar o poeta que pensa ter dentro de si e isolar-se. Um pouco inocentemente vê-se envolvido com o sub-mundo que vigora na Africa do sul, pós Apartheid, quando reata uma amizade dos seus tempos de infância.

Um aspecto que achei bem conseguido foi o título. O impostor, ou diria melhor, os impostores... Os personagens assumem diferentes papéis que os tornam todos eles pequenos ou grandes impostores. Todos escondem algo, todos representam perante alguém um personagem, todos escondem algo ou alguma coisa. 

Achei a escrita do autor muito equilibrada, linear, mas sem os picos de emoção que tanto gosto num livro. Mas já li opiniões muito favoráveis e que eu considero bastante pelo que é um livro a revisitar mais tarde. Isto porque um livro nunca nos dá a mesma leitura duas vezes...

Terminado em 6 de Agosto de 2013

Estrelas: 4*-

Sinopse

Na sociedade do pós-apartheid, Adam perde o emprego e vê-se forçado a deixar Joanesburgo e mudar-se para uma casa abandonada nos limites da cidade. Aí, no meio da savana, entre a depressão e a embriaguez, tenta encontrar na literatura um novo caminho. Mas, afinal, encontra Canning, um homem que diz que Adam lhe salvou a vida nos tempos de escola. Adam não se recorda de Canning mas decide entrar no jogo, seduzido por tudo o que Canning tem: uma grande fortuna herdada do pai e uma bela e enigmática mulher, por quem se sente perigosamente atraído.
Na extravagante mansão de Canning e Baby, um local mágico e fantástico, Adam é arrastado para uma estranha relação a três, que o transforma irremediavelmente.
Este magnífico romance evoca uma sociedade em permanente mudança pelas forças do dinheiro e do poder, um mundo cruel e claustrofóbico, carregado de dilemas morais, onde o sexo, a morte e a traição formam uma teia em perigo iminente de explosão.
Duas vezes finalista do Man Booker Prize, Damon Galgut é uma voz incontornável da literatura sul-africana.

sábado, 10 de agosto de 2013

Um Livro Numa Frase



"Os sonhos que o ajudavam a viajar para longe na descoberta de novos territórios estavam dentro dos livros. Neles encontrou um mundo novo, onde a solidão e o desespero se transformavam em alegria e música."

In "Bordel Português" de Nelson Quntino, pág. 57
Frase escolhida por Cris

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Novidade Europa-América

A Divina Comédia - O Inferno
de Dante
(Versão em prosa. Texto integral anotado)
A mais extraordinária criação daquele que foi o maior poeta italiano de todos os tempos e um dos espíritos mais brilhantes de que a Humanidade se pode orgulhar.
«Pelo seu carácter ardente e reflectido, pela sua imaginação criadora e visionária e pelo seu profundo realismo, pelo equilíbrio entre o sentimento religioso e o sentimento cívico e político, pela sua altivez indomável, Dante é um dos espíritos mais completos e mais universais de todos os tempos.»
«Foi sobretudo em O Inferno que Dante soube dar livre curso à sua imaginação descritiva.»

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

E se publicassem este?

O órfão de Hitler narra a luta de um menino por seus ideais. Uma história comovente e humana.
Piotr Bruck era apenas um menino polonês quando os nazistas mataram seus pais e invadiram seu país. Seu destino parecia traçado: acabaria num orfanato e depois seria um trabalhador escravo. Mas seus olhos azuis, cabelo loiro, pele clara e estatura faziam dele um exemplo da raça pura, um modelo para a Juventude Hitlerista. Então, os alemães o entregaram a uma família nazista... O que seus olhos vivenciaram o transformaria para sempre. Afinal, ele deveria ou não lutar pela humanidade? De qual lado deveria estar? Uma escolha difícil que faz desse livro um romance arrebatador.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"Bordel Português" de Nelson Quintino

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 344
Editor: Divina Comédia
ISBN: 9789898633026

Creio que a este livro ninguém pode ficar indiferente! Não é de todo o meu tipo de leitura favorita (gosto muito de casos verídicos e romances históricos), nem sequer uma leitura que escolhesse pela capa ou pela sinopse. Amigos leram, disseram bem e peguei nele.

O tipo de escrita do autor é de tal forma sui-generis que nos encantamos pelas personagens logo ao fim de algumas páginas. Desconcertante, imaginativo, irónico e com um humor tal que não conseguimos deixar de rir. Mais, olhamos em volta para verificarmos se alguém está a olhar para nós e a achar que somos tolinhos!

Os nomes das personagens são engraçadíssimos e não poderiam, de forma alguma, ser outros. Estão perfeitos e são uma caricatura do belo português que por aí vemos. A sua caracterização, feita lentamente com o decorrer da páginas e com os pontos todos nos "is", misturada com o humor desta escrita, dão ritmo à narrativa tornando-a muito dinâmica e divertida. Sobretudo isso: divertida!

O uso de palavrões não é inusitado. Estão lá porque é aí o seu lugar. Não choca. Pertencem à história, conferindo-lhe autenticidade.

Se bem que esperasse outro final, gostei muito desta leitura. Voltei a trás muitas vezes para reler algumas frases que considerei hilariantes! Muito bom! E o pior é que retrata, em muitos aspectos, a realidade portuguesa dos dias que correm... Tomara que fosse só ficção!!!

Terminado em 4 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Henrique H queria encontrar Deus.
Desempregado em nome coletivo, ex-forcado amador, batoteiro profissional especializado em perder e pagar depois, agente de cobranças difíceis, contrabandista de rebuçados de fruta e chupa-chupas, vendedor de tristezas alheias nas horas vagas, taxista de fim de semana sem carta de condução, Henrique pretendia abandonar de uma vez por todas as azáfamas da má vida.
Com um registo literário semelhante aos primeiros romances de António Lobo Antunes, Bordel Português é o retrato de uma Lisboa atual, mas castiça, com personagens tão coloridas como as de Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal. Um livro que não se consegue parar de ler!

domingo, 4 de agosto de 2013

Férias Chegando




No mês de Agosto o blogue vai estar em modo lento. Colocarei somente algumas opiniões. Tudo o resto vai de FÉRIAS!!!!

Boas férias para todos vocês!

Cris

sábado, 3 de agosto de 2013

Na minha caixa de correio

Fui à Feira da Ladra. Vim de lá com os três primeiros livros. Já estavam na minha lista há algum tempo...
Em defesa de Jacob foi uma simpatia Esfera dos Livros. Leitura para as férias que aí vêm...
Sem fim à vista, comprado no Continente com desconto directo. Gosto muito da escrita da Raquel!
Segredos submersos, empréstimo do SdLivros.
O peso da fama veio dos passatempos do JN.
Nora Roberts e Branca como a neve, comprados nas revistas que por aí circulam...
O meu cão e eu, simpatia da Esfera dos Livros. O meu filho vai adorar lê-lo também. Ter um cão é um sonho quase de nascença!!!!

  
   
  

Um Livro Numa Frase



"O sofrimento profundo não tem rosto."

In "Livre" de Cheryl Strayed, pág. 290

Frase escolhida por: Cris

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Novidades Civilização

Sombras Passadas 
de Mark Mills
Nos confins da Riviera fica Le Rayol, um refúgio para artistas, expatriados e refugiados. Aqui, longe dos rumores de um continente prestes a entrar em guerra, Tom Nash reconstruiu a sua vida após uma tumultuosa carreira nos Serviços Secretos. Mas o seu passado não parece querer abandoná-lo. Quando um intruso tenta assassiná-lo durante a noite, Tom sabe que é apenas uma questão de tempo até tentarem de novo. Todos os seus entes mais queridos estão reunidos em Le Rayol para passar o verão, incluindo Lucy, a sua adorada afilhada. A custo, Tom começa a acreditar que um deles o terá traído. Para sobreviver, Tom tem de eliminar o seu inimigo. Mas a que preço - para si e para aqueles que ama?

Resultado do Passatempo "Livre"

Eis aqui o resultado do último passatempo realizado no blogue antes de ele "ir a banhos"!

Das 196 participações foi seleccionado o n* 174 que corresponde a:

- Paulo Saraiva de Cascais

Parabéns ao vencedor e muito obrigada a todos os participantes!

O meu obrigada, também, à editora pela sua disponibilidade.

Para mais informações sobre este livro ver Editorial Presença aqui e a minha opinião aqui!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

"Livre" de Cheryl Strayed

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 424
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722351089

Este foi um livro que me deixou a pensar. Como gosto. É um livro de viagens. De uma viagem. Uma viagem por dentro da autora e por fora também, sobre uma caminhada realizada em 1995 que começou no deserto de Mojave e terminou na Ponte dos Deuses, no rio Columbia, na fronteira do Oregon com o estado de Washington. Contada em primeira mão. 

Gostei de viajar com ela e se alturas houve que me pareceu um pouco leviano e estranho (sobretudo na forma de encarar o amor, ou deverei dizer antes, o sexo?), outras houve que consegui partilhar com ela o seu sentir e a sua maneira de encarar o mundo que a rodeava.

Para além do mais fiquei a conhecer o PCT (Pacific Crest Trail), viajei nele sem as agruras passadas pela autora! E, fiquem a saber, não foram tão poucas quanto isso! As imagens que visualizamos com a sua escrita são fabulosas e estão tão bem descritas que, quando fui procurar mais coisas aqui, não fiquei nada surpreendida com o que vi. Era precisamente isso que estava à espera de ver!

Durante 3 meses acompanhamos Cheryl Strayed no que foi a sua luta para conseguir percorrer a pé uma distância superior a 1500 km. Parte com a alma sofrida, chega com a alma revigorada e forte. Tal como o seu corpo. Mas vivemos com ela os perigos que lhe atravessam no caminho, podem crer!

Achei o seu texto imbuído de uma coragem verdadeiramente grande. Expôr a nossa vida não deve ser fácil. Porque há sempre alguém predisposto a criticar...

Gostei e recomendo! Uma leitura que me deu muito prazer!

Terminado em 30 de Julho de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Aos 26 anos, Cheryl Strayed tinha perdido tudo - o casamento, a família, a estabilidade profissional -, e a sua existência aproximava-se perigosamente do ponto de não-retorno. Sem nada a perder, Cheryl decidiu embrenhar-se sozinha na natureza selvagem, percorrendo a pé, durante três meses, mil e setecentos quilómetros do Pacific Crest Trail, desde o deserto de Mojave, ao longo da Califórnia e do Oregon, até ao estado de Washington.
Numa fusão única entre livro de memórias e narrativa de aventuras, esta obra inspiradora é um testemunho vivo da capacidade do espírito humano para superar as crises mais agudas e reinventar um sentido para a vida.

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