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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A convidada escolhe: Mister Gregory

A opinião da Fernanda é para ter em conta. Já me habituei às suas opiniões certeiras e nem me passa pela cabeça não as seguir...

"Sou, desde o primeiro romance editado em Portugal, fã incondicional de Sveva. Dela li tudo o que em português se publicou e tenho todos os seus livros. Escritora de vastíssima obra publicada em Itália, dela apenas nos chegam os títulos mais recentes e muito poucos dos mais antigos.

Mister Gregory é o seu mais recente romance. Um romance imperdível para fãs, mas também um belo romance para quem não conhece.

Pela primeira vez o personagem principal é um homem, o que não quer dizer que a trama difira muito em relação a outros em que a protagonista é uma mulher. De uma constância tranquila, Sveva é um valor seguro para passar bons e descontraídos momentos. Depois de um ou dois romances, para mim, menos conseguidos, Mister Gregory leva-nos de volta ao universo Sveva.

Em Mister Gregory vamos conhecer a história de Gregorio Caccialupi, de pobre camponês do Polesine italiano a dono de um império hoteleiro. Vivemos a sua credulidade e confiança num amigo, que o levará à ruína e acompanhamos o seu regresso à riqueza através de uma herança.

Da Itália dos anos 30, a miséria dos camponeses e a vida sob o poder do Duce até ao sonho americano, a euforia do período entre guerras e o pós-guerra nos dois continentes, aflorando a vida do braço americano da Máfia, e, sobretudo, o glamour da vida nos grandes hotéis e a construção de um império, Mister Gregory transporta-nos através do séc. XX.

Um personagem com uma história de sonho apenas possível num romance, onde os deuses parecem conspirar para a sua felicidade, uma atmosfera de encantamento pautada por fortes apontamentos sobre a realidade dos tempos que, mesmo romanceados não deixam de nos causar impacto.

Deste livro extraí três frases que considero admiráveis e que, no caso da primeira, apesar de ser proferida nos anos 40 está absolutamente actual.

“A banca é um instrumento de progresso social e civil. Quando deixa de o ser, como aconteceu connosco em 1929, a humanidade precipita-se no abismo. (…) No dia em que o dinheiro deixar de ser um instrumento de progresso social, civil e moral, o homem perderá a sua dignidade e, com ela, a vida.” (pp. 332-333)

“(…) Com essa tal sensatez, Colombo nunca teria descoberto a América, Jesus não teria andado pelo mundo a pregar o Evangelho, e eu agora seria um velho camponês do Delta, cheio de reumatismo e com as costas desfeitas. (…) A prudência é filha dela e caminha em bicos de pés, tal como o medo.” (p. 447)

“(…) Sabes, houve um tempo em que eu tive pena de muitas coisas… coisas que me faltaram… Um casamento de vestido branco, um marido por quem esperar à noite com o jantar na mesa, a travessa de massa ao domingo, alguns filhos a correr pela casa, as férias na praia, no verão… O mundo muda, mas as mulheres continuam sempre iguais.”

Um romance que aconselho para acompanhar uma bela chávena de chá numa tarde chuvosa de inverno…

Boa leitura!"

Fernanda Palmeira

1 comentário:

  1. Pronto!!! Mais um para a lista não é??
    Parabéns Fernanda, conseguiste aguçar o apetite ao pessoal!!!
    Bjs
    Teresa Carvalho

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