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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Soltas...

"O Claudino levantou-se às apalpadelas. Notei que tacteava muito os objectos e que as mãos deslizavam sobre as beiras dos móveis. Deitou a sopa na malga e o polegar metido dentro dava-lhe conta de quando estaria quase cheia. Estava pior da vista. Percebi que à falha de visão se associara uma desabituação de ver o mundo, talvez procurando outro que lhe fosse mais a contento."

"E metia-me asco o público que ria desbocado, que ria do excêntrico, ria do ridículo, ria da diferença grotesca que menoriza os seres humanos, ria em manifestação se superioridade perante as deformações e aberrações da natureza- Ria-se porque ainda se sentia a salvo de qualquer fatalidade, ria-se em forma de esconjuro para espantar o azar que lhe pudesse bater ao ferrolho e deixá-lo tão ou mais disforme que os anões."

"Aquele odor evocava-me sempre a cor verde. Não tinha dúvidas de que cheirava a verde. E recordei como os cheiros têm cor: o cheiro salgado do mar é profundamente azul,  de um azul carregado, espumoso; o cheiro terroso a esboroar-se, das searas de centeio é dum amarelo-acastanhado; assim como o cheiro da morte é o preto."

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O meu top 2010

Aqui vai a minha lista dos livros que achei melhores em 2010.
Dos 86 que li, a estes dei 5 estrelas:


1."Os cães de Babel" de Carolyn Parkhurst
2."O menino de Cabul" de Khaled Hosseini 
3."Procuro-te" de Lesley Pearce
4."O penúltimo sonho" de Angela Becerra
5."Um amigo chamado Henry" de Nuala Gardner
6."Até que o amor me encontre" de Charles Martin
7."Nunca te perdi" de Linda Howard
8."A praia da saudade" de Francisco Salgueiro
9."As cinzas de Ângela" de Frank McCourt
10."A máquina de fazer espanhóis" de Walter Hugo Mãe
11."Os pilares da Terra" de Ken Follett 
12."As cinco pessoas que encontramos no céu" de Mitch Albom
13."Rainha por nove dias - Lady Jane" de Edward Charles
14."A casa-comboio" de Raquel Ochoa
15."Um instante ao vento" de André Brink
16."O rapaz do pijama às riscas" de John Boyne
17."Meio sol amarelo" de Chimamanda Ngozi Adichie
18."O bom inverno" de João Tordo 
19."A sétima porta" de Richard Zimler
20."Livro" de José Luís Peixoto
21."Mil sóis resplandecentes" de Khaled Hosseini 
22."As fogueiras da Inquisição" de Ana Cristina Silva
23."Um mundo sem fim", 1º vol. de Ken Follett - ainda não li o 2º vol.
24."A rapariga que roubava livros" de Marcus Zusak
25."Gestos esquecidos" de Fernando José Rodrigues 
26."Os anagramas de Varsóvia" de Richard Zimler
27."Raparigas de Xangai" de Lisa See

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um amor sem tempo


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 264
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722344432
Colecção: Grandes Narrativas

Há livros que, logo nas primeiras páginas, ficamos arrebatados e apaixonados pela história. Não foi o caso deste. Custou-me a entrar, talvez porque o primeiro facto que nos é retratado me pareceu um pouco... como direi? Tolo, descabido. Assistimos à morte de vários pombos correio, mortos a tiro por alguém que não ficamos a saber quem é... Este facto é-nos relatado por Eduardo, um jovem que regressa à sua aldeia natal, ao fim de alguns anos de afastamento. 

E é através das suas palavras que vamos "entrando" aos poucos neste livro de Carlos Machado que considero muito bem escrito. Palavras cuidadas, com descrições simples e completas, mas sem serem massudas, localizando-nos no tempo com bastante cuidado e rigor histórico e onde as personagens, sobretudo Eduardo, são caracterizadas no seu aspecto interior com muita exactidão. Fiquei fascinada como  este autor me conseguiu conquistar, pois quando começo a "torcer o nariz"...

O escritor vai povoando este romance com salpicos de uma realidade que, muitos de nós, conheceu bem: o pós 25 de Abril, nos momentos altos de uma revolução, onde as ideias fervilhavam e as pessoas de mentalidades e de ideias políticas diferentes se confrontavam entre si... uns eram pró-Salazar, outros contra.

Revivemos, também, uma outra época em Portugal, durante a 2ª Guerra Mundial, onde a extracção de volfrâmio ilegal e a sua posterior venda era uma realidade, feita, muitas vezes, por indivíduos que não lhes interessava a que "lado" vendiam: era-lhes indiferente se era vendido aos "aliados" ou a Hitler. O volfrâmio era utilizado nas ligas metálicas do armamento.

O retrato psicológico das personagem, como referi, está muito bem conseguido. Eduardo surge-nos como alguém que se encontra apaixonado por uma amiga de infância mas que o medo, a vida, o tempo e a distância impedem de assumir. Como sucede na realidade, por vezes...

O mistério, a intriga estão presentes de uma forma que nos prende a atenção. Aconselho vivamente! Leiam.


P.S. Este livros foi o 1º que ganhei num passatempo! Veio direitinho da Presença. Espero que não seja o último...
Terminado em 29 de Dezembro de 2010.

Estrelas: 4*

Sinopse

Após seis anos de ausência, Eduardo regressa à aldeia onde nasceu para vender a propriedade da família, votada ao abandono desde a morte do avô. «Ia ficar pouco tempo», pensava encostado a uma árvore do carvalhal que bordejava a aldeia. Mas, subitamente, uma sucessão seca de tiros fez reverberar o ar sólido do estio e acabou com a paz daquele dia. Os famosos pombos-correio de Severino Sarmento, o homem mais poderoso da terra, tinham sido traiçoeiramente abatidos. E é, então, que se dá o reencontro de Eduardo com o seu passado e com todos aqueles que o marcaram de forma indelével. Sobretudo Mariana, a bela filha de Severino e seu grande amor. Carlos Machado, num romance apaixonante, conduz-nos através de uma trama que tem lugar nos tempos agitados do pós-25 de Abril e que nos coloca, sem moralismos, perante fraquezas e grandezas da natureza humana.

Um pouco de História


Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal encontrava-se sob o regime do Estado Novo, sob o governo de António de Oliveira Salazar. Oficialmente, Portugal declarou em 1939 a neutralidade - apesar da antiga Aliança Luso-Britânica - tendo-a mantido até ao final das hostilidades.
Salazar entendia ter Portugal pouco a ver com a política europeia, sendo a sua vocação essencialmente ultramarina, pelo que o interesse português era o de afastar-se o mais possível desse conflito.
Comercialmente, Portugal exportava produtos para os países em conflito, como açúcar, tabaco, e volfrâmio. O volfrâmio cujo preço subiu em flecha desde o início das exportações, sendo que para a Alemanha, a exportação foi interrompida em 1944 por imposição dos Aliados. Até ao final da guerra as exportações para a Alemanha foram pagas com ouro canalizado via Suíça.
Para tentar fortuna bastava não ter escrúpulos e ter, isso sim, um bom sentido da oportunidade.As terras ricas em volfrâmio eram disputadas por ingleses e alemães. O volfrâmio era o mineral que temperava o aço, tão necessário e utilizado para o material bélico.
(Retirado da Wikipédia e resumo de "A febre do ouro negro" da RTP)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Soltas...

"Na garota recaiu o desamor do pai. Abandonada pelo homem que desejaria seu, Maria Albertina repudiou o que dele restava na sua vida. Aliás, ela mesmo fora abandonada em pequenina. O ciclo refazia-se. Em Maria Isabel vingou a própria infância."

"Mas  talvez a criança servisse de descarga fácil à sua própria frustração. Quem nada tem abusa facilmente do que é seu- Por isso muitas crianças vivem até adultas em asilos ou arrastam-se de ama em ama porque as mães. que só aparecem para as visitar uma vez por ano, persistem em manter os seus direitos sobre um ser que puseam no mundo, mas pelo qual nada mais fizeram. Nem sequer renunciar a ele, de modo a permitir-lhe uma vida normal."

"De uma maneira ou de outra, todos quantos conheceram a Belinha lamentam não ter invervindo. Inconscientemente sentem-se algo culpados deste crime por omissão."

"Pune-se a mulher que mata o filho à nascença. Pune-se a mulher que abandona o recém-nascido. Mas o que se faz para dar à mulher sozinha a possibilidade de sustentar o filho pelos seus próprios meios? Que medidas se tomam para responsabilizar o homem por uma paternidade não desejada e não assumida?"

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ao nosso redor?


  • Edição: 1
  • Editor: Livraria Bertrand
  • Data de publicação: 1979

Este livro de páginas amarelecidas pelo tempo chegou-me às mãos, via BLX, recomendado já não sei por quem. Embora o título seja significativo, "Só acontece aos outros - Histórias de violência", a capa de outros tempos sugere-nos assuntos de outras épocas, que já não têm nada a ver com a nossa realidade. Mas não! A violência é um assunto contemporâneo, habitando ao nosso lado muitas vezes disfarçada, camuflada, sobretudo a violência contra os mais fracos - as mulheres e as crianças.

A acção decorre entre 1970 e 79. Foram reportagens realizadas pela jornalista Maria Antónia Palla, no semanário já desaparecido O Século Ilustrado, e que retratam casos de violência vivenciados em Portugal, tendo ficado por esclarecer muitos dos mistérios que lhes estavam subjacentes.

Podiam muito bem ter constituído o início de vários romances... Prendem-nos logo pela forma como estão escritos só que, na realidade, são pequenas-grandes histórias verídicas de violência gratuita e outras de actos irreflectidos e brutais, onde a omissão dos vizinhos está presente e contribui para a realização de vários crimes. O que nos faz perguntar: O que se esconde ao nosso lado? Será que olhamos devidamente ao nosso redor? Denunciamos ou fingimos não ver?

  • Terminado em 26 de Dezembro de 2010

Estrelas: 4*

Sinopse

Jornalista corajosa e independente, uma das mais prestigiadas da nossa imprensa, Maria Antónia Palla desde sempre se interessou pelos "casos humanos", muito especialmente aqueles que envolviam as mulheres e as crianças.
"Só acontece aos outros" reúne alguns dos muitos casos em que interveio como repórter e a sua escolha assenta em duas linhas gerais: são histórias de violência e histórias em que a violência recaiu sobre mulheres e crianças.
Contadas de uma maneira directa, como reportagens que são, não excluem, no entanto, a visão emocionada de quem, por muito que habituada à realidade, não se conforma com ela.


sábado, 25 de dezembro de 2010

O baú de Ana Matos

Escrever este post dá-me uma alegria imensa!
Vezes há, quando confrontados com uma adversidade, que não conseguimos reagir e superá-la; outras, porém, temos forças para enfrentá-la, lutando, arranjando alternativas que nos permitem encontrar novas maneiras de viver, novas formas de amar, de aceitar...
A minha cunhada é um ser humano especial!  E como Ser Especial que é, soube descobrir dentro de si, forças onde ninguém imaginava existirem e luta todos os dias com uma doença altamente incapacitante.
E vence! Porque se supera todos os dias, porque não desistiu de lutar; porque, quando tudo se vira contra ela, até o seu próprio corpo, ela CONTINUA! E os projectos não param...
A minha cunhada é um ser especial!
Explico porquê:
Desde pequena que desejava escrever um livro... Como muitos de nós, não é? Mas, agora que a busca interior se tornou mais forte, pôs mãos à obra e aqui está ele, numa edição limitada, porque privada, para nos lembrar que cruzar os braços  "não está nem aí"... Fomos presenteados, ontem, com esta maravilha:

 

E não é que está já a escrever o segundo?
Um beijão para ti Ana!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

4ª Edição

A Revista There Was A History já vai na sua 4ª edição. Querem passar por lá para lerem pequenos contos?

O espelho e eu

                                                 Imagem retirada da Net

"Olho para o espelho e fico surpreendida com aquilo que vejo."
Lisa See, "Raparigas de Xangai"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS!

QUE O PRÓXIMO ANO VOS TRAGA MUITAS SURPRESAS AGRADÁVEIS E CAIXAS E MAIS CAIXAS CHEIAS DE LIVROS FRESQUINHOS PARA LEREM!

Uma chinesa na América


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 352
Editor: Bizâncio
ISBN: 9789725304372
Colecção: Montanha Mágica

Quando peguei neste livro sabia que ia gostar. A capa pareceu-me - como qualificá-la? - diferente, estranha mas, depois de o concluirmos, percebemos que tem todo o sentido. De Lisa See já tinha lido "O leque secreto" e os temas tratados agradaram-me muito. O que não imaginava era que ia gostar tanto assim!

O livro foi para mim uma pérola que, página a página, fui abrindo, descobrindo e amando. Rico (riquíssimo!) nos temas escolhidos, é uma lição de História que vamos aprendendo sem nos darmos conta e, também, uma lição de vida, de coragem e de amizade.


De escrita simples, directa, sem floreados mas arrebatadora, este romance cativa imediatamente a nossa atenção, tanto mais que os acontecimentos sucedem-se em catadupa, não nos deixando quase espaço para respirar. Acontecimentos que são, de tal forma "estranhos" para nós, que foi como uma chuvada de sensações, às quais não podemos ficar insensíveis... A narradora é Pearl, uma jovem chinesa, que nos vai contando momentos da sua vida, que partilha com sua irmã mais nova, entre 1937 e 1957.


Ficamos a conhecer os costumes de uma China dessa época, marcada pela guerra, os contrastes entre indivíduos de classes sociais díspares, a indiferença por parte de duas jovens em relação às injustiças gritantes existentes entre essas mesmas classes, as diferenças de mentalidade entre pais e filhos que são tão, mas tão diferentes das nossas, que nos fazem "estremecer" um pouco. 

Baseado em factos verídicos, damo-nos conta, igualmente, de uma realidade que, naquela época, tomou proporções imensas, a emigração ilegal do povo Chinês para fugir da invasão Japonesa e as suas dificuldades num país que nunca os aceitou verdadeiramente e os marginalizou, a América. Criaram um mundo à parte - Chinatown - do qual não se conseguiam desligar, mesmo que tivessem dinheiro suficiente, pois a sua naturalidade era um impedimento. Os seus filhos, sendo cidadãos americanos, viveram, também, essa marginalização, acrescentando o facto que viveram no meio de duas culturas muito diferentes entre si, sentindo-se divididos entre elas.

Muito, muito bom! Ah, um pedido: será que a autora não poderia continuar este romance? É que a história podia tão bem continuar... Ficou tanto em aberto...

Terminado em 21 de Dezembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Em 1937, Xangai era a Paris da Ásia. Duas jovens irmãs, Pearl e May Chin, gozam a época dourada das suas vidas, graças à fortuna do pai. Um dia, porém, o pai anuncia que perdeu toda a fortuna na mesa de jogo, e que, para pagar as dívidas, as vendeu como esposas a compatriotas endinheirados que vieram da Califórnia à procura de noivas chinesas. Já com as bombas japonesas a caírem sobre a sua amada cidade, Pearl e May embarcam na viagem das suas vidas rumo à América. Recomeçam a vida tentando encontrar o amor junto dos estranhos com quem se casaram. Divididas entre o fascínio de Hollywood e os antigos modos de vida e as regras de Chinatown, esforçam-se por aceitar a vida americana. Pearl e May são amigas inseparáveis; porém, como todas as irmãs, nutrem, também, uma pela outra, invejas e rivalidades mesquinhas. Enfrentam sacrifícios terríveis, fazem escolhas impossíveis e partilham um segredo devastador, capaz de mudar as suas vidas.

Um pouco de Historia

Em julho de 1937, sem declaração de guerra, o Japão inicia as hostilidades; em menos de noventa dias os japoneses ocuparam a parte oriental do país, sem que o governo nacionalista pudesse impedi-los. Pequim e Tientsin caem em poder dos nipônicos. Os EUA e a URSS firmam com a China tratados de ajuda e amizade.

Os comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung, e os nacionalistas, liderados Chiang Kai-shek, assinam um acordo em 22 de setembro de 1937, pelo qual os comunistas abandonam seu projeto de um governo revolucionário, renunciando a insurgir-se contra o governo de Chiang Kai-shek que, pelo seu lado, comprometeu-se a suspender as operações anticomunistas, forma-se dessa forma a Segunda Frente Unida. Apesar da aliança, as forças chinesas não são fortes o suficiente para lutar contra o Exército Imperial Japonês e sofrem uma série de desastres no início do conflito. O Japão, ocupa Xangai e Nanquim, realizando o bloqueio da China meridional, e instituindo um Estado títere, que durou de 1938 a 1945, reconhecido pelas potências do Eixo.

A participação da China na II Guerra Mundial, a partir de 1941, facilitaria a ajuda norte-americana, inglesa e soviética ao governo de Chiang Kai-shek, e a derrota do Japão em 1945, representou a libertação do território nacional. Dessa forma, o avanço das forças soviéticas pela Manchúria a 8 de agosto de 1945 e o lançamento em 6 e 9 de agosto de duas bombas atômicas sobre o Japão, destruindo Hiroshima e Nagasaki, encerrou a Guerra do Pacífico. O Japão rendeu-se incondicionalmente em 10 de agosto de 1945.

Com o final da Segunda Guerra, os japoneses foram expulsos do território chinês e as tropas de Chiang Kai-shek, com o apoio bélico dos Estados Unidos, lançaram uma ofensiva contra os “vermelhos” de Mao Tse-tung, reiniciando, então, o conflito armado.

Em 1948, quase toda a China do Norte estava em poder dos comunistas, que, no inicio de 1949, ocuparam Tientsin e Pequim, além de dominarem a região central do país. Chiang Kai-shek demitiu-se em janeiro de 1949, entregando o poder ao General Li Tsung-jen. Isso não facilitou as negociações com os comunistas, que exigiam a formação de um governo de coalizão sob a chefia de Mao Tse-tung. A queda de Xangai, Nanquim e Cantão representava a liquidação dos exércitos nacionalistas, agravada pela atitude dos EUA, que em agosto de 1949 anunciavam a cessação de qualquer ajuda ao Kuomintang.

Mesmo sem a ajuda da maior potência comunista, a União Soviética, dirigida na época por Stalin, as forças de Mao conseguiram a vitória. Em 1º de outubro de 1949, conquistaram o poder e proclamaram a República Popular da China, sendo instalada a Conferência Consultiva do Povo, que elaborou o programa do novo governo, presidido por Mao Tse-tung.
(Retirado da Wikipédia)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Soltas...

"Ao longo de toda a minha vida tive sempre o melhor de tudo, no que comia, no que vestia, onde dormia, como me deslocava. Agora penso como seria fácil para May, a minha mãe e eu, para pessoas como nós - privilegiadas e bem tratadas - morrer no meio da estrada. Não sabemos o que significa viver com quase nada. Não sabemos o que é preciso para sobreviver dia após dia."

"Quando perdemos a nossa pátria, o que conservamos e o que abandonamos?"

"Diz que odeia os comunistas, porque é o que nós temos que dizer, mas ainda ama a terra, a arte. a cultura e o povo da China que não tem nada que ver com Mao, a Cortina de Bambu ou os Vermelhos."

"Travo diariamente uma batalha interior: quero que a minha filha seja patriótica e tenha todas as oportunidades que ser americana lhe trará. Ao mesmo tempo, temo não ter conseguido ensinar Joy a ser filial, educada e chinesa."

"Podemos sempre contar com as pessoas para nos encherem a festa quando estamos em glória, mas nunca devemos sonhar que nos mandarão carvão quando nevar."

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sombras de nós

Imagem  retirada da Net

"Uma coisa aprendi com os meus doentes - disse-lhe eu - é que todos nós passamos a vida a viver ao lado da pessoa que podíamos ter sido."
Richard Zimler, "Os anagramas de Varsóvia"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entraram sem bater...

O mano emprestou:

 

Trouxe das BLX:

E foram muito bem recebidos! Como faço para alargar o Tempo?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Quem postou...

http://timeout.sapo.pt/news.asp?id_news=4339

http://va.vidasalternativas.eu/?p=1805

http://www.livroseleituras.com/index.php?option=com_content&view=article&id=236:os-anagramas-de-varsovia&catid=35:romance-estrangeiro&Itemid=41

http://www.blogdamulher.com/os-anagramas-de-varsovia-richard-zimler/

http://www.donagataempontodecruz.com/2009/10/os-anagramas-de-varsovia-de-richard.html

http://queroumlivro.blogspot.com/2010/12/os-anagramas-de-varsovia-richard-zimler.html

http://dosnossoslivros.blogspot.com/2010/05/os-anagramas-de-varsovia-richard-zimler.html

Crime entre muros


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 368
Editor: Oceanos
ISBN: 9789892305837
Colecção: Mar de Histórias

Todos os livros de Richard Zimler que li têm como pano de fundo o Holocausto. Não que considere isso uma menos-valia, muito pelo contrário. Gosto muito de ler sobre este tema e aprende-se sempre mais qualquer coisa! Quando a isso se alia uma escrita empolgante, um policial baseado em factos históricos - pois esse género de crimes hediondos aconteceram realmente - então estamos perante uma obra prima...


A ocupação alemã da Polónia, em 1939, mais concretamente de Varsóvia, serve de palco a este livro espectacular. O gueto de Varsóvia, formado um ano depois, "assistiu" a um acumular de doenças provocadas pela fome e falta de higiene, tais como o tifo e o escorbuto, pois num espaço reduzido foram "emparedados" todos os judeus da cidade e arredores, atingindo um total de 380 000 pessoas. Dali seguiram, muitos deles, para os campos de extermínio...


Erik Cohen, psiquiatra, 77 anos, relata todos os seus esforços para descobrir os assassinos de seu sobrinho-neto, Adam, de 9 anos e de mais duas crianças, todas com sinais de nascença na pele. De raciocínio rápido e profundo, Erik vai descobrindo os pormenores macabros das suas mortes e leva-nos a participar neste empolgante mistério. 


Já não lia um policial à muito tempo e este, pelo seu carácter até certo ponto verídico, (pois, como referi anteriormente, no geral, é baseado em factos reais) considero-o, muito bom. 


P.S. Tenho pena que as capas, por vezes, não traduzam com exactidão o interior dos livros! Esta é uma dessas... Vi a capa brasileira e achei-a magnífica. Retrata um senhor de idade abraçado a uma criança. Ambos olham para um muro que se depreende do gueto. Muito bonita mesmo! 

Terminado em 18 de Dezembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse


Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade… No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam. 


Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada. Em breve outro cadáver aparece - desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.

Um pouco de História

Gueto de Varsóvia - foi o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polónia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial. Nos três anos da sua existência, a fome, as doenças e as deportações para campos de extermínio reduziram a população estimada de 380 000 para 70 000 habitantes. O Gueto de Varsóvia foi o palco da revolta do Gueto de Varsóvia, a primeira insurreição massiva contra a ocupação nazi na Europa. Apesar disso, a maioria das pessoas que estiveram no Gueto de Varsóvia foi gaseada no campo de extermínio Nazi de Treblinka.
(retirado da Wikipédia)






Após a revolta, Hitler ordenou que o gueto fosse destruído. Foto de suas ruínas em 1945.(Wikipédia)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Soltas...

"Quando se enterra uma criança, o chão abre-se-nos debaixo dos pés, e caímos lá dentro sem opor qualquer resistência quando a escuridão nos enlaça nos seus braços acolhedores, porque não conseguimos imaginar mandar um rapazinho ou uma menina sozinhos e nus para o mundo subterrâneo."

"Quando te ris, os teus olhos brilham, e ficas com a mesmo expressão quando tínhamos sete anos de idade e planeávamos aventuras no nosso bairro. É aquilo que tens de melhor, esse teu riso (...) e, embora provavelmente penses que há em ti outras coisas mais importantes e profundas, não há. Porque essa maneira que tu tens de mudar da dor ou do medo para uma alegria total num instante... como se houvesse dentro de ti uma mola a empurrar-te para o melhor..."

"O salto que deu para o pátio deve ter significado que não houvera portas suficientes a fechar-se atrás dela no decurso da sua vida; tornara-se prisioneira de uma história que não pudera continuar a ler."

"Não disse nada; aprendera ao longo do meu trabalho que há pessoas que são estéreis por dentro - não sentem solidariedade por ninguém. O mais espantoso é que tinham tal e qual o mesmo aspecto que nós."

"O terror encurrala-nos a todos de vez em quando, mas o importante é não deixarmos que construa muros à nossa volta."

"Às vezes precisamos de esperar durante muito tempo para sabermos o significado do que está a acontecer neste preciso instante."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Como fazer para te ver"


"Como fazer para te ver? Contempla-me, meu amor!, olha-me nos olhos e deixa-me admirar os teus, ver o que se esconde por detrás dessas cortinas cinzento-azuis, contempla-me e deixa-me abrir-te por dentro, até te tocar onde dói, para te beijar as feridas que não me mostras, para te acalmar as mágoas que em ti navegam e não te deixam descansar, contempla-me e deixa-me tratar das nódoas negras do teu coração."

"Gestos Esquecidos" de Fernando José Rodrigues

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando o passado nos persegue


Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 308
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895551798
Colecção: Ficção

Este livro surpreendeu-me muito! Não que eu estivesse à espera de não gostar, tanto mais que me foi recomendado por uma amiga (obrigado Teresa!), mas talvez pela capa, achei que seria um pouco "antigo", démodé seria a palavra certa.

Enganei-me. É bem feito, para não fazer juízos antes do tempo, ou neste caso, antes da leitura! 

É uma roda viva este romance! Explico porquê: o narrador muda constantemente, o passado cruza-se com o presente de uma forma que não nos deixa descansar... e tudo isto sem perdermos o fio à meada, sem nos perdermos na leitura. Sentimos necessidade de avançar, de não largarmos o enredo.

Estamos quer na época da Revolução em Portugal, no tempo das F.P. 25 de Abril, como vinte e tal anos mais tarde. Escrito de uma forma quase poética, "Gestos esquecidos" faz-nos reler algumas frases de tão bonitas e tão cheias de conteúdo que são, ao mesmo tempo que nos impele a ler rapidamente, tal é a vontade de chegar ao fim. E o fim arrebata de tão surpreendente que é.


Já ouviram falar da teoria efeito borboleta: segundo a cultura popular, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo? ou, mais popularmente,  que um bater de asas de uma borboleta em Tóquio provoca uma tempestade em Nova Iorque? Às vezes as relações humanas são exemplo disso... Fez-me lembrar isso mesmo, esta história. De como as nossas acções, por mais simples que nos pareçam, podem determinar, em grande medida, o futuro dos nossos descendentes e o nosso, claro!

Muito bem conseguido este livro de um autor que, sinceramente, nunca tinha ouvido falar! Recomendo.

Terminado em 14 de Dezembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Duas famílias, dois ideais, um amor marcado pelos excessos da revolução.
Portugal, anos 80. Virgílio é militante operacional das Forças Populares - 25 de Abril. Numa das acções revolucionárias em que participa mata José Trinan, empresário do Norte, e fere gravemente uma das filhas. João Pedro, filho de Virgílio, só aos 18 anos toma conhecimento, pela voz de um juiz, das actividades do pai. 
Mais tarde, quando decide partir em busca das suas raízes, o seu caminho cruza-se com o de Dulce, filha de José Trinan. Depois de viverem dias de paixão intensa, João Pedro decide contar-lhe toda a verdade. E tudo muda a partir daí. 
Prendendo o leitor da primeira à última página, Gestos Esquecidos é um romance que nos apresenta um retrato fiel de uma época muito peculiar do Portugal contemporâneo e nos recorda como são indefiníveis os limites desse território misterioso que é o amor.

Um pouco de História:

Forças Populares 25 de Abril (FP-25) foram uma organização terrorista de extrema-esquerda que operou em Portugal entre 1980 e 1987.
Parte significativa dos seus militantes procediam das antigas Brigadas Revolucionárias.
Entre 1980 e 1987, as FP 25 foram responsáveis por 13 homícidios - aos quais acrescem ainda as mortes de 4 dos seus operacionais - 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores[1].
O julgamento dos seus crimes foi incompleto, quer por prescrição de alguns dos processos, quer pela dificuldade em identificar os autores materiais dos factos. (Retirado da Wikipédia)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Soltas...

"Ao som das sirenes dos carros de polícia e das ambulâncias que gemiam urgências, os terroristas deixaram apressadamente, com pedaços de névoa nos olhos, o local do crime. Nesse instante profético, Virgílio viu empalidecer, entre os pedaços de chuva negra que caía, a estrela com que sonhara e duvidou, naquele momento tenebroso, do mundo novo que se propusera, deste jeito, fazer nascer."

"Beijava-te e rodopiava contigo pelos nossos corpos adentro e olhava-te bem de perto, o hálito quente do beijo misturado com as gotas de suor nosso, as garras dos nossos dedos misturando-se com a carne irrequieta, houve momentos em que chegámos a ser um só.Mas cedo partias mesmo ali ficando."

"Quando um semáforo passou a verde e a menina se levantou, com a Abelha Maia agarrada contra o peito, olhou e contemplou num instante que pareceu uma infinidade, um rosto e uns olhos tensos de um homem que suplicava, mudamente, que o tempo parasse. Mas o tempo explodiu e tudo se desfez à sua passagem."

"Chovia e ficámos em frente do jazigo, ali estavam meu pai e minha irmã, Agora rezamos menina! E eu que no colégio, aprendera tudo, tim-tim por tim-tim, atrapalhei-me no pai-nosso, as palavras saíram distorcidas e engasgadas, e acabei a chorar, molhava-me por dentro mas também por fora, Nem prestas para rezar, menina!"

"Agarrou-o por um ombro, Podes chamar-me tudo (...) vê lá o que te permito sem me ofender. Mas se me chamas isso tudo, que não sou, não te esqueças de me chamar também amigo!"

"A memória é uma casa grande, tão grande quanto a ausência. Na memória cabe tudo o que somos, incluindo o que quisemos olvidar e também tudo o que nunca seremos, mas que gostaríamos de ter sido."

sábado, 11 de dezembro de 2010

A vida em surdina


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 336
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892304762

Vi algures um comentário positivo sobre este livro e  para além disso, o título deliciou-me. Depois de ler um livro,um segundo título vem-me logo à cabeça. Com este romance isto não aconteceu. "A vida em surdina" é um título perfeito!

É em forma de diário que somos confrontados com uma realidade, por vezes esquecida ou ignorada por todos nós, aqueles que não têm problemas de audição. Desmond, professor de linguística reformado, vai-nos dando conta das suas dificuldades, pelas quais passa diariamente, dificuldades essas que , muitas vezes, chegam ao cómico. Como ele próprio diz: "A cegueira é trágica, a surdez é cómica." Essa sua deficiência auditiva causa frequentemente equívocos que o isolam, o ridicularizam, o perturbam.

Escrito de uma forma simples, mas que nos prende a atenção, esta história apresenta-nos uma outra realidade dos nossos dias: Desmond vive a alguns quilómetros de distância de seu pai, de idade avançada. Este idoso, que possuiu uma vida rica de experiências, músico autodidacta, vê-se agora numa situação de crescente desespero e impotência para os outros, pois vai perdendo as suas capacidades mentais aos poucos, sem que ele próprio o reconheça devidamente. Que fazer com um idoso que se recusa sair de sua casa mas que, simultaneamente, constitui um perigo para si mesmo?

E, expectante, fui lendo este romance até que me encontrei na última página. E o resto? - perguntei eu. É a única crítica que faço a este livro: pareceu-me inacabado, faltou qualquer coisinha... Bem sei que a vida é, ela própria, muitas das vezes inacabada, mas isto é um romance, não?  Por esta razão, tive dúvidas em dar 4 de classificação, mas achei que 3 seria muito pouco pois deu-me prazer ao ler este livro.
Gostei sinceramente.

Terminado em 10 de Dezembro de 2010

Estrelas: 4*

Sinopse

Quando decide pedir a reforma antecipada, o professor universitário Desmond Bates nunca pensou vir a sentir saudades da azáfama das aulas. A verdade é que a monotonia do dia-a-dia não o satisfaz. Para tal contribui também o facto de a carreira da sua mulher, Winifred, ir de vento em popa, reduzindo o papel de Desmond ao de mero acompanhante e dono de casa. Mas o que o aborrece verdadeiramente é a sua crescente perda de audição, fonte constante de atrito doméstico e constrangimento social. Desmond apercebe-se de que, na imaginação das pessoas, a surdez é cómica, enquanto a cegueira é trágica, mas para o surdo é tudo menos uma brincadeira. Contudo, vai ser a sua surdez que o levará a envolver-se, inadvertidamente, com uma jovem cujo comportamento imprevisível e irresponsável ameaça desestabilizar por completo a sua vida.