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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Soltas...

"A dor da perda, o sentimento de culpa e o desespero de nunca mais vir a saber o que acontecera a Sam devastaram a vida de Jacqueline e o tempo provara que jamais iria recuperar. Era como se tivesse surgido um buraco negro no mundo de ambos no dia em que Sam foi levado e tudo o que tinham sido até então e tudo o que pudessem vir a ser no futuro tivesse sido simplesmente sugado."

"Em toda a sua vida, jamais esqueceria os dias e as semanas que se seguiram àquele terrível dia; a busca , a esperança, a descrença, o medo indescritível enquanto aguardavam notícias, enquanto viviam num pavor de morte de que descobrissem um pequeno corpo ou até um pedaço ínfimo de roupa que reconhecessem."

"Porém, tinha-se entregado às sua profundezas, tinha ficado tão submersa na perda e em harmonia com a culpa que parara à muito de procurar uma saída. Ao invés, tentara arrastar com ela todas as pessoas à sua volta."


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Diário azul de James A. Levine




Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 176
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04074-9


Bombaim. Índia. Prostituição infantil. Diário de uma menina tornada prostituta desde os nove anos de idade.

Um livro chocante, que parece mentira face aos acontecimentos que Batuk relata e vive. Duro, de uma crueza que nos deixa com o estômago revolvido...

Batuk "foge" do seu mundo usando um lápis e papéis, imaginando, inventando histórias, mas também, narrando o que lhe vai sucedendo no seu dia a dia. São esses papéis - o seu diário - que, depois de descoberto, tornam o seu sofrimento ainda mais impossível de imaginar!

É isso mesmo: inimaginável o seu sofrimento! Vale a pena ler!

Terminado em 26 de Agosto de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse



Há livros assim: que colocam o nosso interior num alvoroço, que permanecem connosco muito além do fim da história - autênticos milagres da imaginação. Este é, sem dúvida, um desses livros!
O Diário Azul conta a história de Batuk, uma menina indiana vendida como escrava sexual, pelo próprio pai. No caderno que sempre a acompanha, esta menina-prostituta de Mumbai inventa histórias encantadoras para fugir à terrível realidade dos dias.
Um relato profundamente comovedor que se transforma num belo e esperançoso hino ao poder das palavras e da imaginação.

Soltas...

"Onde estarei eu? Penso. Tento olhar para dentro de mim de todos os ângulos e apanhar reflexos de um aspecto de mim a partir de outro aspecto. Como definir o que sou, exactamente, em oposição ao reflexo que pareço ser?"

"Os sentimentos, as emoções que me atravessam, os pensamentos e os nove sentidos são irrelevantes, visto eu ser simplesmente o que pareço ser neste momento: uma prostituta de quinze anos moída de pancada..."

"Quem são vocês para me julgar, para decidir que o meu destino será miserável? Os juízos de valor representam a sombra formada pelo preconceito."

"Quando vivia no meu ninho, também eu cheguei muitas vezes a pensar que tinha perdido o meu nome para sempre. Tornara-me um item anónimo e sem qualquer função específica; quem dá o nome a uma mesa ou a uma vassoura?"


domingo, 29 de agosto de 2010

Até ao fim da vida e de nós próprios


Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 160
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722020626




As minhas expectativas em relação a este livro eram elevadas. A ideia com que fiquei, dos comentários que li, era muito positiva, o que me levou a acreditar que este era "um dos livros"...Talvez por isso ficou um pouco aquém do que esperava!

Fazendo quase um monólogo, o protagonista, que tem já 75 anos, "conversa" com um velho amigo que não vê há 40 anos. Fala-nos do valor da amizade, da traição que os envolveu nessa altura, das dúvidas e das certezas que sente em relação a isso, do amor e do ódio, da infidelidade que marcou a sua vida, a da sua esposa e a do seu melhor amigo.

Gostei. É um livro que parece simples mas que se vai tornando mais complexo com o passar das folhas, pois as "verdades" que o protagonista apregoa não são confirmadas pelo seu amigo, mas sentimos que realmente aconteceram... mas às vezes torna-se um pouco monótono.

Terminado em 18 de Agosto de 2010

Estrelas: 3*

Sinopse

Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...




sábado, 28 de agosto de 2010

Soltas...


"Uma pessoa sabe sempre a verdade, essa outra verdade que é oculta pelas representações, pelas máscaras e pelas circunstâncias da vida."

"Mas no fundo da tua alma escondia-se uma emoção convulsiva - o desejo de ser diferente daquilo que eras. É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem,. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano."

"Mas não pode ser de outra maneira: só através dos pormenores podemos perceber o essencial, aprendi assim nos livros e na vida."

"Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar."

"Podes alcançar tudo na vida, podes vencer tudo à tua volta e no mundo, a vida pode oferecer-te tudo e podes tirar tudo da vida: mas nunca podes mudar os gosta, as inclinações, o ritmo da vida de uma pessoa, aquela diferença que caracteriza por completo uma pessoa, a pessoa que é importante para ti, que te interessa."

Ao vivo e a cores!!!

Uma beleza natural, lindíssimo, este Parque Natural dos Lagos de Plitvice - Croácia - património mundial da Unesco desde 1979! Conhecido pelas espectaculares quedas de água, possui 16 lagos que podem ser visitados a pé, de autocarro e de barco. Uma água transparente como poucas vezes vi...

Um dia magnífico onde a máquina fotográfica e a de filmar não têm mãos a medir!

Mas...

Já CHEGUEI!!!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Aqui vou eu...

Pausa de 2 semanas... não a viajar com as palavras mas a viajar de corpo e alma!
Itália, Eslovénia e Croácia aqui vou eu!!!!!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Adopção




Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 388
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722329620
Colecção: Grandes Narrativas


Tenho pouco a dizer sobre este livro. Li-o. Não me empolgou, mas também não tive vontade de o abandonar...

Fala sobre a adopção, os problemas que essa acção implica, quem tem legitimidade para o fazer e, sobretudo, se, perante a lei, uma pessoa que foi adoptada tem os mesmos direitos que as outras... isto tudo em volta de uma bébé a quem morreram os pais num acidente.

Fala-nos também sobre a perda de alguém que se ama, neste caso de um filho e sobre as doenças terminais. Sobre o amor que isso envolve..."E aqueles livros que lhe haviam sido entregues discretamente? Livros sobre esperança e restabelecimento. Viver uma vida cheia após uma perda? Compreender que coisas más aconteciam a pessoas boas?"

Pareço fria ao falar destes temas? Pois! O livro não mexeu comigo...

Terminado em 12 de Agosto de 2010

Estrelas: 3*, talvez... 3*-


Sinopse

A Colecção «Grandes Narrativas» integra mais um título de Jacquelyn Mitchard. Depois de «Profundo como o Mar» (1998), obra adaptada ao cinema num filme protagonizado por Michele Pfeiffer e do livro «A Mais Amada» (2000), a autora assina agora «Um Pai Muito Especial». Considerado o mais intenso de todos os romances, este livro inspirou-se na experiência como mãe adoptiva de Jacquelyn Mitchard, para relatar um caso de adopção. Keefer Nye, com apenas um ano de idade é filha de um casal que morre num desastre automóvel. A partir daqui, todos os que conheciam os pais e são próximos da família, querem adoptar esta menina, com melhores ou piores intenções...
Uma abordagem que parte da realidade para ficcionar o doloroso processo de adopção, cada vez mais frequente nas sociedades contemporâneas, e que traz ao de cima as inúmeras emoções por que os envolvidos passam.

domingo, 8 de agosto de 2010

Mais outro...

Mais outro!!! Ao fim de quase 100 paginas desisti...


A história pareceu-me interessante mas acho que a autora se "perde" um pouco em diálogos que me fazem ficar impaciente e me fazem querer saltar de página. Para além disso, gosto mais quando um livro me "situa" num momento ou num espaço físico verídico, mesmo que a história não seja real, e não foi isso que aconteceu! Assim sendo, já sei o que vem a seguir: abandono a leitura.

Não gosto nada que isso suceda, mas com tantos livros para ler e, se entendo que a leitura deve ser um prazer, então já há muito que deixei de ler só pela obrigação de acabar um livro...

O próximo que tenho em espera também é desta autora. Já li críticas muito positivas mas houve também quem não conseguisse acabar. Será que eu...?

Abandonado em 8 de Agosto de 2010

Estrelas: 1*

Sinopse

Arley Mombray tornara-se desde muito cedo numa criança auto-suficiente. A ausência de afecto da mãe fazia dela, aos catorze anos, uma mulher quase adulta. Só a escrita a ajudava a redimir-se da infância que não vivera. É também através dela que conhece llon Thomas LeGrande, um recluso de 23 anos com quem começa a trocar correspondência. Seduzida pelos poemas que Dillon lhe dedica, Arley passa a visitá-lo regularmente vivendo momentos de grande paixão. O que Arley não sabe, é que por detrás da sensibilidade poética de Dillon se esconde uma personalidade psicopática que a irá ameaçar a ela própria e ao bebé que entretanto traz no ventre... Da mesma autora de «Profundo como o Mar», um romance de grande intensidade psicológica em que Jacquelyn Mitchard cria personagens inesquecíveis.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vamos à Índia?


Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 288
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724139524



Lê-se num fôlego este livro! A história de duas amigas que partem para a Índia em passeio...

Narrada precisamente por uma delas (Esther), esta viagem transporta-nos para o interior desse país, mas também, para o interior desta personagem: os seus pensamentos, as suas dúvidas e conflitos, as suas contradições e até das "crises " da própria amizade em si, entre ela e Gemma.

Acontecimentos estranhos vão surgindo sem que deles se aperceba totalmente, acontecimentos esses, que só mais tarde se dá conta. Tarde demais...

Esta viagem, é também, um processo de crescimento interior da personagem principal, um amadurecimento que a própria vida se encarregou de fazer através do que lhe foi acontecendo...

Mantém-nos "agarradas" este livro! Logo nas primeiras páginas do livro, o factor surpresa e a dúvida começam a instalar-se cedo em nós. Bom!

Terminado em 4 de Agosto de 2010

Estrelas: 3*(+)

Sinopse

Seis anos passaram sobre a morte de Gemma. Seis anos de dúvidas e angústias, durante os quais a vida de Esther foi um inferno permanente.
Quando as duas amigas decidem fazer uma viagem juntas, nada faria prever que apenas uma delas regressaria. Esther era bela, sofisticada e destemida, Gemma o seu oposto. Ávidas de novas experiências, partem para a Índia em busca de aventura. O que elas ignoravam era que estavam prestes a entrar num mundo onde as regras sociais que lhes eram familiares não se aplicavam e que o tão almejado afastamento do mundo ocidental era afinal uma porta aberta para o que de mais sombrio traziam dentro de si. E foi rápida e inesperadamente que o sentimento que as unia foi posto à prova, levando-as a confrontar-se com ressentimentos e segredos antigos.
Numa tentativa de descobrir toda a verdade e de se libertar dos fantasmas que ainda a atormentam, Esther tenta agora dar um sentido à tragédia que vitimou a sua melhor amiga e mudou irreversivelmente a sua vida. Seis anos passados sobre a morte de Gemma, Esther está de volta à Índia…

Soltas...

"Mas, ainda que essas verdades inenarráveis estivessem profundamente enraizadas em mim, havia outras que eu procurava, questões que, ao longo dos anos, se tornaram parte do que me rodeia, ecos infindáveis no lugar onde eu estou aprisionada.(...) Como é que se é absolvido de uma ausência?"

"Sinto imensas saudades dela e parte de mim continua a não aceitar que ela morreu.Um dia estava presente e no dia seguinte tinha desaparecido.(...) Tento alinhar tudo na minha cabeça mas continua a não fazer sentido.Será a vida assim tão frágil?"

domingo, 1 de agosto de 2010

A lucidez do amor de Tânia Ganho



Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 320
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04297-2
Colecção: MARCA D'ÁGUA



Bem escrito, este romance. Mantém-nos no suspense, como se estivéssemos num tempo que parou, um tempo de espera, sentimos que algo vai acontecer a Michael e a Paula, protagonistas desta história...

O presente é intercalado com o passado. Viramos as páginas com a sensação de que é na seguinte que se vai dar "o desastre"!

Transparece neste romance toda a pesquisa que a autora realizou sobre temas que vão desde as técnicas da pintura e ilustração, passando pela guerra colonial na Guiné Bissau e pela recente guerra no Afeganistão, como também por hábitos culturais, que ainda subsistem, que inferiorizam a mulher face ao homem, como por exemplo: o impedimento de serem tratadas por médicos-homens e a excisão de meninas. Temas actuais que nunca é demais lembrar.

Gostei muito!

Terminado em 1 de Agosto de 2010

Estrelas: 4*

Sinopse

Esta é a história de Michael e Paula, cujas vidas se vão desenrolando em paralelo, numa pequena aldeia de França e numa base internacional no meio do deserto tajique, separados por quatro meridianos e cinco mil quilómetros de distância.

Uns meses depois do 11 de Setembro, Michael Adam, piloto da Força Aérea francesa, é enviado para o Afeganistão no âmbito da luta contra o terrorismo. Passados quatro anos, parte novamente em missão, mas desta vez com plena consciência da natureza letal do seu trabalho. É com o inquietante pressentimento de que poderá não regressar a casa que se despede da mulher, Paula, e do filho recém-nascido. Atirada para um mundo sem homens, Paula é obrigada a tornar-se mãe solteira e a criar laços de amizade com o heterogéneo grupo de mulheres que a rodeia e que vive ao ritmo do toque do telefone - até ao dia em que as linhas ficam mudas…

Baseado em quatro personagens profundamente humanas e complexas - o piloto estranhamente supersticioso com licença para matar, a sua mulher artista e impressionável, a sogra africana, sábia e marcada para toda a vida, e o sogro amargo que carrega um pesado segredo dos seus tempos de guerra na Guiné-Bissau -, A Lucidez do Amor é um romance inquietante e cheio de suspense, que questiona o significado do amor, explorando as diferenças que nos separam uns dos outros, mas que podem também unir-nos irrevogavelmente.

Soltas...

"Como é que se pode viver depois de perder um filho? E, no entanto, vive-se. Sobrevive-se."

"Para que uma relação entre duas pessoas aparentemente opostas resulte (...) é preciso que cada uma delas descubra os pormenores que tornarão o seu mundo cativante aos olhos da outra."

"De repente, tem noção de que nada controla na vida, que, por mais que se esforce, por mais que planeie o futuro, haverá sempre alguma coisa no presente que escapa ao seu comando."

"(...) quer tê-los à distancia de um passo, um olhar, um carinho, e nunca os deixar sair de casa de manhã com uma briga em suspenso, uma discussão a meio, um silêncio mal esclarecido."

"Dizem que o amor é cego, mas é a paixão que não vê defeitos e incoerências. O amor é lúcido, vê as falhas e as contradições e, apesar disso, subsiste."